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Autor Tópico: Caso prático  (Lida 5628 vezes)

Offline LuisMatos&JoanaOliveira

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Caso prático
« em: Abril 12, 2013, 19:36:29 »
Boa tarde caros colegas,

hoje coloco aqui um caso clinico que acho que pode ser mt interessante para todos os profissionais de saude.
Anamnese:
- Insuficiencia Renal com hemodialise;
- HTA;
- Diabetes tipo I longa data;
- Patologia cardiaca (utente desconhece o nome);
- Sexo mascculino;
- autonomo nas AVDs

Anamnese da ferida:
- Aparecimento súbito de pequena mancha vermelha na regiao do calcâneo;
- Sem traumatismo prévio
- Sem infeção

Meios complementares de diag:
- IPTB = 0,5
- Dopller vascular - sons monofásicos e diminuidos

Conclusão:
1 - Ulcera por pressão? Segundo a EPUAP "International NPUAP-EPUAP Pressure Ulcer Definition
A pressure ulcer is localized injury to the skin and/or underlying tissue usually
over a bony prominence, as a result of pressure, or pressure in combination with
shear. A number of contributing or confounding factors are also associated with
pressure ulcers; the significance of these factors is yet to be elucidated."


2- Ferida traumatica?Já descartamos essa hipotese.

3 - Ulcera arterial? IPTB =0,5, sons arteriais monofásicos....

Se calhar escapou.me alguma coisa.... hummmmmmmmmmmmmmm
É claro que pode ser 1 ou 3, mas sem realizarmos um MCDT médico básico, não iremos ter a certeza - Rx.
Conclusão: Rx= esporão no calcâneo. E agora, que tipo de ferida é? Posso estar errado, mas classifico-a como úlcera por pressão, dado que existe uma proeminência óssea que através do peso , provoca uma pressão e interrupção do aporte sanguineo. Mas não tenho a certeza se será.
Qual a vossa opiniao?
Este foi um caso para aprender e partilhar.
Atentamente

Bom fim de semana
Cumprimentos,

LuIs FiLiPe MaToS

Offline Propofol

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Re: Caso prático
« Responder #1 em: Abril 12, 2013, 19:55:44 »
Concordo com a definição de UP. Mas já agora, será possível explicar-me o que é o IPTB? Não estou familiarizado com tal coisa. Obrigado.  8)

Offline LuisMatos&JoanaOliveira

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Re: Caso prático
« Responder #2 em: Abril 12, 2013, 20:11:26 »
Caro colega,

Indice de Pressão Tornozelo-braço é um exame de rastreio vascular não invasivo que ajuda a identificar a presença de doença arterial periférica dos grandes vasos, comparando o valor mais alto da pressão arterial sistólica do tornozelo (pedioso e tib post), com o valor mais alto da pressão arterial braquial, o que traduz a melhor estimativa da pressão arterial central sistólica.

Traduzido de: Sacks et al., 2002; Vowden & Vowden, 1996, 2001).
Está relacionado com a terapia compressiva.
Cumprimentos,

LuIs FiLiPe MaToS

Offline Propofol

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Re: Caso prático
« Responder #3 em: Abril 12, 2013, 20:29:32 »
Obrigado colega. Agora que explicou a sigla reparei que afinal já tinha ouvido o termo, mas não sabia no que consistia ao certo. Mais uma vez obrigado.  ;D

Offline José Alves

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Re: Caso prático
« Responder #4 em: Abril 14, 2013, 21:35:58 »
Boa noite colegas,

Creio que faltam alguns dados que poderiam tornar-se relevantes para o diagnóstico diferencial e levar-nos a uma classificação mais precisa e a cuidados mais orientados.

Anamnese:
Idade?
Tabagismo? Alcoolismo? Sedentarismo?
DM tipo I, controlada? Valores de hemoglobina glicosilada (se disponíveis)?
Medicação habitual?
Parestesias nos membros inferiores? Algias? Dor em repouso que alivia com o membro elevado ou com membro pendente? Claudicação? Cansaço ou alterações na marcha?

Exame objectivo:

Características da pele nos membros inferiores, pés, unhas, etc.?
Deformações e limitações osteoarticulares?
Presença de pulsos (femural, poplíteo, tibial posterior e pedioso)?
Percepção sensorial? Resultado de teste de monofilamento de Semmes-Weinstein e outro teste de sensibilidade?

Calçado e meias adequadas?

Num indivíduo com DM estes dados tornam-se essenciais e ajudam-nos a perceber algo imprescindível, se estamos perante um pé neuropático ou neuroisquémico. Antes até de recorrermos a meios complementares como o ITB, que pode até ser falacioso em alguns casos (por calcificação dos vasos e redução da sua compressibilidade).

Com um ITB de 0,5 e fluxo monofásico, (e outros dados em falta) podemos dizer que estamos perante uma doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) moderada.

Apesar de possivelmente ser a pressão a causa da lesão, esta lesão vai cicatrizar mediante as condicionantes de uma úlcera de pé diabético (neuroisquémico), logo era dessa forma que a classificaria.

Mais sobre a temática em:

http://repositorio-aberto.up.pt/bitstre ... abtico.pdf


Cumprimentos

Offline LuisMatos&JoanaOliveira

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Re: Caso prático
« Responder #5 em: Abril 16, 2013, 18:22:10 »
Boa tarde caros colegas,

colega Jose Alves, de facto para termos uma análise muito mais aprofundada e precisa deveriamos procurar e avaliar mais aspectos.
Os aspectos referidos, de facto concordo com todos eles, uma vez que eles estão todos discriminados no livro "A Practical Manual of Diabetic Foot Care - BOOK " Michael Edmonds 2004.
Também concordo que realmente o IPTB em utentes com medicalcinose pode ser dúbia a avaliação, no entanto, nos cuidados de saúde primários não dispômos de MCDTs de elevado poder diagnóstico, precisão. De facto em doentes com medicalcinose os valores que normalmente se obtem sao acima 1,2, devido a sua incompressibilidade, o que tal não se verificou.  Logo, posso contentar-me com doppler, que usei para permitir a audição dos sons arteriais nos membros inferiores, IPTB - independentemente da sua baixo poder diagnóstico, oximetro, palpação e observação, e registo fotográfico programado. E apesar das limitações para se realizar um diagnostico o mais preciso quanto possivel, no 1º contacto foi encaminhado para o médico de familia, e posteriormente referenciado para um consulta de especialidade de pé diabético e cirurgia vascular.
No entanto, e concordando em parte com o que disse mas relembrando de outros aspectos que tambem temos de ter em conta:
 1º - tempo que temos para atender 1 utente, não sei se no seu local de trabalho se tem tempo para fazer uma avaliação tão correcta e pormenorizada como apresentou, mas dou.lhe os meus parabens se o conseguir. Eu tenho 15 ms para reailizar atendimento,avaliação, tratamento e registos, o que inviabiliza-me a sua avaliação holistica.
2º - meios de apoio - felizmente,posso dar.me ao luxo de ter dopler vascular, monofilamento, braçadeiras largas, oximetro, Diapasão. O que alguns colegas, infelizmente não têm acesso.
3º - Quanto à lesão, não concordo completamente visto que mesmo que haja uma reperfusão vascular a base do problema continua lá - o esporão. O facto de ser uma patologia neuroisquemica, que realmente é muito importante, não me parece que solucionará o problema.

Atentemante
Cumprimentos,

LuIs FiLiPe MaToS

Offline José Alves

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Re: Caso prático
« Responder #6 em: Abril 17, 2013, 16:21:14 »
Boa tarde,

O colega Luis Matos refere um dos principais problemas actuais, o tempo disponível por utente, que deriva do número alargado de utentes por enfermeiro que observamos hoje em dia.
Discuti com uma opinião meramente académica a questão colocada. Tudo vai depender do contexto, e do tempo que temos com cada indivíduo para aplicação. Não mereço os parabéns, porque igualmente no meu contexto profissional não me posso dar ao luxo de fazer, na grande maioria dos casos, uma avaliação tão pormenorizada como a que referi. Refiro-a apenas porque devemos mantê-la em mente, saber o que é preciso avaliar, e depois priorizar.
Quanto à lesão, acho que no fundo estamos a concordar. Também não considero que optimizar a vascularização vá permitir per se a cicatrização. Acho que apenas vamos consegui-la com a "manipulação" de ambos os factores, pressão e vascularização. A direcção deste tratamento bi-direccionado enquadra-se mais, para mim, numa úlcera de pé diabético do que numa úlcera de pressão.

É um caso interessante, na medida em que é uma daquelas excepções nas quais a classificação não é intuitiva. O importante é percebermos tudo o que está implicado na cicatrização como o colega fez, através de uma anamnese eficaz, realização dos exames disponíveis e encaminhamento. Se o fizermos, o apósito colocado acaba por ser o menos importante.

Cumprimentos

Offline Cátia Reis

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Re: Caso prático
« Responder #7 em: Julho 13, 2014, 18:33:22 »
Caros colegas algum de vocês tem um trabalho elaborado sobre a pessoa com ferida de pé diabético? eu preciso urgentemente de um para me poder orientar numa pós-graduação.
Obrigado
Cátia