Autor Tópico: Ligaduras de Oxido de Zinco  (Lida 17531 vezes)

Offline enfkathy

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Ligaduras de Oxido de Zinco
« em: Março 26, 2008, 22:52:47 »
O que me sabem dizer sobre ligaduras de óxido de zinco?
Indicações, contra-indicações, modo de aplicação....

Cumprimentos!

Offline isabelmeireles

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #1 em: Março 26, 2008, 23:56:20 »
Experimenta ler a "bula" das ligaduras (tipo Varicex). Lá explica tudo isso.

Offline Enf.Miguel

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #2 em: Março 27, 2008, 00:18:45 »
Citação de: enfhc
O que me sabem dizer sobre ligaduras de óxido de zinco?
Indicações, contra-indicações, modo de aplicação....

Cumprimentos!

São utilizadas por exemplo em úlceras venosas.........com bons resultados.
Saudações.

Offline betisinha

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #3 em: Março 27, 2008, 12:02:02 »
ligaduras deoxido de zinco sao utizadas em feridas que tem indicação para terapia compressiava, como é o caso das ulceras venosas.
 abraços

Offline AM3

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #4 em: Março 27, 2008, 16:38:48 »
Tirei dum site já há bastante tempo . A nome é Bota de Unna

1.Gaze impregnada com uma mistura de gelatina/óxido de zinco.
2.Oferece suporte para o bombeamento muscular da região da panturrilha durante o caminhar e promove o retorno venoso.
3. Camada de gaze coberta com uma faixa elástica ou bandagem auto-aderente.
    Aplicação da Bota de Unna
A.   A.     Avalie a perna para a utilização adequada da Bota de Unna. Certifique-se de que os pulsos sejam adequados. Se houver equipamento disponível para para um Indice Tornozelo Braço (ITB), utilize-o para determinar o fluxo sangüíneo arterial.
B.   B.     Contra-indicações para o uso da Bota de Unna
1. Insuficiência arterial.
2. Falha cardíaca descompensada. O edema diminuído resultante do curativo de compressão é devolvido à circulação; assim, coração deve ser capaz de lidar com ele. O curativo de compressão também elimina a terceira área de espaço da perna, onde o fluido é armazenado se o coração não estiver funcionando. Pacientes com falha cardíaca devem ser orientados para observarem o estresse respiratório. Nesse caso, precisam consultar seu médico ou procurar um atendimento de emergência.
3. Sinais e sintomas agudos de trombose das veias profundas.
4. Alergia aos componentes da Bota de Unna
C.   C.    Aplicação
1. Lave e seque a extremidade inferior.
2. Avalie a ferida. Decida se um curativo deverá ser colocado sobre a ferida ou se somente a Bota de Unna deverá ser utilizada. Às vezes, um hidrocolóide, espuma, ou um curativo de alginato ajudam a diminuir a dor do paciente.
3. Aplique loção hidratante ou vaselina à pele ressecada da perna.
4. Peça ao paciente para manter o pé em um ângulo de 90 graus em relação à perna. Ele não deve manter o pé em posição de bailarina. O ângulo de 90 graus fará com que o curativo seja mais confortável durante o caminhar.
 
5. Comece a enrolar a Bota de Unna logo acima dos dedos na região metatársica e continue até que chegar a 3 cm abaixo do joelho. Envolva com 75% de sobreposição em cada fileira. O curativo pode ser dobrado ou cortado para evitar rugas. Alise a cobertura conforme você avança.
6. Não estique ou puxe a Bota de Unna. Ela se tornará rígida durante o processo de secagem. Se houver muita tensão na aplicação, ela ficará rígida demais após a secagem e o paciente sentirá desconforto. Quando os curativos estão muito apertados, os pacientes tendem a removê-los e podem não retornar ao atendimento.
7. Se houver sobras da atadura da Bota de Unna quando estachegar ao joelho, a atadura poderá ser cortada e reaplicada do tornozelo para cima.
8. Aplique um material para absorver a secreção ou exsudato sobre a Bota de Unna e uma atadura elástica para fazer a compressão.
9. A Bota de Unna é trocada semanalmente, porém trocas mais ou menos frequentes podem ser feitas, dependendo da quantidade de secreção. Para pacientes com grande volume de secreção, pode ser necessário trocá-la 2 vezes por semana.
10. O paciente precisa ser orientado em relação ao cuidados com a Bota de Unna.
a.   a.     Oriente o paciente para elevar a perna quando estiver sentado. Ele deve ser estimulado a caminhar. Deve ser desencorajado a permanecer de pé em um único lugar ou sentado durante longos períodos com as pernas dependuradas.
b.   b.     A Bota de Unna deve ser mantida seca. Para tomar banho, a perna deve ser embrulhada em plástico para que não haja contato com a água. O plástico que envolve o pé ficará escorregadio; a pessoa deverá tomar cuidado para não escorregar e cair no banheiro.
c.   c.     Se a pessoa precisar remover a Bota em casa, ela deverá ser desenrolada. Se a perna for colocada na água (no banho de chuveiro ou bacia), A Bota amolecerá e a sua remoção será facilitada.
d.   d.     Não é recomendado cortar a Bota de Unna para remoção em casa. Se tesouras caseiras ou uma faca for utilizada e a pessoa se cortar, existe o risco de iniciar uma outra úlcera e de infecção.
e.   e.     Oriente o paciente para observar os sinais/sintomas de insuficiência arterial: dedos pálidos ou azulados; inchaço severo acima do curativo; dor ou falta de sensibilidade nos dedos dos pés.
f.   f.      Instrua o paciente para observar os sinais/sintomas de infecção: dor crescente, vermelhidão se espalhando pelas pernas acima ou aos dedos dos pés, sensação de calor nas pernas ou aumento de temperatura ao toque, aumento de odor, etc.
    A Educação do paciente deve incluir:
1. Fisiopatologia da condição incluindo cronicidade.
2. Protocolo de tratamento
a.   a.     Tipo curativo
b.   b.     Como cuidar do curativo
c.   c.     Freqüência de substituição do curativo.
 
3. Cuidado da saúde da pessoa durante o tratamento das feridas
a.   a.     Seguir protocolos de tratamento para o controle de outros problemas de saúde
b.   b.     Manter o peso do corpo dentro de limites normais
4. Proteger as pernas
a.   a.     Evitar bater ou lesar as pernas.
b.   b.     Manter os curativos limpos.
c.   c.     Comparecer ás consultas para tratamento das feridas.
d.   d.     Elevar as pernas quando estiver sentado.
e.   e.     Evitar permanecer em pé por períodos prolongados.
f.   f.      Uso adequado de meias elásticas.
5. Apoio emocional
Escute as preocupações do paciente e dê aconselhamento.
6. Tratamento cirúrgico
 
1. A porcentagem de úlceras que cicatrizam com o tratamento clínico varia. A literatura documenta que 49% a 85% de casos de úlceras sãocuradas através de métodos não-cirúrgicos.
2. É possível realizar enxertos de pele utilizando a pele da própria pessoa ou material equivalente à pele humana (como o Apligraf ou Dermagraft). O material equivalente à pele humana consiste de fibroblastos neonatais produzidos em cultura en vivo em uma massa bioabsorvível de tecido dérmico metabolicamente ativo.

Offline Vitor Barbosa

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #5 em: Abril 09, 2008, 00:22:37 »
Eu tenho experiência de trabalhar com a ligadura Varolast[sup:30swdiic]®[/sup:30swdiic] Plus da Paul Hartmann e julgo que, dentro do género, é a mais fácil de aplicar. A principal vantagem é a sua elasticidade, permitindo a sua aplicação da mesma forma que qualquer ligadura elástica.

Pessoalmente julgo que o uso de ligaduras de curta tracção fica bem mais barato, uma vez que a há produtos no mercado que são laváveis permitindo o seu uso repetido cerca de 100 vezes, conseguindo-se resolver uma úlcera venosa com cerca de 2 a 3 ligaduras.

Offline xenio

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #6 em: Abril 12, 2008, 16:09:17 »
As ligaduras de zinco ou Bota de Unna são dispositivos não elásticos e extremamente rigidos utilizados no tratamento da ulcera de perna sem comprometimento arterial. São mais utilizadas nos EUA. Na Europa, são pouco utilizadas sendo preteridas pelas ligaduras de curta tracção por serem mais fáceis de aplicar. Contudo, a evidencia cientifica mostra-nos que a Bota de Unna é um sistema extremamente eficaz. Um estudo realizado por Polignano et al (2004) revela que não diferenças nas taxas de cicatrização entre a aplicação do sistema multicamadas e da bota de unna.

Abraço,
Xénio

Offline Enf_SH

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #7 em: Abril 13, 2008, 01:10:21 »
Boas!

Estas ligaduras de òxido de Zinco apresentam funcionalidade, eficácia e bem estar para o utente muito inferior às ligaduras de curta tracção utilizadas na terapia compressiva, Partindo do pressuposto que apenas são utilizadas em utentes com indicação de IPTB para doença Venosa...A única coisa em que as ligaduras de zinco ultrapassam as ligadura de curta tracção é no PREÇO...

CUMPS
Somos aquilo que fazemos consistentemente...Assim a excelência não é um acto mas um hábito!

Offline xenio

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #8 em: Abril 13, 2008, 12:51:12 »
Boas!

Funcionalidade inferior????
Eficácia inferior???

Peço desculpa, mas gostaria que me dissesse em que se baseia para dar tais informações.

De acordo com Hugo Partsch, cirurgião vascular especialista em terapia compressiva (muitos artigos publicados on-line sobre terapia compressiva) a eficácia de um sistema compressivo mede-se pela rigidez e pelos niveis de pressão que possibilita. O sistema de compressão mais rígido que existe actualmente é a bota de Unna.
 A rigidez das ligaduras é um parâmetro que caracteriza as propriedades elásticas dos dispositivos de compressão e define a relação entre a pressão exercida em repouso com a pressão exercida durante o exercício. Quando o músculo contrai, as ligaduras não elásticas produzem uma pressão significativamente mais elevada do que as ligaduras elásticas. Portanto, quanto maior for a rigidez da ligadura maiores são os efeitos hemodinâmicos produzidos, ou seja, com a aplicação da mesma pressão em repouso, as ligaduras não elásticas reduzem a acção do refluxo venoso mais eficientemente do que as ligaduras elásticas.

Podemos afirmar,  baseando-nos na evidencia cientifica obviamente, que as ligaduras de zinco (Bota de Unna) são tão eficientes como as ligaduras de curta tracção, mas nunca que têm uma funcionalidade e uma eficácia inferior.

Cumprimentos,
Xénio

Offline Enf_SH

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #9 em: Abril 14, 2008, 01:09:44 »
Boas...

o problema é mesmo esse colega! Temos de estudar os resultados publicados e efectuados por Srs Enfermeiros e não por cirurgiões vasculares, que apesar de terem todo o mérito, antes de ingressarem pela abordagem compressiva já intervencionaram o doente cirurgicamente!!

Eu cá gosto muito das verdades cientificas do nosso campo...da enfermagem

Alguma vez trabalhou com as duas ligaduras? Eu já! e acredite que os resultados são irrefutáveis! para ambas, mas as ligaduras de curta tracção são excepcionais!
E não se esqueça também que a maioria dos estudos lançados pelos SRs Cirurgiões vasculares foram feitos com utentes escolhidos a dedo...com excelente possibilidade de reputação...nós os enfermeiros publicamos tudo e trabalhamos com tudo!!

Contacte o GAIF e peça-lhes a opiniao deles! e depois verá quais a s evidências deles!
Cumps
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Offline xenio

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #10 em: Abril 14, 2008, 19:48:20 »
Caríssimo colega!

Antes de tudo estou aqui neste fórum para promover o debate saudável e a troca e partilha de informação, não querendo de maneira nenhuma ferir susceptibilidades. Contudo:

1-   Devemos suportar o nosso conhecimento na evidência científica, através dos resultados de estudos efectuados nas diferentes áreas clínicas, independentemente do profissional que as efectua, pois se for um estudo de investigação publicado numa base de dados fidedigna, tem que respeitar as regras da comunidade cientifica e da ética cientifica.
2-   Não devemos dar informações (aqui no fórum nem em lado nenhum) baseando-nos no empirismo ou no diz que disse, porque nenhum tratamento é 100% eficaz. Portanto, se determinado tratamento não resultou com alguns dos seus utentes não faz dele um tratamento ineficaz ou pouco funcional, porque cada utente é um todo e muitas vezes, apesar de ter sido diagnosticado com uma úlcera de perna de origem venosa sem qualquer comprometimento arterial, continuam a existir contra-indicações para a terapia compressiva como membros inferiores edemaciados devido a insuficiência renal, hepática ou cardíaca, défice sensorial em utentes com esclerose múltipla ou neuropatia diabetica, diabetes descompensada, demência, trombose venosa profunda na fase aguda, etc.
3-   Mas não querendo ainda desacreditar nas suas palavras, desafio-lhe a apresentar um estudo, seja ele qual for, que indique que a ligadura de zinco é pouco eficaz ou pouco funcional no tratamento das úlceras de perna de origem venosa.

De acordo com a bibliografia actual, os sistemas de curta-tracção, de óxido de zinco ou multicamadas são os mais efectivos no tratamento das úlceras venosas não complicadas, não havendo no entanto, uma clara evidencia que indique que um é melhor do que o outro. 
    
Bem Haja,
Xénio

Um exemplo da eficácia da ligaduras de zinco publicado por um jornal de enfermagem:

http://www.jwocnonline.com/pt/re/jwocn/ ... 28!8091!-1

Offline rjckarddo

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #11 em: Novembro 20, 2008, 10:24:10 »
Concordo com o colega Xenio e gostava de ouvir mais opiniões sobre este tema tão pouco abordado nos nossos locais de trabalho.
Pode ser que em poucos anos se comece a dar o merecido valor a terapia compressiva e se ponham de parte os apositos colados com adesivo, os tratamentos dispendiosos e ineficazes.

Offline npires

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #12 em: Novembro 20, 2008, 13:50:56 »
Citação de: Enf_SH

Contacte o GAIF e peça-lhes a opiniao deles! e depois verá quais a s evidências deles!


E será que a opinião deles pode ser valorizada simplesmente por serem elementos do GAIF?!

Offline nurse3830

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #13 em: Novembro 20, 2008, 20:29:06 »
Comecei recentemente a aplicar a ligadura de óxido de zinco numa doente com uma úlcera venosa com 3 anos de evolução. Estou a ter óptimos resultados tanto ao nível da cicatrização da úlcera, como ao nível da diminuição do edema do membro inferior.

Offline paularaujobrg

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Re: Ligaduras de Oxido de Zinco
« Responder #14 em: Novembro 21, 2008, 20:20:59 »
Olá a todos,
por acaso, ontem fui a um simpósio do GAIF sobre úlcera de perna. O que disseram lá sobre ligaduras de óxido de zinco é que, muitas vezes são aplicadas sem uma avaliação vascular prévia.
Por isso, é necessário avaliar pulso pedioso e executar doppler (IPTB). Só após esta avaliação é que se pode ponderar a utilização deste tipo de ligaduras.
Muitas vezes o que acontece ainda, é que o doente faz o tratamento vezes sem conta sem que ninguém avalie o estado da pele circundante. O óxido de zinco deixa vestígios que são muito difíceis de remover. E quando são removidos aparecem novas lesões.

Abraço a todos  :-*