Autor Tópico: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?  (Lida 31480 vezes)

Offline sis84

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #45 em: Abril 21, 2012, 20:13:24 »
:) o que os colegas anteriores referiram é de extrema importância. Além do facto de que trabalhar num lar é deveras desgastante, concordo que os cuidados a prestar não se prendem pela quantidade de utentes, mas sim pela qualidade dos mesmos. Comparar a quantidade e a carga nunca pode ser feito.
Há dias e dias, utentes diferentes...a minha opinião sincera é a de que quanto à medicação pode ser uma vantagem, mas não podemos ter em conta apenas a medicação...até a pouco tempo trabalhei num lar e gostaria de saber a vossa opinião, pois desde sempre fui a única enfermeira, fazendo 8h diárias, de segunda a sexta. A medicação era preparada em dois dias (semanal para cada utente, como foi referido pelos colegas) para 45 utente;  consultas médicas apenas a segunda;  apenas 5 camas articuladas; já para não falar na equipa multidisciplinar (muito disfuncional). Gostava de poder partilhar com colegas que se encontram em situações idênticas e quais as soluções que encontraram (se...) para lidarem com elas.  :'(
Tudo existe e acontece por um motivo

Offline jotix

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #46 em: Abril 23, 2012, 20:47:35 »
Citação de: Isabelita
Dizer que nao tenho muito que fazer.... é dizer muito... pois os dias são sempre bem preenchidos....
Tenho effectivamente a sorte de trabalhar num "canton" onde ainda nos permitem ter um racio enfermeiro-utente bem confortavel, uns vizinhos nossos ja nao por exemplo. A Suiça é um unico pais mas algumas leis mudam nos diversos "cantons". A nossa dotação é realmente adequada e isso permite-nos ter bem tempo para os nosso residentes. Ou seja, eu posso fazer o trabalho de enfermeira que é necessario e quando os dias o permitem, tenho tempo para realisar banhos avaliativos e therapeuticos, entrevistas privilegiadas, enfim se formos a ver um verdadeiro trabalho de enfermagem, há tanto que fazer. Temos varios protocolos e fichas de actuação, muito trabalho administrativo que deve ser todos os dias revisto pois senão as auxiliares não conseguem trabalhar pois como ja disse elas trabalham sob delegação e seguem fichas e protocolos feitos por nós.
O ano que passou tivemos uma unica ulcera de pressão, e logo de seguida nos reunimos para detetar as falhas e as melhorias a ter para tal não se repetir....
Pergunto-lhe colega Jotix, acha a sua dotação adequada? Eu sei que nos adaptamos en função do que temos obviamente, mas é tão bom podermos ter tempo para avaliar correctamente uma pele, eu tive aulas de massagem no meu curso de base e posso por em prática, e o Enf Jotix consegue?

Cumprimentos

Em França, existe uma grande falta de Enfermeiros, sobretudo a nível de lares. De facto, eu gostava de ter mais colegas comigo, sobretudo nas manhãs, já que é o período mais pesado. Mas se já nos falta pessoal?

Então, no verão é simplesmente horrível. Lembro-me que no verão passado, num centro de gerontologia para o qual trabalho, a falha de pessoal foi tal, que nem com interimaires foi possível assegurar a continuidade dos serviços (nem havia interimaires disponíveis). Como resultado, houve falhas em vários planos de cuidados.

Mas bem, digamos que se trabalha sempre no sentido de fazer o melhor para os clientes.  A prevenção de ulceras de pressão, é uma coisa também aqui existente. E desde que se nota um eritema não branqueável, ligamos de imediato várias máquinas : desde a dieta, ao colchão, hidratação e aos cremes e comfeel. Como resultado, não temos ulceras de pressão.

Contudo, num outro lar em que trabalho, temos várias ulceras de pressão. Mas aí, infelizmente, à um descontrole a nível da dieta e ainda um descontrole para a hidratação. Obviamente, que os problemas de obesidade, edemas, insuficiências cardiacas não ajudam na prevenção.  Contudo, os novos idosos que chegam e não tem úlceras, tb costumam terminar sem úlceras.

Quando temos alguém que nos prepara os medicamentos, e alguém como secretária, alivia-nos muito o nosso trabalho.
Enfermeiro em França

Offline Mauro Germano

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #47 em: Maio 17, 2012, 14:42:37 »
Um estudo que pode ser interessante para quem queira melhorar a gestão do regime terapêutico... em lares ou fora deles:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1 ... E44.d04t03

(Interventions to improve the appropriate use of polypharmacy for older people)

Offline mariposa719

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #48 em: Maio 23, 2012, 11:02:37 »
Bom dia a todos!

O topico tambem me interessa muito pois, consoante fui lendo, varias das situaçoes comentadas me foram familiares.

Trabalho num lar ha sensivelmente 4 anos e meio. No que respeita a gestao da medicaçao dos utentes ja passamos por diversas fases:
- quando eu entrei para o lar (nao havia enfermeiro ate entao) a medicaçao era preparada pelos donos do lar e administrada pelas funcionarias.
- desde a minha chegada passei a preparar eu a medicaçao para 40utentes. utilizamos tambem as conhecidas caixas "practidose" semanais. inicialmente eu repunha a medicaçao em duas tardes: 20 utentes numa tarde e outros 20 noutra tarde. este metodo mostrou desvantagens: em cada uma das tardes que preparava medicaçao, dispendia imenso tempo (alem de ser cansativo). por outro lado, nessas tardes nao me sobrava quase tempo nenhum para avaliar os meus utentes e prestar outros cuidados (nas 3areas de intervençao de enfermagem, nao apenas procedimentos tecnicos pré-programados como as vezes se pensa). entao, decidi dividir melhor o numero de utentes por dia para distribuir melhor o meu tempo pelos varios turnos da semana.
- assim, hoje em dia, preparo a medicaçao de 5 a 6 utentes por dia. assim fico com tempo disponivel todos os dias para prestar outros cuidados. no entanto, ha muitos aspectos inerentes a preparaçao de medicaçao que acho que devem ser igualmente considerados. nao se trata apenas de repor a medicaçao nas devidas caixas. em primeiro lugar, a preparaçao da medicaçao deve ser sempre registada por quem a administra (o que dispende ainda mais tempo) e ha lares que ainda hoje nao o fazem. por outro lado, apesar de preparar a medicaçao, nem sempre sou eu quem a administra: ou porque nao estou presente a hora do jantar, ou porque surje alguma situaçao de urgencia que me impede de a administrar, ou entao porque tb sou a responsavel pelo acompanhamento dos meus utentes a consultas no exterior. assim, quem administra a medicaçao, tambem faz o devido registo (e rubrica) a administraçao. mas, isto é tambem polemico...pois quem administra a medicaçao,esta a responsabilizar se pela medicaçao que outra pessoa preparou! o que nao me parece correcto. se eu me engano a repor, alguem vai assinar a administraçao de uma medicaçao mal reposta!! como contornar? ate ao momento ainda nao conseguimos delinear nenhuma estrategia. os cuidados de enfermagem sao tantos (sobretudo na prevençao onde investimos imenso, bem como em aspectos mais burocraticos que, de facto, com ajuda de uma secretaria ajudava imenso a rentabilizar nos mais tempo para aquilo que realmente é a nossa area de intervençao).

alem disso,nao acho correcto preparar a medicaçao dos utentes semanalmente. penso que deveria ser diariamente para cada utente (ate por uma questao de armazenamento e conserva de certos medicamentos (temperatura/luz/etc)) e, alias, ate ja uma colega me falou que existem normas para estes aspectos (que eu desconheço).

era de facto muito mais facil se houvesse um diploma que degulamentasse a obrigatoriedade de enfermagem 24h por dia. dava mais tempo para fazer as coisas como realmente devem ser feitas..

mas infelizmente, trabalhamos com as condiçoes que temos e claro, sempre em luta para melhorar, mas para tal é necessario sensibilizar as administraçoes dos lares visto que esta area carece ainda de muita regulamentaçao...

cumps.

Offline Isabelita

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #49 em: Maio 23, 2012, 15:32:12 »
Este tópico é relamente muito interessante, descubrimos também as várias formas de actuação conforme as instituições.

Nós temos que pensar que não tendo condições perfeitas de funcionamento (algum dia teremos??) temos sempre que trabalhar os aspectos que não nos parecem adequados de forma a torná-los o mais adequado possivel, em prol dos residentes.
A colega mariposa adaptou a preparação da medicação en função das caracteristicas da sua instituição, é assim mesmo que se deve actuar: fazer o melhor en função das caracteristicas do trabalho.

"alem disso,nao acho correcto preparar a medicaçao dos utentes semanalmente. penso que deveria ser diariamente para cada utente (ate por uma questao de armazenamento e conserva de certos medicamentos (temperatura/luz/etc)) e, alias, ate ja uma colega me falou que existem normas para estes aspectos (que eu desconheço)."

Preparar semanalmente nâo tem problemas a partir do momento em que a armazenagem das practidoses se encontra nas mesmas condições que a armazenagem da medicação geral de cada utente. A armazenagem da medicação deve seguir as regras estabelecidas por lei.
Em grosso, a medicação é conservada em ambiente que respeite determinadas temperaturas (controladas e registadas precisamente todas as semanas), os frascos que necessitamos de abrir deve respeitar essas temperaturas de armazenagem e o que se pode fazer é um protocolo onde se estipula o tempo de abertura desses frascos e por as datas de fim de utilisação em cada frasco, para se deitar fora quando o medicamento já não pode ser utilisado.
Por exemplo, as gotas oculares, a maioria após abertura só se conservam 4 semanas, então põe-se uma etiqueta (flurescente) em cada frasco aberto com data de abertura e de fim. A responsabilidade de controlo deve ser rigorosa.

"por outro lado, apesar de preparar a medicaçao, nem sempre sou eu quem a administra: ou porque nao estou presente a hora do jantar, ou porque surje alguma situaçao de urgencia que me impede de a administrar, ou entao porque tb sou a responsavel pelo acompanhamento dos meus utentes a consultas no exterior. assim, quem administra a medicaçao, tambem faz o devido registo (e rubrica) a administraçao. mas, isto é tambem polemico...pois quem administra a medicaçao,esta a responsabilizar se pela medicaçao que outra pessoa preparou!"

Quando se sabe que se vai estar fora deixa-se a medicação nos blisters e a pessoa delegada para a administrar, confirma os blisters com o Kardex (dai a importaância de se apontar correctamente a terapêutica no kardex - nome, dose via, hora..). Nas urgências, eu pessoalmente atraso a administração e dou mais tarde.
Enfim outra coisa que eu diria é: Formação interna Quando há atos delegados formação regular!!!

Isto são ideias, as insitituições são diferentes obviamente...
Saudações  ;)

Offline mariposa719

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #50 em: Maio 23, 2012, 17:28:20 »
Colega,

Tudo o que referiu foram e sao aspectos ja ponderados e avaliados no meu caso especifico. Formação interna tambem existe desde a minha chegada ao lar, com constantes actualizações e ensinos na pratica diaria, nao só no que concerne a administração de medicaçao, como muitos mais temas: desde cuidados higiene, alimentaçao, prevençao UP, prevençao de acidentes em geriatria, primeiros socorros, chamada 112, sinais e sintomas de algumas situaçoes de urgencia (avc, eam, etc), entre muitas outras tematicas..... ...

No entanto e, tal como referiu e muito bem, tudo depende das condiçoes de trabalho e da instituiçao, bem como dos horarios e da nossa flexibilidade, bem como dos recursos materiais e humanos. Passo a explicar o meu raciocinio...

No meu caso especifico, infelizmente, nao ha condiçoes que permitam colocar em pratica algumas das ideias que a colega sugere. Os funcionarios ja tem vindo a recusar que lhes seja delegado a administraçao de medicaçao mesmo na ausencia do enfermeiro (por ser um cuidado e uma responsabilidade de enfermagem, o que concordo, mas tambem não temos enfermeiros para cobrir a medicaçao a administrar nas 24h do dia), quanto mais dar lhes um kardex para confirmar tudo utente a utente (infelizmente os funcionarios ja se queixam de falta de tempo com o serviço deles...entao com mais um trabalho que ainda por cima é nosso...!!)... aqui ha tambem elementos fundamentais como a sensibilizaçao dos funcionarios a motivaçao para que colaborem conosco... sao aspectos que nao convem esquecer... 

Alem do mais, em caso de urgencia, nao sei o que a colega define como "urgencia"... no meu caso nao se trata apenas de estabilizar um utente ate o encaminhar devidamente para os serviços hospitalares.. no meu caso, sou eu quem estabiliza o utente, sou eu quem o acompanha a urgencia do hospital (situado a cerca de 110km, ou seja cerca de 1h ou 1h10min de viagem), e sou eu que muitas vezes o acompanho no serviço de urgencia durante periodos de 3, 4 ou ate 5h de espera ate saber alguma informaçao. Assim, como deve compreender, nao tenho condiçoes de aguardar para o final da urgencia para dar a medicaçao tantas horas mais tarde.. uma urgencia na minha instituição, desde que começa (saio do lar, vou ao hospital com o utente, aguardo, volto) ate acabar, pode durar ate 6h como ja tem acontecido inumeras vezes...

Nao me interprete mal, nao estou de qualquer forma a discordar com a colega. pelo contrario, concordo plenamente com as suas sugestoes mas, saliento apenas aqui, que cada caso é um caso, cada realidade é uma realidade distinta. Acho que não basta ter ideias e colocar em pratica: cada casa tem as suas condiçoes materiais e os seus recuros humanos e, dentro destes (recursos humanos) mais ou menos motivaçao em colaborar.

Nao é um trabalho facil , é arduo. Daí que todas estas necessidades se suprissem com aquilo que realmente era importante: apostar em enfermagem 24h! Deixam de se delegar cuidados que sao nossos (dos enfermeiros).. os utentes passam a estar mais estabilizados, com maior acompanhamento, a responsabilidade dos nossos actos sao unica e simplesmente nossas, diminuem -se os custos de saude devido a maior prevençao e acompanhamento e reduz-se o nivel de desemprego em enfermagem.. mas.. continuam a ser os funcionarios a fazer o nosso trabalho... no meu caso.. ao longo do tempo... junto dos funcionarios: a reivindicaçao e recusas em realizar tarefas que lhes sao delegadas tem sido mais notorias. aonde vamos chegar entao? eu nao posso estar la o dia todo... nem posso deslocar  me propositadamente a cada horario de medicaçao... por isso colegas, defendo que o problema deve ser resolvido pela raiz: ser o enfermeiro a prestar os cuidados que lhe sao inerentes!

nao sei se os colegas entendem o ponto de vista... e peço desculpa se feri susceptibilidades com a minha opiniao.. mas é apenas uma partilha de vivencias e opinioes...

cumps...

Offline Isabelita

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #51 em: Maio 23, 2012, 20:19:29 »
Re-boas,

Não sei se a colega interpretou mal o que eu escrevi, não percebi bem. Mas o objectivo da minha participação era pura e simplesmente de partilha de ideias e de experiências, não pretendia ter as soluções (se é que as há). Pois referi várias vezes que tudo depende do sitio onde trabalhamos.
A prática de enfermagem depara-se com um sem número de difficuldades e num lar encontramo-nos frequentemente sozinhos para tudo (mas mesmo tudo).

Um dos aspectos que saliento do seu ultimo comentário é o facto de as auxiliares se recusarem a realizar alguns atos delegados. Isso é positivo por um lado pois pode fazer pressão nas hierarchias para a contratação de mais enfermeiros, por outro são sempre os mesmos a pagar....
Não se percebe não haver enfermagem 24H, lá está a nossa pressão no governo para a valorização da enfermagem. Trabalhar num lar hoje é completamente diferente de há uns 10 anitos atrás, mas as mentalidades são pedras..
Para a criação de um lar, exigem un Enfermeiro para 40 utentes (eu acho um rácio inadequado) e se houver casos muito dependentes então 1 enfermeiro para 20 utentes, mas a realidade....
Devemos fazer o melhor com o que temos e para isso podemos contar que nós enfermeiros pomos todos os dias os nossos neurónios a funcionar...

Saudações***
:)

Offline mariposa719

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #52 em: Maio 24, 2012, 10:01:48 »
Concordo plenamente...

No nosso caso, somos 2 enfermeiros para 40 utentes. No entanto continuo a achar muito inadequado: temos muitos utentes dependentes, varias situaçoes paliativas e acamados, utentes com patologias de foro psiquiatrico, oncologico, com DPOC, etc.
Ha dias em que nao se consegue dar atenção a toda a gente que o necessita. E o risco de complicaçoes/urgencias é grande se nao se der a devida atençao... complicaçoes da imobilidade, respiratorias, ulceras pressao, etc... é mesmo muito dificil. Sou completamente contra a ideia de que num lar nao se trabalha nem se aprende nada (infelizmente muitos colegas pensam assim). Num lar ha imenso trabalho e pouco tempo/poucos enfermeiros para o fazer. Sei que esta tematica é direccionada para a preparaçao de medicaçao e estou a alargar um pouco a tematica, mas tambem sei que esta tudo interligado  e esta falta de tempo/disponibilidade interfere com todo o processo de preparaçao e administraçao de medicaçao.

E agora questiono: e se algum dia acontecer algum erro grave no que concerne a administraçao de medicaçao (por exemplo  o enfermeiro nao estar em turno e um funcionario administrar erradamente a medicaçao, por ex uma insulina a um utente errado) e o utente tiver complicaçoes graves (ou pior, nem quero pensar!), digam-me: quem sera responsabilizado? o enfermeiro que delegou a administraçao de medicaçao? pois legalmente é uma competencia do enfermeiro faze-lo... e nao sei ate que ponto sera responsabilizado o funcionario. Sera que o enfermeiro pode correr riscos de ser respopnsabilizado por um erro tao grave que, em casos extremos pode levar a tribunais ou a deixar de exercer a nossa profissao? que penalizaçao? pois, se nem sequer é obrigatorio enfermagem 24h/dia em lar, ate que ponto podemos ser responsabilizados na nossa ausencia por delegar esta tarefa? é apenas uma questao que as vezes me "paira" na mente e claro, me preocupa.

Ja agora agradeço a colega isabelita as sugestoes, em nenhum momento as menosprezei, pelo contrario, apenas entrei numa onda de "debate" e de confrontar ideias, dando alguns exemplos de um caso particular que podem limitar ainda mais a gestao da medicaçao em lar. Claro que com toda partilha de experiencias se aprende!

Cumps.

Offline Isabelita

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #53 em: Maio 24, 2012, 19:32:56 »
Boas,

Este ultimo debate fez-me pensar numa questão com que me deparo frequentemente no lar. De facto a preparação da medicação é um verdadeiro quebra-cabeças: a delegação de administração de therapêutica deve ser feita de boa consciência de maneira a não deixar margens para erros e de facto isso acontece em situações de urgência ou como ja referi, à noite pois são as auxiliares da noite que dão a therapêutica da noite Per Os.
Agora, como fazem em situação palliativa na administração de Morphina subcutânea, por exemplo, em que uma cobertura adequada deve ser feita todas as 4horas?
Vou dizer a minha experiência: injecções nunca são delegadas, opiáceos muito menos (acho que não preciso dizer porquê). Geralmente esses residentes têm também Morphina transdermica mas quando se instaura as injecções o esquema deve seguir os intervalos das 4horas afin de assegurar a analgesia optimal. Então o que acontece é que a prescrição é feita para injecçôes de dia e deixam prescritas mais en SOS se dores à noite. Já me aconteceu me chamarem à noite para injecção devido a manifestação de dores do residente, mas como fazer, pois na noite seguinte......?

Dai toda a problemática de não haver Enfermagem 24H, qual a melhor forma de a preparar e administrar?
Cumprimentos

Offline João Leite

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Re: Qual a melhor forma de preparar medicação em lares?
« Responder #54 em: Agosto 26, 2012, 17:28:35 »
Boa tarde,
A melhor forma de preparar medicação em lares:
Junto envio informação sobre os DSM - Dispensadores Semanais de Medicação, a pacientes institucionalizados e não institucionalizados, com o propósito de assegurar a sua correta preparação e utilização. É uma atividade de Atenção Farmacêutica, mediante a qual o paciente recebe a medicação prescrita pelo médico, preparada sob a supervisão e verificação de um enfermeiro, médico ou farmacêutico, em dispositivos tipo blister com alvéolos em que se distribui a medicação a tomar pelo paciente durante um tempo determinado.

Este procedimento é aplicável às formas farmacêuticas orais sólidas que pelas suas características físico-químicas e galénicas possam permanecer estáveis durante o tempo previsto para a respetiva utilização.

Alguma dúvida não deixem de comunicar.

Aguardo contacto.
Com os melhores cumprimentos,

João Leite

Tel: +351 962030794