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sábado, 28 dezembro 2013 03:06

O buraco das contas dos hospitais ultrapassou os 460 milhões de euros

Este montante representa um agravamento de 176,9 milhões (87,3%) em relação a Outubro de 2012, comparando o mesmo universo de unidades.

A Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano foi a única EPE, em 39, com resultados operacionais positivos
O buraco nas contas dos hospitais com estatuto empresarial (EPE) ultrapassou os 460 milhões de euros no final de Outubro. De acordo com a análise do i às contas individuais de 39 hospitais, centros hospitalares e unidades locais de saúde (ULS) com estatuto EPE - os dados do Centro Hospitalar Oeste Norte não foram publicados e os dos cinco do sector público administrativo também não -, os resultados operacionais negativos atingiram os 460,8 milhões em Outubro.

Este montante representa um agravamento de 176,9 milhões (87,3%) em relação a Outubro de 2012, comparando o mesmo universo de unidades.

Os números não batem certo com o valor divulgado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) para o total das instituições EPE: -455,7 milhões.

Confrontada com os números contabilizados pelo i - que resultaram da soma dos resultados de cada um dos hospitais divulgados no site da própria ACSS -, a porta-voz do instituto que gere os dinheiros da Saúde respondeu: "Não se entende o número avançado. Em termos comparáveis (excluindo o Centro Hospitalar do Baixo Vouga e ULS Litoral Alentejano, sem período comparável) o resultado operacional é de -455,79M€, como apresentado no microsite de monitorização mensal, representando um agravamento contabilístico de 55,4%."

"Importa destacar, como é perceptível nos dados apresentados ao mês, que, devido ao acórdão do Tribunal Constitucional (TC), um salário foi apenas especializado no mês de Dezembro de 2012 enquanto em 2013 os encargos com 14 salários são especializados mensalmente. Ora tal não permite uma comparação efectiva dos dados", afirmou.

Questionada sobre as razões que justificam o facto de a situação financeira dos hospitais ter piorado no último ano, apesar de todas as medidas de contenção e cortes na despesa, a assessora de imprensa da ACSS respondeu que "a situação económica do sector empresarial da saúde é melhor em 2013 do que em 2012 e 2011, apesar da redução de financiamento operada junto dos hospitais EPE por via do Orçamento do Estado".

"Em 2013 espera-se que o universo EPE tenha um EBITDA (resultados antes de impostos, taxas, depreciações, amortizações) de 150 milhões de euros", revelou a mesma fonte, salientando que "vários efeitos (como o acordo com a indústria farmacêutica e as notas de créditos de outros fornecedores) ainda não se fazem sentir nas contas de Outubro" mas vão fazer "em Novembro e Dezembro, aliás como pode ser observado no ano transacto".

O Centro Hospitalar Lisboa Norte é a unidade que apresenta o pior resultado operacional com -93,2 milhões no final de Outubro, seguido pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central (-46,2) e o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (-38,2).

SÓ SETE COM EBITDA POSITIVO Em termos de EBITDA, o i contabilizou um valor global negativo de 327 milhões, o que traduz um agravamento de 189,2 milhões face ao período homólogo do ano passado (em termos comparáveis). No site da ACSS, o valor divulgado é de -324,5 milhões.

Dos 39 hospitais, centros hospitalares e ULS - entidades que agregam os hospitais e os centros de saúde da sua área geográfica -, só sete apresentam este indicador positivo (hospitais de Santa Maria Maior, Magalhães de Lemos, o Centro Hospitalar Leiria/Pombal, o IPO Coimbra e a ULS do Baixo Alentejo e Litoral Alentejano), e apenas oito apresentaram uma melhoria em relação a Outubro de 2012. A ULS do Litoral Alentejano apresenta o melhor indicador (7,3 milhões), enquanto o Centro Hospitalar de Lisboa Norte tem o pior (-83,8).

SÓ 9 BAIXAM CUSTOS OPERACIONAIS Os custos operacionais das 39 unidades em análise totalizaram os 4154,9 milhões de euros no final de Outubro, o que representa um crescimento de 108,2 milhões (2,6%) em relação aos gastos registados pelas mesmas unidades no período homólogo do ano passado. No site da Administração Central do Sistema de Saúde, o montante divulgado para o total das instituições EPE é de 4053,2 milhões (mais 2,7%).

A análise do i permitiu concluir ainda que apenas nove hospitais apresentaram uma melhoria neste indicador em relação a Outubro de 2012: o IPO do Porto (menos 665,8 mil euros), o de Coimbra (menos 795,3), o de Lisboa (163,3), os hospitais da Figueira da Foz (813,1), Santarém (6,7 milhões), os centros hospitalares de Lisboa Norte (9,5 milhões), Lisboa Central (5,3), Médio Tejo (44,3 mil) e a ULS do Baixo Alentejo (2,3 milhões).

Apesar de ter reduzido os custos 9,5 milhões em termos homólogos, o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, que inclui o Hospital de Santa Maria (a maior unidade do país), continua a ser a unidade com o maior volume de despesas, com um total de 355,1 milhões até Outubro.

O Centro Hospitalar Universitário de Coimbra surge logo a seguir com 353,5 milhões (mais 9,5 do que um ano antes) e o Lisboa Central com 350,5 milhões de euros (menos 5,3).

http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/buraco-das-contas-dos-hospitais-ultrapassou-os-460-milhoes-euros-no-fim-outubro/pag/-1

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