Autor Tópico: Terapia hiperbárica da feridas  (Lida 8969 vezes)

Offline FysGa

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Terapia hiperbárica da feridas
« em: Novembro 16, 2005, 18:40:02 »
Trata-se de um novo conceito em termos de tratamento de feridas: Oxigenoterapia hiperbárica. Como funciona? Muito simples! Imaginemos uma câmara fechada pressurizada em que um doente repouse confortávelmente e, a partir daqui, é fornecido um aporte de O2 a 100% que permite o aumento da oxigenação do sangue, tendo efeito directo no tratamento de vários tipos de feridas (e não por contacto directo do oxigénio sobre a mesma).

Citar
Ao administrar oxigénio a 100% a um paciente submetido a uma pressão 2 a 3 vezes maior que a pressão atmosférica, no interior de uma câmara hiperbárica, conseguimos obter, além da saturação de 100% da hemoglobina, um aumento significativo da quantidade de oxigénio livre, não ligado à hemoglobina, dissolvido no plasma. Desta forma, são alcançados níveis extremamente elevados de O2 no plasma (até 2.000 mmHg), o qual, nestas condições, alcança nos diversos tecidos do organismo, atingindo nestes valores de até 400 mmHg.

Estudos verificaram que através desta terapia há uma melhoria significativa da evolução das feridas necróticas, cirúrgicas e maior controlo de feridas infectadas. Porém, as suas indicações são mais vastas:

    *  Doença da descompressão ("bends")
    * Embolia gasosa
    * Toxicidade por Monóxido de carbono
    * Envenenamento por cianureto
    * Gangrena gasosa
    * Anemia associada com perda súbita de sangue
    * Infecções necrotizantes de tecidos moles
    * Lesão necrótica por radiação
    * Abscesso cerebral
    * Lesões por esmagamento
    * Feridas de difícil cicatrização
    * Queimaduras
    * Infecções ósseas refratárias
    * Enxertos e retalhos de pele

Encontra-se em estudo a sua vantagem nos seguintes casos:

    * Picadas de aranha marrom
    * Mal de Hansen (lepra)
    * Necrose da cabeça do fémur
    * Obstrução intestinal
    * Lesão grave de cabeça
    * Enfarte do miocárdio  

A administração de oxigénio hiperbárico faz-se por meio de aplicações diárias
sendo necessário, em média, a administração de 25 sessões, com duração média de 90 minutos cada uma.

Citar
O tratamento é administrado em câmaras hiperbáricas — cilindros metálicos resistentes à pressão, equipados com janelas. Estas câmaras podem ser individuais (monoplace ou monopacientes) ou coletivas (multiplace ou multipacientes), nas quais é necessário usar uma máscara. Aquelas destinadas ao tratamento individual possibilitam o contato visual com o paciente, através de sua estrutura de acrílico transparente; isto reduz a ocorrência de sintomas de claustrofobia, bastante comuns.

No tratamento hiperbárico conduzido em câmaras multipacientes, um técnico de enfermagem especializado, ou mesmo o médico hiperbárico, monitora os pacientes no interior do equipamento durante toda a sessão, tanto nos procedimentos de rotina quanto nas emergências. Esta é uma vantagem operacional deste tipo de câmara, em comparação com a câmara monoplace, na qual às vezes é necessário interromper o tratamento para prestar atendimento emergencial.

Para a segurança e o conforto do paciente, as câmaras hiperbáricas possuem um sistema de rádio que possibilita a comunicação com a equipe de oxigenoterapia. Além disso, através de alto-falantes especiais, projetados exclulsivamente para câmaras pressurizadas, é possível ouvir música durante a sessão.









As vantagens que este tratamento possui vão desde o facto de ser indolor (porém pode causar algum mau estar devido ao aumento da pressão), ser cómodo e não ter grandes efeitos indesejados.

Deixo aqui uns sites interessantes sobre este tipo de terapia: http://www.hospitalgeral.com.br/1_prof/tec_assist/med_hiper/default.htm / http://community.e-baptisthealth.com/services/hyperbaric/downtown.html / http://www.medicalmultiplex.com/patient_guide_to_HBO.htm


Vou tentar investigar mais sobre este tipo de tratamento e gostava de saber as vossas experiências/conhecimentos/opiniões sobre este assunto

cumprimentos :)

Offline ElsAlves

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Terapia hiperbárica da feridas
« Responder #1 em: Novembro 16, 2005, 23:52:58 »
E aqui ficam outros...

http://www.feridologo.com.br/oxigenoterapia.htm

http://www.feridologo.com.br/trabalhoohb.htm (OHB no pé diabético)


OHB: Efeito metabólico cicatrizante: a Oxigenoterapia Hiperbárica favorece a síntese do colágeno pelos fibroblastos, processo fundamental na cicatrização, sendo largamente utilizado como coadjuvante terapêutico em lesões infectadas ou não (escaras de decúbito, enxertos cutâneos etc).

Pé Diabético
Pacientes com diabetes há muitos anos tendem a apresentar microvasculopatias próprias da doença , além da maior freqüência de doença arterial oclusiva em vasos de membros inferiores , situação que torna problemática a regeneração de ferimentos e lesões nos pés. A perda concomitante da sensibilidade na região, por neuropatia, predispõem a traumas e lesões . Estas ulcerações tendem a apresentar regeneração refratárias sucedendo-se infecções e celulites que , comumente, levam a complicações de gangrena de artelhos ou segmentos do pé.

 

Doença de Fournier (Fasceite)
A oxigenoterapia hiperbárica é um importante adjunto no tratamento clínico -cirúrgico de celulites, fasceites e miosites necrotizantes. A Doença de Fournier é uma grave fasceite necrotizante do períneo , que acomete pacientes diabéticos ou com outras patologias de base, embora possa afetar pacientes jovens e sem causa aparente.  




Purpura fulminans com celulites necrotizantes secundárias
Paciente de três meses de idade , apresentou áreas cianóticas em membros inferiores e pelve; três horas após a administração de Penicilina-benzatina (provável reação a Benzatina) Removendo-se áreas de necrose, com infecção bacteriana secundária e coagulação intravascular disseminada.  

 

Vulvectomias radicais
Os carcinomas de vulva em estágio avançado exigem além de vulvectomia radical, esvasiamento de nódulos linfáticos periféricos, através de ressecção de todos os tecidos na região inguino-crural até a fascia , bilateralmente. As deiscências são freqüentes, e considerando o debilitado estado das pacientes, a ocorrência de infecções secundárias e celulites necrotizantes é freqüente. O Serviço de Medicina Hiperbárica e a Área de Oncologia do CAISM (Centro de Atendimento Integral à Saúde da Mulher) desenvolvem um protocolo de prevenção de deiscidências, iniciando-se a Oxigenoterapia Hiperbárica no primeiro pós operatório.




 in http://www.baromed.com.br/enter.htm#
Sei que o meu trabalho é apenas uma pequena gota de água no oceano, mas sem essa gota o oceano seria mais pequeno"

Offline pedrojosesilva

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Terapia hiperbárica da feridas
« Responder #2 em: Novembro 17, 2005, 04:11:45 »
@Fysga


Existe um topico iniciado no Fórum sobre este tema.

Tenta enviar uma PM ao "seringas", encontras no topico iniciado por ele mais alguns links úteis.

http://www.forumenfermagem.org/modules. ... opic&t=331


Abraço!

Offline FysGa

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Terapia hiperbárica da feridas
« Responder #3 em: Novembro 28, 2005, 17:21:52 »
Olá ElsAlves e obrigado pelo contributo! Desconhecia em pleno a vantagem desta terapia na situação de pós-operatório de vulvectomia radical, na literatura que pesquisei não havia nada que o indicasse. Mas isto só demonstra a versatilidade deste método para o tratamento e prevenção de situações patológicas relevantes.

No nosso país penso que há ainda pouco investimento nesta área, contudo já se tem verificado uma sensibilização para os benefícios deste tratamento. Ainda há uns dias apareceu num programa tipo "praça da alegria" um pequeno excerto sobre o pouco que existe no nosso país e penso que o sentido é de investir mais e mais.

pedro: abri este tópico no sentido de informar aqueles que ainda desconheciam a terapia hiperbárica e para abrir um espaço de reflexão sobre a mesma, daí que "lancei" as bases logo no início para que assim toda a gente estivesse no mesmo patamar e para poder-se assim debater este assunto. Se fosse só para enriquecimento pessoal, nem sequer me tinha dado ao trabalho de abrir a thread :D

Abraço a todos e manifestem as vossas experiências e opiniões

Offline ElsAlves

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Câmara hiperbárica chega ao Hospital de Matosinhos
« Responder #4 em: Novembro 30, 2005, 23:17:28 »
Segundo uma noticia do Publico de hoje, na 6f chega ao Hospital de Matosinhos uma câmara hiperbárica, que irá servir essencialmente a população do norte do país. Tem capacidade para 16 doentes, sendo que cada doente acamado ocupa o espaço de 3 pessoas

http://www.online.memorandum.pt/resultado_mail.asp?ver=tif&codf=4189&idnoticia=3271460&tipo=
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Offline joana santos

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enfermagem em tratamento de feridas...
« Responder #5 em: Dezembro 01, 2005, 13:59:00 »
O tratamento através da oxigenoterapia hiperbárica como coadjuvante no tratamento das queimaduras é utilizado desde a decáda de 80, nalguns países, entre os quais E.U, Canáda, Brasil, essencialmente nas crianças e jovens.
O uso da oxigenoterapia hiperbárica nas queimaduras teve ínicio quando alguns investigadores, entre os quais, Wada e Ikeda em 1964, notaram uma franca recuperação num grupo de pacientes que foram tratados de intoxicação por monóxido de carbono. Em 1970, um sujeito chamado Grüber apresentou uma série de experiências com ratos que foram colocados no interior de uma câmara hiperbárica e foram submetidos a 100% de oxigénio a uma pressão equivalente a 2 ou 3 atmosferas, respectivamente. Grüber observou que as áreas subjacentes aos tecidos queimados, se apresentavam com hipóxia e que comparadas com os tecidos submetidos ao oxigénio sob pressão apresentavam melhorias. Este estudo sugere que a oxigenoterapia hiperbárica teve um efeito directo na físiopatologia da pele queimada, pois como sabemos o tecido queimado é uma lesão caracterizada por uma zona de coagulação rodeada por uma área de estase e circundada por uma zona de eritema. A zona de coagulação ou completa oclusão capilar pode progredir até o fator 10 durante as primeiras 48 horas após o acidente. Nesta situação as necroses isquêmicas facilmente aparecem e as trocas hematológicas, incluindo placas de microtrombo e hemoconcentração ocorrem nos capilares venosos posteriores. A formação do edema é rápida nessa área da lesão, iontudo desenvolve-se distante do tecido lesado. Observam-se  trocas  na microvascularização  onde há a agregação de células vermelhas, a adesão de células brancas à parede celula, ocorrendo a formação de placas de trombo. Este é um processo de isquemia progressiva que, quando colocado em movimento pode causar perigo durante os primeiros dias após as lesões. Dados recentes, sugerem que a oxigenoterapia hiperbárica é um potente bloqueador da aderência de células brancas e promove uma maior função na preservação da microcirculação em remodelação da reperfusão lesada. Tal facto pode promover uma área de investigação e pode explanar o beneficial efeito da oxigenoterapia hiperbárica nos problemas microcirculatórios que aparecem nas queimaduras. A continuação dos danos aos tecidos termicamente lesados é devido a uma falha no fornecimento de oxigênio ao redor das células com nutrientes necessários a sua viabilidade. O impedimento da circulação abaixo da lesão leva à degeneração dos tecidos causada por trombose e obstrução dos capilares. Agentes tópicos e curativos podem reduzir, porém não previnem a degeneração da pele queimada e a progressão da lesão pode ser aprofundada. A regeneração não acontece até que o equilíbrio seja reestabelecido; portanto, a cicatrização será retardada. O prolongamento da cicatrização poderá levar a uma exagerada cicatriz, ou seja, cicatrizes hipertróficasem dos pacientes que levam 10 dias para cicatrizar, em pacientes que cicatrizam em 14 dias e em pacientes que levam 21 dias e nos pacientes que levam mais de 21 dias para cicatrizar. O tratamento das queimaduras com o auxílio da oxigenioterapia hiperbárica, pode, mais directamente minimizar o edema preservando a margem do tecido viável, promovendo o aparecimento de defesas e provocando o encerramento do tecido lesado. A oxigenoterapia hiperbárica pode atacar todos esses problemas, mantendo a integridade microvascular, minimizando o edema e promovendo o essencial substrato necessário à vitalidade dos tecidos.  

Apontamentos de um Encontro de Enfermagem de Saúde Infantil (2000)
 
Joana Santos:)

Offline Shirley Afonso

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OTIMIZAÇÃO DA CICATRIZAÇÃO EM VULVECTOMIAS RADICAIS
« Responder #6 em: Fevereiro 07, 2006, 19:41:38 »
O câncer de vulva corresponde a menos de 1% das neoplasias malignas da mulher e de 3% a 5% dos tumores genitais femininos. O tipo histológico mais freqüente é o carcinoma epidermóide, em mais de 90% dos casos, geralmente acometendo mulheres acima dos 50 anos de idade, embora possa ocorrer antes. Infelizmente, a maioria dos casos apresenta estádios avançados ao diagnóstico, com 83% dos tumores em estádios II, III ou IV. O melhor tratamento para esta neoplasia é a cirurgia, sendo a vulvectomia com linfadenectomia inguinal a abordagem terapêutica de escolha, já que apresentam fraca resposta à radioterapia e à quimioterapia.

A oxigenioterapia hiperbárica (OHB) é método moderno, que tem como uma de suas principais indicações o tratamento de feridas, cirúrgicas ou não, que apresentem dificuldades de cicatrização. Tem aplicação reconhecida em casos de deiscência de cicatrizes cirúrgicas. Estimula a microcirculação local, provê uma melhor oxigenação dos tecidos vizinhos e do leito da ferida, melhorando a vitalidade e estimulando a formação de neovascularização e de tecido de granulação. Além de facilitar e acelerar o processo de cicatrização, proporciona melhores condições locais em caso de necessidade de reparação cirúrgica das lesões, como desbridamentos ou ressuturas. Também nos casos em que existem ferimentos extensos, onde a cicatrização por segunda intenção é a opção que melhor se encaixa ao quadro, a OHB acelera o processo.

FONTE: http://www.hcanc.org.br/acta/acta2k_12.html
quot;Todo o bem que pudermos fazer, toda a ternura que pudermos dar a um ser humano, que o façamos agora, neste momento, porque não passaremos duas vezes pelo mesmo caminho."

Offline calao

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Re: Terapia hiperbárica da feridas
« Responder #7 em: Dezembro 04, 2012, 11:14:23 »
Ola a todos, respondo apenas para deixar o meu testemunho como utente :)

Em 2007 fui operado a um quisto sebáceo mesmo junto ao ânus , originado por uma pancada num bico de uma mesa, fui operado a primeira vez no hospital CUF descobertas por um cirurgião geral... depois de a cicatrização começar a complicar, fiz vários tratamentos no próprio hospital ... mas não cicatrizava completamente... já um pouco desesperado pois não queria ficar assim para o resto da vida pois ainda só tinha 25 anos, pesquisei na net .. e qual o meu espanto quando descubro que existem cirurgiões proctologistas... especialidade que deveria logo ter sido encaminhado... mas pronto... voltei a ser operado mais 3 vezes sem resultados, o cirurgião já tinha desistido e já me andava a mentalizar para ficar com isto para o resto da vida... visto já estar a ficar crónico . volto a pesquisar... e encontro os tratamentos de pressão hiperbarica ... :)

fiz duas series de tratamentos, o próprio medico da medicina hiperbarica disse.me que não era usual utilizar para este tipo de ferida, mas deixou-me fazer os tratamentos. Resultado ? a ferida finalmente cicatrizou totalmente :)
Agora sempre que posso falo nestes tratamentos para ajudar as pessoas a terem conhecimento.
Já li varias coisas sobre isto e está mais que provado que ajudar na regeneraçao celular... seja de que parte do corpo for :)

http :/ www.youtube.com /watch?v=rhnIdjb1oD4&feature=related

http :/ www.youtube.com /watch?v=TIIYdklN0So&feature=related

How Hyperbaric Oxygen Therapy Works
http :/ www.youtube.com /watch?v=9RtW4iBtFqo


com os melhores cumprimentos para todos

Offline Enferidas

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Re: Terapia hiperbárica da feridas
« Responder #8 em: Janeiro 07, 2013, 18:06:11 »
Alguém já ouviu falar sobre a aplicação tópica de O2 em feridas através de máscara de venturi? Alguém tem informação ou resultados sobre este método? Obrigado

Offline catmartins22

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Re: Terapia hiperbárica da feridas
« Responder #9 em: Janeiro 07, 2013, 19:47:47 »
Citação de: Sofia26
Alguém já ouviu falar sobre a aplicação tópica de O2 em feridas através de máscara de venturi? Alguém tem informação ou resultados sobre este método? Obrigado

O único contacto que tive com a administração de O2 em feridas foi na Ped C do S. João onde administravam O2 em queimaduras, nomeadamente numa queimadura do coro cabeludo e a evolução foi positiva... de resto não estou muito informada nesse aspeto colega :S
Be careful, I might be your nurse someday! :)