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sexta, 01 dezembro 2006 03:07

Fórum de Enfermagem Cirúrgica do Vale do Sousa

Escrito por  Enf. Andreia Barbosa

Os cuidados de enfermagem na reconstrução cirúrgica, tendo como finalidade melhorar a qualidade de vida do doente, alertando para a importância da execução eficaz dos pensos cirúrgicos e do alívio da dor, foram algumas das temáticas debatidas neste fórum.

 

Nos dias 27 e 28 de Setembro de 2006, decorreu no Auditório Municipal de Lousada, o Fórum de Enfermagem Cirúrgica do Vale do Sousa. Compareceram bastantes participantes nas várias temáticas, tais como, estomaterapia, suporte nutricional em doentes cirúrgicos, hemorragia cerebral, cirurgia plástica em oncologia, cirurgia da coluna e cirurgia urológica.

O Prof. Dr. Lúcio Santos, trouxe o testemunho da sua vivência do IPO do Porto, quanto ao suporte alimentar do doente cirúrgico, enfatizando a importância do trabalho multidisciplinar com médicos, enfermeiros e nutricionistas, na adequação alimentar deste tipo de doente, cuja má nutrição, quer por excesso ou défice, tem um enorme impacto na evolução e resposta inflamatória pós cirúrgica.

Salientou a importância do trabalho de enfermagem no rastreio da má nutrição, uma vez que, são estes os profissionais que mais tempo passam junto do doente.

Para complementar este tema, esteve presente uma nutricionista da mesma instituição, que falou dos critérios para nutrir o doente com ostomia de alimentação, referindo que todos estes doentes são acompanhados em consulta de nutrição, onde é feita a avaliação nutricional (peso, % perda peso, IMC, estatura, parâmetros analíticos) e avaliação da alimentação quanto ao tipo e quantidades ingeridas. 

A presença do Dr. António Cerejo, do Hospital de São João do Porto, no tema “A pessoa com hemorragia cerebral”, agitou a plateia quando salientou o facto de ser uma entidade clínica de elevada gravidade, tendo em conta que esta doença surge inesperadamente e o confronto com a morte e a incapacidade, altera toda a vida pessoal, familiar e social do doente. Esta doença tem uma mortalidade superior a 65% e uma morbilidade de cerca de 70%, traduzindo incapacidade funcional, daí que o objectivo do seu tratamento seja a diminuição da mortalidade e morbilidade.

Referiu ainda que o principal sintoma da doença é uma dor de cabeça fortíssima, a qual o doente refere como “A maior dor de cabeça da minha vida”. O Dr. António Cerejo alertou todos os profissionais para valorizarem esta queixa, como indicio de possível hemorragia cerebral, implicando a realização de um TAC cerebral, que acarreta muitos encargos ao estado e muitas vezes este exame é “poupado” á instituição, mas sai muito caro ao doente. Segundo o palestrante, os exames são para ser realizados, e acrescenta “é o preço da civilização” sic.

Este tema foi complementado com a presença do Dr. Jorge Picallos, que palestrou sobre a hemorragia intracerebral, e com a Enfermeira Carla Cunha que apresentou um estudo de caso e os cuidados de enfermagem inerentes à recuperação do doente.

A Enfermeira Iola apresentou também um estudo de caso, salientado o trabalho desenvolvido junto do prestador de cuidados aquando a alta do doente, relativamente aos cuidados de higiene, posicionamentos, alimentação, eliminação e respiração. Apresentou um vídeo que retracta a vivência da família perante o doente com hemorragia cerebral, cujas dificuldades a nível de apoio da segurança social e a interligação com o centro de saúde foram e continuam a ser enormes.

A única resposta positiva foi o apoio de enfermagem da Neurocirurgia do   Hospital de São João, com a sua visitação domiciliária, as ajudas técnicas facultadas e a comunicação com o Centro de Saúde para a continuidade de cuidados. A disponibilidade da família e do prestador de cuidados, foi primordial no acolhimento da doente no domicílio, para que esta tenha qualidade de vida atendendo a todas as limitações inerentes á sua patologia.

No painel sobre Cirurgia Plástica em Oncologia, a Dr. Matilde Ribeiro do IPO do Porto, abordou o trabalho desenvolvido na reconstrução cirurgia em oncologia, especificamente nas neoplasias da cabeça, pescoço e tronco. Refere que a sobrevida dos doentes está condicionada ao estadio em que se encontra o cancro, daí que a técnica reconstrutiva precede o tratamento cirúrgico.

Falou com especial carinho da reconstrução mamária, sendo uma área que respeita muito e à qual tem uma enorme dedicação, uma vez que a mama é o símbolo primário da feminilidade, e todo o trabalho desenvolvido é muito importante na manutenção da vida social e emocional da doente.

A Dr. Matilde expôs imagens aquando a apresentação do tema, de reconstruções por ela efectuadas e que traduzem a importância da cirurgia plástica reconstrutiva para o doente, tendo como grande objectivo o controlo da doença e a qualidade de vida do doente oncológico.

A Enf. Ana Bastos palestrou sobre os cuidados de enfermagem na reconstrução cirúrgica, tendo como finalidade melhorar a qualidade de vida do doente, alertando para a importância da execução eficaz dos pensos cirúrgicos e do alívio da dor.

Este painel foi concluído com o testemunho pessoal da Enf. Diana, portadora de uma neoplasia mamária, já submetida a mastectomia, que aguarda a reconstrução mamária uma vez que fez quimioterapia e radioterapia. Foi um testemunho emocionante, um exemplo de vida e profissionalismo, já que esta colega ultrapassou tudo com o apoio da família, amigos, profissionais de saúde e com o trabalho de enfermagem que refere ter sido o seu grande refúgio. A sua vivência traduziu muito bem toda a ansiedade que esta patologia acarreta, as dificuldades, as expectativas e a certeza que a vontade de superar e vencer é primordial.

Para além destas temáticas, outras foram desenvolvidas com enorme qualidade, permitindo que este congresso tenha sido muito enriquecedor para a formação profissional e pessoal de quem o frequentou.

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