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segunda, 19 março 2012 12:48

Via verde para o seu coração

Escrito por 

As doenças cardiovasculares são um dos problemas de saúde pública mais importantes e a principal causa de mortalidade em Portugal

 

Título

Via Verde para o seu Coração

Nursing nº276

 

Autor

M. A. Silva

Enf. Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica

Hospital St.ª Maria Maior, E.P.E | Serviço de Urgência

 

Resumo:

A melhor solução para o enfarte agudo de miocárdio (EAM) é investir na sua prevenção e no controlo dos factores de risco. No entanto, quando se instala, dada a sua grande mortalidade e morbilidade, tornou-se imperativo a criação de estratégias que permitissem um rápido diagnóstico e tratamento destas situações de emergência. Para responder a esta necessidade foram criadas as vias verdes para o EAM. Os enfermeiros têm um papel fundamental na diminuição do número de vítimas, intervindo em diversos níveis: através da educação para a saúde, reconhecendo os sinais e sintomas de EAM e encaminhando correcta e rapidamente os doentes.  Para isso é imprescindível que conheçam o funcionamento da Via Verde para o EAM, tendo presente que para além de constituir uma obrigação profissional um dia o problema também nos poderá bater à porta.

The best solution for acute myocardial stroke is to invest in prevention and control of the risk factors. However, when installed, given its high mortality and morbidity, it became imperative to develop strategies that would permit a rapid diagnosis and emergency treatment. To meet this need were created the greenways for myocardial stroke.

Nurses have a key role in reducing the number of victims, intervening at several levels: through health education, early recognizing the signs and symptoms of stroke and referring patients correctly and quickly. For this it is essential that they know the operation of the greenway, bearing in mind that in addition to being a professional obligation, one day the problems could also knock on our door.

 

 

 

As doenças cardiovasculares são um dos problemas de saúde pública mais importantes e a principal causa de mortalidade em Portugal, que apresenta uma das taxas mais elevadas da Europa e do Mundo. São um flagelo que afecta maioritariamente os países do mundo desenvolvido.

A doença coronária aguda é uma urgência uma vez que se perspectiva o aumento da sua incidência, apontada internacionalmente até 2025, que afecta maioritariamente o sexo masculino e aproximadamente um terço dos casos de enfarte agudo do miocárdio têm evolução fatal e 80% das mortes ocorrem fora ou antes da chegada ao hospital, sobretudo porque os doentes desvalorizam os sinais e sintomas e solicitam ajuda muito tardiamente.

O enfarte do miocárdio é a destruição rápida e morte de uma parte do coração por falta de oxigénio, provocada pela obstrução de uma das suas artérias coronárias e os factores de risco para a sua ocorrência são a hipertensão arterial, a dislipidémia (colesterol elevado), o excesso de peso, a diabetes, o consumo de tabaco, o stress intenso e o sedentarismo.

Os sinais de alarme são a presença de uma dor intensa no peito que irradia para o pescoço, queixo, braços ou costas, uma sensação de peso, queimadura ou aperto no peito em simultâneo com mal-estar, suores frios e sensação de náuseas ou vómitos e esta dor não varia com a respiração nem com a mudança de posição.

É frequente ocorrer a meio da noite, em repouso e sem uma causa aparente, e se estes sinais durarem mais de cinco minutos a vítima deve procurar ajuda ligando de imediato o 112!

Ao contrário do que fazem a maioria dos doentes, que recorrem ao hospital pelos próprios meios, este procedimento está incorrecto. Ao contactar esse número, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) inicia o diagnóstico e o tratamento, enquanto orienta os doentes para o hospital mais adequado, que pode não corresponder ao hospital mais próximo. É esta a forma mais rápida de se tratarem. Assim, estamos esclarecidos sobre a necessidade de aumentar a rapidez no acesso destes doentes aos cuidados de saúde e para dar resposta a essa necessidade foram implementadas as Vias Verdes Coronárias.

A via verde coronária é uma estratégia implementada por todo o país, e este programa coordenado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica e que outras entidades, permite a melhoria da acessibilidade precoce dos doentes em situação de doença cardíaca aguda aos cuidados médicos mais adequados. É accionada pelos cidadãos, através do número de emergência nacional (112) que desta forma activa a intervenção do Instituto.

A chamada recebida no centro de orientação de doentes urgentes (CODU) é triada sob supervisão médica, e caso se verifique que as queixas sugerem uma provável doença coronária aguda, é enviado de imediato um meio de socorro ao local onde se encontra o doente.

Os meios do Instituto Nacional de Emergência Médica têm a capacidade de intervir prematuramente, e após chegada ao local, perante o quadro clínico e o electrocardiograma, caso se estabeleça o diagnóstico, decidem em conjunto com o centro de orientação de doentes urgentes o tratamento pré-hospitalar, a terapêutica a instituir, assim como o encaminhamento para hospitais com unidades especializadas, aumentando a probabilidade de sucesso terapêutico.

Os objectivos do tratamento precoce são o alívio dos sintomas, a preservação do miocárdio e a resolução de possíveis complicações e a repermeabilização precoce da artéria ocluída é primordial na limitação do dano miocárdio. A opção terapêutica está condicionada por diversos factores como os antecedentes pessoais do doente, a existência de contra-indicações para a realização da trombólise e a proximidade ao centro hospitalar especializado.

Os hospitais envolvidos na Via Verde Coronária encontram-se organizados internamente, sem barreiras burocráticas, de modo a que à rapidez de intervenção pré-hospitalar corresponda um atendimento intra-hospitalar simples, eficaz e rápido, funcionando como um corredor para acelerar a chegada do doente a uma equipa médica preparada para as intervenções necessárias.

O factor tempo é fundamental! Metade das mortes ocorrem nas primeiras três a quatro horas após início dos sintomas. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, maiores as probabilidades de sobrevivência.

A intervenção imediata conduz a ganhos em saúde e a redução dos tempos de diagnóstico e tratamento reflectem-se na diminuição da mortalidade e das complicações e relaciona-se com uma melhoria no prognóstico destes doentes. Esta realidade toma maiores proporções em locais distantes dos grandes centros hospitalares, nomeadamente o interior do país, onde o atendimento pré-hospitalar promove uma intervenção mais rápida e adequada.

Infelizmente permanece muito elevada a prevalência dos factores de risco das doenças cardiovasculares e cabe a cada um de nós ser pró-activo em prole da sua saúde e da sua vida. Como enfermeiros, o nosso papel é fundamental na diminuição destes números e a nossa intervenção ocorre nos diversos níveis de prevenção. É certo que a maioria das pessoas reconhece a necessidade de modificar os seus comportamentos e atitudes de risco, mas muitas continuam a adiar as correcções alimentares como a redução do consumo de sal, açúcar, gorduras e calorias, assim como a eliminação do consumo de tabaco e a redução do consumo de álcool.

Temos a obrigação de educar a população sobre todas estes aspectos. Incentivá-los a adoptarem desde hoje um estilo de vida mais saudável. A controlarem o peso, os níveis de colesterol e açúcar no sangue, a submeterem-se a exames periódicos de saúde, e… mexerem-se! Só assim lutaremos juntos contra este problema e muitas outras doenças crónicas, e viveremos com mais saúde, mais bem-estar e melhor qualidade de vida, até ao fim.

 

BIBLIOGRAFIA

. DIRECÇÃO GERAL DA SAÚDE. Direcção de Serviços e Planeamento. Rede de Referenciação Hospitalar de Intervenção Cardiológica. Lisboa. 2001. ISBN 972-675-079-2.

. DIRECÇÃO GERAL DA SAÚDE. Direcção de Serviços de Prestação de Cuidados de Saúde. Circular Normativa Nº3. Lisboa. 2006.

. FERREIRA. M, Lurdes - O Cardiologista e a Medicina Intensiva. Revista Portuguesa de Medicina Intensiva. Lisboa. ISSN 0872-3087.Nº 2 (Fevereiro 2001), p. 211-212.

. LINO, Irineia; GARCIA, João; COSTA, Sónia - Via verde Coronária - uma perspectiva da actuação pré-hospitalar.  ViAverde para a Vida. Lisboa: INEM. ISSN 1645-3751. Nº 25 (Maio 2009), p.10.

. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares. Alto Comissariado da Saúde. Panfleto da Campanha Nacional SEJA MAIS RÁPIDO QUE UM ENFARTE. Lisboa. 2007.

. Via Verde Coronária ganha tempo também no Norte. ViAVerde para a Vida. Lisboa: INEM. ISSN 1645-3751. Nº 25 (Maio de 2009), p. 3.

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