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terça, 08 março 2011 23:47

Emigrar para Espanha

Escrito por 

Testemunhos na primeira pessoa de colegas que decidiram emigrar para Espanha

 

Marisa Araújo

Galiza

 

Sempre tive a ideia, durante os primeiros anos de curso e mesmo antes de começar a estudar Enfermagem, que conseguiria trabalhar perto de casa ( 100 km de diâmetro), e assim teria tudo: um trabalho que adoro e estar perto dos meus. Cheguei aos últimos anos do curso e tive consciência que não ia conseguir trabalho.

Estive o último ano do curso a pensar no que ia fazer, e comecei a pensar que se emigrasse por uns anitos, seria bom, conhecer um país novo, e se possível ganhar um salário melhor relativamente ao que pagam em Portugal.

Nem concorri por Portugal. Virei me directamente para Galiza. Mas não tive sorte. Passados 6 meses em casa, sem encontrar nada e concorrendo por Espanha, decidi meter-me num avião rumo a Girona (Catalunha), para uma entrevista em Berga. Aluguei um carro, e junto com o meu irmão, distribui os CV por Barcelona e arredores, durante 4 dias e tive a minha primeira entrevista. Voltei a Portugal e 5 dias depois ligam-me para uma entrevista. Marquei viagem direcção Reus, numa semana tive duas entrevistas. Foi a terceira proposta que aceitei. Ainda cá estou, já lá vão 2 anos, na província de Tarragona.

 


Dizem que os catalas nao são acolhedores. Mentira. Desde o primeiro dia que me ajudaram, e consegui uma boa integração. O idioma é muito dificil, mas com paciência e um bom ouvido, consegue-se. Tive sorte, pois a 30 km de onde vivo, há muitos portugueses (Reus). É importante o apoio de quem já cá está, porque nos ajuda e orienta no que é necessário fazer (colégio, segurança social, etc.), e apoia-nos quando estamos longe da família.

 


A minha família, e namorado, depois de ver onde estava, deu-me todo o apoio para continuar nesta aventura. Aconselho a qualquer enfermeiro que esteja no desemprego que procure novas soluções. E isso inclui emigrar.

 

 

Cláudia Fernandes Soares

Londres e Galiza/Canárias

 

O meu nome é Cláudia Soares, tenho 26 anos sou enfermeira desde 2007 e neste momento trabalho no Royal Brompton Hospital, na unidade de cuidados intensivos, em Londres.

 


Toda a minha experiencia profissional é no estrangeiro, primeiramente em Espanha e mais recentemente em Inglaterra. Considero que não seja uma decisão fácil, acabar o curso e decidir trabalhar para outro país, mas atendendo aos dias de hoje e as dificuldades que a nossa profissão atravessa, são poucas as alternativas que nos restam.

Espanha, Inglaterra e França, são hoje as alternativas mais comuns para os enfermeiros portugueses. São países que nos proporcionam boas condições de trabalho e desenvolvimento profissional.

Da minha experiência quer de Espanha quer de Inglaterra, posso dizer que os primeiros passos são muito semelhantes.

Primeiro de tudo procurar uma agência de emprego. No meu caso quando decidi vir trabalhar para Londres, entrei em contacto com a HCL international, através de um anúncio postado no Forumenfermagem. A HCL ajudou-me e todo o processo, orientou-me em termos de documentos adquirir, na preparação para a entrevista no Hospital, o que fez com que tudo fosse muito mais fácil. Considero que ter uma entrevista de trabalho em Maio em Londres e em Agosto ter começado a trabalhar, tenha sido um tempo razoável de espera. Pelo que considerei de certa forma todo o processo muito simples.

A adaptação a Inglaterra foi um bocado difícil, é uma cultura muito diferente da nossa, é uma cultura mais fria. Mesmo no que diz respeito ao trabalho considero bastante diferente, comparando com Espanha e com Portugal, o que a princípio causa alguma ansiedade e preocupação, especialmente por causa da barreira linguística. Mas tudo é uma questão de tempo e de capacidade de adaptação a novos ambientes. Como estou aqui relativamente há pouco tempo, não tenho ainda muita experiencia a relatar, uma vez que ainda sou uma turista nesta cidade, em fase de adaptação.


 

A minha experiencia profissional em Espanha, pode ser dividida em duas partes, não propriamente cronológicas mas sim geográficas, uma vez que a parte da minha experiencia foi obtida no norte de Espanha , e outra parte nas ilhas Canárias. No que concerne ao Norte de Espanha, refiro-me mais propriamente a Santiago de Compostela e a Vigo. Em Santiago de Compostela foi onde inicie a minha actividade profissional e Vigo foi a ultima cidade de Espanha onde trabalhei. Considero que a única vantagem de trabalhar na Galiza, é única e exclusivamente a proximidade geográfica com o norte de Portugal. Digo isto porque as condições de trabalho não são propriamente as melhores e assemelham-se um pouco à realidade portuguesa, principalmente em termos de horas de trabalho e salários. No que diz respeito às ilhas Canárias, trabalhei em Tenerife, mais propriamente em Santa Cruz, num Hospital pertencente à Ordem São João de Deus. Devo dizer que é uma parte de Espanha onde realmente vale a pena trabalhar, primeiro a cultura, o clima e toda a envolvente fazem com que a adaptação ao meio seja muito fácil, e segundo as condições de trabalho são boas e o nível de vida é consideravelmente barato. A barreira linguística praticamente não existe, ou pelo menos considero mais fácil que em Inglaterra.

Devo sublinhar que nos dias que correm conseguir trabalho em Espanha, é mais difícil que há quatro anos atrás, uma vez que o mercado por assim dizer está mais saturado e o país também atravessa uma grave crise económica. Pelo que também hoje em dia uma das maiores dificuldades em Espanha é conseguir trabalho permanente no Sistema de Saúde Publico, uma vez que as vagas são mais limitadas, e os concursos obrigam a fazer um exame nacional para qualquer posto permanente.

O que limita a que a maior parte do trabalho seja no sistema de saúde privado, considero atendendo à realidade de Tenerife que as condições são boas no sistema de saúde privado, mas não posso dizer o mesmo da Galiza, uma vez que considero as condições mais precárias.

Comparando Espanha e Inglaterra, na minha opinião o que torna Inglaterra um mercado de trabalho mais atractivo é a possibilidade de desenvolvimento profissional, é a grande facilidade em conseguir trabalho principalmente para enfermeiros com alguma experiencia, e a possibilidade de progressão na carreira dentro do sistema publico.
E algo que considero aplicar-se a qualquer migração é a experiencia pessoal que se pode turnar muito enriquecedora para aqueles que decidem dar o difícil passo de sair do país.

 

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