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sexta, 29 novembro 2013 00:34

Sistema de saúde português recupera oito lugares em ranking

 

Portugal ocupa 16.ª posição entre 34 países europeus avaliados pela Health Consumer Powerhouse, uma organização europeia de consumidores com sede na Suécia. A Linha Saúde 24 é referida como um exemplo de sucesso em Portugal

 

O sistema de saúde de Portugal é considerado o 16.º melhor entre 34 avaliados num relatório feito por uma organização europeia de consumidores, o que demonstra uma grande recuperação em relação à edição de 2012, em que ficou apenas em 25.º lugar. A subida, explica a Health Consumer Powerhouse, deve-se sobretudo ao facto de terem sido alterados alguns critérios que passaram a valorizar mais a aposta que os países fazem na prevenção.

 

No Índice de Assistência Médica Europeu (EHCI, na sigla em inglês), feito pela organização sueca desde 2005, Portugal conseguiu obter 671 pontos em 1000, quando no ano passado se tinha ficado pelos 589. O índice é construído a partir da avaliação da informação fornecida pelos doentes, que é cruzada com vários indicadores como taxas de mortalidade, taxas de infecção hospitalar, dados de acesso como listas de espera para consultas e cirurgias, entre outros. Direitos e informação aos utentes, resultados, prevenção, alcance dos serviços e entrada de medicamentos inovadores no mercado são outros dos pontos avaliados.

A classificação é traduzida em cinco áreas: direitos e informação dos pacientes, listas de espera para tratamento, prevenção, âmbito e alcance dos serviços prestados e a área farmacêutica. No relatório, que foi apresentado nesta quinta-feira em Bruxelas, o sistema de saúde holandês foi considerado o melhor, com 870 pontos.

Na classificação seguem-se a Suíça, Islândia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo, França, Finlândia, Suécia, Áustria, Escócia, Inglaterra, Irlanda e República Checa. Assim, se olharmos para o gráfico de barras do relatório, aparentemente Portugal só surge em 17.º lugar e não em 16.º. Porém, segundo explicou ao PÚBLICO, por e-mail, a presidente da organização, Arne Bjornberg, esta diferença acontece pela desagregação do Reino Unido em Escócia e Inglaterra - o que acontece pela primeira vez — pelo que a classificação oficial para efeitos comparativos é o lugar 16. Depois de Portugal surgem a Eslovénia, Espanha, Croácia, Itália, Eslováquia, Estónia, Lituânia, Chipre, Grécia, Malta, Macedónia, Hungria, Albânia, Bulgária, Polónia, Letónia, Roménia e Sérvia — esta última com apenas 451 pontos.

“Houve alterações na configuração do EHCI desde o ano passado que explicam parcialmente a classificação de Portugal. O mais evidente é que foi dado um maior peso à prevenção, com um novo conjunto de indicadores”, explica Arne Bjornberg, num comunicado.

Na mesma nota, deixa-se o alerta de que as meras análises anuais não reflectem o trabalho dos sistemas de saúde ao longo do tempo e a organização sublinha que, no caso português, há a destacar outros dados importantes: “Existem áreas notáveis que contribuíram para a melhoria da classificação, tais como a liderança na implementação da assistência médica utilizando a Internet. E, não obstante o impacto importante da crise financeira, o EHCI não encontra sinais de piores resultados médicos”.

O que piorou e o que melhorou
Olhando para a lista pormenorizada portuguesa, em termos de áreas que pioraram segundo a organização destaca-se o acesso ao médico de família no mesmo dia em que se procura, o acesso directo a consultas de especialidade e a lista de espera para algumas cirurgias, assim como para exames como a TAC. As infecções por bactérias multirresistentes, falta de acesso a dentistas, diabetes por diagnosticar, número elevado de cesarianas e entrada tardia de medicamentos inovadores no mercado são outros dos problemas apontados.

Ao mesmo tempo, há áreas em que o país aparece a “verde”, como o direito a uma segunda opinião médica, as prescrições e marcações electrónicas, a Linha Saúde 24, o tempo de espera nas urgências médicas, a mortalidade infantil e abortos, cirurgias às cataratas e transplantes renais em crianças, consumo de álcool, vacinação, nomeadamente contra o cancro do colo do útero, actividade física e consumo de açúcar.

Numa reacção ao PÚBLICO, o Ministério da Saúde, à semelhança de outros anos, salientou que o relatório tem “debilidades”, mas “congratula-se com os sucessos do Serviço Nacional de Saúde ou da saúde portuguesa no seu geral”.

Modelos de financiamento
No documento, a organização faz ainda uma análise sobre os modelos de financiamento dos sistemas de saúde, comparando casos como o português, em que o financiamento é feito através dos impostos, com outros em que é feito directamente com seguros para a área da saúde.

“Os sistemas de assistência médica financiados pelos seguros (“Sistemas Bismark”) parecem ser cada vez mais superiores aos sistemas financiados pelos impostos (“Beveridge”) no EHCI. Existem sistemas de assistência médica bem-sucedidos financiados pelos impostos mas, na maioria, em países pequenos e ricos tais como a Dinamarca, Islândia e Noruega. A considerável maioria dos países com melhor classificação em assistência médica tem sistemas baseados em seguros, tais como a Holanda, Suíça, Bélgica, Alemanha e França”, defende a Health Consumer Powerhouse.

Porém, já por várias vezes que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse que não pretende alterar o modelo de financiamento da saúde em Portugal, mas sim encontrar formas de a tornar sustentável por via dos impostos e das taxas moderadoras. Porém, a verdade é que o peso da despesa privada em saúde tem vindo a crescer, com cada vez mais famílias a terem também seguros de saúde mas privados.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/aposta-na-prevencao-faz-sistema-de-saude-portugues-recuperar-oito-lugares-em-ranking-1614267

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