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sábado, 23 novembro 2013 14:19

Nota do Ministério da Saúde sobre o relatório da OCDE "Health at a Glance 2013"

Globalmente, registamos os resultados positivos obtidos, nomeadamente em termos de mortalidade, esperança de vida, hábitos tabágicos e alcoólicos, ambulatorização de cuidados, consumo de medicamentos, utilização de genéricos, gestão de doenças crónicas, vacinação e anos de vida ganhos.

 

Reconhecemos, no entanto, que temos desafios importantes pela frente, como a prevalência de diabetes, o excesso de peso e obesidade, a falta de alguns recursos humanos e alguns desequilíbrios na sua distribuição (geográfica e por grupos profissionais e especialidades), uma utilização sub-óptima das camas hospitalares (com demoras médias altas e taxas de ocupação baixas), o uso excessivo de antibióticos, o uso insuficiente de rastreios, os tempos de espera para cirurgias, o envelhecimento e a crescente prevalência de demências – todos estão a ser sujeitos a vigilância e, sempre que possível, a intervenções corretivas, de que são exemplo campanhas de informação à população sobre alimentação saudável e exercício físico e o lançamento de um programa prioritário para a prevenção e controlo de infeção e resistência aos antimicrobianos. Também estamos a investir num melhor planeamento e alocação de recursos humanos, na continuação do desenvolvimento da reforma hospitalar em curso, e no desenvolvimento de respostas específicas para idosos e pessoas com demências.

O Ministério da Saúde está interessado e, por isso, continuará a colaborar nestes esforços de recolha e análise de dados, imparciais, rigorosos e credíveis, como uma das fontes de orientação para a política de saúde em Portugal.

Há alguns dados que nos merecem destaque.

Em termos de análise de mortalidade por algumas causas, à data a que se referem os dados, destaca-se:

Esperança de vida à nascença está acima da média da OCDE e tem vindo a melhorar e a Esperança de vida à nascença face ao valor do produto interno bruto (PIB) per capita, bem como a Esperança de vida à nascença face à despesa em saúde per capita estão acima do esperado;
A Diferença na esperança de vida à nascença entre níveis educacionais é inferior à média da OCDE e a mais baixa das catorze disponíveis.
A Mortalidade por doença cerebrovascular foi reduzida a um terço entre 1990 e 2011 mas ainda estava acima da média da OCDE;
Mortalidade por doença isquémica coronária - claramente abaixo da média da OCDE, tendo descido 55% entre 1990 e 2011;
Taxa de mortalidade por neoplasias - abaixo da média da OCDE, tendo descido entre 1990 e 2011 (embora menos que a média da OCDE);
Taxa de mortalidade por suicídio - inferior à média da OCDE;
Taxa de mortalidade infantil - inferior à média da OCDE apesar do número de recém-nascidos com baixo peso ser superior à média da OCDE, tendo aumentado cerca de 50% entre 1990 e 2011;
Mortalidade por cancro do colo do útero - idêntica à média da OCDE;
Mortalidade por cancro da mama - também ligeiramente inferior à média da OCDE;
Mortalidade por cancro coloretal - superior à média da OCDE.
Em termos de despesas com saúde, à data da análise em causa, a comparação mostra que:

Despesa em saúde em percentagem do PIB - acima da média da OCDE;
Despesa com medicamentos per capita - decresceu, em termos reais, cerca de 6% entre 2009 e 2011;
Despesa com medicamentos per capita - próxima da média da OCDE;
Percentagem da despesa total em saúde paga pelos utentes - subiu 3% entre 2000 e 2011.
Em termos de envelhecimento e cuidados de longa duração, à data a que se referem os dados, verificamos:

Percentagem da população com mais de 65 anos - superior à média da OCDE, com tendência a aumentar;
Percentagem da população com mais de 80 anos - também superior à média da OCDE, e também com tendência a aumentar;
Esperança de vida aos 65 anos - superior à média da OCDE;
Anos de vida ganhos desde 1960 - também acima da média da OCDE;
Anos de vida saudáveis aos 65 anos – abaixo da média da OCDE, o que determina um esforço de Portugal nas medidas preventivas que levem a uma redução da carga de doença, com a correspondente diminuição da mortalidade prematura;
Percentagem da população acima dos 65 anos que reportava limitações nas atividades diárias - superior à média dos países europeus.
Estes dados, agora divulgados, permitem concluir que as respostas dirigidas à população idosa, cujo aumento também é o resultado de melhorias no campo da saúde, devem fazer parte das prioridades intersectoriais da governação. É necessário promover um envelhecimento saudável da nossa população.

Por outro lado, a avaliação, à data de 2011, continua a revelar um problema de má distribuição dos recursos humanos, em particular com a concentração urbana de médicos. De acordo com os dados da OCDE, em 2011, face aos valores de outros países da organização, justificava-se a manutenção da aposta na formação de enfermeiros em Portugal.

http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/ministerio/comunicacao/comunicados+de+imprensa/relatorio+ocde+mmxiii.htm

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