Autor Tópico: Abuso Sexual na Infância  (Lida 5580 vezes)

Offline joana santos

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Abuso Sexual na Infância
« em: Fevereiro 10, 2005, 21:46:32 »
A infância é a imagem usual da inocência.
No entanto, nas sociedades actuais, milhares de crianças experimentam a violência de maneira regular e as suas vidas são irremediavelmente alteradas, através dos abusos sexuais.  Para essas crianças, os locais de violência não são a guerra da periferia das cidades ou o crime que domina as ruas, mas a guerra que se trava contra elas, muitas das vezes, dentro das suas próprias casas. Este assunto é considerado, por muitas pessoas, um assunto  tabu.
O que é de facto um abuso sexual?
É um comportamento sexual inadequado com uma criança. Tal comportamento pode Incluir carícias nos órgãos genitais da criança, ou a criança acariciando os órgãos genitais do adulto; relações sexuais, incesto, estupro, sodomia, exibicionismo e exploração sexual. Todos os actos cometidos por uma pessoa responsável pelo cuidado da criança sobre as crianças (por exemplo a ama, os pais, aquele que cuida da criança diariamente) ou um parente da criança podem ser considerados abusos sexuais. Se um estranho comete estes actos, isto deverá ser considerado agressão sexual e o caso será tratado pela polícia e pelos tribunais (National Clearinghouse on Child Abuse and Neglect).
Lanço-vos um desafio. Como enfermeiro/a qual o papel que nos é reservado no apoio às crianças que sofrem na pele este tipo de agressão?

Joana,  :?

Offline ruienf

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Abuso Sexual na Infância
« Responder #1 em: Fevereiro 10, 2005, 23:30:29 »
O meu contacto com a pediatria limitou-se ao estágio durante o curso.
Sinceramente, por mais que 0ense no assunto, não sei que cuidados de enfermegm serão considerados adequados perente uma criança vítima de abuso/agressão sexual.
O limiar do pensamento teórico sobre enfermagem aponta para o seu foco de atenção a adaptação da pessoa ao seu estado de doença ou dependênica. Sob este paradigma, será função do enfermeiro assistir a criança para que se adapate ao trauma sofrido. Mas como?

Não sei... Mas é de crucial importância que os enfermeiros criem um corpo de conhecimentos que lhes permita prestar cuidados de enfermagem adequados a estas situações.

Qual a maneira de lá chegar? Estudar, reflectir, investigar e discutir.
Rui Pedro Silva

Offline Joana Margarida Sant

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Abuso Sexual na Infância
« Responder #2 em: Dezembro 11, 2005, 22:51:30 »
Boa noite!

Referente a este tema, eu e outras colegas minhas elaboramos um trabalho no ambito da unidade curricular de Psicopatologia!
É sem dúvida um tema que se julga raro nos tempos de hoje, mas que pelo contrário está bem presente, só que infelizmente ainda é silenciado.

Tentarei colocar o trabalho para download  :wink:

Beijo*
quot;o que a larva chama de fim de vida, o mestre chama de borboleta"

Offline vania_neto

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Abuso Sexual na Infância
« Responder #3 em: Dezembro 20, 2005, 10:57:57 »
Acho que os enfermeiros estao numa posicao ideal para apoiar a crianca vitima de abuso sexual.

Atravez da relacao terapeutica podem proporcionar a crianca um ambiente seguro e de confianca e em que possam partilhar (com o devido apoio) os seus sentimentos/experiencias.

Mais detalhadamente os enfermeiros podem trabalhar com a auto-estima da crianca de modo a que esta compreenda que aquilo por que passou eh errado, nao tem que continuar e que nao eh sua culpa ou responsabilidade.

O enfermeiro pode ainda iniciar contacto com os servicos sociais, psicologos, medicos e professores de modo a que a crianca possa ser seguida adequadamente num contexto comunitario. Ha ainda que ter em conta que muitas vezes o abuso sexual enquadra-se numa situacao de violencia familiar, comportamento dificil e problemas escolares que afectam nao so a crianca mas tambem outos membros da familia, os quais podem ser tambem vitimas de abuso.

Eh tambem necessario ter em conta os sentimentos do enfermeiro vitima de abuso sexual cujos sentimentos/emocoes possam ser afectados ao lidar com um caso desta natureza.

A minha opiniao pessoal eh em que casos como este o pior que se pode fazer eh nao fazer nada e deixar uma crianca a sofrer em silencio, crianca esta que se tornara num adulto cujas mazelas serao ainda mais dificeis de sarar.

Offline Shirley Afonso

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Relação estre Distúrbios Dissociativos e Abuso Sexual na Inf
« Responder #4 em: Janeiro 18, 2006, 01:31:35 »
Introdução
Distúrbio Dissociativo pode ser definido como uma interrupção nas funções integrativas de consciência, memória, identidade e percepção do ambiente. Sintomas dissociativos estão em continuidade entre a normalidade e a psicopatologia, podendo ser encontrados nas pessoas sem transtornos psiquiátricos, até constituirem eles mesmos uma síndrome. Exemplos como atividades normais são: sensação de estar sonhando enquanto está acordado, lapsos de memória, fenômeno déjà vú; como atividade anormal são: fuga psicogênica, personalidade múltipla, amnésia psicogênica. Sintomas dissociativos podem ser encontrados em 1/4 dos pacientes psiquiátricos em geral. Pesquisas feitas na população geral mostraram que esses sintomas estão presentes em aproximadamente 5% das pessoas. Fica assim constatado que esses sintomas são muito comuns. A hipótese da ligação entre os sintomas dissociativos e traumas passados é antiga, sendo investigada desde o começo do século passado. Acredita-se que um trauma, principalmente se ocorrido durante a infância, é responsável por induzir a um processo de defesa dissociativa. Nas últimas décadas retornou à psiquiatria o enfoque descritivo/ateórico dos sintomas. Desta forma a busca de ligações entre trauma infantil e a síndrome dissociativa se faz em termos estatísticos ao invés de explicativos. Como não existe unanimidade entre os estudos que buscam origens na infância dos transtornos dissociativos, alguns pesquisadores contestam esta hipótese. Acredita-se que falhas metodológicas tenham deturpado os estudos que nada encontraram. O presente trabalho tem a finalidade de estudar essa questão seguindo uma metodologia padronizada
Método - Uma amostra de 1028 pessoas foi selecionada para participar das entrevistas semi-estruturadas (seguindo um padrão pré-definido de perguntas). Foi aplicado também um questionário de auto-avaliação de sintomas dissociativos. Cada participante foi indagado quanto a ter sido forçado a participar de uma atividade sexual, enquanto era criança. Além do abuso sexual foi investigado também abuso físico.
Resultado - De acordo com o que foi dito no começo, a existência de uma continuidade entre sintomas dissociativos "normais" e patológicos torna o problema analisável apenas por métodos de análise matemática. Ou seja, define-se como anormal os 5% da população que estiver nos extremos da curva gráfica em torno da média (curva de Gauss), da mesma forma como se define inteligência normal, inferior ou superior. A parcela de pacientes com sintomas dissociativos proeminente encontrada a partir desses critérios compõem 6,3% da população total.
Os sintomas mais encontrados foram:
Não ouvir o que outras pessoas dizem
Episódios de esquecimento
Comportar-se de maneira inesperada
Episódios de sensação de estar revivendo ocorrências
Sensação de não estar num mundo real

Sintomas menos encontrados, mas também presentes:
Esquecer o caminho que percorreu até um determinado local
Achar coisas "novas" entre os pertences antigos
Objetos ou pessoas com aparência irreal
Parte do corpo como não pertencente a si mesmo
Ter a impressão de que um fato real não ocorreu, foi uma fantasia
Ter a impressão de que uma fantasia idealizada foi real
Achar manuscritos pessoais sem conseguir reconhecer como próprios
Ter a impressão de que é duas pessoas diferentes

Do grupo selecionado de 6,3% com sintomas dissociativos acima da média, estudou-se a história de abuso físico e abuso sexual durante a infância assim como transtornos psiquiátricos atuais. Ao contrário do que se pensava, os indivíduos com passado de abuso sexual não constituía um grupo tão volumoso quanto se esperava. Já os indivíduos com história de abusos físicos e transtornos psiquiátricos apresentaram muitos sintomas dissociativos atuais

Discussão - Esse estudo confirma que uma parcela significativa da população (aproximadamente 6%) desenvolvem sintomas dissociativos com frequência. As crianças que sofreram abusos físicos como espancamento por exemplo estão mais sujeitas a apresentarem algum transtorno psiquiátrico, além do próprio transtorno dissociativo. Ao contrário da maioria dos estudos aqui não ficou clara a relação entre abuso sexual na infância e transtorno dissociativo no adulto. Isto indica que não há clareza a respeito dessa questão, uma vez que outros estudos não confirmaram tal relação. A possibilidade de haver falhas metodológicas tanto pode ser dos estudos antigos que revelaram uma ligação entre abuso sexual na infância e síndrome dissociativas no adulto como dos estudos atuais que não detectaram essa relação.

Última Atualização: 29-10-2004
Referências Biblio.:
Am J Psychiatry 1998, 155: 806-811
Relação estre Distúrbios Dissociativos e Abuso Sexual na Infância


FONTE: http://www.psicosite.com.br/tex/sod/dis004.htm
quot;Todo o bem que pudermos fazer, toda a ternura que pudermos dar a um ser humano, que o façamos agora, neste momento, porque não passaremos duas vezes pelo mesmo caminho."

Offline joana santos

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Abuso Sexual na Infância
« Responder #5 em: Fevereiro 26, 2006, 04:34:02 »
O teu trabalho está um espectáculo!!! Obrigada, Joana Margarida Santos
beijinhos, joana santos :wink:

Podem consultar em:
http://www.forumenfermagem.org/modules. ... l_de_crianças