Autor Tópico: O.E. versus Unidade de Missão dos Hospitais S.A.  (Lida 3765 vezes)

Offline nunotavares

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O.E. versus Unidade de Missão dos Hospitais S.A.
« em: Fevereiro 11, 2005, 18:59:15 »
A Ordem dos Enfermeiros recebeu, em quatro de Fevereiro passado, cartas da Unidade de Missão dos Hospitais SA e da FENSE.

Ambas se referiam ao mesmo assunto: as negociações que decorrem entre as duas estruturas para aprovação do Acordo Colectivo de Trabalho para os Hospitais SA, no que aos enfermeiros se refere.

O documento enviado foi analisado no Conselho Directivo que se realizou em nove de Fevereiro e aí, perante à importância do assunto em apreço, a Ordem decidiu solicitar à Unidade de Missão a prorrogação do prazo inicialmente concedido para se pronunciar e convidar todas as estruturas sindicais para em conjunto analisarem e debaterem as propostas avançadas.

O pedido da Ordem foi bem acolhido pelo Eng. Pedroso de Lima e o prazo foi alargado até ao dia 28 de Fevereiro.

Consulte aqui: http://www.ordemenfermeiros.pt/?pg=noticias_comp&id=238

in Ordem dos Enfermeiros

Offline pedrojosesilva

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Negociação ACTs: Quem é quem nos Sindicatos da Enfermagem?
« Responder #1 em: Fevereiro 13, 2005, 04:38:31 »
Este post provavelmente não vai agradar a muita gente, os meus amigos que me perdoem  :wink:

Uma questão pertinente para uma altura em que os nossos sindicatos estão a negociar o Acordo Colectivo de Trabalho (ACTs) para os Hospitais S.A.

O Blog http://enfermeirame.blogs.sapo.pt/ alertou para uma especie de ultimato que a FENSE (SE +SEC) lançou supostamente à nossa Bastónaria (ver http://www.sen.pt/modules.php?name=News&file=article&sid=83). Nesse ultimato terá ainda incluido de forma abusiva o logotipo do SEP sem que esta estrutura tivesse subscrito o ultimato de apelo à assinatura de um acordo.

Pelo que percebi no Enfermeirame, a FENSE prepara-se para assinar o acordo negligênciando alguns dos pontos defendidos aquando da Greve de Outubro, mesmo esquecendo o momento politico em que nos encontramos, ou seja com o governos demissionário. Os colegas do http://enfermeirame.blogs.sapo.pt/  alertam que
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ninguém assinava um Acordo de Trabalho sem estarem contempladas as 35 horas semanais, o pagamento pela carreira técnica superior entre outras coisas


No entanto, na página do SE verificamos que o SE defende a revisão da Carreira de Enfermagem em consonância com o nível academico dos Enfermeiros http://www.sen.pt/modules.php?name=News&file=article&sid=62

Importa lembrar que o SEP (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) pertence à plataforma da CGTP próxima do universo de esquerda nomeadamente PCP, onde se não estou em erro a nossa Bastonária participou na luta sindical durante longos anos.

O SE (Sindicato dos Enfermeiros - antigamente do Norte) é dirigido há longos anos por aquele que eu chamo o Alberto João Jardim da Enfermagem, o Enf. Azevedo, tanto pelos longos anos que já está à frente do seu sindicato como pelo facto de ser laranja e ter um estilo pussante nas suas intervenções. Tem sido nos últimos anos Director de Enfermagem do enorme Hospital de São João.

O SEC (Sindicato dos Enfermeiros do Centro) desconheço.

Após esta embrulhada, em 11.02.2005  o SEP pediu uma reunião com a FENSE, vamos ver no que dá. Acho que chegou a altura de estarmos atentos ao comportamento dos nossos sindicatos, para ver se na verdade existe ou não a união da classe por parte de quem tem responsabilidades acrescidas porque são nossos representantes. Acima das filiações partidárias deve estar a posição sindical que defendem no seu discurso para a classe.
A Opinião Pública da Enfermagem está mais que nunca alerta para o comportamento das nossas instituições representativas, porque a Greve de Outubro criou expectativas de união dos Sindicatos em torno de uma luta que é comum.

Offline ruienf

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O.E. versus Unidade de Missão dos Hospitais S.A.
« Responder #2 em: Fevereiro 13, 2005, 22:56:30 »
Embora pertença ao SEN, concordo com a união dos sindicatos e da OE nesta matéria que tanto tem de sensível como de vital para a enfermagem.

Que se esqueçam os partidarismos quando a hora é de crucial importância para a nossa essência enquanto enfermeiros e enquanto prestadores de cuidados de saúde diferenciados, autónomos e, porque não dizê.lo, imprescindíveis.
Rui Pedro Silva

Offline Paulo

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« Responder #3 em: Fevereiro 18, 2005, 21:02:16 »
Só me suscita algumas dúvidas é esta pressa toda.
Eu pessoalmente não acredito em nada de novo a não ser um conjunto de frases muito abstratas e vagas sem nada de concreto mas aguardo com expectativa para me pronunciar.
Se hoje instituições de saúde pública sem fins lucrativos, tratam a enfermagem como se pode ver neste forum, onde os chefes tem e devem ter horários acrescidos para fazer horários, pedir material e arrumar e preocupados em defender auxiliares, que podemos esperar dum serviço que pretende dar lucros, sem olhar a meios.

Um abraço e tenhamos fé,

Paulo
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Offline ruienf

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« Responder #4 em: Fevereiro 19, 2005, 02:45:41 »
Partilho a tua preocupação, Paulo...

Às vezes penso que quanto mais se teoriza sobre centrar os cuidados no doente, mais a prática centra a sua existência nos velhos lugares comuns: lucro, poder, prestígio, aparências...

O que importa é que se esventrem abdomens e se cosam lacerações com o mínimo de tempo e recursos gastos... A essência de enfermagem? Essa não aparece no orçamento... e dá muito jeito a muita gente que assim seja...
Rui Pedro Silva

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« Responder #5 em: Fevereiro 19, 2005, 12:33:30 »
Quer queiramos, quer não vivemos numa sociedade dominada pelo espírito capitalista.

A própria saúde de todos nós é regida segundo o principio da maior produtividade, em detrimento muitas vezes da maior qualidade. O que é preocupante...

E o que acontece com a Enfermagem? Grande parte das suas acções não são passíveis de quantificar, de serem traduzidas por números. O que é possível de quantificar: a vertente técnica da Enfermagem, que não é o que a distingue...

Assim, atrevo-me a dizer, que de certa forma, o estado da saúde, mas em especial a Enfermagem, encontra-se dependente dos números. Mas porque não converter estes números na opinião de quem é mais importante: o doente? Ou ele é somente um número, a partir do qual os senhores da nação tomam as suas decisões?...
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline ruienf

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O.E. versus Unidade de Missão dos Hospitais S.A.
« Responder #6 em: Fevereiro 19, 2005, 13:25:45 »
Concordo, Abílio...

E a apoiar plenamente o teu ponto de vista está a organização dos processos de auditoria e acreditação de algumas unidades hospitalares.. A comiisão de auditores chega, pega nas folhas, reclama por as folhas não estarem numeradas, pergunta porque é que os sinais vitais não estão registados de determinada forma, verifica se as capas de protocolos estão à vista, etc., etc, e nunca fazem o que eu penso saer o mais importante: perguntar ao doente: "Está satisfeito com os cuidados de saúde que lhe estão a ser prestados?".

E dizem-se esses auditores pessoas "expert" em matéria de saúde...
Rui Pedro Silva

Offline Paulo

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O.E. versus Unidade de Missão dos Hospitais S.A.
« Responder #7 em: Fevereiro 25, 2005, 20:24:25 »
Rui, de certa forma tens razão mas o facto é os sinais vitais devem estar registados em folha própria, e a resposta dos doentes é muito relativa não só ao cuidado prestado mas tambem ás suas condições sócio- culturais e económicas no seu domicilio.
Pergunto eu se nós enfermeiros utilizamos algum tempo em abordar o doente para o questionar-mos sobre como quer ser chamado, qual a sua religião, como encara a noite como sofre com a sua dor, etc, etc.
Se olharmos para a NOSSA actuação depois dos cuidados de higiene que pouco ou nada falamos com o doente, á medicação que administramos sem questionar se doeu ou se lhe tem feito efeito, passamos aos registos daquilo que pensamos ter observado e pouco mais, o tempo terminou, são horas de sair depressa pois o 2º emprego já está á espera.

É a nossa vida!
Façamos tudo aquilo que a sociedade espera que como enfermeiros façamos e não permitamos que se criem novos cursos que venham dar resposta aquilo que nós deveriamos dar.

Paulo
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