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domingo, 29 janeiro 2012 18:43

Amamentação e Sexualidade

Escrito por 

A sexualidade, como todas as realidades complexas não pode ser definida a partir de um único ponto de vista, uma só ciência.

 

Título

AMAMENTAÇÃO E SEXUALIDADE

BREASTFEEDING AND SEXUALITY

Nursing nº274

 

Autor

Ana Margarida Rodrigues Nobre

Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetricia – Centro Hospitalar Barreiro Montijo – EPE., Bloco de Partos

Mestre em Sexologia Clinica

 

Resumo

Este estudo avaliou a influência da amamentação e da não amamentação no desejo sexual, satisfação sexual e frequência da actividade sexual com coito, no pós-parto. Pretendeu-se uma amostra de conveniência constituída por oitenta puérperas residentes no concelho do Barreiro, primíparas, sem complicações pós-parto, após reinício da actividade sexual e cujo parto ocorreu no Hospital Nossa Senhora do Rosário. Trata-se de um estudo transversal, a avaliação foi efectuada 2 meses pós-parto. Foi realizada uma entrevista estruturada com trinta questões que contemplaram uma caracterização demográfica e as três variáveis acima descritas.Alguns estudos encontram indicadores de alterações entre as puérperas a nível psicofisiológico (satisfação sexual, desejo sexual e frequência da actividade sexual com coito). Os resultados obtidos revelaram que as mulheres que amamentam obtiveram um valor médio superior às mulheres que não amamentam, para a satisfação sexual e para a frequência da actividade sexual com coito e também maior frequência na intensidade e prazer do orgasmo. As que não amamentam apresentaram um valor médio superior para a frequência do desejo sexual e uma maior frequência nas componentes de excitação e desejo sexual. Conclui-se assim que amamentar ou não amamentar influencia a sexualidade das mulheres nesta fase da sua vida.

Palavras-Chave: Amamentação; Não Amamentação; Desejo Sexual; Satisfação Sexual; Frequência da actividade sexual com coito.

 

Abstract:

This study evaluated the influence of breastfeeding and not breastfeeding in sexual desire, sexual satisfaction and frequency of sexual activity withintercourse, post-partum. The aim was a convenience sample consisting eighty mothers resident in the district of Barreiro, primiparous, with no complications at birth, after resumption of sexual activity and that delivery occurred at the Hospital Nossa Senhora do Rosário. This is a cross-sectional evaluation and was performed 2 months postpartum. We performed a structured interview with thirty questions that covered a demographics and the three variables described above. Some studies are indicators of changes among the mothers at psychophysiological aspects (sexual satisfaction, sexual desire and frequency of sexual activity with intercourse). The results revealed that women who breastfeed, obtained an average higher than non-breastfeeding women, for sexual satisfaction and frequency of sexual activity with intercourse, and increased frequency on the intensity and pleasure of orgasm. Those who do not breastfeed had a higher average value for the frequency of sexual desire and a higher frequency components of the excitement and sexual desire. It follows that breastfeeding or not breastfeeding influence the sexuality of women at this stage of his life.

Keywords: Breastfeeding; Non-Breastfeeding; Sexual Desire; Sexual Satisfaction; Frequency of Sexual Activity with Intercourse.

 

INTRODUÇÃO

Influência da Amamentação no Desejo Sexual, Satisfação Sexual e Frequência da Actividade Sexual com Coito no Pós-parto.

A sexualidade, como todas as realidades complexas não pode ser definida a partir de um único ponto de vista, uma só ciência. O que actualmente se sabe é o resultado de múltiplas aproximações feitas a partir de diferentes ciências. Todo o nosso corpo é sexuado nas nossas estruturas e funções, desde as mais pequenas estruturas, as células, até a nossa figura corporal. Mas não somos só biologicamente sexuados, também o nosso psiquismo, toda a nossa organização social e a nossa cultura.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2003), a sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia a nossa saúde física e mental.Corporalmente a mulher sofreu inumeras modificações após o parto. Com o nascimento da criança o corpo modifica-se, tendo algumas alterações de auto-imagem (Bancroft, 1989).

A elaboração do desejo é denominada de erotismo, é a riqueza erótica que, mais do que qualquer outro património acumulado pelo casal, pode ancorar a relação quando sujeita às tensões, também elas intermitentes, provocadas pelo, muitas vezes aparente, fim do amor (Gomes, 2004). Na espécie humana, a actividade sexual não visa especificamente a procriação; embora a actividade hormonal seja fundamental para reprodução, o contacto sexual é precedido do desejo e necessita, embora não de forma absoluta, da excitação e do orgasmo. O desejo sexual é a primeira fase da resposta sexual humana, introduzida por Helen Kaplan (1995), complementando assim o modelo de Masters and Jonhnson (1966).

O desejo sexual resulta de um fenómeno subjectivo, resultado de uma construção individual, que passa pelas emoções, crenças, fantasias sexuais, educação, cultura e até do meio ambiente em que estamos inseridos. O que provoca o desejo sexual, deriva de factores muito subjectivos, que podem variar na mesma pessoa em momentos diferentes. Podemos desejar alguém simplesmente pelo tom de voz, pelo seu vestuário ou pela forma do corpo. O desejo sexual pode ser percebido como uma forma de sensações específicas que levam a pessoa a buscar ou sentir-se disposto a ter sexo. Segundo Bancroft (1989) o desejo sexual é como a fome, o que experimentamos é um desejo ou apetite e é uma complexa interacção entre processos cognitivos, mecanismos neurofisiológicos, prevalecendo os afectos. Figueiredo (2001) refere que a diminuição do desejo e do prazer sexual e a alteração dos padrões da actividade sexual são mudanças que se verificam nas mulheres em geral, após o parto, sendo ainda um dos aspectos mais afectados quando a depressão aparece no seguimento do parto, em relação à depressão que surge noutras alturas da vida da mulher.Colocamos como hipótese que nesta fase do ciclo na vida do casal, a diminuição do desejo não é uma patologia mas “um mal entendido”, como afirma Basson (2002), e está provavelmente associada a uma diminuição de satisfação sexual. Também MacCarthy (1999) refere a importância da comunicação dentro do casal para a satisfação sexual e a existência do desejo sexual.

Esperar um filho, em especial o primeiro, é um dos acontecimentos mais importantes da vida da mulher e representa um desafio à sua maturidade e à  estrutura da sua personalidade, é também uma oportunidade para o desenvolvimento de novas responsabilidades.

Lowdermilk, Perry & Bobak (2002) referem que muitos casais retomam a actividade sexual antes dos quarenta e cinco dias após o parto. São necessários cerca de três a seis semanas para que todos os tecidos afectados durante o trabalho de parto cicatrizem, nomeadamente a episiotomia e as lacerações que tenham ocorrido na vagina e/ou no períneo. Para além disso, o deficit de hormonas (estrogénio e progesterona) contribui para a insuficiente congestão e lubrificação vaginal, constituindo assim o que é também um factor de redução de resposta sexual na mulher nesta fase.

O período de tempo que se segue ao parto, durante o qual o útero retoma o seu tamanho normal, se inicia a lactação e a mãe se restabelece, constitui, por si só, um autêntico teste de saúde mental à mãe. Nesta ocasião põe-se à prova a sua capacidade de organização interna e externa. Tendo em conta que neste momento ocorre uma readaptação biofisiológica, nomeadamente ao nível hormonal, paralelamente a uma readaptação psicológica ao nível da imagem do corpo e ao nível de papéis relacionais, poderemos compreender que se trata de mais um período crítico do seu ciclo de vida (Mascoli,1990).

LaMarre, Paterson & Gorzalka (2003), no seu estudo sobre o relacionamento entre a amamentação e o funcionamento sexual no pós-parto, referem que a fadiga interfere neste período pelo distúrbio do sono relacionado à alimentação nocturna. Por último, o estudo que mais se aproximou do presente estudo e mais actual foi realizado na Austrália, em 2002, por Dejudicibus e McCabe. A investigação parte da premissa que a diminuição do desejo sexual conduz a menos actividade sexual e a menor satisfação sexual assumindo que a associação entre o desejo sexual e actividade sexual estava longe de ser linear. O estudo sugere seis factores: desejo, actividade sexual, satisfação, ajustamento à mudança de papel laboral e maternal (não sendo importante para o presente estudo), satisfação conjugal (não sendo relevante para o estudo presente), fadiga, estado de espírito, alterações fisicas e amamentação. A dispareunia, o acto de amamentar e a satisfação conjugal apareceram neste estudo como importantes predictores do desejo sexual no pós parto, sendo que a dispareunia e a satisfação conjugal não foram incluídas directamente no presente estudo.

A possibilidade de ajudar estas mulheres, como pessoas e como parceiras de uma vida a dois, a reencontrarem uma forma de construir, explorar e experienciar o seu desejo, da sua satisfação sexual e da frequência da actividade sexual com coito, capacitando-as para encontrarem uma resposta ao seu sofrer, por um lado, e procurar sensibilizar os profissionais de saúde envolvidos nos cuidados desta área por outro, fundamentam, igualmente, a utilidade e importância neste estudo.

 

Objectivo Geral

Avaliar a influência da amamentação na sexualidade tendo em conta componentes de desejo sexual, satisfação sexual e frequência da actividade sexual com coito no pós-parto.

Objectivos Específicos

- Relacionar as variáveis sócio-demográficas entre as mulheres que amamentam e que não amamentam, no pós-parto.

- Identificar os factores que influenciam a sexualidade no pós-parto nas mulheres que amamentam e que não amamentam, tendo em conta as componentes: satisfação sexual, desejo sexual e frequência da actividade sexual com coito.

- Relacionar o tipo de anticoncepção com as variáveis satisfação sexual, desejo sexual e frequência da actividade sexual com coito.

 

Método

Participantes

Pretendeu-se uma amostra de conveniência, composta por todas as mulheres: primíparas, sem complicações pós-parto, após reinício da actividade sexual e residentes no concelho do Barreiro, cujo parto ocorreu no Hospital Nossa Senhora do Rosário - Barreiro E.P.E., em 2005 e 1º Semestre de 2006, num período de pós-parto de dois meses.

A colheita de dados foi efectuada no centro de saúde de Eça de Queiroz (Barreiro), e nas consultas externas de Obstetrícia do Hospital Nossa Senhora do Rosário no Barreiro – E.P.E.

 

Descrição das medidas de avaliação

Foi elaborada uma entrevista estruturada composta por Informação demográfica, em que engloba: idade; etnia; habilitações literárias; profissão; filiação religiosa; estado civil; se tem um relacionamento actualmente, há quanto tempo estão juntos (anos/meses), casamentos anteriores; se actualmente é casada ou tem um relacionamento conjugal avalie até que ponto considera o seu casamento ou relacionamento; que importância tem a sexualidade na sua vida em geral; a gravidez foi desejada; tipo de Parto; o pai assistiu ao parto; teve complicações pós-parto; fez consulta médica de revisão pós-parto; como é a colaboração do cuidar do recém-nascido por parte do pai da criança; amamenta; condicionantes físicas da amamentação; reiniciou a sua vida sexual; com que frequência tem/teve relações ou actividade sexual com o seu parceiro no pós-parto; após o parto, quem é que inicia/iniciou habitualmente a actividade ou relação sexual; quando o seu parceiro toma iniciativas sexuais como é que costuma responder; nas últimas quatro semanas, com que frequência se sentiu sexualmente excitada durante a actividade sexual, e como classificaria essa excitação; até ao segundo mês de pós-parto, sentiu satisfação durante a actividade sexual; durante este período, teve dificuldade em atingir o orgasmo (clímax); no segundo mês de pós-parto,com que frequência sente desejo sexual? (Esta sensação pode incluir querer ter relações, planear ter relações sexuais, sentimento de frustração por não ter a actividade sexual que deseja, etc.); notou alguma mudança de intensidade e prazer no seu orgasmo; utiliza algum método contraceptivo.

 

Procedimento

Aquando da realização das entrevistas, quer no Hospital ou no Centro de Saúde, foi tido em conta o espaço e o ambiente em que estas decorreram. Tendo em conta a natureza pessoal e íntima destas questões, foram realizadas em gabinete próprio proporcionando espaço e privacidade e proximidade entre o entrevistador e o entrevistado. De modo a respeitar os princípios éticos inerentes a um trabalho desta natureza, as participantes foram informadas do âmbito da realização desta pesquisa, os seus objectivos, bem como do seu direito de recusar nela participar e da possibilidade de desistir a qualquer momento. Facultamos também, antes de cada entrevista, um documento referente ao consentimento informado. Às participantes foi garantido o anonimato e a confidencialidade da informação recolhida, bem como a sua utilização exclusiva para o presente estudo. Foi formalizado o pedido de autorização para a colheita de dados junto do Director Clínico do Centro de Saude do Barreiro (Extensão Eça de Queiroz) e Hospital Nossa Senhora do Rosário no Barreiro – E.P.E e da respectiva comissão de Ética.

 

Resultados

Foi seleccionada uma amostra de conveniência, composta por todas as mulheres: primíparas, sem complicações pós-parto, reinício da actividade sexual, cujo parto ocorreu no Hospital Nossa Senhora do Rosário no Barreiro, em 2005 e 1º Semestre de 2006, num período de dois meses pós-parto. Esta amostra foi constituída por oitenta puérperas, residentes no Barreiro e no Concelho do Barreiro, com idades compreendidas entre os 17 e os 37 anos, com uma média de idades 27,09 anos (DP=4,77). Predomina a raça branca (n=65;%=81). Possuem em média 11,69 anos de escolaridade, sendo que a maioria das puérperas são trabalhadores manuais não especializadas (n=52, %=65,0), seguindo-se as estudantes (n=9, %=11,3) e as ajudantes técnicas (n=7;% =8,8).

A filiação religiosa com maior relevo foi a católica (n=68;%=85,0). A relação actual durou em média 5,50 anos (+/-5 anos), sendo casadas (n=47; %=58,8) e em de união de facto (n=27;%=33,8). As puérperas consideram que têm um relacionamento conjugal feliz (n=37; % =46,3) e dão muita importância à sua sexualidade (n=52;%=65,0). A maioria das puérperas referiu que a gravidez foi desejada (n=63;%=78,8). Em relação ao tipo de parto mais relevante, o parto eutócico foi em maior número (n=48;%=60,0), relativamente às cesarianas (n=29;%=36,3). A colaboração do pai é considerada, por parte das puérperas, muito boa (n=26;%=32,5).

Relativamente aos dados obtidos que avaliam a influência da amamentação e não amamentação no desejo sexual, satisfação sexual e frequência da actividade sexual com coito no pós-parto, constatamos que: nas categorias de resposta, da frequência da actividade sexual com coito no pós-parto, verificou-se que (n=19;%=23,8) tinham hábitos de 3 a 4 vezes por semana, seguindo-se uma vez por dia (n=17;%=21,3). Concomitantemente a este aspecto é notório que os dois parceiros tomam concomitantemente iniciativas da actividade sexual (n=47;%=58,8). A mulher responde às iniciativas do seu parceiro com prazer (n=34, %=42,5). Foi perguntado à puérpera com que frequência se sentiu sexualmente excitada e em média responderam que foi duas vezes por cada actividade sexual (n=31;%=38,8). Durante a actividade sexual a classificação da excitação, por parte da puérpera, é considerada boa (n=28;%=35) e moderada (n=25;%=31,3).

Afere-se, ainda, que as puérperas, quase sempre ou sempre (n=25;%=31,3), sentiram satisfação sexual durante a actividade sexual e não apresentaram dificuldade em atingir o orgasmo (n=23;%=28,8). Nomeadamente à frequêcia do desejo sexual (n=32;%=40) analisámos que a maioria das puérperas revelou a frequência de 3 a 4 vezes de desejo sexual (n=32;%=40,0).

As puérperas referem que a intensidade e prazer no orgasmo são o mesmo que no passado (n=42; %=52,5).

As puérperas neste estudo iniciam, ao décimo quinto dia, os métodos contraceptivos (n=50;%=62,5), sendo a pílula (n=51;%=63,8) o método contraceptivo de eleição.

Para avaliar se existiam diferenças estatisticamente significativas do comportamento sexual entre as mulheres que amamentam e não amamentam no desejo sexual, satisfação sexual e frequência da actividade sexual com coito no pós-parto, foi utilizado o teste T student (Ver Tabela 1).

Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Verificou-se que a relação entre as puérperas que amamentam com a variável desejo sexual (t (76)=0,631; p>0.05) apresentam também maior satisfação sexual (t(78)=1,82; p>0.05) durante a actividade sexual. E ainda sentem com maior frequência excitação sexual com coito (t(78)=0.149; p>0.05), comparativamente às que não amamentam.

Para estudar as relações entre a amamentação, com as seguintes as dimensões: a frequência do desejo sexual, a satisfação sexual durante a actividade sexual, a frequência da actividade sexual com coito, as iniciativas sexuais, a frequência com que se sentiu sexualmente excitada, a intensidade e prazer no orgasmo e a dificuldade em atingir o orgasmo, foi efectuada uma matriz de correlações. Determinámos que a frequência da actividade sexual com coito se associou positivamente com a frequência do desejo sexual (r=.36;p=.001); As iniciativas sexuais associaram-se positivamente com a satisfação sexual (r=.23;p=.04) e a frequência do desejo sexual (r=.27;p=.01) e negativamente com a dificuldade em atingir o orgasmo (r=-.29;p=.02). Com que frequência se sentiu sexualmente excitada associou-se positivamente com dificuldade em atingir o orgasmo (r=.33;p=.008) e negativamente com intensidade em atingir o orgasmo (r=-.29; p=.002). A satisfação sexual associa-se positivamente com a frequência do desejo sexual (r=.37;p=.001) e  intensidade em atingir o orgasmo(r=.25;p=.02), e associa-se negativamente com a dificuldade em atingir o orgasmo(r=-.41;p=.000). A dificuldade em atingir o orgasmo associou-se negativamente com a frequência do desejo sexual (r=-.33.;p=.003) e com a intensidade e prazer do orgasmo(r=-.36;p=001). A frequência do desejo sexual associou-se positivamente com a intensidade em atingir o orgasmo (r=.34;p=.002) (Ver Tabela 2). Para estudar as relações entre a não amamentação com as seguintes dimensões: a frequência do desejo sexual, a satisfação sexual durante a actividade sexual, a frequência da actividade sexual com coito, as iniciativas sexuais, a frequência com que se sentiu sexualmente excitada, a intensidade e prazer no orgasmo e a dificuldade em atingir o orgasmo, foi efectuada uma matriz de correlações. Constatámos que, a Frequência da actividade sexual com coito associou-se positivamente com a frequência se sentiu sexualmente excitada (r=.38;p=.22) e com a frequência do desejo sexual (r=.37;p=.02). Com que frequência se sentiu sexualmente excitada associou-se positivamente com a Intensidade e prazer do orgasmo (r=. 41;p=.01). A satisfação sexual associa-se positivamente à frequência do desejo sexual (r=.37;p=.02). A dificuldade em atingir o orgasmo associou-se negativamente à intensidade e prazer do orgasmo (r=-.37;p=. 02) (Ver Tabela 3).

 

Outros resultados…

Com níveis de significância superiores a .05 não existe nenhuma relação significativa entre o tempo de relacionamento e o desejo, satisfação e frequência sexual.

Também não se registaram relações significativas entre a idade e as variáveis: frequência, desejo e satisfação sexual.

Não se registaram diferenças significativas entre a iniciação dos métodos contraceptivos e a utilização desses mesmos métodos.

 

Discussão

Remetendo-nos para o tema, as alterações nas dimensões do funcionamento sexual tendo em conta o desejo sexual, satisfação sexual e frequência da actividade sexual com coito, resultados de alguns estudos semelhantes mostraram-se igualmente controversos ao nosso estudo.

A conclusão geral dos estudos empíricos e impressões clínicas é que muitas mulheres em situação pós-parto continuam a revelar uma diminuição desejo sexual (Fischman, Rankin, Soeken, & Lenz, 1986; Glazener, 1997; Kumar Brant & Robson, 1981). A perda de desejo sexual por parte da mulher leva, geralmente, a menos actividade sexual e à perda de satisfação sexual, apesar da associação entre estas duas facetas estar longe de linear (Lumley, 1978). Hyde et al. (1996) concluíram que 84% dos casais revelaram uma reduzida frequência de relações sexuais aos quatro meses pós-parto. O prazer da relação sexual tende a voltar gradualmente após o nascimento da criança. Lumley (1978) concluiu que havia um aumento linear na percentagem de mulheres que tinham prazer nas relações sexuais depois do nascimento da criança. Similarmente, Kumar et al. (1981) concluíram que, às 12 semanas após o parto, cerca de dois terços das mulheres acham que o sexo é “melhor”, apesar de 40% se queixarem de algumas dificuldades.

O presente estudo teve como objectivos estudar as relações entre desejo, satisfação sexual e frequência da actividade sexual com coito no pós-parto, tendo em conta as mulheres que não amamentam e as que amamentam e os factores que influenciam o desejo, a satisfação sexual com coito concretamente ao fim de dois meses. Averigua-se com a descrição dos resultados que a média de idades das puérperas foi de cerca de 28 anos. De acordo com as informações mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (2006), estima-se que a idade média do nascimento do primeiro filho se situa nos vinte e oito anos, três anos mais tarde do que o padrão verificado em 1994. Uma elevada percentagem (81%) das mulheres são de raça branca, em média possuem 12 anos de escolaridade, são trabalhadoras manuais não especializadas (65%), com 85% de filiação religiosa católica. Segundo Figueiredo (2001), em Portugal vigora uma cultura judaico-cristã, sendo que a religião está impregnada na sexualidade do casal.

A média de anos da relação actual é de cerca de seis anos, concomitantemente a este aspecto é notório que 58,8% são casadas e 33, 8% vivem em união de facto. Byers (1999), afirma que os relacionamentos têm uma duração média de 5 anos. Os sugeitos em estudo referem que têm um relacionamento conjugal feliz (46,3%) e 65% dão muita importãncia à sua sexualidade, referindo que a gravidez foi desejada. Verificámos que o desejo e o prazer de ser mãe continuam como um elemento presente e marcante na vivência da sexualidade feminina. Quando estas afirmam elevada importância à sexualidade. Para Figueiredo (2002) a sexualidade deve aceitar não só os moldes da Instituição familiar, mas as suas consequências relativas ao respeito pela pessoa, enquanto que as relações sexuais se inscrevem dentro do «contrato» do casamento.

No que concerne ao tipo de parto, o parto eutócico foi o tipo de parto mais significativo (60%), num estudo semelhante e numa perspectiva biológica, o tipo de parto (parto eutocico) a que foi sujeita (Signorello, Harlow, Chekos & Repke, 2001) e o medo da dor durante a relação sexual (dispareunia) por diminuição da lubrificação vaginal (Kayner & Zagar, 1983), são as principais razões responsáveis pela diminuição da frequência das relações sexuais e do prazer obtido e, caso tenha sido sujeita a episiotomia, o medo da dor durante a relação pode ser, por si só, factor inibidor do desejo (Bancroft, 1989). Ainda de acordo com as puérperas, a colaboração do pai nos cuidados ao recém-nascido foi considerada muito boa (32, 5%). Indagámos que não foram encontradas diferenças estatisticamnete significativas entre os grupos de mulheres que amamentam e as mulheres que não amamentam.Verificou-se que as puérperas que amamentam tem mais desejo sexual (t (76)=0,631; p>0.05), apresentam também maior satisfação sexual ( t(78)=1,82; p>0.05) durante a actividade sexual. Os resultados do nosso estudo vão de encontro ao estudo de Alder et al (1986) e sugerem que a possibilidade de que as mulheres que amamentam estão mais expostas à experimentação da perda do interesse sexual do que aquelas que não amamentam. Averiguámos, ainda, que a amamentação está associada ao desejo sexual em oposição a Masters and Johnson’s (1966). Alguns estudos relataram o aumento do desejo, da satisfação sexual, frequência sexual, seis semanas após o parto (Gokyildiz & Beji, 2005).

As mulheres que amamentam, quando comparadas com as que alimentam a biberão, mais facilmente sentem decréscimos no funcionamento sexual, especialmente o desejo (LaMarre, Paterson e Gorzalka, 2003; Neves, 2005).

Em oposição ao estudo deste trabalho, Robson et al (1981) não reconheceram nenhuma associação entre a amamentação e a redução da frequência da actividade sexual e no prazer sexual.

A amamentação é um importante factor de influência na sexualidade pós-parto. As mulheres que amamentam (31,3%) referem quase sempre ou sempre satisfação sexual comparativamente a 17, 5% que não amamentam. Para De Judicibus e colaboradores (2002), um dos maiores preditores do desejo sexual é a amamentação. Com que frequência se sentiu sexualmente excitada associou-se positivamente com a Intensidade e prazer do orgasmo (r=.41;p=.01).

Resposta fisiológica comum ao coito e à amamentação incluem a erecção do mamilo, dilatação venosa mamária, aquecimento da mama e contracções uterinas (Newton e Newton, 1967). Ejecções do leite (esguichando ou gotejando) podem ser causados pela excitação sexual bem como pela amamentação (Hames, 1980; Riordan e Rapp, 1980). As carícias à mama e a estimulação do mamilo ocorrem na amamentação tal como nos preliminares do sexo. No presente estudo foi obtido o resultado para com que se sentiu sexualmente excitada e em relação às puérperas que amamentam, associou-se positivamente com dificuldade em atingir o orgasmo (r=.33;p=.008) e negativamente com intensidade em atingir o orgasmo (r=-.29;p=.002). Comparativamente às que não amamentam associou-se positivamente com a intensidade e prazer do orgasmo (r=.41;p=.01). Uma atitude positiva em relação à amamentação tem sido associada ao conforto na sexualidade. Do mesmo modo sentimentos avessos à amamentação têm sido associados a uma aversão à sexualidade (Newton & Newton, 1967). As mães que amamentam relataram muitas vezes excitação sexual durante a função (Master & Johnson, 1966). A excitação sexual, incluindo o orgasmo, estão associados à sucção do bebé que também foi relatada (LaMarre, Paterson e Gorzalka, 2003). A satisfação sexual, no presente estudo, relativamente às puérperas que amamentam, associa-se positivamente com a frequência do desejo sexual (r=.37;p=.001), com a intensidade em atingir o orgasmo (r=.25;p=.02) e associa-se negativamente com a dificuldade em atingir o orgasmo (r=-.41;p=.000). Nas puérperas que não amamentaram, a satisfação sexual associa-se positivamente à frequência do desejo sexual (r=.37;p=.02). Noutros estudos partilham que a relação sexual tende a voltar gradualmente após o parto, oitenta e quatro por cento dos casais relataram uma reduzida frequência de relações sexuais no 4º mês pós-parto (Hyde, Delamater, Plant, & Bird, 1998). Neste âmbito aferiram que 33 das mulheres consideraram o sexo “maioritariamente satisfatório”, enquanto que 40% se queixaram de algumas dificuldades em atingir o orgasmo (Kumar, Brant, & Robson, 1981). No que concerne às mulheres que amamentam, ao segundo mês pós-parto, a dificuldade em atingir o orgasmo associou-se negativamente com a frequência do desejo sexual (r=-.33.;p=.003), com a intensidade e prazer do orgasmo (r=-.36;p=001). Às mulheres que não amamentam associou-se negativamente a intensidade e prazer do orgasmo (r=-.37;p=.02). A análise deste estudo reporta-nos para estudos de resultados em que a excitação sexual, incluindo o orgasmo, foi à sucção do bebé (Heiman, 1963; L’Esperance, 1980; Newton, 1971; Sarlin, 1963; Weichert, 1977; Weisskopf, 1980, Master&Jonhson 1966). Mais frequência do desejo sexual nas mulheres que amamentam, associou-se positivamente com a intensidade e prazer do orgasmo. Algumas mulheres relataram um aumento do erotismo no peito depois da experiência da amamentação (Riordan & Rapp, 1980). Na não amamentação tem um efeito positivo na actividade sexual mas não tem efeitos na resposta sexual ou orgasmo. (Forster et al, 1994).

 

Conclusão

Os resultados deste estudo permitem-nos fundamentar a importância de fornecer à  mulher e ao casal as informações passíveis de mudança no comportamento e ajuste sexual no pós-parto.

Essa informação pode ser útil para evitar receios e medos infundados sobre a relação e consequentemente, o emergir de dificuldades que podem prejudicar o bem-estar do casal. É de salientar que a relação afectivo-sexual é modelada por varíaveis como desejo sexual, satisfação sexual e actividade sexual com coito. As principais conclusões do nosso estudo são:

- Existem diferenças significativas na sexualiadade das mulheres ao segundo mês pós-parto;

- As mulheres que não amamentam têm uma maior frequência nas componentes de excitação e desejo sexual;

- As mulheres que amamentam têm uma maior frequência nas componentes do desejo, intensidade e prazer do orgasmo;

- Existem índices elevados de satisfação sexual, desejo sexual e frequência da actividade sexual com coito, relativamente às mulheres que amamentam e que não amamentam;

- Existem índices mais elevados na componente na intensidade e prazer do orgasmo nas mulheres que amamentam comparativamente às mulheres que não amamentam;

 

Este estudo, pioneiro na temática em Portugal, é acima de tudo um ponto de partida para responder a estas questões. Considera, portanto, terem atingido os objectivos a que se propuseram.

Gostariamos, ainda, de realçar a necessidade de aprofundar estas questões em futuros estudos na àrea da sexualidade feminina e de incluir a triade familiar (mãe, pai e filho), tendo em conta que a sexualidade é uma area transpessoal em que o parceiro não pode estar dissociado desta realidade.

Concluimos reforçando a satisfação deste trabalho académico, bem como o crescimento pessoal que está implicito.

 

Referências Bibliográficas

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Anexos

 

Tabela 1

Amamentação e Não amamentação, Frequência do Desejo Sexual, Satisfação sexual, Frequência da Actividade sexual.

 

 

 

Amamenta (44)

Não Amamenta (36)

M

DP

M

DP

t

Frequência do Desejo Sexual

3,59

1,68

3,41

1,65

0,47

Satisfação Sexual

3,64

1,22

3,33

1,265

1,08

Frequência da actividade sexual com coito

3,59

1,40

3,41

1,64

0,25

 
 
 

Tabela 2

Associações entre a  amamentação; e as dimensões das matrizes abaixo estudadas 
 

 

1

2

3

4

5

6

7

1 Frequência da actividade sexual com coito

-

 

 

 

 

 

 

2 Iniciativas sexuais como costuma responder

.08

-

 

 

 

 

 

3 Com que frequência sentiu sexualmente excitada

.21

.14

-

 

 

 

 

4 Satisfação Sexual

.20

.23*

.18

-

 

 

 

5 Dificuldade em atingir o orgasmo

-.11

-.25*

-.29**

-.41**

-

 

 

6 Frequência do Desejo Sexual

.36**

.27*

.19

.37**

-.33**

-

 

7 Intensidade e prazer do orgasmo

.16

.06

.33**

.25*

-.36**

.34**

-

* p <.05; ** p <.001 
 
 
 
 

Tabela 3

Associações entre a não amamentação; e as dimensões das matrizes abaixo estudadas

 

1

2

3

4

5

6

7

1 Frequência da actividade sexual com coito

-

 

 

 

 

 

 

2 Iniciativas sexuais como costuma responder

.07

-

 

 

 

 

 

3 Com que frequência sentiu sexualmente excitada

.38*

.00

-

 

 

 

 

4  Satisfação Sexual

.26

.04

.23

-

 

 

 

5  Dificuldade em atingir o orgasmo

-.32

.17

-.07

-.31

-

 

 

6 Frequência do Desejo Sexual

.37*

.19

.13

.37*

-.22

-

 

7 Intensidade e prazer do orgasmo

.25

.07

.41*

.26

-.37*

.30

-

* p <.05; ** p <001 
 

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