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domingo, 01 julho 2007 08:21

II Jornadas de Cardiologia HNSR

Escrito por  Enf. Elsa Alves

Realizou-se nos dias 9, 10 e 11 de Maio as II Jornadas de Enfermagem do serviço de Cardiologia do Hospital Nossa Sra. Rosário, E.P.E. (HNSR – EPE) no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro, em que o Forumenfermagem marcou presença.

 

 

Enf.ª Elsa Alves, HNSR – EPE, Colaboradora do Fórum Enfermagem

Luís Carlos Alves, finalista da Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior Saúde de Beja

 

 

II Jornadas de Enfermagem do Serviço de Cardiologia 

Hospital Nossa Sra. Rosário – EPE 
 

Realizou-se nos dias 9, 10 e 11 de Maio as II Jornadas de Enfermagem do serviço de Cardiologia do Hospital Nossa Sra. Rosário, E.P.E. (HNSR – EPE) no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro, em que o Forumenfermagem marcou presença.

No dia 9 iniciou-se a jornada de trabalho com a Sessão de Abertura realizada pela Sra. Enf.ª Directora do HNSR – EPE, Enf.ª Helena Almeida que começou por congratular a comissão organizadora do evento pela possibilidade de discussão e partilha de ideias e experiência que este tipo de evento proporciona aos profissionais nele presentes, num discurso centrado nas alterações do estilo de vida das sociedades modernas, em que o tabagismo e uma deficiente alimentação, contribuem sem dúvida para o aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Seguidamente deu-se início à mesa de trabalhos agendada para o primeiro dia, com uma apresentação da responsabilidade da Enf.ª Fernanda Neto do Hospital Garcia de Orta – EPE, denominada “CIPE: Uma Linguagem uniformizada da Prática de Enfermagem num Serviço de Cardiologia” onde deu a conhecer o caminho percorrido na reformulação dos sistemas de informação em enfermagem, e as estratégias adoptadas pela equipa durante um percurso de cerca de 3 anos que se iniciou em Junho de 2004 e que contou com a colaboração da Escola Superior de Saúde de Setúbal e com a ARS Norte, na elaboração do padrão de documentação. Através do trabalho apresentado pela colega pode concluir-se que a implementação a CIPE naquele serviço contribuiu para o desenvolvimento do pensamento critico e reflexivo, para um aumento da visibilidade de áreas de exercício autónomo da profissão e aumentar o rigor na concepção dos cuidados de enfermagem.

Seguidamente falou-se da “Chegada à Urgência de um doente com suspeita de Síndrome Coronário Agudo/Dor Torácica” da autoria das Enf.as Célia Tavares, Helena Borracha e Ana Catarina Vaz, Do Serviço de Urgência do HNSR – EPE, em que se fez uma apresentação clínica típica de Síndrome Coronário Agudo (SCA) e em que as colegas descreveram a triagem efectuada aos doentes no serviço de urgência, nomeadamente e Triagem de Manchester, que é a utilizada na instituição, e em que se estabelecem prioridades consoante e avaliação realizada ao utente. Geralmente um utente que entre no serviço de urgência com SCA é atribuída a cor Vermelha e o doente é encaminhado para a sala de Emergência e posteriormente encaminhado para a Unidade de Internamento Polivalente de Agudos, uma unidade de cuidados intermédios/intensivos onde o doente fica com monitorização cardio-respiratória e hemodinâmica onde estão disponíveis ventiladores e equipa de reanimação permanente. Se for atribuída a cor laranja ou amarela o doente é encaminhado para o Balcão da especialidade. Posteriormente e, de acordo com a estabilidade clínica do doente, é então encaminhado para a UCDC, Unidade de Cuidados Diferenciados de Cardiologia.

Após o almoço, reiniciaram-se os trabalhos agendados, com a mesa “Técnicas Ecocardiográficas – A realidade do trabalho em Equipa” em que Enfermeiras e Técnicas de Cardiopneumologia, do HNSR – EPE, deram a conhecer os diferentes contextos de trabalho em que se inserem. Iniciou-se uma apresentação da Técnica Otília Barroso em que partilhou a sua experiência em termos de Electrocardiografia Transtorácica, Ultra-sons e imagens. Falou também dos diferentes modos de Ecocardiograma e suas indicações clínicas, assim como das diferentes vias de acesso a este exame, nomeadamente a Transtorácica e a Transesofágica. A Enf.ª Márcia Matos trouxe-nos uma resenha dos cuidados de enfermagem pré-exame, ao doente submetido a Ecocardiograma, nomeadamente por via Trans-esofágica em que os pilares se devem assentar sobre a linguagem acessível com o utente, a relação de confiança, o reforço da informação e a metodologia entre outros. Seguidamente a Enf.ª Vera Pereira deu continuidade ao tema, falando do material necessário para a realização destes exames e os cuidados de enfermagem durante a realização dos mesmos. A Enf.ª Elisabete Claro falou mais especificamente nos cuidados ao doente submetido a Ecocardiograma de Stress com recurso a drogas de indução, nomeadamente a Dobutamina.

Para terminar o primeiro dia de trabalho e com o intuito de proporcionar um espaço para debates e partilha de experiências, a organização promoveu um espaço dedicado à apresentação de Comunicações Livres. Foram apresentadas as seguintes comunicações livres:

  • “O enfermeiro na abordagem da sexualidade na doença cardíaca”

  • “Intervenção de enfermagem intra-hospitalar ao doente coronário com hábitos tabágicos”

  • “Musicoterapia”

  • “A humanização dos cuidados ao doente na sua ultima etapa de vida, em contexto hospitalar”.

 

No segundo dia, os trabalhos iniciaram-se com uma mesa subordinada ao tema “Preparação do doente para Cateterismo de Diagnóstico/Intervenção: papel do enfermeiro durante os procedimentos” em que as Enf.as Carla Ventura e Cristina Pedrosa do Serviço de Hemodinamica do Hospital Santa Marta – EPE, nos deram a conhecer o tipo de intervenções realizadas, como se faz a admissão dos doentes para PTCA e possíveis complicações que podem advir do exame, assim como o papel do enfermeiro no antes, durante e após o procedimento.

Ainda antes do almoço, foi tempo para ouvir uma apaixonante prelecção da Enf.ª Lucília Nunes, que entre muitas funções que exerce, é a Presidente do Conselho Jurisdicional da Ordem dos Enfermeiros, Doutorada em Filosofia e Mestre em Ciências de Enfermagem e em História Cultural e Politica. A prelectora falou-nos nos “Aspectos Éticos no Doente Cardíaco/Direitos e Deveres do Doente”, que se revelou um momento de reflexão não só do contexto profissional mas também pessoal em que não existe um coração sem um rosto e que não está só em causa a doença em si, mas tudo o que é cenário de fundo do coração, como são os sentimentos ou os afectos. Expôs uma clareza de reptos que lançaram a reflexão sobre as práticas do quotidiano. Falou-se também das diferenças em consentimento informado e consentimento esclarecido que são os requisitos para transformar informação em significado. Só um utente verdadeiramente informado e esclarecido é que poderá ter a capacidade de livremente, e de forma autónoma, tomar uma decisão. Falou-se também da importância da equidade de acesso aos cuidados de saúde e ao atendimento em tempo útil, tão importante em qualquer patologia mas, sem dúvida, deveras importante no doente cardíaco. E nesse contexto ficou no ar a reflexão sobre a importância que o enfermeiro tem como pivot da equipa de saúde e no seu papel de “ponte” com os outros profissionais de saúde na promoção do bem-estar e na qualidade de cuidados.

Na continuação dos trabalhos da tarde, deu-se início a um painel denominado “Pacemakers Definitivos: O Percurso de uma Prática” onde o Prof. Dr. Mário Garcia Alves, deu a conhecer a realidade do Centro de Pacing do Barreiro, que apesar de só estar a funcionar há cerca de 4 anos, já mostrou capacidades notórias na melhoria da qualidade de vida do doente com Pacemaker definitivo. Deu-nos também a conhecer a fisiologia do sistema eléctrico, as alterações da função cardíaca e os tipos de pacemaker usados no Centro.

Seguiu-se um trabalho realizado pela Enf.ª Beatriz de Carvalho do Serviço de Cardiologia/UCDC do HNSR – EPE, e pelo Enf. Ricardo Silva, do serviço de Cardiologia do Hospital S. Bernardo em Setúbal, em que enumeraram os cuidados de enfermagem ao doente submetido a implementação de pacemaker definitivo, no antes, durante e após cirurgia, em que se deu bastante ênfase ao ensino como intervenção de enfermagem que facilita bastante a recuperação cirúrgica e a desmistificação de alguns preconceitos e mitos.

Posteriormente a Técnica de Cardiopneumolgia Helena Almeida do HNSR – EPE falou sobre a prática realizada no Centro de Pacing e o papel do técnico junto do doente cardíaco.

Na segunda mesa da tarde que tinha como tema “Cirurgia Cardíaca: Cuidados de Enfermagem” as Enf.as Carla Mendonça e Rita Santana do Serviço de Cirurgia Cárdiotorácica do Hospital Santa Maria, deram a conhecer os recursos humanos que dispõem, os tipos de intervenção efectuadas, os procedimentos na admissão do doente e terminaram a sua apresentação com a visualização de um filme sobre a Unidade de Cuidados Intensivos Cardiotorácicos daquela instituição.

A seguir ao intervalo para o café, foi a vez da Enf.ª Dulce Crespo, especialista em Enfermagem de Reabilitação, da Unidade Funcional de Pneumologia do HNSR – EPE, nos falar sobre o “Apoio Informativo ao Doente Coronário”, um trabalho realizado no âmbito da sua tese de mestrado em Comunicação em Saúde. Neste estudo, os resultados mostram que todos os sujeitos atribuem grande valor à informação, por considerarem que promove a comunicação na relação técnico de saúde/doente. No entanto, a linguagem utilizada pelos doentes transmite o seu descontentamento entre o apoio informativo prestado e o apoio informativo desejado, e os próprios técnicos de saúde reconhecem a existência de diferenças entre o que se faz e o que deveria ser feito nesta área. Deste modo, os dados obtidos sugerem que o apoio informativo prestado pelos técnicos de saúde necessita de ser melhorado, quanto à forma e conteúdo, e que o grau de informação que a maioria dos doentes possuem os perfila como não informados, com as consequentes implicações no seu prognóstico e qualidade de vida.

O último dia das jornadas, iniciou-se com o programa social, da parte da manha com uma visita guiada ao Convento da Madre de Deus da Verderena, ás Reservas Museológicas da Câmara Municipal do Barreiro e à Casa Museu Alfredo da Silva, onde os participantes, puderam conhecer alguns dos pontos turísticos de interesse do concelho do Barreiro.

Seguiu-se um intervalo para almoço após o qual se deu inicio á ultima tarde de trabalho com “As Vivências do Enfermeiro no Processo de Morrer” da responsabilidade da Enf.ª Telma Espada do Serviço de Cardiologia/UCDC do HNSR – EPE, e do Enf. Teotónio Batista, do Serviço de Medicina II do Hospital da Marinha, em que se falou na dificuldade dos profissionais no confronto com a morte, os seus sentimentos e emoções, o envolvimento com o utente e na dificuldade dos técnicos na tomada de decisão o que muitas vezes pode transformar-se em obstinação terapêutica.

E para finalizar a ordem de trabalhos destas jornadas, teve lugar uma prelecção da Enf.ª Teresa Oliveira Marçal, vice-presidente do conselho directivo da OE e também docente na Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende em Lisboa, sobre “A Enfermagem de acordo com o Processo de Bolonha – A implicação do processo na carreira/desenvolvimento profissional” onde a prelectora iniciou a sua exposição com a apresentação dos marcos históricos do ensino enfermagem e seu desenvolvimento como profissão, e deu continuidade com a nova proposta de desenvolvimento profissional da OE, onde se enquadra o tão falado exercício profissional tutelado, como desígnio para entrada na profissão e onde se irá dar uma assunção gradual da responsabilidade do enfermeiro para a tomada de decisão autónoma. Durante esta fase, também denominada por Internato, o licenciado em enfermagem irá estar no exercício da sua actividade profissional, em regime de trabalho tutelado por uma instituição, com todos os direitos e deveres dos restantes trabalhadores, nomeadamente remuneração, folgas, férias, etc. Resta salientar que este novo modelo de desenvolvimentos profissional vem no seguimento do crescimento da profissão e como tal urge a necessidade de uma reformulação do seu modelo.

No final do dia foram entregues os prémios aos posteres e comunicações livres apresentados nas jornadas.

No final foi feito um balanço positivo destes três dias de trabalho que contribuíram para a partilha de experiências e reflexão das práticas de cuidados no doente cardíaco com toda a sua especificidade inerente. 

  

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