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domingo, 19 setembro 2010 18:57

Sexualidade pós-parto: a outra face da maternidade

Escrito por 

A sexualidade pós-parto é uma área em desenvolvimento, constituindo um campo importante nas intervenções de Enfermagem

 

Título

Sexualidade PÓS-PARTO: a outra face da maternidade

POSTPARTUM SEXUALITY: THE OTHER FACE OF MATERNITY

Nursing nº260

 

Autora

Florbela Maria Marmou Bia

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação, Centro hospitalar Barreiro Montijo, EPE- Serviço de Medicina Interna

Mestre em Sexualidade Humana

 

RESUMO:

O nascimento de um filho e todas as mudanças decorrentes podem propiciar problemas de cariz sexual difíceis de ultrapassar. O período pós-parto embora seja uma fase de transição implica novos equilíbrios, adaptações e uma nova integração da sexualidade. Os papéis tradicionais: ser mãe e ser mulher podem ser difíceis de conjugar. Igualmente, o período pós-parto pode levar à falta de identificação do papel de " mulher sexuada" podendo este passar despercebido com manifesto declínio da sexualidade. A procriação não é a única nem a principal motivação para a relação sexual entre os seres humanos. A conjugação dos afectos e a possibilidade de partilhar sentimentos e prazer pela intimidade dos corpos são factores importantes a considerar. O enfermeiro tem um papel importante, uma vez que é fundamental dar orientações práticas necessárias à mulher/parceiro e propiciar momentos de reflexão no sentido de facilitar esta fase de transição. As alterações pós-parto bem como as suas implicações na sexualidade devem ser conhecidas para que os casais possam viver esta experiência de um modo gratificante. Se a mulher possuir um bom relacionamento conjugal e familiar e um bom suporte social, estas alterações poderão ser minimizadas e mais facilmente ultrapassadas.

Palavras-chave: Sexualidade pós-parto; Orientações práticas; Papel do enfermeiro.

 

ABSTRAT:

The birth of a child and all the related changes can provide some sexual problems difficult to overcome. Even though the postpartum period is a transition phase it implies news balances, adaptations and a new integration of sexuality. The traditional roles: being a mother and a wife may be difficult to match. Likewise the postpartum period can lead to a lack of identification of the role of “sexual woman” and it can happen that it goes unnoticed but with a notorious decline in sexuality. Procreation itself isn´t the only non the main reason for sexual intercourse among human beings. A combination of affection, the possibility to share feelings and o pleasure though the intimacies of their bodies are important factors tom take into account. The nurse has an important role, as it is fundamental to give practical orientation that every women7partner needs and provide moments of reflection in order to make easier this transition phase. All the postpartum changes, as well as it implications in sexuality, must be acknowledged so that couple can go live through this experience in a rewarding way. If the woman has a good marital and familiar relationship and a good social support, these changes can be minimized and easily overcome.

Keywords: Postpartum sexuality; practical orientation; the nurse´s role.

 

Introdução:

Durante algum tempo, faltou o reconhecimento profissional dos serviços de saúde perante as preocupações sexuais pós-parto, pois concentravam-se exclusivamente no apoio à criança. Hoje em dia, há uma necessidade crescente em abordar o funcionamento sexual da mulher neste período. A adequação sexual a esta nova realidade é influenciada por múltiplas variáveis. É precisamente o funcionamento sexual, as variáveis que podem interferir e o aconselhamento depois do nascimento que irão ser abordados nos capítulos que se seguem, tendo sempre presente o papel do enfermeiro.

A sexualidade pós-parto é uma área em desenvolvimento, constituindo um campo importante nas intervenções de Enfermagem. A literatura evidencia que os valores morais deram origem a uma série de crenças e mitos que conduzem e determinam comportamentos característicos face à sexualidade pós-parto.

Assim, este artigo tem como meta principal actualizar conhecimentos relativamente à sexualidade neste período. Numa perspectiva mais singular dar ao leitor estímulos para ajudar a mulher/parceiro a viver uma conjugalidade feliz e harmoniosa. Espera-se, ainda, que possa servir de apreciação a outros profissionais de saúde que poderão usufruir do conhecimento obtido no presente trabalho de revisão.

Como profissionais de saúde, confrontamo-nos diariamente com dúvidas, angústias e receios, aos quais, nem sempre, somos capazes de dar resposta.

Precisava de falar com alguém que não fosse o meu marido. Sabe, quando tenho relações sexuais, parece que a minha vagina está mais larga… até entra ar.

Às vezes penso que o meu marido não gosta de fazer amor comigo, agora parece que a vagina já não aperta como antes.

Ele já não me liga como antes. Tudo muda…

Tão depressa não penso nisso…

O confronto com estes comentários, todos eles provenientes de mulheres no pós-parto, indicia, desde logo, a nossa insipiência sobre as especificidades no aconselhamento sexual.

Torna-se, portanto, importante descodificar crenças erróneas, mitos e falsos conceitos, uma vez que é do conhecimento geral que estes deterioram a vivência de uma sexualidade feliz e harmoniosa.

A metodologia usada no presente trabalho resultou da relação e integração de conhecimentos que foram sedimentados ao longo do meu percurso profissional, da frequência do Mestrado em Sexualidade Humana e da análise crítica da bibliografia consultada.

O artigo que se segue é constituído por partes distintas. Inicialmente, procederei à descrição da sexualidade materna ao longo dos tempos, de seguida far-se-á referência a alguns factores que interferem na sexualidade pós-parto. Posteriormente, realçarei o papel do enfermeiro nas orientações práticas da Sexualidade Pós-parto e por último surgem as considerações finais.

 

Sexualidade PÓS-PARTO: ser mãe e ser mulher

A sexualidade materna ao longo dos tempos

Na Antiguidade, Aristóteles acreditava que a reprodução fazia parte de um dos instintos primordiais que levavam o homem e a mulher a associar-se mutuamente, considerando a formação de casais com vista à reprodução uma função inerente à espécie humana. Hierarquiza a relação entre os géneros, de modo que o homem domina e a mulher é dominada. A função da mulher seria a educação dos filhos e a administração doméstica1.

Segundo a Bíblia, a culpa oriunda do pecado cometido por Adão e Eva foi transmitida como herança para toda a humanidade. Deus tinha destinado a procriação aos seus primeiros semelhantes, contudo, de uma forma mecânica, sem prazer e sem pecado. O sexo era a causa do pecado original, por isso a humanidade herdou esta natureza intratável do instinto carnal, como também a vergonha consequente do coito. A maternidade foi o castigo dado ao pecado de Eva: “Darás à luz com dor”. Em Timóteo pode ler-se: “Não permito que nenhuma mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem”. Ela deve guardar silêncio porque Adão foi criado primeiro e depois surgiu Eva. Adão não foi seduzido, Eva foi seduzida, transformando-se em transgressora2.

Os séculos XIV a XVIII foram quatro séculos marcados pela perseguição às mulheres. Estas eram acusadas de adultério, quando casadas, e de atraírem o demónio para com elas copular2.

Na segunda metade do século XVIII, descobriu-se que a mulher era fértil e participava na fecundação com contribuição igual à do homem. O parto era um tema tabu e a mulher grávida ignorava o que lhe ia acontecer. As mulheres casadas não deveriam ouvir falar das suas funções genitais3. Paradoxalmente, a maternidade era, ao mesmo tempo, idealizada e motivo de vergonha. O sexo no matrimónio continuava unicamente procriativo.

No final do século XIX, o mundo começou a reagir com indícios de um novo tempo. A origem do homem tinha uma nova interpretação: era o evolucionismo de Charles Darwin, concebendo o divórcio definitivo entre a sexualidade e a reprodução; além de a distinguir da procriação, separa-a do pecado e um conceito novo surge, vinculando-a ao prazer2.

Sigmund Freud aparece no meio deste cenário de transformação de conceitos sobre o homem e a sociedade. Freud enfatizou o prazer com ou sem intenção de procriar e ainda acusou a ideia de pecado como causador de muitas doenças e distúrbios no ser humano4.

Com a invenção da pílula, no início dos anos 60 do século XX, surge a possibilidade da mulher controlar a sua própria fecundidade e desfrutar do prazer da sexualidade sem risco de uma gravidez não desejada. Hoje em dia são direitos fundamentais do ser humano, reconhecidos internacionalmente e integrados na Lei dos mais variados países5. Em Portugal, estas garantias foram reforçadas pela Lei nº 120/99, de 11 de Agosto6.

Ao longo dos tempos geraram-se, assim, muitos tabus na sexualidade humana. A gestação é um dos períodos de maior dificuldade de abordagem, principalmente devido à repressão e à negação da existência da sexualidade neste período da vida do casal 7.

 

Factores que interferem na sexualidade pós-parto

A sexualidade feminina é um fenómeno complexo, com determinantes multifactoriais, podendo a actividade sexual ser desencadeada por motivações não necessariamente sexuais, envolvendo factores psicológicos, socioculturais e relacionais8.

 

1.2.1 Factores físicos

Pavimento pélvico

A passagem do feto pela vagina durante o parto natural, mesmo num períneo intacto, pode levar a impactos pélvico-perineais na mulher9.

A manutenção da anatomia pélvico-perineal da mulher depende de três sistemas sinérgicos: um sistema de suspensão constituído por ligamentos, um sistema coesivo composto de fáscia, tecido conjuntivo localizado entre as diferentes vísceras, e um sistema muscular constituído essencialmente pelos músculos elevadores do ânus. O parto altera o equilíbrio delicado desses três mecanismos: estiramento das estruturas ligamentares, lesões ao nível das fáscias, desenvolvendo alterações na dinâmica dos órgãos e no tónus dos músculos do períneo9

No momento do parto, os músculos localizados na região anal alargam-se com a distensão que ultrapassa os nove centímetros em vez dos quatro a cinco centímetros habituais. Esta distensão é acompanhada de um alongamento obrigatório (e, por vezes, de uma lesão muscular), das fáscias elevadoras e das fáscias construtoras. A tonicidade perineal encontra-se alterada devido a uma distensão excessiva e a um relaxamento das fibras musculares perineais, podendo provocar uma perda de sensibilidade local37. Qualquer alteração no tónus dos músculos que formam o pavimento pélvico pode vir a ser causa de vaginismo ou anorgasmia durante o coito10.

Segundo Leroy, especialista em reeducação perineal, nem sempre há recuperação a 100 por cento da tonicidade muscular da zona pélvica11. Apesar de a cesariana não representar baixo risco, a gravidez pode ser a responsável pela dessolidarização das fáscias, devido ao efeito do peso e volume uterino12.

A passagem do feto provoca estiramento da face anterior da vagina, local da fáscia de Halban, podendo ser responsável por anorgasmia secundária ou dificuldade em obter orgasmo12. Apesar da sua participação no orgasmo, não nos podemos esquecer que seria ilusório imaginar que chega ter “um períneo tónico” para a mulher atingir um orgasmo11.

As lesões internas da vagina são, regra geral, superficiais e cicatrizam rapidamente, no entanto, pode haver rasgaduras dos pequenos e grandes lábios que, apesar de dolorosas, também cicatrizam depressa devido à boa vascularização local. Nas lesões perineais evidentes são visíveis rasgaduras mais ou menos graves, ou não evidentes com destruição do núcleo central do períneo, mesmo com conservação da integridade cutânea. Isto explica o porquê da ausência de correlação evidente entre traumatismo aparente e sequelas funcionais12.

São necessárias cerca de três a seis semanas para que a episiotomia e as lacerações que ocorreram na vagina e/ou no períneo cicatrizem13. Outros autores referem que, por volta da terceira semana, a sutura perineal está cicatrizada e assintomática14.

A problemática sexual do pós-parto ultrapassa as fronteiras da mecânica e da cirurgia obstétrica15.

 

Hormona

A gravidez, o parto e o período pós-parto provocam variações hormonais profundas comparáveis à adolescência e à menopausa, embora num período de tempo mais curto, portanto mais agudo12.

A regulação hormonal é feita através de um sistema de “feedback” muito bem afinado. O hipotálamo é o centro de comando global que envia uma hormona de libertação (GnRH ou hormona de libertação de gonadotrofinas) para a hipófise. Este é o sinal para a hipófise libertar duas hormonas: FSH (hormona folículo-estimulante) e LH (hormona luteinizante). Estas denominam-se gonadotrofinas, ou seja, hormonas que controlam a função das glândulas sexuais ou gónadas. Concentrações elevadas de estrogénios e progestagénios no sangue inibem a libertação de gonadotrofinas, enquanto que concentrações baixas de hormonas sexuais estimulam a hipófise para aumentar a sua produção de hormonas16.

Existe também, um conjunto dos mecanismos hormonais e neurais que estão envolvidos na fisiologia da lactação, designadamente os estrogénios, progesterona, cortisol, hormona lactogénea placentária, insulina e prolactina. Estas hormonas actuam concertadamente para a estimulação da lactação44. Depois do parto, os valores de estrogénio e progesterona diminuem de forma radical, paralelamente, os valores de prolactina aumentam12,18.

O défice de estrogénio e progesterona e o aumento de prolactina são factores de redução da resposta sexual na mulher no pós-parto, contribuindo para a insuficiente congestão e lubrificação vaginal12, 13, 18. Os estrogénios são responsáveis pela elasticidade e viscosidade da pele e da mucosa vaginal. O seu défice leva à dispareunia por secura vaginal e, consequentemente, a uma diminuição da libido a longo prazo19.

A prolactina tem um papel muito importante na excitação sexual pós-parto, sendo esta um factor de estimulação sexual20, 21. Os picos da prolactina podem actuar no hipotálamo, inibindo a secreção do GnRh16, 22. Na ausência dessa hormona, a secreção do leite não acontece; contudo, mesmo com níveis altos de prolactina durante o terceiro trimestre, a secreção do leite não ocorre senão depois do parto, devido ao efeito bloqueador dos níveis altos de estrogénios16.

A percentagem das mulheres que não amamentam e voltam a menstruar aumenta linearmente até à décima segunda semana, período em que setenta por cento terão reiniciado a menstruação. Entre as mulheres que amamentam, a retoma da menstruação é mais tardia. Cerca de setenta por cento das mulheres terão menstruado em torno da trigésima sexta semana pós-parto16. A ovulação retorna aproximadamente trinta a sessenta dias após o parto; oitenta a noventa por cento ovulam no primeiro ciclo. Na ausência da menstruação, cem por cento das mulheres permanecem anovulatórias três meses e, noventa e seis por cento, seis meses após o parto23. Nas mulheres que amamentam, a prolactina é responsável pela persistência da anovulção16, 22.

As queixas associadas às relações sexuais são mais comuns na mulher que amamenta ou no caso de existir um longo período entre o parto e a primeira relação sexual44. As mudanças hormonais associadas à amamentação provocam baixo nível de estrogénios. Para algumas mulheres, isso pode resultar em secura vaginal e relações sexuais desconfortáveis16.

As respostas fisiológicas ao coito e à amamentação são comuns, uma vez que incluem a erecção do mamilo, dilatação venosa mamária, aquecimento da mama e contracções uterinas16. As ejecções do leite (esguichando ou gotejando) podem ser causadas pela excitação sexual bem como pela amamentação. As carícias à mama e a estimulação do mamilo ocorrem na amamentação tal como nos preliminares do sexo7.

Uma atitude positiva em relação à amamentação tem sido associada ao conforto na sexualidade. Do mesmo modo, sentimentos adversos à amamentação têm sido associados a uma aversão à nudez e à sexualidade. As mães que amamentam relataram, muitas vezes, a presença de excitação sexual durante a função.A excitação sexual, incluindo o orgasmo, associada à sucção do bebé também foi relatada por algumas mulheres7, 24, gerando, muitas vezes, culpa e ansiedade20.

 

Sistema neuronal

A revisão da literatura mostra que existe uma íntima relação entre os neurotransmissores e a sexualidade, sendo que os mecanismos neuronais estão envolvidos na fisiologia da sexualidade. Muitos autores25, 26, 27 relatam que a sexualidade começa no cérebro, uma vez que os estudos indicam que determinadas áreas cerebrais são activadas durante a resposta sexual.

O sistema límbico é responsável pelas emoções e está directamente relacionado com a sexualidade. Nas pessoas que são sexualmente saudáveis, as imagens eróticas activam as regiões límbicas e paralímbicas, que se pensa serem importantes para a motivação sexual, e áreas parietais (entre outras), que modulam respostas emocionais e motoras. Neste processo, existem, ainda, regiões inibidoras específicas que desactivam tais respostas28.

Os órgãos sexuais do homem e da mulher são enervados pelo sistema nervoso simpático (D 10 a L2)1 e parassimpático (S2 a S4). O plexo pélvico tem ligações com as vias sagradas (S2 a S4) através dos nervos pélvicos motores e sensitivos. Os neurónios motores lombo-sagrados recebem estímulos oriundos do Sistema Nervoso Central sob a forma de imagens mentais ou de estimulação sensorial não-táctil27. A actividade sexual com orgasmo leva à regulação da neurotransmissão central, resultando numa melhor função psicofisiológica 29.

Os neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a acetilcolina podem ter acção positiva ou negativa sobre a sexualidade, no que diz respeito à sua influência sobre a resposta sexual. Sabe-se, por exemplo, que a utilização de drogas que aumentem a disponibilidade da serotonina pode levar a alterações sexuais, como diminuição do desejo sexual e perturbações da excitação e orgasmo30.

 

1.2.2 Factores psicológicos

O período pós-parto é considerado um período de elevado risco psicológico na vida da mulher. Nos primeiros seis meses após o parto, a incidência de alterações psicológicas é superior à de outros períodos da vida, nomeadamente a gravidez.

Há a distinguir os distúrbios do humor, que incluem a melancolia da maternidade, o denominado baby blues, que se caracteriza por um distúrbio de labilidade transitória de humor entre o terceiro e o quinto dia após o parto, geralmente tem remissão espontânea31.

Algumas mulheres manifestam estados depressivos nos primeiros três meses após o parto. A sintomatologia pode ser disfarçada por uma dimensão ansiosa, irritabilidade e alguma agressividade até então não habituais32. O conflito entre o casal e a possível deterioração da sua relação após o parto poderão estar também associados à depressão, nesta fase33.

A maioria das depressões ocorre durante o período pós-parto20. O nascimento tem repercussões em todo o sistema familiar que envolve a mulher, especialmente na interacção com o seu bebé. Na génese da depressão pós-parto tem importância a ausência de suporte familiar, em particular do companheiro e de figuras femininas significativas (familiares ou amigas) e ainda a inexistência de ajuda prática efectiva34.

A prevalência de depressão pós-parto no nosso país (entre os 2 e 5 meses) foi avaliada numa área urbana, tendo sido estimada em 13,11 por cento36. A depressão ocorre com maior frequência nos primíparas34.

A este propósito, Figueiredo33 refere que, nos primeiros seis meses após o parto, as alterações psicológicas na mulher são superiores às de outros momentos da sua vida, sendo que as primíparas têm cerca de duas vezes mais probabilidades de desenvolverem perturbações psicológicas do que as multíparas.

A depressão constitui um importante preditivo da redução do desejo, satisfação sexual e frequência das relações sexuais no pós-parto35. Num estudo de Augusto et al36, o adiar das relações sexuais foi associado a problemas ou preocupações psicológicas da mulher.

Nos Estados Unidos, está presente em pelo 10 a 20 por cento das mulheres nos seis primeiros meses pós-parto, elevando-se esta taxa para 20 por cento em mulheres com história de depressão pós-parto anterior37.

A psicose pós-parto também pode ocorrer, no entanto, é considerada mais rara, afectando uma a duas em cada mil mulheres, apresentando uma maior incidência em primíparas38. É igualmente importante a distinção destes distúrbios do humor no pós-parto, pois podem trazer consequências a longo prazo, afectando o desenvolvimento social e psicológico da criança39.

 

Outros 

Sociedade, cultura, crenças e tabus

Como já  foi referido anteriormente, muitas atitudes e práticas são o resultado de tradições e tabus sociais. Entre muitas sociedades há um forte tabu sexual durante o pós- parto e o período de lactação40.

Para a maior parte das civilizações, a proibição das relações sexuais após o parto durava até ao desmame, frequentemente muito tardio41. Na Pérsia antiga, qualquer relação sexual antes do 40º dia após o parto era punida com a morte, quer do homem quer da mulher42. Na tradição Islâmica, o homem não deve ter relações sexuais com a sua mulher durante a menstruação (cerca de 10 dias) e após o parto (no máximo de 40 dias), embora as relações sejam permitidas quando as perdas sanguíneas cessarem. É considerado que o sexo na presença de sangue vaginal é prejudicial e a relação é permitida apenas quando a mulher está limpa43.

Muitas destas crenças permaneceram até aos nossos dias, no entanto, existem algumas tendências para a mudança, pois surgiu informação científica mais rigorosa acerca do risco colocado pela actividade sexual pré e pós-natal, tendo estes tabus sido consideravelmente postos de parte na última metade do século XX 20.

Por outro lado, as culturas ocidentais aproximam-se e concentram-se na criança40, esperando que a recém mãe tenha retornado ao normal depois da consulta pós-parto2. As necessidades da mulher são desvalorizadas em função do recém-nascido e nem sempre tem a ajuda e o apoio de que necessita.

 

Adaptação a novos papéis

No sexto mês pós-parto, a qualidade do papel da mãe está fortemente relacionada com as medidas de sexualidade35. O ajustamento às mudanças do papel social (papel de mãe, papel profissional) na adaptação ao papel materno, satisfação conjugal, fadiga e a amamentaçãoinfluenciam a vivência da sexualidade do casal35, 45. A dicotomia da imagem da esposa como mãe em contraste com sua imagem de objecto sexual pode reduzir o desejo sexual de ambos os parceiros20.

 

Conjugalidade

A sexualidade é crucial para a comunicação e a afirmação do amor, confiança e compromisso no casal. O sucesso matrimonial e a felicidade dependem muito de um relacionamento sexual seguro e satisfatório46,47, todavia a relação sexual do casal pode nunca recuperar após o nascimento de um bebé.

As dificuldades sexuais sentidas por mães recentes e/ou pelo seu parceiro podem causar angústia (“distress”) devido, em parte, à influência da sexualidade na qualidade de vida, no bem-estar físico, mental e conjugal. Esta última questão tem muitas implicações, como falta de comunicação e compreensão acerca do relacionamento sexual de cada um e, consequentemente, pode levar a maiores problemas conjugais24,45.

 

Orientações práticas na Sexualidade Pós-parto

O enfermeiro, como membro da equipa de saúde, tem um papel fundamental no aconselhamento e esclarecimento de dúvidas, com o objectivo de prevenir problemas e angústias decorrentes deste período crítico que é o pós-parto. Para tal, é necessário que esteja permanentemente actualizado e formado na área da sexualidade humana.

Há ainda técnicos de saúde com falta de conhecimentos e escassas capacidades clínicas para transmitir informação pertinente sobre sexualidade pós-parto aos seus pacientes17. As mulheres sexualmente activas e as mulheres com disfunção sexual que procuram ajuda para este tipo de problema foram de 15,7 por cento e 18,2 por cento, respectivamente30.

Barret et al9 referem que apenas 15 por cento das mulheres no pós-parto relatam ter discutido os problemas sexuais com os profissionais de saúde. A maioria das mulheres falam de contracepção, mas raramente abordam a relação sexual48. Mesmo quando as mulheres sentem necessidade de ajuda ou conselhos por causa de um problema sexual, apenas uma minoria procura os profissionais de saúde48.

Acresce, ainda, referir a escassa atenção dada às mudanças na sexualidade, à sua magnitude. A falta de formação envolvendo os factores que podem contribuir para estas mudanças, cuja sexualidade parece ser particularmente vulnerável 1.

A falta de conhecimento sobre a própria sexualidade, a desinformação sobre a fisiologia da resposta sexual, problemas de ordem pessoal e sobretudo conflitos conjugais são capazes de desencadear sérios problemas emocionais nas mulheres e, consequentemente, alterar a sua resposta sexual49. Assim sendo, a informação/aconselhamento sexual ou a terapia sexual poderão reverter ou atenuar os problemas.

A desmistificação da normalidade, a flutuação do interesse sexual e satisfação no pós-parto, as sugestões para posições alternativas ao coito e opções não coitais para a expressão da intimidade, do afecto e do prazer mútuo, que podem enriquecer bastante a qualidade da experiência da maternidade e os laços familiares e maritais.

As mulheres podem descobrir formas de apreciar prazer. Estas podem ser ensinadas a observar os órgãos genitais e reconhecer a multiplicidade de sensações possíveis, obviamente sem contrariar o seu sistema de valores. Para que o prazer erótico seja desenvolvido, é importante ter em consideração os facilitadores para o desenvolvimento do potencial orgástico, incluindo automanipulação e autoprazer50.

Apesar de as mulheres serem capazes de obter orgasmo através da relação sexual51, a estimulação do clítoris surge principalmente para desencadear o orgasmo, mesmo durante a relação52. Esta prática é considerada como um aspecto normal do funcionamento sexual feminino. No entanto, a capacidade de ter orgasmos através da masturbação, ou seja, orgasmos não coitais, pode ser a causa de angústia pessoal de muitas mulheres que não conseguem obter orgasmos através do coito51.

Apesar das reduções na intensidade da resposta sexual em todas as fases do ciclo sexual, a mulher mantém a sua capacidade orgástica, desde que estejam preservadas a capacidade de comunicação entre os parceiros e feitas as adaptações necessárias ao processo de envelhecimento, bem como a regularidade de um desempenho sexual efectivo53.

Os casais devem ser informados que o prazer aumenta com a variação no toque, sendo esta uma forma de evitar a habituação, fenómeno decorrente da contínua estimulação no mesmo local, que causa a activação total dos receptores nervosos, incapacitando-os de transmitir novas sensações.

A mulher deve saber que a relação deve proporcionar prazer podendo, como consequência, ser orgástica. É importante que a mulher saiba que prazer não é sinónimo de orgasmo. A mulher pode sentir-se realizada sem obtenção de orgasmo. O clítoris funciona como um gatilho que difunde o orgasmo pela plataforma orgástica, da qual a vagina faz parte, resultando em contracções vaginais. Não existe orgasmo vaginal e clítoriano sendo que, na realidade, o orgasmo é um só.

O exame físico será importante para avaliar os sinais e sintomas neurológicos, cicatrizes que indiquem cirurgias anteriores e patologias endócrinas. Em situações raras, podem observar-se aderências prepúcio-clitorianas e “fimose do clítoris”, que irão dificultar a resposta orgástica54.

Os exercícios de Kegel devem ser iniciados antes da alta hospitalar13. Muitas grávidas, que não restringiram o peso aos tradicionais 10 quilos, acham a obesidade pós-parto um verdadeiro problema. Apesar de uma dieta inicial ser prudente, é mais realista deixar a mulher fixar os seus objectivos. Uma dieta nutritiva, exercício, descanso, relaxamento, todos são necessários para uma boa recuperação física46.

O marido é  tradicionalmente relegado para um papel secundário e tangencial, pelo que deve acompanhar a mulher e ser inserido na prestação de cuidados ao recém-nascido. Apesar de não ser o cerne deste trabalho, há a referir a escassez de estudos relativamente às vivências sexuais dos jovens pais. O homem vai ter de se situar, novamente, na dinâmica familiar, uma vez que o recém-nascido mobiliza a atenção da companheira12. O pai pode sentir-se excluído desta relação simbólica, especialmente se a mulher amamenta. O jovem pai, no caso de ter assistido ao parto, pode ter sido perturbado pelo aspecto da vulva da sua esposa com sangue, penetrada por dedos desconhecidos, distendida para deixar passar o bebé, cortada e rasgada. Se o pai esteve ausente, tudo se passa no seu imaginário, o que nem sempre é mais fácil do que a realidade.

A mulher deve ser informada acerca dos cuidados perineais, deve ser aconselhada a observar-se e a familiarizar-se com a vulva modificada, permitindo uma avaliação objectiva da lesão (no caso de esta existir) ou dilatação imaginada. Se a mulher se conhecer ao nível físico, poderá mais facilmente acalmar o seu companheiro sobre a manutenção da sua capacidade erótica12.

Também  é importante avaliar as alterações psicológicas. A depressão pós-parto constitui uma variável psicológica de peso, pelo que o enfermeiro deve detectar precocemente este risco e, se necessário, fazer o encaminhamento da mulher para uma consulta específica na área. As mulheres devem ser aconselhadas a contactar os técnicos de saúde se os sentimentos de depressão persistirem além do quinto dia55.

Quando se faz uma abordagem das consequências de uma doença sobre o funcionamento sexual, importa ter em consideração os seus efeitos físicos directos e os seus aspectos psicológicos associados25.  

A avaliação da esfera sexual deve incidir sobre57:

- A dimensão funcional, ou seja, as capacidades neurofisiológicas residuais inerentes à resposta sexual e reprodução (potencialidades que o sujeito tem);

- Os padrões de comportamento sexual já experimentados após a ocorrência do problema, o grau de satisfação sexual, a dinâmica relacional e comunicacional com o parceiro/a (o que o sujeito faz com o que tem);

- O tipo de crenças e expectativas pessoais/conjugais em relação à sexualidade, estereótipos, valores, papéis, auto-conceito e imagem corporal (o que o sujeito pensa e de que forma o faz);

-Que mudanças ocorreram na relação do casal e que comportamentos foram experimentados para a sua resolução? 
  

As respostas a estas questões permitem apurar a existência ou não de problemas potenciais e/ou reais. Neste contexto, há ainda o estudo do estado físico geral, a existência de patologia psiquiátrica, o uso de medicamentos ou outras substâncias químicas, os métodos anticoncepcionais e o planeamento familiar. Outro aspecto igualmente importante, que nunca deve ser esquecido é a existência de motivação válida para o tratamento 57, 58, 59 e a participação e envolvimento dos dois parceiros neste processo.

Pode-se averiguar a história de masturbação e tratamento de infertilidade prolongada, a história do relacionamento do casal, a educação com mensagens anti-sexuais, a história familiar, o relacionamento com os progenitores, as fantasias sexuais e escolha dos parceiros, as fantasias sexuais parafílicas, a sensibilidade à rejeição e o tipo de relacionamento actual60.

Os dados colhidos, tendo em conta as questões supracitadas, são a base de informação que permite seleccionar objectivos, estratégias e intervenções, eliminando ou minorando as dificuldades ou disfunções sexuais.  

 

Conclusão:

A sexualidade materna, numa sociedade conservadora como a nossa, é um assunto, muitas vezes, evitado pelos pacientes e pelos profissionais de saúde. Iniciam-se, assim, muitos problemas sexuais e experiências negativas durante a gravidez e depois do parto, que se tornam difíceis de tratar.

Embora a concepção actual de sexualidade seja mais abrangente, a sexualidade depois do parto é fortemente influenciada por múltiplos aspectos. O impacto adverso das perturbações psicológicas no bem-estar materno, na relação conjugal e no desenvolvimento do bebé são factos a considerar. É de extrema importância detectar e prevenir o mais precocemente, situações de risco, de modo a contribuir para que as mulheres usufruam desta etapa tão especial com alegria e sexualidade saudável. A literatura demonstra, ainda, o forte pendor dos factores físicos, a influência da sociedade, cultura, crenças e tabus e a adaptação a novos papéis.

O enfermeiro tem, assim, a missão de ajudar a mulher/parceiro na busca da felicidade sexual, transmitindo informação que vise a mudança de comportamentos e a adopção de estilos de vida saudáveis.

 

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