Autor Tópico: Cesarianas a pedido... sim ou não?  (Lida 26689 vezes)

Offline Mauro Germano

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #60 em: Abril 19, 2008, 06:46:45 »
Obrigado!!!

Offline charlie_ze

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #61 em: Abril 19, 2008, 12:07:07 »
Citação de: Magistral Estratega
(...)
Em primeiro lugar pelos precedentes que abre a nível de intromissão utentes em decisões terapêuticas sem que para isso tenham conhecimentos ou competência.
(...)

Mas esse não é o principio do consentimento informado?????


Citação de: Magistral Estratega
(...)
Ainda bem que a minha opinião foi coincidente com a da maioria dos Portugueses que votou, nisso posso dizer que ganhei e esta discussão não passa deste lugar virtual.
(...)
Primeiro eu não apoio o aborto, apenas a não criminalização deste.

(...)porque não minimizar os danos? Ou será melhor vir a recebê-la no Hospital com uma qualquer complicação. (...)

(...)Pelas alternativas? Socialmente e moralmente é aceite a decisão de optar pela cesariana, não se espere é que se compactue com isso se não for indicação disso, pode sempre optar pelo privado onde este tipo de vontades pode ser satisfeito. Se não tiver a opção de recorrer ao privado, acredite que ela não decidirá fugir, estará nas mãos de profissionais experimentados e competentes que optarão pela melhor alternativa (não se passa isso com o aborto pois não?).

(...)

A sua opinião fois im como a dos portugueses, mas cerca dedez anos antos tinha sido não... a opinião dos portugueses é inconstante...

Descriminalização do aborto não implica em transferi-lo para o sector público.....

O argumento de minimizar danos é mau, é dizer que os meios justificam os fins.....

No caso do aborto grande parte dos casos era feito clandestinamente por profissionais experientes na mesma....

Offline Madecassol

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #62 em: Abril 19, 2008, 17:03:53 »
Aborto e cesariana a pedido: JAMAIS!

Mas com a realidade que se vive nos nossos blocos de partos, não me admira que haja pessoas a pedir para fazer cesariana em vez de parto eutócico.

Cabe-nos ajudar a inverter essa tendência. O que estamos a fazer para isso?

Quanto ao aborto, digo não, porque "há uma vida que se vai à vida". Bem diferente, não?

Offline enfermeiredo

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #63 em: Abril 19, 2008, 18:54:23 »
Entre o  aborto e a cesariana a pedido existe um pequena/grande diferença: se a cesariana admite alguma variabilidade entre o óptimo técnico e a opinião pessoal/gosto do utente, no aborto o óptimo técnico é o péssimo ético que se sujeita à opinião de (um dos) utentes, o mais poderoso e o que tem voz. O mais fraco, o que não tem voz, o que está mais dependente, desculpem o vernáculo: Lixa-se.
O povo opõe-se à massa;
vive da liberdade e da consciência de cada um

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Offline Mauro Germano

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #64 em: Abril 19, 2008, 19:50:52 »
@charlie_ze
O consentimento informado não implica que o utente tenha a opção de escolha(porque nem é opção) a uma técnica ou procedimento. Apenas se aceita ou não fazê-la. Em termos genéricos é isto.

Em relação à despenalização do aborto e o assumir dos gastos pelo sector público... Já me referi a isso anteriormente discordando disso, ou seja não acho que o Estado tenha de assumir isso, mas havendo quem não tenha a opção de recorrer ao sector privado, julgo que o Estado tem de assegurar alternativa só isso.

Quanto ao minimizar danos... É admitirmos a realidade tal como ela é actualmente, vivemos num sistema que previne e promove medidas de educação sexual, em que todas as mulheres que não queiram ter um filho têm a informação e ajuda necessária, assim como o contrário? Não
Existia aborto clandestino? Sim
Existia criminalização desse acto? Sim
Se há decisões que podem voltar atrás (decisão em abortar) outras não. O que fazer então com essas?

Se tivéssemos os mecanismos perfeitos de lidar com isto provavelmente até estaria tentado a votar não. Mas não temos isso na actualidade ora não?


Em relação ao "colega" que falou que quem ganhou foi a abstenção. Talvez... Mas dos que se interessaram em votar quem ganhou foi o Sim. Ponto Final ( o parágrafo fica para quando a nossa sociedade for perfeita e possamos evitar todas as maleitas e desgraças que existem ok?).

Offline charlie_ze

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #65 em: Abril 19, 2008, 23:14:49 »
Citação de: Magistral Estratega
@charlie_ze
O consentimento informado não implica que o utente tenha a opção de escolha(porque nem é opção) a uma técnica ou procedimento. Apenas se aceita ou não fazê-la. Em termos genéricos é isto.

(...)

Não sei se será assim tão simples....

Offline Dantroleno

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #66 em: Abril 19, 2008, 23:17:29 »
Do BES, ainda o vão chamar para fazer o lugar de Aladino/Cristiano Ronaldo…

“…mas havendo quem não tenha a opção de recorrer ao sector privado, julgo que o Estado tem de assegurar alternativa só isso…”

Só isso?!?!?!?!
O Estado não tem que custear as despesas da morte de um novo ser. Tem é de custear as despesas da criação/educação de uma criança.

A propósito, como faria a distinção entre quem tem hipótese de recorrer ao privado e quem não tem? 2 salários mínimos por mês?

Não se esqueça que somos um povo (muito bem) treinado e falsear rendimentos, por forma a “furar o sistema”!

Não queria ser um desses!

São os tais estratagemas que há por aí…





P.S.: E quem pratica os estratagemas? OS ESTRATEGAS!

Offline Madecassol

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #67 em: Abril 20, 2008, 22:57:12 »
Já dizia o Vasco Santana: "ESTRATEGAS HÁ MUITOS... Ó P..."

 ;D

 O0

Offline Pinguina

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #68 em: Abril 20, 2008, 23:19:04 »
Citação de: charlie_ze
Citação de: Magistral Estratega
@charlie_ze
O consentimento informado não implica que o utente tenha a opção de escolha(porque nem é opção) a uma técnica ou procedimento. Apenas se aceita ou não fazê-la. Em termos genéricos é isto.

(...)

Não sei se será assim tão simples....

nao é mesmo assim tao simples... o consentimento informado consiste em mostrar ao doente as varias opções possiveis, mostrar quais as vantagens e desvantagens de cada uma... e cabe ao doente decidir... se tiver competencia para tal, claro...
É claro que o doente tem opção de escolha!!! É muito errado dizer isso, colega charlie_ze

Offline Mauro Germano

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #69 em: Abril 21, 2008, 08:21:20 »
@pinguina

Quem disse isso fui eu . Por isso, no caso de estar a imputar culpa, por uma afirmação que considera errada, ela deve ser dirigida a mim.

Aos demais (madecassol e dantroleno): Obrigado pelos elogios.lolol. É sempre bom ver reconhecida uma posição com manifestações de apoio. lolol

Offline nunotavares

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #70 em: Maio 04, 2008, 19:38:41 »
Sou claramente contra...e basta perceber que tipo de tecidos e fascias musculares são seccionados e suturados, para se perceber que a cesariana deverá ser um procedimento de recurso em situações específicas e que o Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos determina muito bem...

Todos sabemos e até conhecemos o caso de alguém que foi até à privada e até escolhe a hora da cesariana...como em tudo, existem temas em que o dinheiro assume suma importância e este é mais um deles...e quem mete o dinheiro ao bolso...deixa as guidelines para o "tolos" que se preocupam verdadeiramente com a saúde da mulher...quando não é o dinheiro, é o Curriculo de alguns internos que precisa de números!

Abraço,

Offline charlie_ze

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #71 em: Maio 04, 2008, 20:47:40 »
Citação de: nunotavares
(...)Todos sabemos e até conhecemos o caso de alguém que foi até à privada e até escolhe a hora da cesariana...como em tudo, existem temas em que o dinheiro assume suma importância e este é mais um deles...e quem mete o dinheiro ao bolso...deixa as guidelines para o "tolos" que se preocupam verdadeiramente com a saúde da mulher...quando não é o dinheiro, é o Curriculo de alguns internos que precisa de números!

Abraço,


Isso não se passa só nas privadas, às vezes a saúde da mulher e d criança pode passar pela cesariana para evitar muita má prática....

Offline CCAV

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #72 em: Julho 17, 2008, 18:38:31 »
Eu sou a favor... ;D
Se queres um amigo, cativa-o!

Offline MariaD

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #73 em: Setembro 07, 2008, 22:53:39 »
Nem tanto ao mar nem tanto à terra...
Eu também não acredito na cesariana a pedido mas há que analisar sempre caso a caso. E deixo-vos um artigo para refletirem:

Cesariana a pedido, sim ou não?
Por Ricardo Herbert Jones

Respondendo à pergunta se considero a cesariana a pedido uma opção válida e se eu realizaria uma: SIM, eu considero a opção pela cesariana como sendo legítima - e a desassistência também (mulheres que optam por ter seus filhos sozinhas, sem qualquer assistência médica).
Não sou capacitado a julgar uma mulher que pede por isso.

Mesmo assim reclamo para mim o direito de desaconselhar ambas. Se eu acredito ser aceitável que uma mulher diminua (ou aumente) os seios sem nenhuma indicação médica, porque deveria impedi-la de fazer uma cesariana? Impedir isso seria atuar no SEU desejo. Agir assim nada mais é do que tutelar a mulher.

Quanto a fazer uma cesariana a pedido, por princípio eu não faço. Encaminho a um colega, se isso for possível. Mas já fiz. E acho que ainda voltarei a fazer.

Fiz uma cesariana (a propósito - FIZ mesmo. Uso o verbo "fazer" quando se trata de cesarianas, e "assistir" quando se trata de parto) há alguns anos a uma paciente que me pediu para fazê-la, argumentando que não teria condições psicológicas para um parto normal. Eu havia atendido as suas duas cesarianas anteriores (paragem de progressão) e o seu segundo filho faleceu de uma SIDS (Sindrome de Morte Súbita do RN), evidentemente dramática, patética e inexplicável, com 6 meses de idade. Logo após esta morte traumática (ainda vou escrever um relato sobre a minha ida ao cemitério às 3 da madrugada para solicitar à mãe que soltasse seu bebé e que permitisse que fosse enterrado) ela engravidou novamente, mas nas vésperas do nascimento (que eu propus que fosse um VBAC2 - parto vaginal após cesariana) ela me pediu em pranto que fosse uma cesariana, pois que não suportaria o drama de imaginar o bebê sufocando na passagem vaginal. Eu ponderei, na época, que talvez fosse inviável tentar demovê-la desta ideia, diante do drama que havia recentemente passado. Assim, realizamos uma cesariana. Eu era o seu grande esteio, sua tábua de salvação. Eu era o referencial médico em sua vida. Eu estive ao seu lado durante o nascimento de seus filhos, e também no grande drama da morte de seu bebé. Como poderia dizer-lhe «Desculpe, não faço isso. Procure outro profissional. Não posso "sujar as mãos" fazendo tal coisa» (*). Isso até pode funcionar na teoria - abandonar uma paciente por sua dificuldade violenta em ultrapassar um trauma - mas na prática é impossível (pelo menos para um sujeito como eu).

(*)Obs: eu não estou falando em usar a frase acima como peça de retórica, para estimular a paciente a suportar mais um pouquinho. Falo de uma negativa REAL, de uma postura dura, que não abre espaço para a compreensão das dificuldades subjetivas de uma determinada mulher.

Minha trajetória relacionada com a cesariana mudou nos últimos anos, e hoje posso dizer que ela está muito mais suavizada. Há algumas semanas eu falei a uma conhecida activista da humanização que não conheço nenhum médico que defenda com tanta paixão o parto normal quanto eu (e isso não é um auto-elogio, é uma confissão), mas que isso não poderia me colocar numa posição de insensibilidade com relação à subjetividade e às dificuldades específicas de uma mulher.

Em alguns casos, uma cesariana pode ter benefícios psíquicos
O individualismo é uma das mais importantes conquistas da humanidade, já dizia o astronauta Roger, e abrir mão das conquistas do direito individual só produziu a barbárie e a desgraça. Valorizar o indivíduo, em detrimento de imposições e regras sociais, é uma conquista da civilização. Onde o individualismo foi solapado pelo Estado ocorreram os maiores genocídios e tragédias.

Um ponto fundamental na minha mudança na forma de ver as cesarianas foi uma conversa com Penny Simkin, em Seattle, a respeito do livro que ela acabara de escrever, o qual gentilmente me deu de presente.
O título da obra é «When Survivors Give Birth», que retrata a história de meninas abusadas sexualmente durante a infância e que, já na juventude, vêm a engravidar. Para muitas delas o parto representa reviverem estes traumas e abusos, que desta forma podem ser encarados como «distócia psíquica».

Neste contexto (a exemplo do trauma de minha paciente), podemos encarar uma cesariana como um possível benefício para além das questões físicas. Mesmo que a ideia de operar uma paciente plenamente apta fisicamente me cause repulsa, é importante que se extendam os conceitos de «aptidão», «higidez» e «capacidade», para que possam abarcar as questões emocionais, afetivas e sexuais.

Desta forma, a simplicidade das questões biomédicas (pressão, açúcar sanguíneo, tamanho do bebê, progressão da apresentação, etc...) ganha uma complexidade de caráter infinito ao ser acresentada da SUBJETIVIDADE inerente a um processo irreprodutível, único e pessoal. Neste contexto, uma cesariana pode, sim, aparecer como uma indicação JUSTA, mesmo que a justeza de tal proceder não possa transparecer nos valores presentes num banal CTG.

Não estou dizendo que essa forma de entender a dinâmica do nascimento, que inclui a questão da subjetividade, nos garante uma desculpa infalível para as indicações oportunistas. Entretanto, sem reconhecer as determinações de ordem afetiva, emocional e sexual estaremos reduzindo mulheres à sua biologia e/ou suas medidas corporais.
Mulheres são muito mais do que a soma total de tais valores.

A questão da cesariana é complexa demais, mas as tentativas de simplificação através de protocolos rígidos baseados em parâmetros biomédicos não vai oferecer todas as respostas de que necessitamos. Há que se avaliar DE VERDADE as questões subjetivas envolvidas em cada caso, e utilizar o conhecimento da ciência como ferramentas para um juízo adequado.


fonte: http://www.mae.iol.pt/

Offline Herodes

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Re: Cesarianas a pedido... sim ou não?
« Responder #74 em: Novembro 03, 2008, 06:21:27 »
"e que o Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos determina muito bem..."

É pena é que o seu presidente advogue uma coisa e pratique outra.
Mais: devia ter vergonha da forma caótica com que por vezes o "seu serviço" funciona.