Autor Tópico: Reanimação em idosos  (Lida 12653 vezes)

Offline Álvaro Matos

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #15 em: Novembro 15, 2007, 21:38:21 »
Embora perceba o que querem dizer com "controverso" digo-vos que é muito simples e não violamos qualquer regra em meu entender , que é tão só deixar a natureza actuar.
Hoje a exercer a profissão fora dum Hospital eu sou capaz de perceber melhor esta problematica e perceber porque há pessoas que recusam a ida de idosos para internamentos e percebo também a força do que é "quero morrer na minha casa".

Offline mariamariamaria

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #16 em: Novembro 15, 2007, 22:14:48 »
Olá,

Tal como disse o Sérgio, o idoso " começa" aos 65 anos...

Há pessoas com muitos anos de vida com qualidade que param por questões múltiplas, mas poderão viver muitos mais anos com boa qualidade.

Se for para prolongar sofrimento e esse sofrimento não for temporário e com vista a restabelecer qualidade de vida, discordo fervorosamente.

Pouca gente tem medo de morrer, todas têm medo de sofrer. É nisto que temos de pensar.

Abraço.

Offline isabelmeireles

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #17 em: Novembro 15, 2007, 22:31:08 »
já tive doentes DNR de 50 e poucos anos e já tive doentes de quase noventas com muita boa qualidade de vida. cada caso é um caso

Offline Marcos Paiva

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #18 em: Novembro 15, 2007, 22:40:17 »
Citação de: sidoniofaria
E se considerássemos também a vontade da pessoa, quando esta teve hipótese de manifestar a sua vontade previamente?

Mas caro colega... será que na hora da verdade esta pessoa em questão não quereria voltar a trás??

Offline sidoniofaria

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #19 em: Novembro 15, 2007, 22:52:40 »
Com imaginação todos os cenários são possíveis. :)
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Offline mariamariamaria

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #20 em: Novembro 15, 2007, 23:02:09 »
Olá,

Há um cenário que ainda não é possível: a imortalidade. Já que todos temos de morrer, que seja na altura certa. Mais uns anos podem fazer diferença em certas idades; já noutras e em certas situações...

Deixemos em paz e sem sofrimento os que têm de morrer hoje. Os que não têm razões válidas para morrer devem viver. A todo o custo.

Abraço.

Offline Marcos Paiva

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #21 em: Novembro 15, 2007, 23:35:47 »
Citação de: mariarebelo1
Olá,

Há um cenário que ainda não é possível: a imortalidade. Já que todos temos de morrer, que seja na altura certa. Mais uns anos podem fazer diferença em certas idades; já noutras e em certas situações...

Deixemos em paz e sem sofrimento os que têm de morrer hoje. Os que não têm razões válidas para morrer devem viver. A todo o custo.

Abraço.

A colega pensa mesmo assim???

A ilação que posso tirar da intervenção que a colega fez, é que a colega é a favor da distanásia!!

Ou seja, se tivermos uma criança de 10 anos que tem a vida pela frente, e por qualquer motivo entra em paragem cardio-respiratória, a colega é a favor de manter a vida da mesma a todo o custo, e mesmo que o quadro clínico se reverta essa criança possa ficar com graves sequelas para o resto da vida!! 

Não entendo esta posição... o modelo biomédico levado à exaustão! ::)

Offline enfarfr

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #22 em: Novembro 16, 2007, 00:20:05 »
Citação de: Carica
Citação de: mariarebelo1
Olá,

Há um cenário que ainda não é possível: a imortalidade. Já que todos temos de morrer, que seja na altura certa. Mais uns anos podem fazer diferença em certas idades; já noutras e em certas situações...

Deixemos em paz e sem sofrimento os que têm de morrer hoje. Os que não têm razões válidas para morrer devem viver. A todo o custo.

Abraço.

A colega pensa mesmo assim???

A ilação que posso tirar da intervenção que a colega fez, é que a colega é a favor da distanásia!!

Ou seja, se tivermos uma criança de 10 anos que tem a vida pela frente, e por qualquer motivo entra em paragem cardio-respiratória, a colega é a favor de manter a vida da mesma a todo o custo, e mesmo que o quadro clínico se reverta essa criança possa ficar com graves sequelas para o resto da vida!! 

Não entendo esta posição... o modelo biomédico levado à exaustão! ::)

Se entrar em PCR por QUALQUER motivo nunca se sabe se pode ou não ficar com graves sequelas para o resto da vida... por isso quando não se sabe REANIMA-SE... Daí para a frente, e depois de bem avaliada a situação com toda a equipa e com a família, no caso das sequelas serem assim tão graves, a DNR pode ou não ser tomada... Sempre tendo em conta o potencial de recuperação e a legis artis...

Offline Enf_SH

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #23 em: Novembro 16, 2007, 01:19:05 »
boas...
A grande questão que se põe é o tempo que temos até decidir isso.
Nos doentes que fazem descompensação rápida muitas vezes não há tempo para concensos ético-morais!
ou bem que reanima ou...nada!

quando falamos de doentes que sabemos que estão já na "recta final" as coisa podem ser ponderadas com antecedência, no entanto quando se desenvolve tudo muito depressa é que é controverso.

Sim ou não?? tic..tac...
Somos aquilo que fazemos consistentemente...Assim a excelência não é um acto mas um hábito!

Offline charlie_ze

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #24 em: Novembro 16, 2007, 23:11:43 »
O ser idoso por si só não pode ser critério, a pessoa tem que ser avaliada na sua totalidade.

Offline enfsergio

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #25 em: Novembro 17, 2007, 23:05:08 »
Reanimar ou não reanimar eis a questão
:)

A reanimação tem que ser decidida em curto espaço de tempo

Geralmente inicio manobras de SBV...a não ser que tenha a indicação apenas para cuidados paliativos ou indicação para DNR.

Offline mariamariamaria

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #26 em: Novembro 19, 2007, 20:27:28 »
Olá,

Tenho uma doente de 67 anos, com neoplasia da mama e metástases generalizadas em fase "descendente". Está a fazer 150 de durogesic...

A nossa vantagem é que temos acesso aos diagnósticos e podemos ponderar o iniciar manobras de life-saving...

Esta doente, eu vou deixar tranquila se parar.

Quanto à pergunta da Carica, deve ser das poucas questões em que a minha postura é irredutível: não ao sofrimento! Como disse já, o maior medo das pessoas nem é morrer; até o medo do desconhecido é menor do que a certeza do sofrimento.

Se a criança de dez anos parar e eu não souber o diagnóstico, obviamente que reanimo, mesmo sem saber o resultado da eventual hipóxia.

Abraço.

Offline Babyann

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #27 em: Novembro 20, 2007, 20:21:18 »
Concordo com o Sidónio quando ele diz que acima de tudo o idoso deve morrer em dignidade e rodeado das pessoas que mais ama...
:)

Offline charlie_ze

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #28 em: Novembro 23, 2007, 23:17:12 »
O problema é que actualmente já quase ninguém quer que a pessoa morra em casa junto dos seus...

Offline enfsergio

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Re: Reanimação em idosos
« Responder #29 em: Novembro 23, 2007, 23:23:56 »
Isso é verdade e quase que dava um novo tópico.

Hoje em dia as mentalidades mudaram e muitos são aqueles que "abandonam" literalmente os  seus familiares numa cama do hospital quando se encontra numa fase terminal.

Possivelmente porque a maneira de encarar a morte varia de pessoa para pessoa e foi mudando ao longo dos tempos. Possivelmente nós como enfermeiros temos de ter capacidade de ver que secalhar se os familiares deixam de aparecer quando o doente está próximo do fim é porque eles podem não ser capazes de encarar a situação e precisam de apoio psicológico. Não podemos estar só atentos ao doente. Temos que estar atentos aos familiares, que muitas vezes são eles que já cuidam do seu familiar doente há algum tempo, mas que não conseguem lidar com a proximidade da morte.