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sábado, 03 maio 2014 19:34

Enfermeiros nos Açores admitem recusar turnos

O Sindicato e a Ordem dos Enfermeiros nos Açores alertaram quinta-feira para o facto de os profissionais trabalharem mensalmente entre três e três dias e meio de forma gratuita devido ao desconto das horas extraordinárias da remuneração complementar.

"Há que alterar a lei ou contratar mais enfermeiros", frisou, em declarações à Lusa, o presidente da direção regional dos Açores do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Francisco Branco, que hoje deu uma conferência de imprensa conjunta com a secção regional da Ordem dos Enfermeiros, em Ponta Delgada.

Em causa está o artigo do Orçamento dos Açores para 2014 que estabelece que "ao valor da remuneração complementar são deduzidos os suplementos remuneratórios derivados de trabalho suplementar, extraordinário, ou em dias de descanso e feriados, ou outros de idêntica natureza".

De acordo com Francisco Branco, os enfermeiros estão a ser prejudicados, uma vez que, feitas as contas no final do mês, após os descontos, trabalham entre três a três dias e meio de forma gratuita.

O presidente do sindicato admitiu mesmo que os enfermeiros possam "recusar" o trabalho para além do normal, se a lei não for alterada.

Segundo Francisco Branco, não está em causa o cumprimento de horas extraordinárias, mas de turnos programados com um mês de antecedência, que são pedidos por falta de um número suficiente de enfermeiros para preencher todos os horários.

"Não estamos a fazer trabalho extraordinário por capricho, mas para assegurar cuidados básicos", sublinhou.

Por sua vez, o presidente da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, salientou que existem serviços com carências evidentes de enfermeiros, destacando como exemplo o caso do Centro de Saúde das Lajes do Pico, onde o turno da noite é assegurado apenas por um enfermeiro.

A Ordem vai elaborar, nesse sentido, um estudo para apurar o número exato de enfermeiros que seria necessário contratar nos Açores, mas, segundo Tiago Lopes, o Governo Regional já foi alertado para a necessidade de contratação de mais enfermeiros e não apenas nos hospitais.

"Ou há uma retificação da lei ou que haja uma aposta na contratação de mais profissionais e que não seja a aposta que foi feita nos últimos anos só para as unidades hospitalares", frisou, alertando para a falta de enfermeiros na prestação de cuidados básicos de saúde e nos lares de idosos.

O presidente da secção regional da Ordem dos Enfermeiros considerou que o desconto das horas extraordinárias "vai expor as carências já existentes", sobretudo no verão, devido às férias, acusando o Governo Regional de ceder no pagamento de horas extraordinárias a outras classes e "pelo preço de 2012".

"É uma profunda injustiça. A austeridade não é para todos os profissionais de saúde", frisou.

Depois de se reunirem com todos os partidos com representação no parlamento açoriano, o Sindicato e a Ordem dos Enfermeiros vão pedir uma audiência com o secretário regional da Saúde e, se necessário, com o presidente do Governo Regional, para tentar evitar a recusa de turnos, com o consequente prejuízo para os utentes.

http://www.acorianooriental.pt/noticia/enfermeiros-nos-acores-dizem-trabalhar-tres-dias-de-forma-gratuita-e-admitem-recusar-turnos

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