Votação

Actualmente não faz parte do ambito da OE questões salariais/monetárias. Concorda? Porquê?

Sim
26 (18.4%)
Não
98 (69.5%)
Não tenho opinião formada
17 (12.1%)

Votos totais: 141

Votação encerrada: Janeiro 04, 2008, 11:15:17

Autor Tópico: Uma pergunta Polémica  (Lida 17832 vezes)

Offline pedrojosesilva

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #15 em: Março 21, 2008, 08:02:03 »
O sentido de voto neste tópico esclarece que uma larga maioria percebe que  o mandato e o desígnio da OE não se centra nas relações laborais, contratuais ou salariais.

Agora,uma coisa deve ser bem clara para todos, aquilo que conseguirmos fazer enquanto profissão, tem repercusões no reconhecimento social, nomeadamente ao nível do mercado de trabalho. Logo, a OE é uma instância-chave para indirectamente influênciar o posicionamento dos enfermeiros em relação aos outros profissionais de saúde.

É por isso, que não compreendo alguma crispação que por aqui paira. Não esperem que a OE venha a fazer directamente uma luta pela carreira.

Por outro,lado reconheçam aquilo que já faz hoje, vejam o processo dos incentivos nas USFs, onde a OE sem falar de montantes ou verbas, ajudou a mudar a perspectiva injusta e elitista ao nível dos incentivos que o enquadramento legal trazia.

O fenomeno "treinador de bancada" deve acabar na Enfermagem, é preciso ficar mais perto dos acontecimentos.


Como sabem, faço parte dos órgãos sociais, estou aberto a contactos com sugestões de colaboração. Deixem-me dizer que o trabalho a fazer é imenso (e voluntário), nesse sentido é necessario desenvolver uma rede de colaboradores (voluntários). Preciso do vosso tempo e dos vossos conhecimentos para montar-mos uma rede solida e eficaz na concretização de objectivos muito específicos. Fico  a aguardar.

Cumprimentos!

Offline Mauro Germano

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #16 em: Março 21, 2008, 18:40:59 »
Citação de: pedrojosesilva
O sentido de voto neste tópico esclarece que uma larga maioria percebe que  o mandato e o desígnio da OE não se centra nas relações laborais, contratuais ou salariais.




Colega pedrojosesilva as ilações que retirou da votação não são exactamente as que eu estava a pensar.

O que deveríamos entender seria que quem votou entende que a actuação da OE não está virada para esse âmbito mas que deveria estar, quer pelos seus estatutos, quer pela necessidade. A OE como orgão de representação por excelência, deve voltar-se para todos os problemas concernentes aos seus membros, para mais quando esses problemas o são assim entendidos por eles. Queremos ter uma OE afastada das preocupações reais dos seus membros ou queremos uma OE que esteja com os seus membros?

Pensemos nisto como aquela coisa da pirâmide e as necessidades... como querem que os enfermeiros aspirem à excelência e à qualidade quando estes não têm dinheiro nem motivação para mais do que cumprir o básico?

Podemos dizer que o dinheiro não é tudo, mas todos sabemos que isso é uma "treta". Então se julgamos que o merecemos (e julgo que merecemos mesmo)... Sem estabilidade não há forma de progredir nem ter condições para esforçar-mo-nos por algo mais nobre.


Desde já me coloco à disposição para colaborar no que for preciso, apesar de não ter votado na sua lista, o que me interessa são os meus e os nossos interesses e ninguém terá nada a ganhar em denegrir a imagem da OE. falo em denegrir não em criticar.

Gostaria de ver respondidas certas questões que são unicamente do foro da OE:

-definam-me cuidados mínimos, mas em termos específicos, não em palavreado vago como o que consta do REPE, dizendo quais são os cuidados mínimos para cada tipo de serviço.

- Definam um plano curricular único para todas as escolas de enfermagem(não sei se me estou a explicar nos termos certos), em que as disciplinas sejam exactamente iguais em Ponta Delgada, Vila Real, Porto ou Setúbal.  Em que o percurso escolar seja idêntico para qualquer aluno. Se houver escola que o não possa cumprir: simples... inadequada para a formação de enfermeiros. Já que não podem evitar a criação de escolas e vagas podem pelo menos certificar se estão aptas para o ensino. Aí a "selecção natural" actuará e as esolas serão forçadas a reduzir o número de vagas.

Outros elementos de outras áreas poderão dizer que também há desemprego e a lei de mercado é mesmo assim, eu próprio também já o disse, mas numa área como a Saúde, a prática é extremamente, melhor essencial, para uma boa actuação e não se coaduna com grandes períodos de não emprego. É extremamente perigoso para os utentes terem profissionais pouco experientes e nisto concordo com a OM. Não se podem formar profissionais de Saúde em excesso, ou pelo menos num excesso tal. Para bem do Estado e dos contribuintes é bom que aconteça um pequeno excedente para que não haja a possibilidade de exigências e criação de condições para um boom nas remunerações dos profissionais em caua (os da Saúde) como é no caso dos médicos, pelo que há a impor um pequeno travão. Porém não se trata de criar condições privilegiadas apenas de manter os profissionais activos e capazes para intervirem de forma eficaz o que será impossível se milhares estiverem no desemprego e a sua formação não tiver sido a melhor possível.

- Definam o que querem realmente que um enfermeiro seja, se todos especialistas ou não. E se o rumo é serem todos especialistas adequem as especialidades à prática. Já vi o que querem das novas especialidades e considero-as mais do mesmo, reportando-me à área que conheço melhor, falaria-lhe da futura especialidade da pessoa em situação crítica. O que esperam de um enfermeiro especialista nesta área? Haverá subespecialidades? É que a não haver será mais uma inutilidade como a ainda vigente Médico-Cirúrgica.

Mais sugestões e esclarecimentos teria a dar e a pedir e penso que o colega pedrojosesilva está numa posição excelente para angariar opiniões e formar grupos de trabalho. Tanto membro aqui no fórum... de todos eles surgiria uma amálgama de posições e sugestões que não seriam de desdenhar.

Eu sinceramente gostaria de me poder envolver mais nestes assuntos, a título voluntário, infelizmente em tempos próximos tal não será possível em qualquer molde mais prático, mas tal como todos os outros membros(enfermeiros) deste fórum, senão fisicamente, pelo menos em contributo intelectual, podemos participar mais activamente na Enfermagem. Assim a OE e o FE o queira.

Offline enfarfr

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #17 em: Março 21, 2008, 19:27:58 »
Demonstro desde já a minha inteira disponibilidade para contribuir com a OE.

Offline jokinha

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #18 em: Março 21, 2008, 19:42:28 »
Eu respondi que considero que deve fazer parte da actuação da ordem essencialmente pelo que se passa com muitos colegas nossos que exercem as sua funçoes em instituiçoes privadas. Para além de receberem ordenados miseraveis por hora, colegas nossos recem formados sao "obrigados" a fazer estagios de quase 6 meses sem ser remunerados, apenas com a esperança de ficar a trabalhar nesse local. Penso que concordam que isto nao dignifica a nossa profissao e piora ainda mais a nossa visibilidade social. Aí sim, a nossa ordem tem a responsabilidade de actuar, já que ela deve zelar pela dignidade da nossa profissao e de todos os enfermeiros. Em relação ao facto de sermos licenciados a ganhar como bachareis...bem, poderiam fazer algo, já que isto é digno de um país do terceiro mundo. Penso que só muito unidos poderemos chegar lá. Juntos somos mais fortes.

Offline Leugim

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #19 em: Março 22, 2008, 11:32:39 »
Eu não quero uma Ordem dos Enfermeiros a entrar nas peixeiradas das negociações salariais e monetárias! Para isso mesmo é que existem os sindicatos! Se eles não trabalham bem, isso já será uma outra história!

Eu quero uma OE que desenvolva estratégias para fomentar a unidade da classe, para valorizar a classe na sociedade portuguesa, para ser um elo de ligação da classe com as estruturas hierárquicas que comandam o país, para que seja capaz de defender a classe com dignidade (e não como se vê no parlamento e com os sindicatos...), etc...

Posso até nem ter votado na actual Bastonária, mas se não for eu a apoiar a OE, quem vai ser? O meu cão?...

Por isso mesmo, estou disponível para ajudar no que puder!

Offline SandroMelo

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #20 em: Março 22, 2008, 12:46:42 »
Colegas
Acho que só o pessoal de saúde mental pode ajudar os orgãos sociais da OE...eles são autistas!

Offline Son_Goku

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #21 em: Março 22, 2008, 13:54:03 »
Basta uma volta pelo forum para colher um acervo enorme de ideias que poderiam dinamizar a Ordem e a sua acção!

Offline J.Ribeiro

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #22 em: Março 22, 2008, 14:22:20 »
Citação de: Leugim
Eu não quero uma Ordem dos Enfermeiros a entrar nas peixeiradas das negociações salariais e monetárias! Para isso mesmo é que existem os sindicatos! Se eles não trabalham bem, isso já será uma outra história!



O colega parece ainda não ter percebido nada do que se está aqui a tentar discutir...

Como é por demais evidente ninguem quer ver a ordem metida em peixeiradas... mas todos ficamos muito tristes pela não tomada de posição, ou até fuga e recusa em participar e opinar sobre as questões...

Detesto ouvir os senhores ordenáveis, a dizer que a ordem não se pronuncia sobre questões laborais, ou não se pronuncia sobre uma série de coisas...

Santa paciencia, a ordem tem que se pronunciar sobre todas as questões que possam dizer respeito aos enfermeiros e á enfermagem.

E como é evidente não vai convocar greves e manifestações, nem vai negociar contratos com as administrações... mas, meus senhores... parem com o alimentar da ideia que existem enfermeiros da ordem e enfermeiros dos sindicatos... todos é que se ajudam ou prejudicam uns aos outros...

Acordem pra vida...


Saudações

Offline Mauro Germano

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #23 em: Março 22, 2008, 16:39:21 »
Citação de: Son_Goku
Basta uma volta pelo forum para colher um acervo enorme de ideias que poderiam dinamizar a Ordem e a sua acção!

Por acaso discordo. Veêm-se é muitas posições críticas e pseudoidentificação de alguns problemas mas soluções reais veêm-se poucas

Offline SandroMelo

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #24 em: Março 22, 2008, 23:42:41 »
Continuamos a bater no ceguinho. A ordem não deve meter o nariz na guerra salarial e eventualmente em negociações. Claro que não! Mas emitir uma opinião sobre uma questão que também contribui para a dignificação profissional também me parece ser função da ordem. Ou estarei errado?

Offline Caldas

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #25 em: Março 22, 2008, 23:50:38 »
Concordo com as duas últimas intervenções do colega magistral estratega

Excepção será a definição de um plano de estudos único pois é a independência das escolas que está em causa, aliás seria idêntico a questão das vagas. Penso contudo que a OE poderá emanar conceitos gerais a todos os cursos de formação inicial de enfermagem que conjuntamente com as competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais sirvam para que o plano curricular das escolas se aproxime.

Offline Mauro Germano

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #26 em: Março 23, 2008, 21:14:08 »
Citação de: Caldas
Concordo com as duas últimas intervenções do colega magistral estratega

Excepção será a definição de um plano de estudos único pois é a independência das escolas que está em causa, aliás seria idêntico a questão das vagas. Penso contudo que a OE poderá emanar conceitos gerais a todos os cursos de formação inicial de enfermagem que conjuntamente com as competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais sirvam para que o plano curricular das escolas se aproxime.




mas e porque é que as escolas têm de ser independentes?

A única coisa que poderia diferir seriam algumas cadeiras extra que pudessem achar serem interessantes. Mas o base deveria ser definido pela OE.

Esta questão faz-me lembrar a Educação. Como é possível existir  mais do que um modelo de manual escolar para uma mesma disciplina? Não é o programa o mesmo?

Offline Caldas

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #27 em: Março 23, 2008, 22:22:49 »
Magistral não há diferentes formas de abordar a enfermagem? Não há diferentes concepções de cuidados? As Escolas a optarem por um tipo de concepção ou modelo teórico de base terão como óbvio ênfases diferentes...

Contudo, tal como o colega concordo que deve haver uma base comum, aliás na minha primeira intervenção chamei-lhe conceitos gerais.

Porém, as escolas têm direito a sua independência formativa pela lei.

Offline Mauro Germano

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #28 em: Março 23, 2008, 22:41:03 »
Citação de: Caldas
Magistral não há diferentes formas de abordar a enfermagem? Não há diferentes concepções de cuidados? As Escolas a optarem por um tipo de concepção ou modelo teórico de base terão como óbvio ênfases diferentes...

Contudo, tal como o colega concordo que deve haver uma base comum, aliás na minha primeira intervenção chamei-lhe conceitos gerais.

Porém, as escolas têm direito a sua independência formativa pela lei.


A minha ideação vai no sentido de não haverem diferentes formas de abordar a enfermagem, de diferentes concepções de cuidados, defendo a uniformização total. Que um enfermeiro formado no Uganda, um enfermeiro formado nos EUA, que um enfermeiro formado em Portugal tenha exactamente as mesmas competências, a mesma forma de ver a Saúde, podendo haver pequenas variações individuais mas a mesma matriz geral, a mesma visão, a mesma abordagem. Se defendo isto para o Mundo defendo também isso para Portugal. Não digo que não hajam cadeiras opcionais mas que não desvirtuem o conceito que queremos de um Enfermeiro e da sua formação. É nisto que penso quando falo em nãopoder haver espaço para algumas independências nem para diferentes formas de abordagem.

Offline pedrojosesilva

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Re: Uma pergunta Polémica
« Responder #29 em: Março 23, 2008, 23:03:19 »
@Magistral Estratega

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Queremos ter uma OE afastada das preocupações reais dos seus membros ou queremos uma OE que esteja com os seus membros?
A OE formalmente está sempre próxima dos membros, pelo menos não há órgãos sociais que não tenham sido legitimados por votação, nem plano de acção que não passe pela Assembleia Geral. Claro que entendo o que o colega quis dizer, mas também tente compreender o que lhe estou a responder.
Sou testemunha que a OE tem feito apelos sucessivos á participação dos enfermeiros nas decisões, tenho sido testemunha que há quem participe, mas também sou testemunha de uma larga maioria que nem sequer vota, quanto mais participar activamente no trabalho que há a fazer.
O primeiro repto é vencer está ideia fácil de pensar que à OE é uma organização longinqua com poderes especiais, que não os usa porque não quer usar.

Não! o poder de influencia e transformação que queremos que a OE tenha depende muito directamente da capacidade que tivermos nestes 4 anos de mobilizar os enfermeiros, para já para dar um abanão na formação tanto generalista como especializada, reconhecendo os peritos em cada área, motivando-os a envolverem-se no desenvolvimento das suas áreas. Infelizmente são muitas as questões para consegui-las expo-las aqui.

E nem é o sitio nem o momento adequado para falar de algumas, mas não fujo ás suas perguntas, mas tudo o que aqui colocar é a minha opinião pessoal (que a mesma quando participo em actividades da OE,pois não mudo de posição conforme o local em que me encontro).Portanto, não assumam o que aqui digo como uma posição oficial da OE (essas estão no site oficial, e identifico-me com a maior parte delas):

Citar
definam-me cuidados mínimos, mas em termos específicos, não em palavreado vago como o que consta do REPE, dizendo quais são os cuidados mínimos para cada tipo de serviço.
Alguma ligação com dias de greve? A que propósito esta questão? Como sabe a prática de cuidados é muito diferente de contexto para contexto, penso que não será possível defender em especifico o que é mínimo,pois isso tem que ser definido serviço a serviço, e até doente a doente. Fazer tratamento de uma ferida cirúrgica limpa pode não ser cuidado mínimo para um doente mas pode ser considerado cuidado mínimo para outro. Eu até gostaria que se muda-se a terminologia,pois penso que o termo "mínimo" não ajuda em nada a definir aquilo que são os cuidados indispensaveis para que não aconteça um prejuízo da condição de saúde do cliente/utente/doente.
Colega, se acha que está é uma área a desenvolver, apresente um projecto à comissão de cuidados gerais, pois parece-me ser o âmbito. Estamos a falar de questões técnicas mas também legais. Parece-me pela amplitude, um trabalho que ajudará também a definir de forma mais aprofundada algumas competências nucleares ao trabalho dos enfermeiros de cuidados gerais, isso seria óptimo para o modelo de desenvolvimento profissional.

Citar
- Definam um plano curricular único para todas as escolas de enfermagem...
A OE não tem jurisdição sobre o ensino superior. Está fora de questão determinar planos de estudos únicos, pois não há mandato nem garantias de competências pedagógicas para a OE determinar percursos que são académicos. Pessoalmente penso que a diversidade do Ensino Superior ES é uma mais valia,pois permite a adequação à realidade local, por outro lado o processo de Bolonha e a necessidade de articular percursos de formação entre os vários membros da UE, veio baralhar um dos pressupostos do ES, e que é garantia de independencia, liberdade e excelencia. Agora percebo de onde é que reside o seu desejo por um plano único, e a questão está na falta de qualidade de algumas instituições superiores de formação de enfermeiros (ISFE), com planos muito criticaveis.
A minha perspectiva, é que se cumpra a relação de poder nos orgãos de decisão das ISFE que o novo enquadramento obriga, eonde os elementos da comunidade/sociedade/mercado devem ter assento. Esses que obriguem as ISFE a reformular planos de estudo. A questão é que isto é para o público, e o privado como fica?
Bom, nesse sentido torna-se importante a OE ter poder de regular efectivamente o acesso à profissão, pois ao curso não tem mandato para o fazer.
Assim,poderá certificar se determinado candidato tem ou não um conjunto de competências consideradas essenciais ao exercício autónomo da profissão. Até lá, nada feito, a não ser que.... a não ser que nós enfermeiros da prestação de cuidados nos recusemos a orientar alunos por duas razões: ou porque não apresentam o mínimo de capacidades para estar em ensino clínico (teria que colocar em questão a formação da instituição e exigir como pré-requisito uma prova de conhecimentos essenciais para aceitar orientar esse aluno) e outra situação é recusar-se a orientar alunos sempre que não estejam garantidas as condições de segurança para os doentes (ou seja, sempre que o colega tiver o mesmo numero de doentes atribuídos que teria num dia normal de trabalho, mais um ou dois alunos para vigiar, orientar, ensinar).
Como vê há coisas que já se podem fazer hoje em dia, depende de nós. Nenhuma lei nos obriga a orientar alunos, que pertencem a instituição externas àquela em que exercemos. Nem moralmente estamos comprometidos com uma formação para a qual ninguém nos pediu opinião.
Hoje em dia são os enfermeiros da prestação de cuidados os responsáveis por uma parte muito significativa da formação dos alunos da licenciatura, sem serem pagos por isso, nem ser dignificada em termos de reconhecimento público está função de supervisão, e que em termos de classe viabilizou que os docentes pudessem enveredar pelo enriquecimento académico, que não coloco em questão ser uma mais valia, mas que os afastou do ensino directo com os alunos no contexto de trabalho. Isto é uma realidade que não vai mudar na próxima década pois a aposta dos docentes de enfermagem é na investigação, e nos percursos de doutoramento e ensino em sala de aula.
Logo, meus caros, temos que organizar o terreno da supervisão clínica em Portugal, e garantir a sua qualidade. As intuições que não puderem pagar tantos tutores, então que diminuam vagas ou que fechem portas. Se calhar nunca as deviam ter aberto.
Eu já orientei muitos alunos de enfermagem, de escolas de toda a espécie, e com todos tentei fazer o meu melhor, mas hoje em dia não orientaria mais alunos no meu horário pago para prestar cuidados. Ou há um contrato pelo meio para prestar este serviço, fora do horário normal, ou então nem pensar em gastar tempo para estar com os doentes. É uma questão de qualidade do serviço que presto aos meus utentes, quando a realidade da grande maioria dos serviços é que estão a trabalhar com números reduzidos de enfermeiros, ter alunos ainda vem agravar mais está situação.