Os anti-sépticos também referidos como biocidas são substâncias usadas há largos anos com o  propósito de inibir ou impedir o crescimento de microorganismos. Comparativamente aos antibióticos, os anti-sépticos não têm um alvo tão preciso ou limitado a um grupo microbiológico específico.

As características da parede celular ditam em parte o efeito dos anti-sépticos sobre os diversos microorganismos.

Podemos distinguir os bactericidas que eliminam os microorganismos e os bacteriostáticos que inibem a sua replicação.

Apesar de terem uma actividade na parede celular, os estudos têm demosntrado que a principal actividade dos anti-sépticos reside a nível intracelular

De seguida tecem-se várias considerações sobre as propriedades de alguns anti-sépticos:

Alcoois:

Rapida acção, amplo espectro contra virus e bacterias, mas não são esporicidas. O álcool isopropílico é mais activo contra bacterias enquanto que o álcool  etílico é mais potente contra os virus.

A concentração óptima situa-se entre os 60% e os 90%.

Usados na pele intacta.

Clorhexidina

A corhexidina é o biocida mais utilizado em produtos anti-sépticos, em especial na lavagem das mãos mas também na desinfecção da pele íntegra. Isto é devido em especial à sua eficácia de amplo espectro,
e baixa irritação da pele. Apesar das vantagens da clorhexidina, a sua actividade é dependente do pH e é muito reduzida na presença de matéria orgânica.
A Clorhexidina é um agente bactericida .A  absorção de clorexidina por
E. coli e S. aureus é rápida e depende da  concentração e pH do meio, com um máximo efeito ocorrendo  dentro de 20 segundos. Estudos recentes demonstram que a clorhexidina apresenta um efeito residual mais prolongado do que a iodopovidona.

A Clorhexidina não é anti-esporórica e nem sempre é considerada como particularmente eficaz contra os vírus , sendo que a sua atividade se restringe ao vírus com envelope lipídico.

É largamente usada na antisépsia da pele e em soluções de higiene oral.

Biguanidas poliméricas.

O PHMB é o principal representante .As  biguanidas poliméricas têm uso geral  na indústria de alimentos . É ativo contra bactérias gram-positivas e gram-negativas, apesar da P. aeruginosa e Proteus vulgaris serem menos sensíveis.  Não é anti-esporica.

Agentes libertadores de cloro.

Existem opiniões muito positivas acerca das propriedades químicas, físicas e microbiológicas dos produtos baseados no cloro .O mais importante é o  hipoclorito de sódio. As soluções de hipoclorito de sódio são utilizadas para desinfecção de superfícies  e podem ser utilizados para a desinfecção dos derramamentos de sangue contaminados com o HIV e o HBV.  Os compostos clorados são agentes altamente oxidantes  podendo alterar a atividade das proteínas celulares ;a potenciação da oxidação pode ocorrer a pH baixo, onde a atividade é máxima.
Estes compostos são virucidas, bactericidas e esporicidas . Actualmente o seu uso está a ser popsto de lado no tocante ao tratamento de feridas.

Iodo

Embora menos reativo que o cloro, o iodo é  bactericida, fungicida, , virucida,
e anti-esporico .As soluções de iodo têm sido usadas desde há 150 anos como anti-sépticos, mas elas  estão associadas a irritação e excessiva
coloração da pele. Além disso, as soluções aquosas são geralmente instáveis;
Estes problemas  foram superadas pelo desenvolvimento de iodóforos (“portadores de iodo” ou “agentes de liberação de iodo”), sendo o mais amplamente utilizado a povidona-iodo e iodo poloxamer. Os Iodóforos são constituidos por  complexos de iodo e um agente solubilizante
ou  transportador, que atua como um reservatório  activo de iodo. Embora a atividade germicida se registe, os iodóforos são considerados menos ativos contra certos fungos e esporos .

Prata

Não podemos considerar propriamente um anti-séptico .De  formas diversas a prata e seus compostos são utilizados como agentes antimicrobianos desde há séculos .O mais importante composto de prata em uso atualmente é sulfadiazina de prata .A sulfadiazina de prata é essencialmente uma combinação de dois agentes antibacterianos,a prata e a sulfadiazina .A questão radica na questão de discernir se  o efeito antibacteriano do composto surge predominantemente a partir de apenas um dos compostos ou através de uma interação sinérgica dos dois componentes.
A Sulfadiazima prata tem um amplo espectro de atividade .

Peróxido de hidrogénio.

O Peróxido de hidrogénio (H2O2) é amplamente
utilizados para a desinfecção, esterilização e anti-sepsia. É comercialmente disponível numa variedade concentrações que variam entre 3-90%.. Embora as soluções puras sejam  geralmente mais estáveis, os produtos comercializados contêm estabilizadores para evitar a decomposição. A H2O2 demonstra amplo espectro e eficácia contra vírus, esporos de bactérias, leveduras e bactérias
Em geral, a maior actividade é registada contra bactérias gram-positivas, mais do que sobre  que as bactérias gram-negativas.

O seu uso como detergente em feridas está formalmente contra-indicado.

Compostos de amónio quaternário

Também conhecidos como surfactantes tensoactivos, são
classificados em catiônicos, aniônicos, não iônico, e anfotericos . O cloreto de benzalcónio e a cetrimida são os representantes mais usados. Destes, os agentes catiônicos,  são os anti-sépticos e desinfetantes mais úteis .Eles são, por vezes conhecidos como detergentes catiônicos.Têm sido utilizados para uma variedade de propósitos clínicos (ex., desinfecção pré-operatória
na pele intacta, na aplicação sobre membranas mucosas e desinfecção
de superfícies ). Além de terem propriedades antimicrobianas   são também excelentes para a limpeza e desinfecção de superfícies.
São também esporostáticos, inibindo  o crescimento de esporos mas não destruindo o esporo.
Da mesma forma, não são micobactericidas mas têm acção sobre o HIV.