combinado.
13. Materialização mediúnica‘O desconhecido é apenas aquilo que ainda não foi descoberto’
Comunicações do pós-vida
A materialização refere-se ao processo pelo qual o ectoplasma, uma substância esbranquiçada e vaporosa, é emitida da boca e de outras partes do corpo do médium. Este ectoplasma permite às inteligências do pós-vida reduzir as suas vibrações para o nível dos humanos físicos. Quando existe uma quantidade suficiente de ectoplasma, as inteligências do pós-vida podem materializar-se e tornar-se sólidos . Os animais de estimação e pessoas amadas que morreram tornam-se reconhecíveis e sentem-se como seres viventes.
A materialização de pessoas e animais que morreram, a levitação e os aportes de flores, moedas e outros objectos bem assim como detalhadas e específicas informações dos que se passaram para o outro Mundo, são ocorrências que atestam a ‘mediunidade física’ que tem sido sempre, extremamente, rara. Foi estimado que apenas uma em cada 100.000 pessoas têm a capacidade de desenvolver este dom e, normalmente, leva vinte anos de esforço disciplinado para se ter sucesso (Boddington 1992:10).
Largamente devido ao ‘quase sádico’ tratamento infligido aos médiums de materialização pelos assim chamados ‘pesquisadores’ materialistas, a Materialização Mediúnica foi forçada a refugiar-se na clandestinidade, depois dos anos 1950 e os médiums físicos, no Ocidente, apenas tinham sessões com amigos e familiares por trás de portas fechadas (Boddington 1992:10).
A Sociedade de Mediunidade Física Arca de Noé estabelecida na Inglaterra em 1990 tem, agora, 1700 associados e 150 círculos de amigos em todo o Mundo. Foi estabelecida para fornecer um espaço seguro para os médiums e protegê-los do que o seu Presidente descreve como:
…o severo tratamento infligido aos pioneiros da mediunidade física pelos chamados pesquisadores, que insistem em torturar os médiums, exigindo-lhes inúmeros testes e infligindo-lhes graves prejuízos físicos em violação das leis que regem os fenómenos psíquicos (Boddington 1992:

.
Porque eles não conseguem acreditar em tais coisas e porque efeitos similares são, por vezes, produzidos por mágicos, os cépticos concluem que toda a materialização e outros fenómenos psíquicos são falsos. No passado, não conseguiam admitir que o ectoplasma é, normalmente afectado pela luz e que a maior parte dos médiums de materialização necessitam de trabalhar na obscuridade. Houve casos em que os cépticos tentaram acender as luzes, súbitamente, para ‘caçar’ o médium, o que causou danos e mesmo morte a médiums de materialização – veja o capítulo 14 em que Helen Duncan, uma poderosíssima médium de materialização morreu poucas semanas depois de a sua sessão ter sido assaltada por polícias à paisana.
Mas, quando imparcialmente examinada, pode ser provado que a Materialização Mediúnica é genuina. Alguns médiums altamente dotados são capazes de efectuar a materialização por terem ectoplasma em abundância.
Os cépticos sustentam que o ectoplasma não existe e que as fotografias dele tiradas são tudo fraude, normalmente, cometido pelo médium que, antes da sessão, esconde na boca tiras de tecido tipo crepe indiano que, depois vai puxando para fora.
Embora existam médiums que possam ter feito este tipo de truques, existem abundantes provas de cientistas de primeira grandeza, incluindo um Prémio Nobel da fisiologia, da existência real do ectoplasma e de que ela é a base de muitos e maravilhosos fenómenos psíquicos.
O Barão Von Schrenck-Notzing, um físico de Munique, demonstrou que o ectoplasma é composto de leucócitos - células brancas ou incolores do sangue – e de células epiteliais – de que se compõem vários tecidos protectores do nosso corpo. Durante a materialização é subtraído do corpo do médium e dos assistentes às sessões (Stemman, 1975:57).
O Professor W.J. Crawford que foi catedrático de Engenharia Mecânica na Queen’s University, em Belfast, conduziu longos e meticulosos estudos sobre o ectoplasma. Ele escreveu três livros clássicos: The Reality of Psychic Phenomena (1916), Experiments in Psychic Science (1919) e The Psychic Strutures in the Galigher Circle (1921). Ele descobriu que, durante a materialização, o peso do médium baixava de 73kgs para 30kgs. Noutros casos descritos na literatura da especialidade, descobriu-se que o médium sofria perdas de peso de 7kgs a 18kgs (Meek 1987:69).
George Meek descobriu que, durante uma sessão de materialização, há uma temporária perda de peso quer do médium, quer dos assistentes, uma vez que é subtraída dos seus corpos uma substância. Nas suas próprias experimentações ele constatou a perda de peso de cerca de 10kgs por 15 físicos, psicólogos e outros que constituiam a equipa de experiências. (Meek 1987:69).
Outro fisiólogo famoso que trabalhou intensamente com o ectoplasma foi o Professor Charles Richet, Professor de Psicologia na Sorbonne, em Paris, Prémio Nobel e membro do prestigioso Instituto de França. Ele denominou a substância a partir do Grego ‘substância exteriorizada’.
Na fase inicial, descobriu que era invisível e intangível mas, mesmo assim, podia ser fotografada por raios infra-vermelhos e pesada. Depois, torna-se ou vaporoso ou líquido com um cheiro de certo modo próximo do ozono. Na sua fase final, quando pode então ser visto e sentido, tem a aparência de musselina e, ao tacto, dá a sensação de teia de aranha. Noutras ocasões é húmida e fria e, em casos raros, é seca e dura. A sua temperatura é, em regra, de cerca de 4 graus centígrados (Butler 1947:75). Atinge quase a temperatura de congelação, portanto, bem abaixo da temperatura normal do nosso corpo de cerca de 37 graus centígrados.
A conclusão a que Richet chegou era a de que:
Existe ampla evidência para que a materialização experimental (ectoplásmica) fosse, definitivamente, considerada como um facto científico. Seguramente que não a compreendemos. É muito absurdo, se é que uma verdade possa ser absurda (Richet 1927:112).
O professor Crawford descobriu que todas as manifestações físicas dos seus médiums – levitação de mesas, movimentação de objectos, etc., eram conseguidos através da construção ectoplásmica de varões, escoras e cachorros. No seu livro Psychic Strutures ele apresenta fotografias do ectoplasma a ser utilizado para levantar mesas. Na sua opinião abalizada de professor de engenharia mecânica:
… todos os resultados mecânicos, sem excepção, seguiam a lei da mecânica de uma viga fixada no corpo do médium, de um lado, e projectando-se para o meio da sala de sessões (Butler 1947:78).
Uma das características chave do ectoplasma é que, alguma das suas formas, são extremamente sensíveis à luz, de tal forma que, apenas a luz duma lanterna de pilhas, faz a substância voltar ao corpo do médium com a força retractiva de um elástico esticado que se liberte de repente.Contusões, ferimentos abertos e hemorragias poderão então ocorrer. Numa sessão no Colégio Inglês de Ciências Psíquicas um dos assistentes fez um gesto violento quando tocado pelo ectoplasma; o médium, Mr. Evan Powell, sofreu, de imediato, um ferimento grave no peito (Butler 1947:75).
Por causa da sensibilidade à luz, a maior parte dos médiums têm que trabalhar na penumbra ou com luz de infra-vermelhos. Contudo, tem havido notáveis casos de excepção. A seguir estão descritos três exemplos de extraordinários médiums de materialização que nenhum céptico poderá ignorar.
Daniel Dunglas-Home – um médium poderosamente dotado
Daniel Dunglas-Home era um médium físico, nascido na Escócia e criado nos Estados Unidos. Deu sessões para amigos e parentes na Inglaterra e na Europa durante vinte anos, entre 1854 e 1874, recusando qualquer pagamento pelos seus serviços. Durante todo esse tempo não foi feita qualquer alegação de burla, apesar de ser um dos homens mais esmiuçados da Europa. As suas sessões eram frequentadas por membros da aristocracia, gigantes literários e eminentes cientístas tais como Alfred Russel Wallace, William Crookes e Frances Galton. ‘Conjuradores famosos também frequentaram as suas sessões na esperança de o apanharem em falso; mas todos se foram embora desapontados’ (Inglis 1984:20).
O que era extraordinário em Home é que ele era capaz de trabalhar em pleno dia ou à luz de candeeiros de gaz e em casas em que nunca tinha estado antes. Nestas circunstâncias ele:
• produziu barulho de batimentos que podiam ser ouvidos por toda a sala
• fez com que mesas se levantassem no ar
• fez com que instrumentos musicais tocassem por si próprios
• fez com que mãos desencorpadas aparecessem para que os assistentes as pudessem inspeccionar, tocar e apertar. Mas, se alguém tentasse agarrar-se a elas, elas desapareciam como que se derretendo
• fez-se levitar a si próprio e a outros
• pegou em carvão encandescente sem nenhum efeito
Nos finais da sua carreira, solicitaram a Home que demonstrasse os seus poderes em experiências de laboratório. Em testes com Alexander von Butlerow, na Rússia, e com William Crookes, na Inglaterra, ele foi capaz de produzir efeitos psicocinéticos, à distância, o que poude ser medido com balanças.
Carlos Mirabelli – provas irrefutáveis
Outro médium que, indubitávelmente, produziu fenómenos físicos fantásticos foi Carlos Mirabelli, do Brasil (1889-1950). Através dele, cientístas de muitas partes do Mundo puderam testemunhar o fenómeno psíquico que, até aos nossos dias nem foram rebatidas nem parece poderem ser rebatidas.
Em 1927 apareceu no Brasil um livro intitulado O Médium Mirabelli que continha 74 páginas narrando fenómenos que ocorriam em plena luz do dia, por vezes, na presença de até sessenta pessoas ao mesmo tempo, representando a nata dos círculos cientícos e sociais do Brasil. Entre os que se propuseram deixar os seus nomes como testemunha estavam: um Presidente do Brasil, um Secretário de Estado, dois professores de medicina, 72 médicos, 12 engenheiros, 36 juristas, 89 funcionários públicos, 25 militares, 52 banqueiros, 128 comerciantes e 22 dentistas bem como membros de ordens religiosas (Zeitschrift fuer Parapsychologie 1927:450-462).
O depoimento de tantas e tão proeminentes testemunhas não poderia ser fácilmente ignorado e, no Brasil, foi constituido um comité composto por vinte homens notáveis, liderados pelo Presidente, com a finalidade de entrevistar testemunhas e decidir o que deveria ser feito para, científicamente, investigar os poderes de Mirabelli.
Foi decidido, em 1927, montar uma série de investigações controladas pela acabada de constituir Academia de Estudos Psíquicos, utilizando os mesmos padrões a que tinham sido sugeitos os médiums Europeus.
Os investigadores dividiram-se em três grupos. Um grupo lidava com a mediunidade falada e assistiram a 189 sessões positivas (sessões que tinham produzido resultados positivos). Um segundo grupo investigou a escrita autómata e assistiu a 85 sessões positivas e a 8 negativas (sessões que não produziram nenhum resultado). Um terceiro grupo investigou o fenómeno físico e teve 63 sessões positivas e 43 negativas. Das sessões positivas, 40 foram efectuadas à luz do dia e 23 à luz clara artificial, com o médium atado a uma cadeira em quartos que tinham sido revistados antes e depois (Inglis 1984:223).
Mirabelli tinha apenas uma educação básica e não falava senão a sua língua nativa. Mas, quando entrava em transe, seres espirituais falavam, através dele, em 26 línguas diferentes incluindo o Alemão, o Francês, o Holandês, quatro dialectos Italianos, Checo, Árabe, Japonês, Espanhol, Russo, Turco, Hebreu, Albanês, vários dialectos Africanos, Latim, Chinês, Grego moderno, Polaco, Sírio-Egipcio e Grego arcaico.
Enquanto em transe, espíritos elevados tiveram conversas, através dele, sobre assuntos difíceis que estariam para além da sua própria compreensão. Estes incluiam medicina, jurisprudência, sociologia, economia política, política, teologia, psicologia, história, ciências naturais, astronomia, filosofia, lógica, música, espiritismo, ocultismo e literatura (Greber 1970:236).
Ainda enquanto em transe, ele tinha a faculdade de escrita autómata em 28 línguas diferentes, manuscrevendo a uma velocidade que escritores normais não conseguem atingir. Em 5 minutos ele escreveu 5 páginas em Polaco sobre ‘O Renascimento da Polónia’; em 20 minutos escreveu 9 páginas em Checo sobre ‘A Independência da Checoslováquia’; em 12 minutos, 4 páginas em Hebreu sobre o ‘Slander’; em 40 minutos, 25 páginas em Persa sobre ‘A Instabilidade dos Grandes Impérios’; em 15 minutos, 4 páginas em Latim sobre ‘As Traduções Famosas’; em 12 minutos, 5 páginas em Japonês sobre ‘A Guerra Russo-Nipónica’; em 22 minutos, 15 páginas em Sírio sobre ‘Allah e os seus Profetas’; em 15 minutos, 8 páginas em Chinês sobre ‘Um Pedido de Perdão a Buda’; em 15 minutos, 8 páginas em Sírio-Egípcio sobre ‘Os Fundamentos da Legislação’; em 32 minutos, 3 páginas sobre hieróglifos que ainda não foram decifrados (Johannes Greber 1970:236).
Mirabelli também se notabilizou como médium físico
• Numa sessão bem frequentada, em São Vicente, a cadeira em que Mirabelli, em estado de transe, estava sentado, levantou-se no ar e manteve-se a dois metros acima do solo. Testemunhas cronometraram a sua levitação que durou 120 segundos.
• Numa outra ocasião, Mirabelli estava na estação de caminhos de ferro da Luz com vários companheiros quando, de repente, desapareceu. Cerca de 15 minutos mais tarde, veio um telefonema de São Vicente, uma cidade a 90 quilómetros, dizendo que ele tinha aparecido lá, exactamente dois minutos depois de ter desaparecido da Luz.
Numa sessão conduzida de manhã, em plena luz do dia, no laboratório do comité de investigação, em frente a muitas pessoas notáveis, dentre os quais dez licenciados em Ciências:
• A forma de uma criança se materializou ao lado do médium
• Dr. Ganymede de Souza, que estava presente, confirmou que a criança era a sua filha que tinha falecido poucos meses antes e que ela estava trajando o vestido com que tinha sido enterrada
• Um outro observador, o Coronel Octávio Viana, também tomou a criança nos seus braços, tomou-lhe o pulso e fez-lhe várias perguntas a que ela respondeu com acerto
• Foram feitas fotografias da aparição que foram anexas ao relatório do comité de investigação.
• Depois disto, a criança esvoaçou em redor e desapareceu depois de ter estado visível à luz do dia por trinta e seis minutos
• A forma do Bispo José de Camargo Barros que tinha, recentemente, perdido a vida num naufrágio, apareceu aparamentado e com todas as suas insígnias
• Conversou com os presentes e permitiu-lhes que examinassem o seu coração, as gengivas, o abdómen e os dedos antes de desaparecer
Numa outra sessão conduzida em Santos, às três e meia da tarde, perante sessenta testemunhas que atestaram, assinando o relatório sobre o que se passou:
• O falecido Dr. Bezerra de Menezes, um proeminente médico de hospital, materializou-se
• Falou a todos os presentes à sessão para lhes assegurar que era ele próprio que aí estava
• A sua voz fez-se ouvir por toda a sala através de megafone
• Foram-lhe tiradas várias fotografias
• Dois médicos que o tinham conhecido antes, examinaram-no por quinze minutos e declararam que, anatómicamente, era um ser humano normal
• Ele apertou as mãos dos presentes
• Finalmente, ergueu-se no ar e começou a desmaterializar-se, desaparecendo primeiro os pés, depois a perna e o abdómen, peito, braços e, por último, a cabeça
• Depois da aparição se ter desmaterializado verificou-se que Mirabelli continuava firmemente atado à sua cadeira e que os selos colocados nas portas e nas janelas estavam inviolados.
• As fotografias que acompanharam o relatório mostravam Mirabelli e a aparição na mesma chapa fotográfica.
Numa outra sessão e sob condições controladas, o próprio Mirabelli se desmaterializou e foi depois encontrado noutro quarto. Os selos colocados nas suas algemas, bem como os colocados nas portas e janelas da sala de sessões, encontravam-se intactos (Inglis 1984:226).
14. A Magnífica Helen Duncan
‘Os factos muitas vezes parecem incríveis apenas porque estamos mal informados e deixam de parecer maravilhosos quando o nosso conhecimento é acrescido.’
Sir Francis Bacon
Helen Duncan foi a mais magnífica das médiums de materialização da Escócia e uma das mais importantes mulheres da História:
• O Governo Britânico, indirectamente, reconheceu a sua desmaterialização como genuína – ela tornou-se um ‘risco para a segurança nacional’ da Inglaterra durante a guerra.
• O Governo Britânico cometeu dois dos mais ultrajantes actos criminosos da históris legal Inglesa contra esta altamente dotada médium
• O Ministério do Interior Britânico tem hoje os poderes para reparar a situação, embora retroactivamente, e absolver, de forma completa, uma das mais poderosas médiums da História
Duante a Segunda Guerra Mundial, em Janeiro de 1944, o Almirantado Inglês decidiu que não poderia continuar a permitir que Helen Duncan, uma médium dotada, continuasse a materializar inteligências do pós-vida para revelar informações Ultra Secretas. Era um momento crucial da Segunda Guerra Mundial, imediatamente, antes do desembarque na Normandia.
Ao longo dos anos da guerra, Helen Duncan reuniu muitas famílias enlutadas com soldados que tinham morrido. Numa dessas sessões, em Portsmouth, um marinheiro materializou-se e encontrou-se com sua mãe. Ele informou a audiência que o seu barco, o HMS Barham, tinha sido, recentemente, afundado. O editor do Psyche News, Maurice Barbanell, inocentemente, telefonou para o Almirantado para confirmar se isso era verdade e se também era verdade que o Almirantado não tinha avisado a mãe da perda do filho. Os serviços secretos navais ficaram furiosos porque, por razões de segurança e para manter a moral pública elevada, a notícia sobre o afundamento do navio tinha sido suspensa e classificada como ‘Ultra Secreta’.
A Segurança Nacional pensou que uma médium do calibre de Helen Duncan poderia, muito fácilmente, ter acesso à informação considerada a mais secreta de todas que era o ponto de desembarque na Europa no Dia D. Pode-se compreender as preocupacões do Almirantado quanto ao secretismo de tão importante evento.
O que não se pode compreender é como o Almirantado tratou com uma mulher tão frágil que tinha seis filhos e um marido diminuido físico para sustentar, pondo-a na prisão por nove meses. O modo como o Almirantado conspirou para pô-la afastada foi ultrajante, imoral, inconsciente, violando todos os direitos humanos e legais de um ser humano, que nada fizera senão ajudar pessoas a comunicarem-se, face a face, com os seus entes queridos que tinham falecido e que estavam vivendo no pós-vida.
Helen Duncan foi presa em Janeiro de 1944, elaboradamente acusada de mediunidade fraudulenta e sentenciada a nove meses de prisão. Na prisão recebeu a visita de Winston Churchill que, horrorizado com o que tinha acontecido, prometeu revogar o Decreto sobre Bruxaria sob o qual ela tinha sido acusada. Ele manteve a sua promessa e, depois da guerra, o Espiritualismo passou a ser uma religião legal no Reino Unido.
A acusação criminal e o Tribunal ‘Canguru’
Num Tribunal ‘Canguru’ o acusado é culpado mesmo antes do julgamento começar. Inevitavelmente, não há processo formado, não existe defesa real, não existe justeza, nem equidade, nem justiça.
Processualmente, o depoimento das testemunhas do acusado não são aceites e o acusado não tem o direito de se defender a si próprio. A condenação transforma-se num linchamento e a violação da justiça natural é deliberada e manifesta e é executada com extremo prejuízo. Naturalmente, não haverá nenhum apelo possível.
Isso foi, precisamente, o que aconteceu com Helen Duncan:
• O informador que se ‘queixou’ de Helen Duncan à Polícia e que conduziu à sua acusação foi identificado como um oficial do Almirantado.
• A Polícia assaltou a casa de Helen Duncan quando ela estava em sessão e em transe, no intuito de encontrar panos brancos, barbas postiças e outra parafernália destinada a personificar os espíritos. Não encontraram nada. Não havia nenhuma prova de que se estivesse a praticar fraude.
• A Polícia, ilegítimamente e com conhecimento de causa, utilizou a presunção de fraude e a brutal e gratuita violência física contra uma indefesa mulher espiritual ao serviço da comunidade, enquanto ainda sob transe.
• O Almirantado estava determinado em mandá-la para a prisão, certificando-se que ela seria julgada por algo a que correspondesse uma pena de prisão.
• Depois de alterar a acusação por algumas vezes, a Polícia fabricou uma elaborada acusação contra Helen Duncan baseada numa velha lei estatutária do Decreto sobre Bruxaria do Rei Jorge II, de 1735 – promulgada quando as ‘bruxas’ eram ainda queimadas vivas na Europa. A Inglaterra parou de assassinar as ‘bruxas’ em 1722.
• A Polícia levou o caso para o Old Baley onde os amigos de Helen Duncan teriam protestado contra o juíz ultra conservador e obsequioso e o corpo de jurados constituido por seguidores fanáticos, especialmente escolhidos a dedo pela sua subserviência e pela aceitação a priori de que a acusada seria considerada culpada conforme a acusação.
• A Helen Duncan foi, técnicamente, recusada a devida formação de processo judicial, negada justiça natural e negado o direito de se defender adequadamente.
• A Helen Duncan foi de novo recusada justiça natural, negada igualdade constitucional e negado o justo direito, entre outros, de demonstrar que a materialização era uma realidade – a própria Corôa já a tinha acusado de fraude, dizendo que a materialização não poderia ser real.
• Uma vez que Helen Duncan tinha que ser afastada, independentemente de quem a defendesse, tratava-se de um fait accompli -–ela já tinha sido considerada culpada mesmo antes do julgamento começar. Qualquer pessoa com experiência em investigação criminal, a nível superior, saberá, imediatamente, que isto é verdade.
• As Associações Jurídicas Inglesas e Escocesas, conjunta e separadamente, exprimiram o seu desgosto pelo malogro e o ‘carnavalesco’ da justiça na tragédia de Helen Duncan, cobardemente, levados a cabo por burocratas violentos, por forma a infligir indizíveis prejuizos a uma pessoa espiritual.
Das circunstâncias que rodearam o julgamento de Helen Duncan:
• Helen Duncan teria sido, completamente, ignorada se o Governo não tivesse aceitado na íntegra os dotes dela na comunicação com o pós-vida,
• Técnicamente e por imputação, o Governo Britânico tinha aceitado que a materialização era uma realidade e que Helen Duncan o tinha provado, objectivamente, com a materialização do marinheiro e de outros,
• Pela sua conduta o Governo também aceitou que era possível que inteligências do pós-vida nos passassem informações na Terra,
• Pelas razões acima o Governo NÃO permitiu a liberdade sob fiança de Helen Duncan condenada sob tão mesquinha e arcaica acusação. Até mesmo a assassínios eram concedidas fiança mas, em tempo de guerra, isso não era permitido a alguém com tão genuínos poderes mediúnicos,
• Como um ‘risco para a seguranca’ Helen Duncan tinha que ser afastada.
De tremenda significância:
• No seu julgamento, todas as 41 testemunhas da defesa de Helen Duncan atestaram que tinham tido encontros com entes queridos em sessões de materializaçao,
• Isto significa que, sob juramento e para a posteridade, testemunhas altamente credíveis declararam, no Old Baley, em termos bem claros que, por experiência própria, aceitavam a existência real da materialização, por terem tido encontros com entes queridos,
• Nenhuma das testemunhas da defesa foram ‘apanhadas’ em investigações cruzadas,
• É imaterial que os membros do júri tenham ou não aceite os testemunhos. O facto é que, numerosas pessoas altamente credíveis tinham tido a coragem de enfrentar os líderes do ‘establishment’ que cometeram graves erros de julgamento. Foram para o Tribunal e disseram a verdade, toda a verdade e nada mais senão a verdade, acerca da realidade da materialização e de como se encontraram com entes queridos devido à Materialização Mediúnica de Helen Duncan,
• A causa da Corôa consistia em dizer que Helen Duncan, ou cúmplices dela, teriam pretendido ser todas essas ‘materializações’, vestindo-se com um pano, usando barbas postiças, perucas, etc. Mas, quando a Polícia interrompeu de assalto a sua sessão, com ela em transe e a produzir materialização, não encontraram nenhum pano, barbas postiças, perucas, cúmplices – ou qualquer prova que apontasse para a existência de fraude.
Depoimentos típicos de 4 das 41 testemunhas da defesa
• A enfermeira Jane Rust testemunhou, sob juramento, no Old Baley, entre outras coisas, que ela, através de Helen Duncan, se encontrou de novo com um ente amado – o seu esposo que se materializou do pós-vida e a beijou. ‘Nunca tive tanta certeza duma coisa em toda a minha vida’ disse ela. Declarou que tinha estado a indagar por cerca de 25 anos, como uma céptica, mas foi apenas depois de conhecer Helen Duncan é que ela foi capaz de, efectivamente, se reencontrar com entes queridos, incluindo sua mãe que tinha falecido (Cassirer 1996:68).
• Um oficial da Força Aérea, de patente bastante elevada, o Comandante de Esquadrilha George Mackie, declarou, sob juramento, que, graças aos dotes de materialização de Helen Duncan, ele, efectivamente, se encontrou com os seus já falecidos pai, mãe e irmão (Cassirer 1996:72-115).
• James Duncan (sem parentesco com Helen), um joalheiro, que tanto ele como sua filha assistiram à materialização de sua esposa por oito vezes, em diferentes ocasiões, sob boa luz. Duncan viu-a de perto, a cerca de 4 metros, e eles falaram de assuntos domésticos incluindo uma projectada emigração para o Canadá de que eles tinham mantido segredo. Ele não tinha nem uma sombra de dúvida de que a voz era a de sua esposa. Também disse ter visto materialização de seu pai que tinha cerca da sua altura e usava barbas, bem como da sua mãe (Cassirer 1996:103).
• Mary Blackwell, Presidente da Sociedade Espiritualista Pathfinder, na Baker Street de Londres, testemunhou ter assistido a mais de 100 sessões de materialização com Helen Duncan, em cada um dos quais 15 a 16 entidades diferentes do pós-vida se materializavam. Ela testemunhou ter presenciado formas espirituais conversando com os seus parentes em Francês, Alemão, Holandês, Galês, Escocês e Árabe. Ela declarou que ela própria assistiu à manifestação de dez dos seus parentes mais próximos incluindo o seu marido, a sua mãe e o seu pai, tendo visto a todos de perto, tendo-lhes tocado (Cassirer 1996:87).
Alguns anos mais tarde, uma equipa de mágicos liderada por William Goldston – fundador do Clube dos Mágicos – levou a cabo uma sessão experimental com Helen Duncan. Goldston e os seus colegas ficaram estupefactos quando o seu comum amigo, o mágico ‘O Grande Lafayette’ se materializou e lhes falou na sua própria voz. Goldston escreveu um relatório sobre o acontecimento para o Psychic News em que ele confirma que a mediunidade de Helen Duncan era genuína e que nenhum mágico poderia sequer duplicar os fenómenos que ele e os seus colegas tinham presenciado (Roll 1995:19).
A Morte de Helen Duncan
Em 1956, a Polícia de Nottingham interrompeu de assalto uma sessão que Helen Duncan estava a dar. A Polícia bateu à porta de uma casa privada sem um mandato de busca, apenas com a desculpa de que, dois polícias que assistiram a uma sessão anterior, supostamente, se teriam queixado dela. A Polícia, técnicamente, tinha conhecimento de que, por norma, a materialização é efectuada na semi obscuridade e que, se as luzes são acesas, de repente, poderão ocorrer graves ferimentos ou mesmo morte ao médium. Quando foram permitidos entrar na casa dirigiram-se, imediatamente, ao cubículo da médium, agarraram-na e tiraram fotografias com flashes.
O assalto premeditado causou a morte de Helen Duncan (cinco semanas depois do assalto). As circunstâncias que rodearam este caso demonstram a necessidade de uma investigação judicial, uma vez que:
• A Polícia actuou fora da sua área de jurisdição e dos seus poderes,
• A Polícia sabia que se estavam a produzir materializações
• A Polícia de Nottingham, com conhecimento de causa, premeditada, deliberada e intencionalmente actuou de tal forma que seguramente teria causado forte comoção, infligido ferimentos e, em último caso, provocado a morte a Helen Duncan.
• A Polícia actuou com brutal indiferença, extremo preconceito e usou de força desnecessária e excessiva contra um grupo de pessoas que participavam num serviço religioso legal; os participantes foram detidos e questionados por mais de noventa minutos depois do assalto.
• Do assalto da Polícia nada resultou que pudesse servir para incriminar Helen Duncan ou alguém presente à sessão de qualquer transgressão à lei.
Sem dúvida que os dotes psíquicos singulares de que disfrutava Helen Duncan, que constituem prova da sobrevivência, e o seu serviço à comunidade fazem dela uma das mulheres mais importantes da História.
Considerando os embaraçosos e relevantes factos, que não estão em disputa, o assunto primordial é como é que o Governo Britânico vai poder mostrar ao Mundo que os Britânicos têm um forte sentido de justiça, equidade e justeza – mesmo que sejam necessários cinquenta anos para corrigir o que se cometeu de errado.
A Grã-Bretanha tem que provar que em todos os tempos o seu sentido de justiça foi, fundamentalmente, diferente do dos regimes nazis de Hitler ou do regime comunista de Stalin. Em conformidade com isto, os Britânicos teriam que absolver Helen Duncan, de forma completa, e desculpar-se pela perseguição que culminou com a sua morte. Apenas como último recurso, deveria ser considerada uma petição internacional a favôr de Helen Duncan.
Alternativamente, o assunto poderia ser levado à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos para apreciação. Não obstante alguns problemas de índole jurisdicionais e técnicos de tempo, um pedido a requerer permissão para ser concedida audiência ao assunto poderia ser feito. Já existem precedentes em que a Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos anulou decisões de Tribunais Ingleses. Isto porque a Grã-Bretanha se tornou subordinada em jurisdição e em jurisprudência à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Europa.
Mesmo no caso do Governo e das Nações Unidas não darem resposta, poderia haver uma simbólica absolvição por um grupo representativo das pessoas preocupadas, em todo o Mundo, no local de nascimento de Helen Duncan. Uma placa ou uma declaração poderia ser dedicada a esta moderna mártir do psiquismo e a todos os genuínos psíquicos femininos e outros médiums ao longo dos séculos que, repetidamente, provaram a sobrevivência e foram condenados pelas Forças da Ignorância e das Trevas.
Isto é assim porque o chorrilho de mentiras que foi necessário para culpabilizar Helen Duncan, a coberto de um arcaico Decreto sobre a Bruxaria e o brutal homicídio de Helen Duncan, ser tão mau como a injustiça de julgar Joana d’Arca como bruxa. E, se a altamente conservadora Igreja Católica Romana já absolveu a psíquica Joana d’Arca de todas as culpas, o Governo Britânico bem poderia seguir o exemplo do Vaticano e absolver, totalmente, Helen Duncan.
O Ministro do Interior da Grã-Bretanha tem, hoje, os poderes suficientes para remediar a situação, embora retractivamente, e absolver por completo uma das mais importantes mulheres da História.