Autor Tópico: Violência Infantil: porque nem todos terão um Natal...  (Lida 8974 vezes)

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Violência Infantil: porque nem todos terão um Natal...
« em: Dezembro 21, 2004, 20:01:37 »
“Não tenho sonhos sobre o meu futuro. Trabalhei sempre com tijolos e continuarei a trabalhar. Nunca me bateram, mas aos meus irmão mais novos sim. Quando era suposto eles estarem a trabalhar, eles fugiram da fábrica de tijolos para brincarem. O capataz ficou furioso com os meus pais, que depois bateram nos meus irmãos. Depois, puderam ir dormir: Quando os vi serem espancados, fiquei triste. Nunca se deve bater nas crianças”
Qurban, 13, Paquistão


“Se uma crianças é travessa, ainda será pior se os pais lhe baterem. Isso não funciona. A criança fará novamente a mesma coisa, depois os pais ficarão zangados e baterão com mais força. A minha madastra bateu-me com uma cana e não parou enquanto não viu sangue na minha cabeça. Quando ela bateu no meu braço, ele inchou e eu fugi para viver nas ruas. Eu nunca a esqueci. Pessoas como ela devem ser castigadas. O meu castigo para ela foi sujar todas as paredes de casa. O meu pai está na prisão. Ele costumava explicar-me as coisas quando eu costumava ser desobediente.”
Bruno da Silva Paixao, 13, Brasil


“A minha mãe batia-me sempre com uma cana ou uma mangueira. Por causa disso eu e o meu irmão fugimos de casa. Eu penso que os pais têm o direito de bater nos filhos por vezes, mas nunca sem razão. Tal como a minha mãe, quando me batia porque eu me atrasava para a escola. Não têm direito! Quando uma pessoa bate numa criança sem razão, esta fica furiosa, e quer fugir de casa”
Tomas Bugenio Rodrigues, 11, Brasil


"É errado bater numa criança. Os meus pais nunca me bateram. Se uma criança parte um copo, não se lhe deve bater, mas cuidar da mão da criança, e mostrar como se trata o ferimento da mão. Os pais devem primeiro pensar e ensinar a criança. Eles sabem como é levar porrada. Eles também foram crianças! O modo como os pais educam os filhos afecta o modo como eles crescem e o seu futuro. A televisão mostra muita violência contra as crianças. Eles deviam ensinar os pais a ensinar os filhos, em vez de lhes baterem.”
Matheus Guedes de Paula, 13, Brasil


“Eu penso que é terrível bater numa criança. Por vezes a minha mãe bate-me. Eu sempre disse que não pensava que aquilo fosse bom: depois ela pedia-me para a perdoar. Os meus pais tentaram perceber que não se deve bater. Muitos pais batem nos filhos quando estão stressados. Acredito que qua as crianças que sofrem estes maus-tratos tornam-se agressivas. Familiares que agridam as crianças devem receber tratamento psiquiátrico. A prisão não ajuda. Eu penso que um bom pai deve dar um beijo de boa noite, um abraço antes de ires para a escola, e ajudar antes dos testes. Isso é dar Amor!”
Denise Zamprogno de Sousa, 13, Brasil


“O meu pai costumava-me bater muitas vezes com uma cana ou com uma mangueira, mas quando me batia eu só queria desobedecer mais. Os pais devem tentar falar com os filhos, antes de os maltratarem. Eles são os únicos que os devem ensinar a distinguir o bem do mal. Eles supostamente deveriam ser os seus conselheiros. Tenho 15 anos, e quero ter um namorado. O meu pai não percebe isso. Um dia cheguei a casa atrasada e ele bateu-me, com força, com uma mangueira. O meu corpo todo inchou. Fugi durante várias vezes. Os pais nunca devem perder a paciência com os filhos. Devem tentar compreendê-los. Pais que maltratem os seus filhos devem ser punidos de acordo com a lei.”
Marilia de Silvia Paixao, 15, Brazil

PS: Peço desculpa pela extensão do post, mas tentei seleccionar as mensagens mais significativas, mas foi-me difícil...
Nesta época natalícia, em que as crianças "fazem a festa", convém não nos esquecermos que por esse mundo fora, nem todos terão Natal.

In: www.childrensworld.org
Abílio Cardoso Teixeira
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Offline joana santos

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violência infantil: porque nem todos terão um natal...
« Responder #1 em: Dezembro 21, 2004, 20:33:58 »
Infelizmente, assim é, Abílio, as condições sócioeconómicas e culturais ditam, muitas vezes, o presente e o futuro das crianças, principalmente nos países ditos mais pobres,  e o sonho, se existe, para estas crianças, logo se desfaz...
Tenham o vol. ligado, tenham muita paciência para esperarem e seguidamente observarem o que se vai passar, após clicarem em:


http://www.lifemotion.com.br/sonhos/

Joana, :)  :(

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Violência Infantil: porque nem todos terão um Natal...
« Responder #2 em: Dezembro 21, 2004, 20:50:15 »
Pois é Joana, esta realidade existe, mas torna-se triste ler estes relatos, assim como ver certas coisas que vemos...

Ninguém tem o direito de maltratar niguém, mas quando se trata de crianças ainda pior... Seres tão indefesos, tão inseguros... Que são o futuro, ou que nalguns casos nem o chegam a ser...

Não deveremos julgar as pessoas pelos seus actos, sem o verdadeiro conhecimento das coisas (é certo...), mas que direito têm aqueles que se dizem "pais" da criança de a maltratar??? Isto dava para escrever, escrever, escrever, mas é melhor não me alongar muito...

PS: o site, reflecte exactamente o que atras foi dito...porque sonhar sonhamos todos, mas as crianças têm esta habilidade "mais apurada"...
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline joana santos

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Violência infantil: porque nem todos terão um Natal...
« Responder #3 em: Dezembro 21, 2004, 20:51:57 »
A violência espalha-se pelo mundo, desde há séculos, através de guerras, invasões, violações de toda a ordem, mas quem mais sofre são as mulheres, os idosos e essencialmente as crianças. São as crianças que mais sofrem com o ódio existente entre os adultos, por razões políticas, económicas, sociais, religiosas e culturais.
Seria tão fácil acabar com o ódio, se o homem quisesse...
Mantenham o volume ligado, paciiência q.b.para observarem e reflectirem, após clicarem em:

 http://www.lifemotion.com.br/coracao/

Joana, :cry:

Offline joana santos

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Violência infantil
« Responder #4 em: Dezembro 21, 2004, 21:51:50 »
Mas a violência infantil não é somente praticada nos países ditos pobres, Abílio.
Nos países industrializados a violênciia passa como que mais despercebida, mas não deixa de ser considerada violência.
Deixo aqui um artigo muito interessante acerca desse facto:
Na Alemanha, no ano passado, por ocasião do Dia Internacional da Criança, a UNICEF alertou os países sobre a violência que ainda é praticada contra menores nos países industrializados.
A violência contra as crianças, incluindo os maus tratos na família, é um tema normalmente tratado como tabu nos países mais ricos. Que o problema existe, ninguém é capaz de negar. Mas encarar o problema de frente, como algo que acontece de facto, bem mais próximo do que se imagina, é ainda uma situação incómoda, especialmente nos países mais industrializados do Ocidente, os países ditos ricos.
Um estudo realizado nos países industrializados aponta que o número de óbitos infantis em decorrência de actos de violência tem diminuído desde a década de 70. Isto não significa, entretanto, que houve necessariamente um retrocesso na violência praticada contra os menores mas sim um avanço da Medicina, que impediu a morte de muitas crianças vítimas de maus tratos.
“A cada ano, o abuso contra um menor provoca cerca de 3.500 casos de morte nos países industrializados. Isto representa duas mortes por semana na Alemanha e Inglaterra, três na França, quatro no Japão e 27 nos Estados Unidos”, revelou Dietrich Garlichs, presidente do UNICEF.

Maior e menor

Em três países a taxa de mortalidade infantil é especialmente alta: Estados Unidos, México e Portugal. Em outros cinco, Espanha, Grécia, Itália, Irlanda e Noruega, a taxa é bem menor. Onde a criminalidade entre adultos é mais acentuada, os casos de abuso contra o menor também são mais frequêntes.
Outro aspecto importante é a violência doméstica. No Canadá, por exemplo, cerca de 80% das agressões contra o menor são praticados dentro do lar. Os motivos são bem conhecidos: álcool, consumo de drogas, stress na família, desemprego e problemas econômicos. “Quanto mais difícil a situação dos pais”, frisou Garlichs, “maior é o risco de que a criança seja maltratada”.

Bofetadas são permitidas?

Apenas em seis países do mundo, incluindo a Alemanha e a Suécia, as crianças têm garantido por lei o direito de viver sem violência. De acordo com o UNICEF, tal determinação não impede o abuso subtil contra o menor nesses países, como a aplicação de certos princípios arcaicos de educação, tais como bofetadas e beliscões.
O presidente do UNICEF na Alemanha lembrou que médicos e especialistas são unânimes em afirmar que os actos de violência marcam a criança por toda a vida. E quem já foi vítima de maus tratos na infância tem boas oportunidades de se tornar futuramente um potencial agressor.

Traduzido de http://www.dw-world.de/select

Offline nunotavares

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A violência infantil....
« Responder #5 em: Dezembro 22, 2004, 09:48:56 »
A Violência Infantil, é uma temática que por norma resurge muito em duas épocas do ano, pelo dia da criança e no natal...pena é que não seja recordada durante todo o ano....

No entanto os profissionais da área científica de pediatria, não a conseguem esquecer...não pela "publicidade", mas pela dura e crua realidade com a qual se deparam muitas vezes....

Já agora, queria deixar uma pergunta.....

Quando é detectado um caso de violência infantil, quais são os procedimentos normais que a equipa dos serviços costuma adoptar?!


Um abraço,  :D

Offline joana santos

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Violência infantil
« Responder #6 em: Dezembro 22, 2004, 17:05:46 »
Habitualmente quando é detectado um caso de violência infantil, e a criança ou jovem está internado, a equipa de saúde, tenta "resguardar a vítima do agressor", de maneira a que enquanto esta estiver internada não venha a suceder mais nenhum acto de violência. A partir daqui, os procedimentos diferem consoante os mecanismos de regulação que cada instituição possuíu, sem esquecer que cada utente pediátrico é um caso, pois os casos têm determinadas orientações, consoante a sua gravidade.
Daquilo que sei, por experiência própia e por colegas com quem já conversei que pertencem a diferentes hospitais, processa~se de maneiras diferentes, mas quase todos têm uma Comissão de Protecção de Menores para, se for caso disso, a criança poder ter algum apoio legal, enquanto o assunto não se resolve vão ficando internados nos hospitais, catalogados, alguns como casos sociais.
Assim em alguns hospitais existem comissões intrahospitalares de protecção à criança  e ao jovem, noutros a assistente social ou mesmo o médico assistente ou até o enfermeiro tentam entrar em contacto com a Comissão de Protecção de Menores da região a que o Hospital pertence. Por exemplo, no Hospital Amadora/Sintra pode haver necessidade de contacto com a Comissão de Protecção de Menores da Amadora. No Hospital D.Estefânia recorre-se ao Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital e no Hospital de S. Francisco Xavier, existe apoio a nível interhospitalar, através de uma instituição denominada "Os Franscisquinhos".
Boa navegação, Joana :wink:

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Violência Infantil: porque nem todos terão um Natal...
« Responder #7 em: Dezembro 23, 2004, 13:57:24 »
Mais alguns relatos, de mais algumas crianças:

"Eu, no meu modo de pensá, todo mundo tem um defeito hoje em dia. Eu... eu fico naquela região ali, eu pelo menos na minha cabeça... cada um tem que tê uma cabeça, eu num apronto. Então, eu fico invocado, porque, às vezes, a gente tá sentado, cum prato de cumida, eles (os militares) chega agredindo a gente, bate na gente. Às vezes a gente tá alimentano, cumeno, eles chega agredindo a gente. [...] Num adianta. Num adianta... a voz deles é mais... é mais alta. A corda só arrebenta pro lado mais fraco hoje em dia."

"Eu queria ajudá... eu queria falá com minha mãe, com meus irmãos... agradeceno a Deus tamém, deste pão, deste leite que deu ontem e a sopa da noite, agradecê a minha família... me dá a minha casa e eu vivo na rua... agradecê tamém Senhor Jesus, essas
tias que trouxe essas fotos prá nós... agradeceno, nós tava jogano bola tamém. Senhor Jesus não deixou ninguém machucá. O meu irmão que chamô Walder, o outro que chamou Atenô, a minha irmã que chama Íris... a minha mãe tamém... Deus vai nos ajudá
muito... nosso Senhor Jesus... (começa a chorar)."
Abílio Cardoso Teixeira
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Mais um caso, com desfecho dramático...
« Responder #8 em: Dezembro 23, 2004, 13:59:45 »
E a prova que os maus tratos não se passam apenas nos países subdesenvolvidos, na cidade onde moro, ocorreu uma destas situações, que a todos deixou chocados...

"A menina, Catarina, foi encontrada morta em 18 de Outubro de 2003 em casa do pai, a quem a guarda da criança tinha sido entregue pela Comissão de Protecção de Menores de Gaia dois meses e meio antes. As autoridades verificaram que a criança apresentava sinais de violência física e violação (embora estes não se tenham confirmado), que levaram o Tribunal de Valongo a decretar a prisão preventiva do pai e da madrasta, que é simultaneamente tia.

José e Clara Gomes, de 31 e 25 anos, respectivamente, são acusados de, nos dois meses que tiveram a seu cargo a menina, terem batido à criança, desferindo "fortes palmadas com a mão, murros e pontapés". "Puxavam cabelos, batiam-lhe na cabeça, davam pancadas, murros e pontapés na zona abdominal e nádegas. Davam unhadas e tocavam-lhe com pontas de cigarro acesas", acrescenta a acusação."


"Violada e brutalmente espancada pelo pai, anteontem à tarde, em Ermesinde (Valongo), Catarina morreu. Não resistiu à violência, apesar dos esforços das equipas médicas que acorreram ao local. As tentativas de reanimação prolongaram-se por uma hora, mas o corpo franzino, com apenas 30 meses, não resistiu.

Os resultados dos primeiros exames médicos ao cadáver da bebé são esclarecedores: cortes profundos na cara, lesões de escalpe no crânio, queimaduras de cigarros no corpo (incluindo nos órgãos genitais), uma bolsa de sangue de meio litro na cabeça, hematomas múltiplos. Marcas de maus-tratos, agravados por indícios de violação vaginal e anal. De resto, a violência contra a pequena Catarina já seria antiga, conforme comprova uma lesão no tórax em processo de cicatrização.

Um caso de brutalidade extrema, ao qual nem os agentes da PSP nem as equipas de socorro (INEM e Bombeiros Voluntários de Ermesinde) conseguiram ficar indiferentes.
O oficial de prevenção da PSP teve mesmo de pedir aos polícias que saíssem do apartamento, tal a revolta latente, pedindo a presença da Polícia Judiciária.
"Um polícia saiu do prédio com a menina nos braços e a chorar", referiu, ontem, ao JN, uma moradora da Travagem, em Ermesinde."

PS: peço desculpa pela crueldade espelhada nas palavras, mas isto foi um caso real...
Abílio Cardoso Teixeira
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Offline Isabel

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Ufa
« Responder #9 em: Dezembro 23, 2004, 15:04:29 »
Infelizmente acompanhei este caso pela televisão e fiquei chocadissima! Aliás, para a minha simples compreensão é impossível entender como alguém consegue fazer "aquilo" a uma criança! É revoltante!!!  :x

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Violência Infantil: porque nem todos terão um Natal...
« Responder #10 em: Janeiro 15, 2005, 12:27:49 »
Eu tenho esperança de um dia ser feliz

"Eu tenho esperança de um dia viver
com os meus pais, ter um lar para morar.
Eu preciso de abraço, alquém para me conduzir
Eu preciso de carinho pois me muito sozinho
Acordo de manhã cedo com os berros do dono da loja
porque não tenho onde dormir.

Eu tenho esperança de um dia ser feliz
Poder viver como uma criança
Ter brinquedos para poder brincar
Sem ser suspeito de roubar
Ser uma criança normal, sem apanhar de policiais
Que não tem sentimentos.

Eu quero poder andar olhando pra frente
E não correr porque roubei
Eu quero ser visto como um cidadão
que sou e poucos percebem

Eu tenho esperança de um dia ser feliz
Poder viver como uma criança
Ter brinquedos para poder brincar
Sem ser suspeito de roubar
Ser uma criança norma, sem apanhar de policiais
Que não tem sentimentos."

Peterson do Amaral in: http://www.geocities.com/FundacaoProfetaElias/Livr.htm
Abílio Cardoso Teixeira
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Frases soltas
« Responder #11 em: Janeiro 15, 2005, 12:35:25 »
"Eu fui pra rua porque meu padrasto me batia"

"Meu pai chegava em casa, sentia o bafo de pinga da minha mãe e começavam a discutir"

"Eu tinha treze irmãos e morava no Parolim. Minha vida na família era ruim, meu pai chegava bêbado batia na minha mãe"

"Aprendi a usar drogas com meus amigos, comecei a fumar maconha e cheirar cola"

"roubava de manha, chegava na hora do almoço comprava marmitex e refrigerante, descansava um pouco e ia comprar cola ou esmalte, pois cola dava mais coragem para roubar"

"Na rua, a gente tinha muitos problemas com os policias. Quando eles pegavam a gente, batiam muito, pegavam nosso dinheiro, o que a gente tivesse, passavam cola no nosso cabelo, pediam gorgeta. Se a gente não desse dinheiro para eles, levavam pra o módulo e batiam muito"

Fonte: Fundação Educacional Meninos e Meninas de Rua Profeta Elias [http://www.geocities.com/FundacaoProfetaElias/]
Abílio Cardoso Teixeira
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Crianças, como objectos vendidos...
« Responder #12 em: Janeiro 22, 2005, 19:33:24 »
Por ano, no Mundo mais de um milhão de crianças são vítimas do tráfico de seres humanos.

O relatório da Unicef “Stop the traffic” evidencia que, grande parte destas crianças saem dos países em desenvolvimento (África Central e Ocidental e Sudeste Asiático) rumo a regiões de bem-estar dos países ocidentais.

São os escravos do novo milénio e são explorados pela indústria do sexo, como mão-de-obra de baixo custo ou como domésticos.

Os mais felizardos podem ser adoptados, mas não faltam os casos de menores que desaparecem misteriosamente e são assassinados para fornecer órgãos para transplante através de canais ilegais.

A "lista de preços" segue as exigências de mercado: 50.000 euros para um recém-nascido de sexo masculino em boas condições de saúde, 30.000 por um fígado, como denuncia a revista brasileira “Manchete”.

O tráfico ilegal de crianças movimenta 1,2 biliões de dólares por ano e poucas vítimas são capazes de denunciar o que acontece a elas: muito pequenos, muito indefesos ou obrigados ao silêncio da morte.

A exploração sexual com fins lucrativos tem muitas facetas. Na Tailândia, um estudo sobre a economia ilegal revelou que, de 1993 a 1995, a prostituição representou cerca de 10 a 14% do Produto Interno Bruto e calcula-se que cerca de um 1/3 das mulheres tailandesas envolvidas no mercado da prostituição seja menor de idade.

Vítimas de abusos de todo tipo, os pequenos escravos deste mercado têm muitas vezes a única perspectiva de uma morte por SIDA ou por outras doenças sexualmente transmissíveis.

in: http://www.fides.org/por/approfondire/bambini/007.html
Abílio Cardoso Teixeira
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O Alcoolismo como fonte de violência...
« Responder #13 em: Fevereiro 11, 2005, 20:44:12 »
- Joana, 4 anos, pai alcoólico: "Quando ele chega grita muito, muito e eu choro e ele depois bate-me. Se a mãe chora ele bate a ele também. Tenho medo..."

- Virgínia, 25 anos, 4 filhos: "Grita ele, grito eu, gritam as crianças (...). Às vezes parece que vivo num inferno (...). Nasci para sofrer e tive filhos para também eles sofrerem(...)."

- Flávio, 2 anos mãe alcoólica: "A mamã bateu a mim, quando eu tava a brincar com o pópó... Doeu... (...)."

in: http://www.cm-gondomar.pt/asp/000a_111_1.asp

Estes são apenas três exemplos, mas como estes haverá muitos outros dispersos por esse país.

Será que estes exemplos, vividos pela crianças, a levam a pensar que o "alcool é mau"? Ou será que serão porventura, um exemplo "a seguir"?
Abílio Cardoso Teixeira
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