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domingo, 31 dezembro 2006 12:18

Fórum Nacional de Enfermagem: O Doente Crónico

Escrito por  Enf. Andreia Barbosa

Muitas vezes as famílias não têm condições para receber um doente terminal no domicílio, no entanto, com a ajuda adequada a possibilidade de criar condições, permite ao doente a permanecer junto da sua família, obtendo maior qualidade de vida.



Nos dias 28 e 29 de Novembro, decorreu no Auditório Municipal de Vila do Conde, mais um Fórum Nacional de Enfermagem sobre “O doente crónico”, magnificamente organizado pela Sevenprof.

Iniciou com o tema “Continuidade de cuidados pela família, papel do enfermeiro”, desenvolvido pela Mestre Assunção Nogueira, que enfatizou a importância da integração da família no cuidado ao doente, e o papel fundamental do enfermeiro no ensino e apoio junto do prestador de cuidados. 

A mesa 1 teve como tema “Doenças crónicas no contexto da saúde”, onde o contributo pessoal de enfermagem prevaleceu, na partilha de experiências na rede cuidados continuados e os decretos-lei existentes que suportam estes cuidados.

A existência de um programa nacional de Cuidados paliativos, nomeadamente no IPO, onde estas unidades de cuidados paliativos, estão ao alcance dos doentes tratados nesta instituição. No entanto, é escassa a existência deste tipo de serviços a nível nacional, tornando-se deficiente o tratamento paliativo de doentes terminais.

Na mesa 2 da ordem de trabalhos, com o tema “Sida – um problema de saúde pública”, tivemos a perspectiva de enfermagem sobre o cuidar de doentes com Sida e Tuberculose, que realça a dificuldade de trabalhar junto destes doentes muito problemáticos a nível comportamental.

Ficamos a saber o aumento do número de casos de doentes com tuberculose e HIV, em Portugal, e consequente mortalidade.

A mesa 3 teve a temática “A doença terminal e o cuidar em enfermagem”, onde mais uma vez se alertou para as competências da enfermagem no cuidar do doente terminal e o apoio à família. Saber escutar e falar é fundamental.

No tema “Direito de morrer em casa”, enfatizou-se o papel do enfermeiro na preparação do doente e família neste processo, percebendo sempre as condições humanas, sociais e ambientais do doente e família. Muitas vezes as famílias não têm condições para receber um doente terminal no domicílio, no entanto, com a ajuda adequada a possibilidade de criar condições, permite ao doente a permanecer junto da sua família, obtendo maior qualidade de vida.

O primeiro dia de Fórum, terminou com o tema “PEG - via alternativa de alimentação”, onde foram explicadas as indicações e contra indicações, na utilização deste tipo de técnica e os cuidados de enfermagem inerentes. Esta técnica está a ser usada recentemente no C.H.V.N.Gaia, serviço de gastrenterologia, com resultados muito satisfatórios.

O segundo dia de Fórum, começou com o tema “A doença e o cuidar em oncologia”, onde foram apresentados estudos estatísticos do trabalho desenvolvido pelo IPO, nomeadamente pelo hospital de dia.

A dor também foi abordada, no contexto do doente oncológico, como 5º sinal vital, especificando os tipos de dor e a importância do seu tratamento, ao permitir dar qualidade de vida ao doente oncológico.

Por último, o tema “A pessoa acamada: problemas na integridade cutânea”, foi abordada a questão das ajudas técnicas que usadas adequadamente, aliadas ás escalas de avaliação de risco de úlcera de pressão, previnem úlceras de pressão, a dor e desconforto do doente. Proporcionam qualidade na prestação de cuidados ao doente acamado.

A participação do Sr. Enfermeiro do GAIF, acordou a plateia com as “provocações” lançadas por este, ao trabalho desenvolvido pela enfermagem junto ao doente. Uma vez que, segundo o prelector, em Portugal não estamos preparados para os avanços tecnológicos, isto porque, o trabalho de equipa no regime da multidisciplinaridade, não existe nos serviços de saúde. Constituindo um obstáculo no tratamento e prevenção de feridas, associado a outros tantos problemas, tais como, gestão de recursos, níveis de conhecimento, níveis de evidência, uniformização de procedimentos e politicas de saúde.

Quanto aos avanços mais recentes na área da prevenção e tratamento de feridas, verifica-se um maior investimento na formação curricular nos cursos de enfermagem, medicina e farmácia; realizam-se mais estudos científicos; já existe uma pós graduação em viabilidade tecidular; existem escolas de feridas direccionadas a equipas multidisciplinares e validação de duas escalas de avaliação de cicatrização de úlceras de pressão.

 

 

Este fórum de enfermagem, permitiu a quem o frequentou, reflectir sobre o doente mais dependente, o doente crónico terminal e acamado, e todo o trabalho exemplar que a enfermagem desenvolve junto do doente e família.

 

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