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Mensagens - Damocles

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Pretende-se discutir qual a melhor escola ou apenas qual a melhor representada neste fórum?
Pensei que se iam apresentar argumentos...

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ESENFranciscoGentil

Pelo que sei, precisa urgentemente de que limpem as teias de aranha nas mentes que por lá ainda ensinam, mas continua a ser uma referência a muitos níveis.

Abraços cordiais

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Poderias facultar um scan ou o link para esse artigo??

Abraços cordiais

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Ensino e Atividades Académicas / Re: Empresas de Enfermagem!!
« em: Setembro 12, 2007, 06:02:30 »
Quando li o tópico pensei que se trataria de empresas de enfermeiros para prestação directa de cuidados.

As empresas de que se fala aqui são meros intermediarios que, como tão bem a colega Maria Rebelo relatou, apenas saciam o apetite das novas administrações por recorrer ao out-sourcing esquivando-se assim a toda a responsabilidade social sobre aqueles que têm a trabalhar nas suas instituições, e tanto poderiam ser propridade de enfermeiros como de padeiros.

Gostaria de saber se algum dos colegas tem feed-back de empresas de enfermeiros orientadas para a prestação directa de cuidados. Clínicas, apoio domiciliario, etc.

Penso que passará também por aí o futuro da profissão. A constituição de empresas de cuidados geridas por aqueles que no fundo mais capacidades têm para o fazer.

Há dinheiro a ganhar na saúde, sendo a maior prova o interesse dos maiores grupos económicos (Grupo Mello, Grupo Espirito Santo, etc) num passado recente em investirem nessa área (e dizem as más linguas porque também já sabiam de fonte segura que o tal sistema tendecialmente universal e gratuito tem os dias contados) e não percebo porque havemos de continuar a deixar para outras profissões esse monopólio .

Não há vergonha em assumir que, como profissionais diferenciados que somos, também almejamos a ter uma remuneração correspondente à nossa formação.
Serve isto também de resposta ás críticas, por vezes gratuitas, que se fazem aos colegas que recorrem ao "duplo emprego".

Porque razão tem essa realidade a dimensão que tem em Portugal?

Não será por uma caracteristica de ganância instrínseca pelo vil metal, ou apenas justificável pela  carência de enfermeiros num determinado período (noutros países também se verifica essa carência e o fenómeno não tem grande expressão por lá).
Somos todos humanos, temos familias e outros interesses a que gostariamos de dedicar mais tempo, gostaríamos todos certamente de ter mais tempo para nós, quanto mais não fosse, para recarregar baterias, prevenir o burn-out e termos disponibilidade para no dia seguinte oferecermos novamente os melhores cuidados possíveis.
A realidade é que em Espanha, com uma formação base inferior em muitos aspectos inferior à nossa, um enfermeiro trabalha 35h por semana e recebe em média 1600 euros (um empregado de supermercado com o 9ºano ganha cerca de 800-900 euros).
Mais ainda se trabalhar em cuidados primarios e fizer bancos.
Nos países Anglosaxónicos é melhor nem falar, para não irem já buscar o Zoloft ...
Um enfermeiro que queira comprar casa, constituir família vê-se no início de carreira obrigado a adiar esses projectos ou então a sacrificar algum do seu tempo livre, em deterimento de outros aspectos importantes da sua vida.

De entre as profissões com grau de Licenciatura os enfermeiros são dos que evidenciam menores hábitos de consumo de cultura, de leitura ou mesmo de formação contínua.
Não somos feitos de barro diferente, a realidade é que ou trabalhamos apenas num sitio e sobrevivemos com o nosso ordenado ou (se formos afortunados) acumulamos funções à custa da nossa saúde, tempo livre e vida social.

Pode esta questão parecer menor a quem, na nossa profissão e noutras, com grau de Licenciado luta ainda por um primeiro emprego. Mas é também para esses que falo. Já que quem nos representa tarda em conseguir fazer valer os nossos direitos, procuremos outras soluções.

Para alguns poderá ser a emigração, para outros (presos pela emoção a este pequeno rectangulo à beira mar plantado) a iniciativa privada.

Alguém quer falar sobre isso?

Abraços cordiais

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Ensino e Atividades Académicas / Re: Enfermagem com 5 anos?
« em: Setembro 12, 2007, 05:05:37 »
Para começar, uma provocação:
Enfermagem com 5 anos já, mas com cadeiras semestrais de português e gramática!
(O respeito que queremos também passa pela forma como nos expressamos...)

Centrando-me na questão, há aqui factos incontestáveis que não percebo porque continuam a ser discutidos.
Estamos na União Europeia; há um esforço geral para a normalização de legislação e formação que transformem, cada vez mais, a livre circulação de pessoas dentro da União numa realidade; para que isso se dê importa a uniformização entre todos os países - ergo-  Tratado de Bolonha.

Questões demagogicas à parte sobre se a emigração só é boa quando somos nós a emigrar, parece-me incontestável a normalização a nível Europeu da questão da Formação e dos Graus Académicos. Claro que poderão surgir alguns equívocos iniciais (ex antigos Mestrados vs novos Mestrados) mas estou em crer que essas realidades também serão acauteladas (do mesmo modo que os antigos CESES não foram nunca confundidos com as novas Liceciaturas)

A formação mínima para se poder exercer cuidados não será portanto nunca uma imposição da nossa Ordem, mas sim uma norma a implementar a nível Europeu.

Quanto à questão do exame para o acesso à profissão, andou tudo a dormir nesta silly season? Perderam os entediantes debates acerca da formação do nosso PM?

É que aqui ninguém está inventar a pólvora, todas as profissões reguladas por ordens distinguem entre os licenciados e os que fizeram o exame de acesso ao exercício da profissão.
Penso que aqui, como em tudo, quem não deve não teme. A medida de tão óbvia nem deveria necessitar ser explicada, pois credibiliza a profissão e permite uma avaliação transversal e com critério único dos candidatos assim como das instituições que os formam.

E não, não é a questão da Públicas vs Privadas, Norte vs Sul, etc etc.
Não vale a pena tapar o Sol com a peneira, se é verdade que de boas escolas saem alunos medíocres (e vice-versa) também é verdade que há escolas (de ambas as modalidades de financiamento) que os "deformam" com maior frequência.

Se faz sentido fazer a avaliação a jusante ou não?
Bem, há dados que, à priori, podem alertar para uma fragilidade da capacidade formativa de uma instituição - a formação do corpo docente, o programa em si, a escolha dos campos de estágio, o racio pofessor/aluno ou mesmo o número de alunos por turma. Mas muitos desses elementos são facilmente escamoteaveis e a avaliação por diferentes equipas de Norte a Sul do País sairia sempre ferida de grande subjectividade.
O Exame de admissão tutelado pela Ordem fará assim, para mim, sempre mais sentido. Até porque dá ao aluno a possibilidade de se preparar atempadamente para o mesmo, colmatando eventuais falhas na formação inicial que recebeu, ao invés de ficar sempre ligado ao estigma de uma escola que tenha recebido uma avaliação negativa, independentemente do seu esforço pessoal.

A medida também terá um efeito moralizador imediato a dois níveis
 - As Escolas refrearão as suas politicas de admissão de turmas progressivamente maiores e terão mais cuidado em factores como a selecção de corpo docente (um tema interessante para outro topico) e no acompanhamento dos alunos em estágio (quando me formei, nunca tive um estágio em que um dia sequer não estivesse presente um professor da escola, hoje em dia a regra parece ser "entregá-los" ao serviço e esperar que "calhe" um bom orientador -cujos critérios de selecção também são pouco claros)

- Os alunos serão mais criteriosos na escolha da sua Escola

Quanto à formação em si, penso que há uma "regra" que se aplica a todas as profissões da saúde - nenhuma formação, por mais intensiva que seja, poderá alguma vez abranger todo o saber necessario a todas as áreas de intervenção de uma dada profissão.
Da nossa formação inicial podemos esperar, quando muito, os alicerces iniciais e sobretudo, a criação de hábitos de trabalho e de reflexão. O resto virá com a pratica, com a aprendizagem com outros profissionais, a formação contínua e a nossa propria reflexão pessoal (pois nem tudo o que se vê fazer ou lê se deve apreender...)

Se a formação inicial deverá privilegiar os aspectos teóricos ou técnicos, bem, diz-se que no meio está a virtude.
Eu contudo, acho que a preterir-se algo seria precisamente a componente técnica, facilmente adquirida à posteriori no contexto profissional específico, em troca de uma maior formação ética e científica. Acho que um enfermeiro bem formado, com valores e princípios bem definidos e reconhecendo a importância do rigor cientifico na sua practica, pugnará sempre por executar bem e tentar aperfeiçoar-se no seu metier.  Muito importante, nesta linha de pensamento será depois o tal ano de ensino tutelado, em que num contexto real, mas supervisionado, o aspirante a profissional poderá desenvolver as competencias específicas da área de exercício que escolheu.


Abraços cordiais

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Novidades / Re: Novas regras do fórum
« em: Setembro 02, 2007, 16:47:22 »
De facto era isso, bastou-me sair e entrar de novo para passar a ver o dito link.
Obrigado

Abraços cordiais

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Novidades / Re: Moderadores, precisam-se!
« em: Setembro 02, 2007, 16:45:02 »
O problema da escrita face à oralidade é que se perdem todos os elementos que complementam a mensagem e lhe dão o verdadeiro significado.
Não pretendia (nem pretendo) por de modo nenhum em causa o trabalho de alguém que, pro bono, põe de pé e mantém este "sítio" de que todos beneficiamos.
Por inépcia minha não conhecia ainda os mecanismos adequados para sinalizar conteúdo desapropriado e apenas pretendi ser chamativo.

Não sou programador, mas reconheço o imenso trabalho que a manutenção e regulação de um portal deste género implica.

Noutros fora onde participo a inscrição requer a introdução de um código visual o que dificulta o acesso através de meros scripts de spam.
Não sei se é ou não uma medida de introdução fácil, mas penso que poderia minorar o problema da introdução publicidade e conteúdos indevidos.

Abraços cordiais

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Novidades / Re: Novas regras do fórum
« em: Setembro 02, 2007, 01:14:17 »
Por favor, expliquem-me como se fosse loiro e muito burro onde está o ícone para se sinalizar um post ou reply como conteúdo inapropriado (publicidade, pornografia, etc)

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Novidades / Re: Moderadores, precisam-se!
« em: Setembro 02, 2007, 00:58:17 »
Lamento o erro, pois de facto não tinha ainda lido à data, de forma exaustiva, as regras do fórum.

A chamada de atenção prendia-se com o post :Gils se googlelove calculator  e um outro (já apagado) com imagens de teor ofensivo.

Abraço cordial

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Cuidados Gerais / Re: Motivações para curso de Enfermagem...
« em: Setembro 01, 2007, 16:47:40 »
Como é que diz o ditado? Faz o que eu digo...

Porque hoje é dia não (talvez cansaço, talvez horas de sono a menos), porque me deu para aí, porque sim, cá vai a visão desencantada coisa.

Fui para enfermagem por todas as razões erradas.

Tinha uma afinidade com as ditas ciências naturais, o meu maior chamamento à altura era a biologia ou quando muito a veterinaria.

A análise do mercado de emprego e saídas profissionais (assim como a necessidade sentida de alcançar independência económina o mais rápido possível), contudo "empurraram-me" na direcção da enfermagem e do seu curso (na altura) de três anos com mercado de trabalho garantido.
Puro mercenarismo, admito.

O  "baque" veio com o estágio de observação no IPOFG LX.
O primeiro contacto com a morte de um modo tão dramático fez-me perceber que ia ter de crescer mais depressa que o que previa.
Era estranho comparar experiências académicas com colegas de liceu noutros cursos, por um lado (admito-o com franqueza) uma grande disparidade em termos de exigência académica pura (o curso fez-se sem sobressaltos ou grande esforço) por outro lado desde o inicio lidava com doença, morte, as fragilidades humanas e sentia a dificuldade em transmitir-lhes essas vivências, é um curso que, queiramos ou não nos muda por dentro.
Descobri a gratificação do cuidar, de sentir que se fez alguma diferença na vida de alguém, o inexplicável instinto de protecção perante a fragilidade humana.

Depois o choque com a realidade, as primeiras experiências profissionais, a sensação de falta de preparação, o choque com métodos de trabalho com que não concordava, a preocupação com o gesto, a técnica,  com o "não fazer m***a" nem "matar nenhum doente", a indefinição de papel na equipa.
Depois o ganhar de espaço, autonomia, de confiança para trilhar o proprio caminho (um pouco de arrogancia e teimosia à mistura concedo).
Algumas fases titubeantes de maior ou menor encantamento com a profissão, com as questões de imagem social, reconhecimento, relacionamento com outras profissões, enfim, penso que o habitual.
Hoje em dia uma fase de algum torpor.
Estabilidade profissional e alguma falta de desafios que me motivem.
Estou na enfermagem um pouco como se "estivesse a ver o filme de fora" sem participar nele.
Se calhar por isso, penso, vejo agora algumas coisas com outra nitidez.
Há momentos pontuais que despertam algum entusiasmo perdido.
O ter "tropeçado" neste fórum foi um deles.
O contacto com outros profissionais motivados e o desafio da colaboração no ensino outros.

Não me excluo de nenhum dos vicíos que por vezes aponto à classe, apenas espero que este colocar ordenado de idéias sobre uma folha virtual em branco ajude outros na clarificação das suas próprias convicções.

Abraços cordiais

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Cuidados Gerais / Re: Relação Auxiliar \ Enfermeiro
« em: Setembro 01, 2007, 15:38:40 »
Andava por aqui a "pescar" tópicos escritos por pessoas  lúcidas e inteligentes que entretanto, e infelizmente, abandonaram este forum quando tropecei nesta pérola.

Agradeço sinceramente a existência e participação de alguém como o Miguel Lopes, pois torna muito mais fácil definir e traçar a linha daquilo que não quero ser (opinião que não se fundamenta apenas neste tópico).

No meio do cinzento e do nim faz falta um pouco de extremo para se perceber que se quer ir, definitivamente, noutra direcção.

Fiquei de facto perplexo por ouvir as mesmas vozes que se queixam de não serem incluídas na tomada de decisões a olharem com tanta sobranceria para uma classe cuja competência ou falta dela é nossa responsabilidade directa.

Porque, ponto primeiro, independentemente das suas habilitações  de base, formação socio-cultural, etc, a competência dos auxiliares será sempre consequência directa da qualidade dos enfermeiros que os formaram.

Para mim só me faz sentido que se sinta ameaçado quem não está seguro de si, dos seus saberes e das suas competências.
Pela ordem de raciocínio aqui apresentada por alguns colegas, também não deveríamos fazer ensinos aos familiares e cuidadores informais, não vão eles organizar-se e "tirarem-nos o lugar".
O lugar dos enfermeiros só estará em risco quando estes de facto se demitirem  das suas obrigações profissionais, entre elas manterem-se actualizados na sua practica e saber justificar a sua practica.

Como me dizia um antigo chefe (militar), de facto, em meia duzia de horas qualquer um pode aprender a dar injecções ou a fazer um penso de determinado modo.
Saber fundamentar e justificar, diagnosticar uma situação, escolher o melhor método de acção implementar e assumir a responsabilidade é o que distingue o enfermeiro dos outros técnicos ditos menos "diferenciados" e lhes granjeia um lugar em paridade com outros técnicos superiores na tomada de decisões.
O problema, presumo, será que muitos enfermeiros se terão tornado em meros executores e assim, de facto, qualquer outro que também aprenda a executar os ameaça.

Se o canudo só serve pra enfeitar a parede, então de nada serve e voltemos aos enfermeiros com a 4ª Classe.

É um facto que os enfermeiros, enquanto profissão, viram o seu leque de intervenções e competências alargados, o que leva a que por vezes deleguem funções noutros cuidadores, formais ou não.
Mas atenção, fala-se de delegar, o que também implica supervisionar e avaliar, e não apenas "empurrar" para outros, como, nalguns aspectos já se fez connosco no passado.

O auxiliar não terá o aporte teórico para dar uma opinião técnica fundamentada, mas é um ser humano, terá tido uma formação (dada por nós) que o permitirá detectar situações de chamada de atenção, o tempo que passa com o doente permitirá dar o seu contributo para o conhecimento deste de um modo global (tal como o input dos familiares também não deve ser ignorado).
Não tenho pruridos em assumir que já aprendi com auxiliares, que já fui alertado por eles para situações que de outro modo me passariam despercebidas. Incluí-los e dar-lhes o crédito que merecem é não só dar o exemplo, como motivar uma classe definitivamente desvalorizada e explorada tendo em conta o que faz e o desgaste a que está submetida  e com isso melhorar o ambiente de trabalho e em suma, a performance da equipa.

Ou será que por não dominarmos fisiopatologia e diagnósticos como os nossos colegas médicos também nos deviam excluir de participar no processo de tomada de decisões?

Cada profissão tem o seu contributo a dar, e o conhecimento partilhado será sempre uma mais valia, tal como opiniões fundamentadas nunca deverão ser vistas como uma ameaça.

Abraços cordiais

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Novidades / Moderadores, precisam-se!
« em: Setembro 01, 2007, 10:19:56 »
Alguém tem possibilidade de contactar os moderadores desde forum, no sentido de os alertar para os posts recentes que aqui têm vindo a ser colocados?
Penso que urge a acção rápida correndo-se o risco do descrédito do site e o embaraço perante todos os visitantes a este espaço que se quer feito à imagem de quem nele participa.

Abraços Cordiais

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Cuidados Gerais / Re: Antisepsia das torneiras
« em: Agosto 26, 2007, 06:45:05 »
Qualquer acesso venoso, seja central ou periférico constitui uma potencial porta de entrada para organismos patogénicos.
Num acesso central, e em doentes imuno-suprimidos, o risco é maior, o que não implica que nos acessos periféricos ele não esteja presente.
A técnica asséptica deve ser sempre respeitada.
Há alguns anos, desde que o seu uso se vulgarizou, não sei como, generalizou-se a ideia de que os bionecteurs tinham um filtro bacteriológico o que dispensava a desinfecção antes da administração de bolus EV.
Tal é absolutamente falso, o bionecteur é apenas uma válvula anti retorno (duração máxima 1 semana) e qualquer administração de medicação ou conexão a outro sistema deverá ser precedida de desinfecção com álcool a 70º

Abraços cordiais

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Cuidados Gerais / Re: Autonomia Profissional
« em: Agosto 25, 2007, 03:12:23 »
Fazendo aqui um pouco de Advogado do Diabo, devolvo a questão aos defensores da não existência de autonomia:

Em que actividades gostariam então que fossemos completamente autónomos?
É que, pelo que depreendo, (corrijam-me se estiver enganado) do que gostariam era de poder realizar mais técnicas médicas.

Eu de certo modo até percebo.

Quando acabei o curso, os locais almejados para trabalhar eras as cirurgias, as urgências, cuidados intermédios e intensivos.

Ah, encher o peito e contar no círculo de amigos que se tinha aprendido a suturar, a entubar oro-traquealmente !

Mesmo mais tarde, a orientar alunos, cai-se na tentação de os seduzir com as técnicas. Mais facilmente se chama um aluno para vir fazer uma entubação naso-gástrica que para vir integrar um familiar nos cuidados de higiene ou para fazer um ensino para a alta...

Penso que, tendo em conta o reconhecimento social (também cada vez menor) e as regalias associadas, quase todos também ponderamos um dia " E se eu fosse para médico?"

 Não é inédito verem-se enfermeiros que mais tarde na sua vida profissional decidem abraçar outra carreira, frequentemente a medicina e até com assinalável sucesso.

Outros persistem em continuar a investir na profissão e acumulam graus académicos que fariam muitos directores clínicos corar de inveja.

Serão todos loucos?

Em vez de persistirem nesta cruzada e perderem anos de vida a investir numa profissão que afinal parece que não o é, não seria mais facil irem de uma vez pra medicina e então prescreverem à vontade e picarem tantas artérias quanto queiram?

A reflexão é de cada um, e não ha vergonha nenhuma seja qual for a decisão.
Mas se tantos continuam a decidir ficar e a pugnar por esta profissão, alguma razão haverá.
Eu acho que o impacto que podemos ter enquanto profissionais vai muito além das técnicas que podemos ou nao realizar, e se mais alguém as pode realizar ou não.
A grande mais valia da enfermagem é que é completamente livre de "pedir emprestados" conhecimentos e técnicas das mais variadas áreas de saber (psicologia, biologia, estatistica, sociologia, etc) e integrá-las todas numa practica que é única e ainda de, com base nesses alicerces, produzir saber proprio.
Acabamos por ser mais que a soma das partes.
Somos o único profissional da equipa que terá inerentemente uma visaõ verdadeiramente holistica porque a nossa é a formação mais abrangente.
A enfermagem tem identidade propria, mas temos ainda dificuldade em defini-la.

Mais, o futuro da enfermagem passará necessariamente por assumir-se como pivot da equipa de cuidados, como elemento articulador e coordenador das intervenções dos outros profissionais (se bem que considere que esta mudança so começará pelos cuidados primarios e dificilmente chegará ao meio Hospitalar - o reduto médico por excelência)

Na minha visão de trabalho de equipa não me causa nenhuma espécie de prurido que varios profissionais possam realizar as mesmas técnicas ou intervenções com graus diferentes de proficiência.
Podemos saber quando e como algaliar, mas também temos de saber quando chamar um urologista ou um enfermeiro especialista (so pra fazer o jeito à Rebelo que ja desespera de tanto esperar :) )

Esta urgência na definição de barreiras estanques na forma de designação do que são actos médicos e de enfermagem (que as respectivas Ordens lá vão contornando) só nos iria provavelmente limitar mais.

Na presente realidade vamos demonstrando pela evidência que é natural que surjam sempre areas que se sobreponham, mas que ninguém se deve sentir ameaçado na sua dignidade profissional por isso.
Dou de barato que possam existir enfermeiros com competências técnicas específicas mais apuradas que muitos médicos, assim como tenho de reconhecer que existirão muitos médicos com excelentes competências na area de relação. Num contexto concreto, e se alguma vez se chegar a trabalhar realmente em paridade, nessas areas cinzentas actuará quem estiver melhor melhor preparado, e isto tanto será verdade para os enfermeiros, como para os psicólogos, os nutricionistas, etc, etc

Isto pode-vos parecer muito lírico, mas existem de facto realidades diferentes da nossa em que se trabalha sob um paradigma diferente.

Um amigo próximo, médico espanhol, fez a sua especialização cá em Portugal.

Ficou espantado com o formalismo e modo como não só os profissionais de classes diferentes viviam de costas voltadas, como mesmo dentro da sua propria classe havia pouco espaço para critica saudavel, colocar de questões, partilha de conhecimentos.

Até lhe fazia confusão o modo deferente como os doentes se lhe dirigiam e como não colocavam qualquer tipo de duvida ou questão sobre qualquer decisão tomada.

Dizia ele, agora já a trabalhar em Espanha, que no seu serviço actual não ha dr, para aqui ou enfermeiro para ali.
Toda a gente se trata pelo nome proprio desde a auxiliar ao director de serviço.
Há abertura de espírito suficiente para o director de serviço (essa figura quase mítica por cá) chegar ao pé de um enfermeiro e perguntar-lhe a opinião sobre um tratamento, ou de o enfermeiro se dirigir a um qualquer médico e partilhar um estudo que descobriu na net e que ache interessante.

As duvidas dos doentes são estímulos para que os profissionais se mantenham actualizados e não "chatices" porque afinal o que interessa é que enquanto equipa se prestem os melhores cuidados possiveis ao doente, que parece que é de quem nos acabamos por esquecer enquanto andamos entretidos com guerrinhas de poder.

Não me revejo em alguns aspectos da enfermagem que se pratica em Espanha mas considero este modelo descentrado dos egos e centrado nas competências muito interessante.

Claro que isto não se consegue de um dia para o outro, claro que não basta dizer que temos formação superior e nunca mais abrir um livro pelo resto das nossas carreiras, claro que não basta esperar que os outros mudem a imagem formada ao longo de decadas sobre a nossa profissão só pelos nossos lindos olhos ou por um qualquer decreto que a nossa Ordem consiga aprovar.
Se queremos ser reconhecidos temos de nos esforçar por isso, mas penso que finalmente se começa a atingir massa crítica suficiente para que a mudança ocorra, porque de nada serve sermos "os reis da cocada" se formos só isso, um número de circo, uma excepção que confirma a regra. So quando de facto, enquanto um todo se ter o salto qualitativo e afirmativo, alguma coisa mudará.

Mas até lá o caminho não vai ser facil, como qualquer emancipação nunca é. Não nos podemos é desviar do caminho e confundir o acessorio com o essencial.

Abraços Cordiais

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No local de radiodermite o pantenol (bepanthene (TM))costuma ser mais eficaz que o biafine (TM), a infecção deverá ser submetida a tratamento sistémico -encaminhar para o médico assistente.
Se a lesão apresenta sangramento capilar aplicação de compressas embebidas em Acido Aminocaproico (epsicapron (TM) ) costuma ser eficaz, também há quem aplique directamente a apresentação em pó (saquetas).
Hemorragias mais graves poderão requerer hemostase com nitrato de prata (conforme a "cultura" do serviço - há sitios em que só os médicos fazem hemostase) ou mesmo revisão de hemostase pelo cirurgião.
Quanto à descência ou é pequena e se consegue fazer aproximação de bordos com steri-strip ou encaminha-se para o cirurgião. Quando o estado da pele (sucessivos repuxamentos/retalhos) já não permite aproximação de bordos - optar por encerramento por segunda intenção.
Conforme a localização da lesão e risco de contaminação por secreções traqueais ou saliva optar por pensos oclusivos.
Nestes doentes, com graves alterações da imagem corporal, alterações da capacidade de mastigaçao e deglutição (muitos mesmo com SNG ou PEG) a depressão e anorexia são muito frequentes.
Um trabalho conjunto com a dietista de serviço é essencial para manter uma nutrição adequada pois de outro modo todos os esforços realizados serão infrutíferos.

Tudo isto são pistas. Já deixei a área ha uns anitos e provavelmente já muita coisa mudou. De qualquer modo espero de algum modo poder ter sido útil.

Abraços cordiais

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