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Transições e Contextos Multiculturais

Escrito por  Editora Formasau

"Definir domínios do conhecimento implica identificar especificidades e afirmar “territórios” do saber constituído."

 

 

 

TRANSIÇÕES E CONTEXTOS MULTICULTURAIS - CONTRIBUTOS PARA A ANAMNESE E RECURSO AOS CUIDADORES INFORMAIS

 

Autor: Wilson de Abreu
Editora: Formasau
Ano de edição: 2008

 

 

SUMÁRIO

 

1. INTRODUÇÃO  
2. DISCIPLINA DE ENFERMAGEM: DIMENSÕES SOCIOCULTURAIS 
3. ENFERMAGEM E TRANSIÇÕES. O EU, O MEIO, O SUPORTE E O COPING 
4. CONTRIBUTOS DA ANTROPOLOGIA E DA SOCIOLOGIA DA SAÚDE 
5. CONTEXTOS E TRANSIÇÕES: UMA ABORDAGEM BIOECOLÓGICA  
6. CUIDADOS CULTURAIS OU DIMENSÕES CULTURAIS DOS CUIDADOS? 
7. CUIDAR DE UTENTES EM TRANSIÇÃO: A AVALIAÇÃO INICIAL  
8. PROMOVER A PARTICIPAÇÃO DOS CUIDADORES INFORMAIS 
9. CONCLUSÃO 
10. BIBLIOGRAFIA  
 

Há textos que vale a pena ler e analisar. A presente obra, redigida por Wilson Abreu, é um exemplo de um texto que vale pelo seu conteúdo, pela forma objectiva como são explicitados os assuntos e pela posição crítica que emerge ao longo de todo o texto. Num momento em que a sociedade científica de Enfermagem discute quais devem ser os focos da atenção da disciplina, o autor faculta-nos uma oportunidade e um espaço para aprofundar temáticas tais como as transições, o prestador de cuidados ou mesmo a diversidade cultural e para analisar as diversas teorias explanatórias sobre estas mesmas temáticas.

A obra é redigida a partir de reflexões sobre diversos casos de transição analisados em estudos anteriores, alguns dos quais no decurso de trabalhos de campo com utentes e famílias com diferentes padrões culturais e religiosos. Tem por objectivo, tal como refere o autor, aprofundar conhecimentos e métodos em matéria de avaliação inicial dos utentes, explorando realidades que possam suscitar uma avaliação inicial mais consistente e também um espaço de interacção com os cuidadores informais.

Wilson Correia de Abreu convida-nos a enveredar por um enfoque que sintetiza, na sua perspectiva, o fundamental da atenção dos enfermeiros. As intervenções em enfermagem são analisadas através da problemática das transições. Colocando-se no quadro analítico proposto por Meleis, considera que assistir utentes em processos de transição constitui o papel mais relevante da disciplina de enfermagem; a enfermagem teria como propósito facilitar os processos de transição, no sentido de se alcançar um estado de bem-estar. Recorrendo às palavras do próprio autor, a transição é uma passagem ou movimento de um estado, condição ou lugar para outro. Ao corroborar os estudos de Schlossberg, Bronfenbrenner e Meleis, sublinha-se que todos os processos de transição estão relacionados com mudança e desenvolvimento.

Definir domínios do conhecimento implica identificar especificidades e afirmar “territórios” do saber constituído. Wilson Abreu explora uma das dificuldades com que, a meu ver, se confrontam as diversas perspectivas que tentam derimir argumentos em torno de uma Enfermagem Avançada – a especialização, o aprofundamento de competências e a expansão do saber. Analisa os conceitos centrais da disciplina de enfermagem – Utente, Transição, Interacção, Processo, Meio, Assistência e Saúde. A originalidade da abordagem que apresenta reside no entanto no prisma que elege para o seu olhar – o olhar antropológico, o qual está presente na estratégia de operatividade que está intrínseca ao roteiro para a anamnese. Este conciliar de uma perspectiva sempre ideológica (presente nas abordagens antropológicas) com uma perspectiva pragmática de quem tem necessidade de lidar no terreno com diferenças culturais, tornam aliciante e mesmo importante a leitura desta obra, designadamente para todos quantos tenham necessidade de compreender e dissecar as transições humanas.

Não há diagnóstico de enfermagem sem anamnese. Wilson Abreu sublinha (e bem) que “no processo de anamnese, o enfermeiro e o utente relembram todos os factos que se relacionam não só com a doença, mas também com o conjunto das respostas humanas e estilos de vida que permitam compreender o estado de saúde”.

Torna-se para mim mais clara, após a leitura atenta desta obra, a necessidade da escola contribuir de forma mais consistente para o ensino da “prestação de cuidados de enfermagem culturalmente consistentes e competentes”.

Esta obra, redigida por Wilson Abreu, será um instrumento de trabalho e uma referência essencial para a formação dos estudantes de enfermagem e dos enfermeiros.

 

Paulo Joaquim Pina Queirós


In Prefácio

 



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