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quarta, 04 fevereiro 2009 14:43

Açores: 15% da População com Asma

Escrito por  Enf. Mário Santos

É importante continuar a olhar de frente para a asma, mas não só, porque a área da pneumologia é muito abrangente.

 

 

Atletas de Alta Competição com Asma

 

 

Mário Santos

Enfermeiro / Jornalista

 

 

“Pulmão e Desporto” foi o tema que juntou mais de duas centenas de médicos e enfermeiros, no passado fim-de-semana, num hotel de Ponta Delgada. Presentes estiveram os melhores especialistas nacionais, do campo da pneumologia e da alergologia, onde não faltou o director clínico do Sporting Clube de Portugal e o médico da Selecção Nacional AA de futebol.

A Pneumo’09, assim se designou o Congresso, visou debater a importância da asma, a sua fisiologia e desmistificar falsos mitos sobre a patologia, assim como demonstrar que quem tem problemas asmáticos pode ser atleta de alta competição.

O Congresso iniciou-se com a intervenção do médico Luís Pereira, director do Serviço de Pneumologia do Hospital Divino Espírito Santo, que fez uma breve introdução ao tema, seguindo-se Miguel Correia, Secretario Regional da Saúde, que lembrou a necessidade dos especialistas da área da pneumologia, continuarem o bom trabalho que têm vindo a desempenhar em S. Miguel e por todo o Arquipélago. ”É importante continuar a olhar de frente para a asma, mas não só, porque a área da pneumologia é muito abrangente. Embora a nossa região seja das que menos problemas apresentam, em termos percentuais, neste foro, os especialistas devem continuar a trabalhar no sentido de cada vez mais termos uma saúde com maior e melhor qualidade ”.

Depois desta intervenção, deu-se lugar a vários painéis onde a temática passou sempre pela importância da asma no seio do desporto e da população em geral.

“Fisiologia no Desporto” foi o tema apresentado por José Gomes Pereira, Professor da Faculdade de Motricidade Humana e director clínico do Sporting Clube de Portugal, que apresentou a fisiologia pulmonar e a asma. E como não podia deixar de ser, debateu a asma no seio desportivo, afirmando que esta patologia atinge com muita frequência atletas de todos os quadrantes desportivos, mesmo na alta competição, com maior incidência na natação. “A asma não é uma patologia complicada para os atletas, desde que seja bem diagnosticada e controlada com terapêutica adequada”.

 

Por sua vez, o médico da Selecção Nacional de Futebol AA, Henrique Jones, abordou a “Asma induzida pelo esforço: a visão do médico de terreno”, onde frisou que tantas vezes é o esforço dos atletas que desencadeia a asma.

 Em relação ao painel apresentado por António Raposo, médico fisiatra e elemento das Brigadas de Controlo Anti-Doping, baseou-se em dois pontos fundamentais: as regras gerais da anti-dopagem em Portugal e a nova legislação, que entrou em vigor em Janeiro último, e que se relaciona com a utilização por parte dos atletas de medicamentos para a asma. Este especialista deixou um alerta aos médicos que passou a ser de carácter obrigatório a declaração ao Conselho Nacional Anti-Dopagem, do uso de medicamentos para controle de asma, que só podem ser usados em casos de situação grave ou com autorização”.

Neste evento, o pneumologista portuense e único membro português da ADMIT (Aerosol Drug Management Improvement Team), António Ramalho de Almeida, do Hospital de S. João, Porto, vincou a necessidade dos médicos apostarem mais na formação. “Parece caricato, mas muitos dos colegas especialistas apenas prescrevem, e não sabem como funcionam os inaladores. É que a situação é mais preocupante quando mais de 50% dos portugueses que os usam, têm medo de lidar com os mesmos. Muitos usam-no incorrectamente, por falta de informação que deve partir dos colegas. É importante o médico dar confiança ao doente, que já de si, está debilitado na maior parte dos casos clínicos”. Este especialista apresentou ainda um estudo de 2007, realizado nos hospitais da Galiza, Espanha, onde se concluiu que apenas 15% dos médicos sabiam como funcionava e era constituído um inalador. Os restantes 85% desconheciam por completo, o funcionamento do mesmo, que contém um fármaco tão importante para a vida daqueles que tem problemas brônquicos.

 

 

15% da população açoriana com asma

 

No final deste encontro, interpelámos o Director do Serviço de Pneumologia do HDES, Luís Pereira que se encontrava visivelmente muito satisfeito com o decurso dos trabalhos científicos debatidos, e de grande importância para a classe médica. Acredita que todos ganharam com a experiência vivenciada por outros colegas e mais enriquecidos. Refere, no entanto, que no serviço que dirige “estão constantemente a levar a efeito acções de formação, no arquipélago e fora, para que todos os pneumologistas estejam sempre actualizados”. Luís Pereira, realçou também a importãncia dos enfermeiros neste trabalho, ao mesmo tempo que reforçou a importância na actualização constante, pois não se pode esquecer que 15% da população total dos Açores sofre activamente de asma, dados estes obtidos a partir de um estudo elaborado por o nosso interlocutor, há cerca de dois anos, num trabalho conjunto com a Comunidade Europeia.

 

“A asma existe de facto nos Açores e tem uma percentagem que não é preocupante, até porque temos uma equipa de pneumologistas muito boa no Arquipélago e que está sempre na vanguarda dos acontecimentos. Penso que é de salientar que somos a população que menos casos de asma apresentaem Portugal, e o nosso rácio pneumologista/doente é o melhor no ranking nacional”.

 

E o mesmo especialista frisou que a asma é uma patologia que pode trazer algumas complicações desagradáveis, se não existir um acompanhamento médico adequado. Mas se, o seguimento médico se aliar à terapêutica adequada, é o caminho para uma vida quase normal. “Aliás temos cerca de 98% de casos de asmáticos que fazem uma vida normal, e muitos deles a praticar desporto, sendo alguns de alta competição”.

 

 

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