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Autor Tópico: E esta!  (Lida 4725 vezes)

Offline Isabel

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E esta!
« em: Agosto 31, 2004, 18:36:01 »
Pois mais uma vez uma polémica no nosso Portugalito! O barco do Aborto! Que acham deste assunto?  :?:  A minha opinião é mt simples: são todos uma cambada de hipócritas! Os políticos claro!  :evil:

Offline pedrojosesilva

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Barco do aborto?
« Responder #1 em: Agosto 31, 2004, 19:43:42 »
Não sei se o Governo tem legitimidade para impedir a entrada do barco. É obvio que nesse barco irão realizar abortos não contemplados pela lei portuguesa, mas estes seriam efectuados fora do territorio portugues.

Se fosse um "autocarro do aborto" para levar pessoas para clínicas ginecologicas em Badajoz, será que esse autocarro seria impedido de entrar. É ilegal transportar pessoas para fora do território portugués onde podem realizar actos proibidos dentro do território? Até onde vai a nossa soberania? até onde vai a liberdade individual dos cidadãos?

Temos direito a sair do país...é o que havia de faltar, ser impedido de sair de Portugal.

Este Barco foi apoiado por um certo quadrante politico (Bloco de esquerda, Juventude Socialista) entre várias organizações, por isso o Ministerio da defesa e do Mar (Partido Popular) está a utilizar o poder que lhe deram e que não deram, para impor a sua visão moralista da vida.

Atenção defino-me anti-aborto mas com muitas dúvidas, acho que as mulheres (e se possivel o casal) têm uma palavra a dizer, dentro de um ambiente apoio social e emocional. Os politicos estão a entrar num campo muito pessoal da vida das pessoas, além do mais quem me diz que as mulheres deles não abortam em clínicas em Espanha ou Inglaterra?

Sim porque politicos são normalmente homens, e talvez não estejam por dentro da questão...o problema é que fomos todos para a praia quando nos deram a opção de escolher  :(

Existem prós e contras, o que é certo é que um aborto não se deverá fazer de animo leve e usado como metodo contraceptivo, se a criminalização não faz sentido tenho receio da despenalização total.

A vinculação da criança à sua mãe começa em utero, ele não é um projecto de vida isolado no meio das paredes uterinas, a imagem que vos apresento faz-me reflectir (http://www.lifecanada.org/html/abortion/prenatal/threehospitals.html)

Offline Guytonn

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O Barco do Aborto
« Responder #2 em: Setembro 01, 2004, 14:48:51 »
Em primeiro lugar gostaria de subscrever a opinião do Pedro Silva nos seus traços gerais. sou contra a liberalização total do aborto independentemente do tecto temporal determinado. No entanto, a nível jurídico penso que não existe fundamento na proibição da entrada do barco. Para ser coerente teria de se proibir qualquer autocarro procedente ou destinado a Badajoz pois muitas Portuguesas o utilizam para se deslocarem a uma clínica abortiva espanhola que por acaso vem publicitada em parangonas nos jornais
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Offline Isabel

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Nossa!
« Responder #3 em: Setembro 01, 2004, 16:42:43 »
Apesar de agradecer as respostas, vejam se não poem fotos tão "fortes".

Puxa deixaram-me sem palavras!!! [/color]
8O

Offline ruienf

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O Barco do Aborto
« Responder #4 em: Setembro 04, 2004, 00:33:48 »
As imagens são fortes, sem dúvida...

Mas são pertinentes. E é bom que se mostrem.
É muito fácil olhar para a barriga arredondada e pagar a um desconhecido para tornar a barriga novamente "lisa" enquanto se dorme um sono anestésico... Mas o difícil é olhar para o resultado do que se fez durante esse sono anestésico. A figura é forte??? Pois é... então não a escondamos... evitêmo-la!!!

Não me quero com isto afirmar anti-aborto; eu concordo com o aborto justificado.
E voltando ao que o Pedro diz, o importante é haver responsabilidade nos actos que se praticam; os anticoncepcionais são fornecidos gratuitamente nos centros de saúde...

Que mais é que as pessoas querem??? Um enfermeiro permanentemente ao seu lado para colocar o presevativo ou para dar a pílula na boca???

Mais uma vez: haja responsabilidade
Rui Pedro Silva

Offline Guytonn

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O Barco do Aborto
« Responder #5 em: Setembro 04, 2004, 14:38:16 »
O Rui resumiu com mestria o problema base do aborto: falta de responsabilidade, displicência e laxismo. Um feto é uma vida, disso não há dúvida. Uma vida humana? nisso já não há consenso. MAs para mim, um feto , mesmo de 6 semanas ou mesmo é um nível de vida HUMANA, um ser humano em potencialidade. Mesmo aquelas que lutam pela liberalização total do aborto, se estivessem grávidas de um filho desejado, se o abortassem expontaneamente mesmo às 6 semanas, sentiriam que haviam perdido um filho e não uma qualquer"coisa". E se lhes fosse revelado que as suas mães, quando estiveram consigo nos seus ventres, equacionaram a opção de abortar mas não o consumaram por falta de oportunidade? Ficariam contentes ou revoltadas por mais um direito individual negado às suas progenitoras, embora essa negação tivesse permitido que hoje estivessem vivas lutando pelo aborto? será lícito descartar uma vida HUMANA apenas porque é mais cómodo para a mulher o fazer?
Gostaria de lembrar que abortar não é decidir quanto ao corpo da mulher. Um feto não é uma víscera do corpo materno. É uma unidade independente, com sistemas separados, circulação sanguínea independente.Abortar é sentenciar uma vida humana à morte. E não se pode banalizar essa sentença.
PAra mim, aborto e infantícidio andam próximos. Aborto é infanticídio in útero.
Abro excepcções à proibição do aborto. Não sou fundamentalista ao ponto de considerar a vida do feto como o valor supremo. A vida Humana tem vários níveis de consumação, de direito. Um ovo de 2 dias não pode ter os mesmos direitos de um feto de 6 semanas. MAs tambem não pode ser subtraído de quaisquer direitos, ou fazer depender esses direitos da vontade da mãe. Mas poucos valores o ultrapassam.
E já agora porque é que a decisão de abortar cabe exclusivamente à mulher? Porque é que é a mulher a decisir sozinha se o progenitor deve assumir a paterniadde ou negar-lhe esse direito
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Offline ruienf

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O Barco do Aborto
« Responder #6 em: Setembro 04, 2004, 18:32:53 »
Obrigado pelas palavras elogiantes!

Concordo contigo: se um feto é assim tão insignificante uma mulher grávida de 2 ou 3 meses seria encarada como uma mulher qualquer... mas não é!

A gravidez temn um peso social quer se trate de uma gravidez de 2 meses ou de 8 meses. Isso significa que o embrião/feto/bébé é importante e é encarado como algo a proteger!

Não sejamos hipócritas... Se o feto tem importância social pelas alterações que incute na imagem social da mulher, então não o tratemos como um conjunto de células insignificante...

Se um feto fosse descartável, os abortos espontâneos não seriam tão chorados...
Rui Pedro Silva

Offline Guytonn

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O Barco do Aborto
« Responder #7 em: Setembro 04, 2004, 21:05:44 »
Existe um estudo eloquente acerca do aborto voluntário e selvagem. Perguntou-se a umas quantas mulheres que tiveram o seu filho apenas porque não puderam disponibilizar de meios de interrupção involuntária da gravidez se estariam satisfeitas por não terem levado a cabo o abortamento planeado. Todas elas se regozijaram por não terem conseguido consumar o abortamento.
Alguém que não sei nomear, resumiu esta ideia de uma forma aproximada ao que a seguir escrevo: "Pode não ser possível em todas as ocasiões ter um filho pois o mesmo era desejado, mas é possível amar um filho que não se desejava"
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Offline pedrojosesilva

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O Barco do Aborto
« Responder #8 em: Setembro 05, 2004, 11:25:28 »
Quero alertar os meus colegas que embora a minha posição se baseie no que já foi dito por eles, devemos ter consciência que a nossa sociedade está a mudar e cada vez para formas de vida mais heterogeneas, consequência das liberaddes civicas e individuais. O tempo em que o moralismo era imposto pela força acabou.


 O que se seguiu é o assumir de posição das mulheres feministas, homosexuais, emigrantes negros, do leste, ciganos, etc. Aqueles que eram silenciados.
Nem sempre sabem defender as suas causas com a melhor argumentação, e nem sempre têm razão, mas as forças moralistas muitas vezes apelam à ciência, essa mesma que Hitler usou para justificar a "solução final" para os judeus, aquela que levou à bomba atómica. Neste momento a posição do Estado deveria ser alicersada não na soberania das nossas aguas territoriais (a nossa soberania cada vez mais é uma treta, deixemo-nos de patriotismos hipocritas), mas sim no facto de existir no nosso país a accesso à meios abortivos como a pilula do dia seguinte, ou seja, como disse o Nuno e eu concordo, o estatuto legal de um ovo com poucos dias não é o mesmo de um feto, logo se a informação circula-se e existisse educação sexual de verdade, não seria necessario o casal ou a mulher sozinha recorrerem à experiência traumatizante do aborto.

Isto não exclui a legitimidade do aborto em caso de violação, risco para a mãe e os outros casos contemplados na lei.

Porque é que os moralistas não vêm para a televisão  assumir que concordam com a pilula do dia seguinte? se usam a ciência para se justificar, então sabem que o ovo com poucos dias não tem vestigios de medula espinal, critèrios usado hoje em dia para estipular o estatuto legal do feto.


Não me repugna a pilula do dia seguinte, é uma escolha atempada do casal.
Quem for contra a pilula do dia seguinte, cai no fundamentalismo, pois  a junção do espermatozoide no ovulo é simbolico, nesse momento só há vida como hipotese, fisicamente não há nada. No limite esses moralistas podem afirmar que cada espermatozoide e cada ovulo é vida em potencia, basta encontrar o seu outro par. Então masturbação também é aborto?


Que impere o bom senso, ambos os lados usam argumentação que impede uma plataforma de consenso, enquanto tivermos moralistas religiosos de um lado e fundamentalistas feministas do outro. O que o cidadão comum quer é planear a sua vida em familia da melhor forma, e isso pode ser efectuado através de uma planóplia de metodos anticoncepcionais e de interrupção do processo de desenvolvimento do ovo, que sendo uma vida em potencia, parece-me que é melhor aceite pela população deste país do que o aborto.

Se tomar-mos posições intansigentes, qualquer dia temos mais um caso "Barrancos", ou seja, leis à la carte. isso não é nada bom... significa que não nos conseguimos entender.