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Autor Tópico: Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?  (Lida 27896 vezes)

Offline vania_neto

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #30 em: Fevereiro 11, 2005, 21:55:48 »
idem idem, aspas aspas aos 4 ultimos posts!

Offline ruienf

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #31 em: Fevereiro 12, 2005, 01:11:28 »
Guytonn:

Atrevo-me a apontar-te como o exemplo perfeito da busca pessoal de novos conhecimentos sem dersleixar a essência do cuidar em enfermagem. O teu post é a prova irrefutável que as supostas entendidas em enfermagem que tanto te criticaram no curso têm muito a a aprender contigo... e que o mérito deve ser atribuído às enfermeiras e enfermeiros que souberam ver para além da tua existência enquanto estudante de enfermagem.
Rui Pedro Silva

Offline Luís Carlos

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #32 em: Fevereiro 12, 2005, 01:30:18 »
pois inda ha mts enfermeiras k tem a mania... (n sei k idd tinha ela mas imagino k sería dakelas kom uns anitos valentes... s n era ate fiko pasmo!!) mm axim axo k s temus konhecimento para fazer algo k nos é permitido so temus é k o fazer!! eu inda so tou no 2º ano d Enfermagem mas foi logo no 1º ano k m ensinaram a palpação e auskultação (apesar d na pratika eu n ter ainda mta xperiencia) e faço intensoes d futuro utilizar os meus konhecimentos s axim m for poxivel e em kaso d necessidade... por isso axo k agiste bem e no teu direito!!

Luís Carlos
Os anjos estão no céu... Os Enfermeiros na terra...

Offline Guytonn

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #33 em: Fevereiro 12, 2005, 13:25:32 »
Actualmente não existem feudos do conhecimento. O conhecimento é uma fonte onde todos podemos beber. No entanto, o aproveitamento que dele fazemos terá de ser diferenciado conforme o mandato social que nos é conferido. Não podemos cair no engodo de efectuar-mos duas visitas médicas a um doente (uma pelo próprio médico outra pelo enfermeiro). O mesmo conhecimento pode  alimentar de modo diferente dois profissionais distintos. Por exemplo, avaliar um RX pulmonar pode ter inferências distintas: para o médico, isso contribui para a ponderação da instituição de um antibiótico e para o enfermeiro poderá coadjuvar na determinação da frequência necessária da aspiração de secreções ou aquilatar a necessidade de implementar nebulizações com soro fisiológico. Em suma, a diferença entre nós e os demais profissionais não está tanto no conhecimento mas na aplicação que dele fazemos.
PRESENTE É SIMULTÂNEAMENTE O EPÍLOGO DO PASSADO E O PRÓLOGO DO FUTURO.

Offline _

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Pontos essenciais neste discussão
« Responder #34 em: Fevereiro 12, 2005, 13:32:44 »
A discussão sobre este tema, passa a meu ver por alguns pontos essenciais.

Assim, em primeiro lugar, e acima de tudo, penso que deverá haver uma clara distinção de competências. O Enfermeiro insere-se numa equipa multidisciplinar, e não é um solitário. Como tal há que saber o que fazer, como fazer, e quando fazer. Dois exemplos banais: os diagnósticos médicos e os diagnósticos de enfermagem. Por exemplo, o diagnóstico de um artrito pericárdico é diagnóstico médico. Na minha óptica, a formulação de um diagnóstico de Enfermagem, poderá incluir o artrito pericárdico como etiologia, mas não como problema, porque não iremos directamente actuar sobre ele. Um outro exemplo: o acto de suturar. É competência de quem? Está algo definido sobre isso? Parafraseio um professor meu: “sutura quem SABE...” Mas o que tento dizer, é que tem claramente que haver discernimento entre as competências dos diversos grupos profissonais (evitando os mesmo tipos de procedimentos a uma mesma pessoa, em momentos diferentes, e por profissionais diferentes; de igual forma evitando choque de competências entre os membros, o que causaria mau ambiente dentro da equipa, que se repercutiria no doente)

Em segundo lugar, relativamente ao nível de conhecimentos. Não é por termos inúmeros conhecimentos de uma dada área que os devemos aplicar a toda e qualquer altura. Há que saber avaliar as situaçoes (uma a uma) e saber se se justifica aplicar esses mesmos conhecimentos. Não nos esqueçamos que do outro lado está uma pessoa, com sentimentos. Ou seja, acho que se estivesse hospitalizado iria nutrir mais simpatia e agradecimento, por um(a) enfermeiro(a) que me causasse hematomas e dor ao puncionar (por ex.), mas que estivesse a meu lado quando precisasse, que me desse a mão, apoio. Isto em detrimeto do(a) enfermeiro(a) distante, que apenas via na medicação e quando tinha que ser puncionado ou que apenas passava pelo quarto perguntava se estava tudo bem e ia embora, mas em qualquer procedimento técnico era muito eficaz, não causando a mínima dor (desconforto já causava!). Com este segundo ponto, quero dizer, que sim, a teoria é importante, mas há coisas para quem está no lado de lá, mais importantes...
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline ruienf

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #35 em: Fevereiro 14, 2005, 00:48:37 »
Subscrevo... Bom ponto de vista.

Este tópico teve um desenvolvimento muito interessante...

Preocupa-me que Nuno ainda não tenha postado... Mais uma vez afirmo que as minhas palavras não eram de reprovação (até porque eu não sou ninguém para reprovar um colega... não tenho esse direito nem essa capacidade).

Estas discussões são ricas e extremamente úiteis para a representação mental que os enfermeiros têm sobre si próprios e sobre a enfermagem que praticam.
Rui Pedro Silva

Offline nunotavares

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #36 em: Fevereiro 16, 2005, 08:33:09 »
O meu ponto de vista centra-se em 2 elementos, existem determinadas técnicas que não sendo integradas no acto médico, como por exemplo, a auscultação e a avaliação de exames complemenares de diagnóstico, que podem e devem ser executadas e avaliadas, respectivamente, pelos enfermeiros....e sto por exemplo acentua-se em unidades e serviços em que a permanência de 1 clínico não é permanente...e há que prestar cuidados holísticos!

O outro ponto centra-se na notória falta de vontade dos profissionais em fazer determinado tipo de avaliação por medo de represálias....nomeadamente de serem vistos com um esteto na mão ou no bolso....isto parece utópico...mas acontece e é essa falta de autonomia e de atitude interventiva face ao doente que me preocupa! É certo que este tipo de técnicas não estão na essência do cuidado de enfermagem, mas são elementos cruciais para que se possa perceber muitas das vezes o que se passa com os doentes!

Eu mantenho a minha postura, relativamente à utilização de instrumentos tais como, esteto e o otoscópio, o certo é que muitos dos enfermeiros da velha guarda não receberam formação para saber avaliar determinados pontos....mas um enfermeiro também não sai nem a 5% da escola, é tudo uma questão de formação e auto-responsabilização nessa mesma formação! É a mesma história com os ecg's....que acho cruciais em determinadas situações....e muitas vezes em serviços em que não é rotina ter um doente monitorizado, esse parâmetro é menosprezado pela enfermagem e claro está, muitas situações acabam por não ser despistadas, mas isso é outra luta!

um abraço,  :D

Offline ruienf

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #37 em: Fevereiro 16, 2005, 17:27:02 »
ATENÇÃO: Cuidados holísticos não significam cuidados que envolvem conhecimentos de todos os grupos profissionais!!! Cuidados holísticos não implicam que se substitua o médico por ele não estar presente! O termo "holístico" refere-se ao doente como um todo e não à totalidade dos cuidados de saúde prestados ao doente!

Por outro lado, tens razão no que dizes: o conhecimento potencia a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados e também penso ser importante o uso de instrumentos como o estetoscópio ou saber interpretar um EAD, desde que nos moldes identificados por Guytonn há uns posts atrás.

Mas, tal como tu próprio reconheces:

Citar
É certo que este tipo de técnicas não estão na essência do cuidado de enfermagem


Falas da autonomia em enfermagem... Para mim, autonomia em enfermagem não passa por saber fazer sozinho as intervenções que outros técnicos estão habilitados para fazer.

Mais uma vez digo: temos que aprofundar e desenvolver as técnicas que mais nenhum técnico de saúde pode prestar; a autonomia de enfermagem é mesmo isso: tomar decisões e implementar intervenções sobre áreas da saúde de quem cuidados para as quais não existe ninguém mais habilitado que nós.

E insisto:, áreas da saúde, e não áreas da doença...
Rui Pedro Silva

Offline Cruela

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #38 em: Fevereiro 18, 2005, 21:40:31 »
@ Nuno:
Não vou argumentar com elementos sobreponíveis aos já apresentados.
Vou só perguntar:
Não me apercebi que fizesse parte da tua anamnese as medidas adaptativas que a pessoa desenvolve relativamente aos eventuais problemas detectados na colheita de dados.
Estaremos mesmo a falar de Enfermagem?
As áreas de que falas, não são aquelas onde os Enfermeiros fazem a diferença, nem é por aí que a Profissão vai crescer.
Já existe uma profissão com esse mandato.
Não discordo nem concordo que faças tal exame físico, agora eu não considero que o meu papel como Enfermeira seja de colmatar as falhas dos Médicos.~
Se alguns são incompetentes, é a vida...
Também há muitos Enfermeiros assim...
Mas não é por isso que os médicos entubam ou dão banhos lá no meu Serviço...
Sabes o que eu mais aspiro?
Ser boa naquilo que faço como Enfermeira...
-Que o doente vá para casa com uma perfeita noção do seu regime terapêutico;
-Que o prestador de cuidados demonstre as capacidades necessárias para cuidar da pessoa dependente em casa;
-...
E já agora, fiz um Curso sobre ECG, interesso-me imenso sobre fármacos e não me canso de estudar Fisiopatologia.
Posso dar um conselho?
Lê os enunciados descritivos de qualidade do exercício profissional dos Enfermeiros emitido pela OE, e depois explica-me em que parte aparece a palpação abdominal... (SEM OFENSA)

Offline Miguellopes

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #39 em: Abril 27, 2005, 23:34:51 »
Sempre que se fala em "estetos", lembro-me de uma história curiosa que se passou comigo à uns tempos, na minha instituição. Onze da noite. Homem de 60 anos com paragem cardio-respiratória. Prontamente eu, um colega nosso e um médico iniciamos SAV. Tudo foi feito pelos enfermeiros: entubação endo-traqueal, disfibrilhação, etc... O médico quase só olhava e lá fazia umas compressões: um pormenor interessante é que o "esteto" dele foi sempre usado por nós enfermeiros, ora por mim, ora pelo colega. O que achei curioso nesta história toda é que o prórpio médico não o utilizou, sendo que ele próprio  chegava o "esteto" quando o solicitavamos!!

Não vejo o "esteto" com um instrumento meramente médico! Aliás se repararmos bem, este faz parte do dia-a-dia dos enfermeiros!

Offline filomena

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #40 em: Agosto 09, 2005, 15:37:41 »
olá
como aluna de enfermagem também a mim me foi ensinado fazer o exame exaustivo do doente, mas o teu parece-me exaustivo de mais.

 perguntei várias vezes aos professores se tinha que ser feito com tanta exaustão ao que me diziam que sim.
 
quando foi para estágio, verifiquei que é impossível faze-lo tão aprefundadamente pois o tempo e as condições de admissão de utentes não o permite .Teria que haver mais enfermeiro por nº de utentes.é pena que assim seja pois quem fica a perder é o utente.

Offline Rui

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Se tens formação e se sabes fazer, deves faze-lo.
« Responder #41 em: Outubro 29, 2005, 03:00:07 »
O enfermeiro é um profissional e não pode ser um profissional passivo.
A enfermagem é uma profissão activa.
Se tens formação e se sabes fazer, deves faze-lo.

Ex:
O Doente entra em Fib. Ventricular, não existe nenhum médico presente.
- Identificaste o problema (Fib. Ventricular), a desfibrilhação é a chave do problema,  se tens formação e se sabes fazer, deves faze-lo.

Doente alérgico ao AAS, mas o médico prescreveu-lhe AAS 100mg/dia.
- Identificaste o problema (doente alérgico ao AAS). O doente não pode fazer AAS e o médico deve ser alertado e substituir a terapêutica prescrita.

Doente em paragem respiratória. É necessario avançar para entubação endotraqueal. O médico presente não consegue.
- Se tens formação e se sabes fazer, deves faze-lo.

Doente tem reacção vagal com frequência cardíaca a baixar (bradicárdico,  40b/mint. … 30b/mint. … 20b/mint. …), não existe nenhum médico presente. ( este doente não tem antecedentes de transplante cardíaco )
- Identificaste o problema (bradicardia), 1mg de Atropina é a chave, se tens formação e se sabes fazer, deves faze-lo.

Há situações em que, para o doente cada segundo conta.
SE TENS FORMAÇÃO  E SE SABES FAZER, DEVES FAZE-LO.
É por isso que eu digo que a enfermagem é uma profissão activa.
img]http://img326.imageshack.us/img326/1713/imagen8ic.gif[/img]

Offline Guytonn

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #42 em: Outubro 29, 2005, 14:17:18 »
O saber não tem limites, mas a actuação prática é balizada pelo enquadramento legal que regula o exercício profissional. Por vezes, alargamo-nos nas actividades que são consagradas a outros profissionais ao passo que descuramos a nossa própria área de actuação. Muitas vezes, somos hábeis a diagnosticar uma FA, FV, uma pneumonia ou até situações mais complicadas, ao passo que muitas vezes deixamos passar uma situação de Coping ineficaz, umprocesso de enfrentamento à doença ineficaz etc. Se quisermos abarcar áreas mais distantes daquilo que é o cerne da enfermagem, teremos antes de enraizar na nossa prática e nos nossos hábitos aquilo que realmente nos define; e se fizermos isso de forma cabal, veremos que pouco tempo nos resta para exames físicos laboriosos que muitas vezes nos fazem ser confundidos com um subproduto da classe médica
PRESENTE É SIMULTÂNEAMENTE O EPÍLOGO DO PASSADO E O PRÓLOGO DO FUTURO.

Offline Miguellopes

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #43 em: Outubro 29, 2005, 19:48:15 »
Sou adepto da conquista de novos campos para a enfermagem, pois mudam os tempos, mudam as funções, mas sem descurarmos a funções que já temos.
Os enfermeiros ingleses e americanos, têm um leque mais abragente de funções pelo que além de serem enfermeiros pode diagnosticar e prescrever medicação (existe um lista disponívelk na net dos fármacos que podem ser prescritos por enfermeiros), pois só ajuda os doentes crónicos, diabéticos, etc, etc, além salvaguardar a nossa actuação quando o médico não está presente!

Offline ruienf

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Estetoscópio, um instrumento ou uma insígnia?
« Responder #44 em: Novembro 05, 2005, 03:08:41 »
Infelizmente não considero o exemplo americano o mais apropriado para dar expressão ao conteúdo autónomo dos cuidados de enfermagem. Segundo os entendidos, a prescrição de determinados medicamentos por enfermeiros foi uma excelente medida... para poupar dinheiro em recursos humanos, já que os médicos receberiam mais dinheiro por executar as mesmas funções...

Mais uma vez: a autonomia da enfermagm não está em fazer o que os outros já fazem...

Atenção: concordo plenamente com a atribuição aos enfermeiros de um corpo de conhecimentos que lhes permita actuar em situações críticas ou delicadas. Isso é essencial! Mas não é isso a autonomia da enfermagem...
Rui Pedro Silva