Social:

Parceria e Cuidado de Enfermagem

Escrito por  Editora Formasau

A problemática da parceria é recente, tão recente quanto a emergência da preocupação social em tomo da assumpção do cidadão como actor de decisão em diferentes espaços da vida económica, politica e social, quer como sujeito individual, quer como sujeito colectivo

 

 

Parceria e Cuidado de Enfermagem

 

Autores: Ressureição Carvalho, Idalina Gomes, Rogério Dinis, Cristina Mesquita, Maria Guadalupe Mestrinho; Coordenação: Idalina Gomes 
Editora: Formasau 
Ano de edição: 2007 
 
Preço de Lançamento: 12.5 € 
 
O livro agora lançado é uma colectania de textos oriundos de teses de mestrado desenvolvidas por Enfermeiros e constitui-se como um documento de referência de uma matéria tão importante como esta das parcerias interpessoais e interinstitucionais de natureza educativa e de relação terapêutica com os clientes.

Esta colectânea aborda: " A participação do Doente no Processo de Cuidados de Enfermagem – Da passividade à participação activa no seu processo de cuidados", da autoria de Maria Ressurreição Silva Carvalho, Enfermeira e Professora da Escola Superior de Enfermagem de S. José de Cluny do Funchal e " O conceito de Parceria na Interacção Enfermeiro/Doente Idoso – da submissão à acção negociada",   da autoria da Enfermeira e Professora Idalina Gomes, da ESEMF Resende, " A Familia do Idoso Internado: O Parceiro Esquecido?!, da autoria de Rogério Dinis da ESESV Paulo; "Empowerment e Associativismo no Doente Crónico" da autoria de Ana Cristina Mesquita, Enfermeira Supervisora do Hospital Sta. Maria e por último as "Parcerias na Formação inicial de Enfermeiros. Das Origens à Implementação", da autoria de Maria Guadalupe Mestrinho, Enfermeira Professora na ESECG em Lisboa.

A problemática da parceria é recente, tão recente quanto a emergência da preocupação social em tomo da assumpção do cidadão como actor de decisão em diferentes espaços da vida económica, politica e social, quer como sujeito individual, quer como sujeito colectivo. A compreensão das dinâmicas de transacção que se processam entre os indivíduos e os sistemas é central na elucidação das modalidades de colaboração que se instituem entre eles.

Poderíamos ser levados a pensar que o exercício da cidadania e a consequente problematização da parceria se iniciou no âmbito da saúde, por parecer necessária e evidente a colaboração entre os profissionais e a pessoa que se confronta com a doença, o sofrimento e a morte. Mas ao atentarmos que a ideia de parceria se engendra nas organizações e estruturas produtivas, configurando-se como um instrumento capaz de lidar com os conflitos sociais, compreende-se melhor quando e como se iniciou este debate nos sistemas de saúde.

Foi ao nível dos discursos normativos e legais, num primeiro tempo, que se traduziram as preocupações relativas a participação dos actores no sistema socio-institucional da saúde, longe do questionamento dos modelos assistenciais dominantes nas organizações. Não deixa de ser um modo importante na abordagem da regulação das relações, nomeadamente das relações de poder dos sistemas de saúde com os outros sistemas sociais, quer pelo debate quer pelas recomendações sugeridas. É promovida a visibilidade dos actores implicados (para além dos tradicionais profissionais de saúde) e a sua participação efectiva (com que competência, pode perguntar-se) no processo de decisão, sobretudo no plano político e da organização do sistema de saúde, o que não é de somenos importância.

A interrogação das práticas clínicas e de gestão e o consequente reequacionamento do estatuto do doente nas tomadas de decisão são uma realidade a partir da década de 90. São investigações muito significativas e representam, também outros tantos esforços de intervenções inovadoras, capazes de instituir relações em que os interesses dos diferentes actores, em vez de serem ocultados, são expressos, assumidos e tomados em conta. São investigações que mobilizam novas concepções da saúde, dos sistemas e dos espaços de prestação de cuidados, bem como solicitam o aprofundamento dos modelos formativos capazes de habilitar os profissionais de saúde e, simultaneamente, de promover outras (des) construções identitárias.

Assim, estamos perante um conjunto de percursos apostados em questionar e dar visibilidade à participação dos clientes dos cuidados de enfermagem nos seus processos de saúde. Interrogam o modo como as práticas clínicas e os profissionais exercem essa relação de parceria e que sentido lhes é atribuído. Analisam o estatuto dos vários actores e a função dos contextos da saúde na formação de enfermeiros, o que significa interpelar os modelos de formação em enfermagem em uso. Interrogam o papel da pessoa (adulta, idosa) doente/família no seu projecto de saúde quando hospitalizado e como participam no processo de cuidados prestados pelos enfermeiros. Perguntam-se sobre o lugar/poder do associativismo dos doentes no sistema de saúde.

A compreensão a que chegaram os autores e o modo como a descrevem, suscitam questões cuja pertinência tomam imperativa uma análise e reflexão das concepções e práticas inerentes a saúde, da organização de contextos e redes que as podem viabilizar. A leitura desta obra é uma condição insubstituível nos processos de análise e reflexão capazes de mudança e inovação.

 

Teresa Rebelo 

 



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