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segunda, 20 janeiro 2014 15:58

Enfermeiros emigram e afectam transporte de urgência

 Saída de três enfermeiros obriga centro hospitalar a contratar fora para ter viatura de emergência 24 horas por dia nas Caldas da Rainha

Três enfermeiros abandonaram o Hospital das Caldas da Rainha, e o país, em Fevereiro. A sua saída vai obrigar o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) - que congrega várias unidades hospitalares da região - a recorrer a uma empresa de prestação de serviços para garantir o funcionamento permanente da viatura médica de emergência e reanimação (VMER). A administração queixou-se ontem que, sem este trio ficam 27 dos 90 turnos mensais por preencher.

Carências que serão supridas através da contratação de profissionais em regime de outsourcing. "Teremos de recorrer a uma empresa para resolver a questão no imediato", admitiu Carlos Ferreira de Sá, presidente do conselho de administração do CHO. O dirigente, porém, já solicitou ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a formação de enfermeiros do quadro do hospital, de modo a suprirem as vagas e integrarem a equipa de emergência.

Caso não recorra à contratação externa de enfermeiros, o hospital não terá "equipas suficientes para assegurar os três turnos diários de oito horas" na VMER. Um problema que não é inédito.

Em Setembro de 2013 foi a VMER do Hospital de Torres Vedras - também gerido pelo centro do Oeste - a ficar na garagem durante sete dias por falta de médicos e enfermeiros especializados para operar neste serviço. Na altura, os médicos contratados a uma empresa recusaram que o seu salário à hora baixasse dos 23 para os 18 euros. Estima-se que hoje o CHO abranja 292 500 habitantes, fruto da junção das unidades de Torres Vedras, Peniche e Caldas da Rainha. Este último município, aliás, inicia hoje uma operação destinada a reduzir o número de doentes que recorre ao serviço de urgência do seu hospital.

A todos os utentes que se desloquem às urgências será feito um inquérito. "Vamos perguntar porque vêm às urgências, se por não terem médico, se por os tempos de espera no respectivo centro de saúde serem muito demorados ou por outro qualquer motivo", explicou Carlos Ferreira de Sá.

Os objectivos, prosseguiu o responsável, passam por aferir se existe a necessidade de "aumentar horários" ou o "número de médicos nos centros de saúde" para manter os cuidados de saúde primários nesses centros - além de "aumentar as condições de internamento" dos doentes atendidos nas urgências, que por vezes permanecem durante horas e dias em macas. A acção resulta de uma parceria entre o CHO e o Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte.

Já em Almada, o Hospital Garcia de Orta recusou ontem qualquer cenário de caos no seu serviço de urgência. A administração explicou que "não se justifica o alarmismo" recente, apesar de, entre as 16h e as 21h de sábado, se ter atingido "o pico" de quase sete horas de tempo de espera. A reacção surgiu após a TVI noticiar que mais de 300 pessoas estiveram sábado nas urgências e, em alguns casos, esperaram mais de 15 horas para serem atendidas.

http://www.ionline.pt/artigos/portugal/oeste-enfermeiros-emigram-afectam-transporte-urgencia/pag/-1

 

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