Social:
terça, 29 outubro 2013 22:57

Hospitais de Setúbal e Barreiro/Montijo com 'múltiplas anomalias' nas urgências

O Conselho Distrital de Setúbal da Ordem dos Médicos disse hoje que as urgências dos Centros Hospitalares de Setúbal e do Barreiro/Montijo apresentam "múltiplas anomalias no funcionamento", referindo que se trata de uma situação "muito grave".

Num relatório a que a agência Lusa teve acesso, o Conselho Distrital de Setúbal da Ordem dos Médicos explica que efectuou visitas aos dois centros hospitalares durante o período nocturno do seu funcionamento para avaliar o serviço.

"Ficou demonstrada a existência de uma completa sobrelotação das estruturas disponíveis para acolher os doentes, quer em ambulatório, quer sobretudo no internamento, sendo esta situação mais premente no Centro Hospitalar Barreiro/Montijo", refere o documento.

O relatório considera ainda que foi notada uma "dificuldade de transferência dos doentes crónicos dos serviços de urgência para os respectivos serviços de acolhimento", com casos de espera prolongada na sala de observações e que se regista a ausência, em ambos os Centros Hospitalares, de especialistas de diversas valências médico-cirúrgicas.

"No momento da visita constatámos a completa ausência de especialistas de diversas valências, como por exemplo Urologia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Psiquiatria e Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, o que implica a transferência de todos os doentes com patologia urgente destes foros para Lisboa", salienta.

O documento acrescenta que os doentes do foro psiquiátrico, no Centro Hospitalar de Setúbal, que entram à sexta-feira depois das 20:00 "ficam sem qualquer tratamento especializado até às 9:00 de segunda-feira".

O Conselho Distrital considera que as anomalias registadas configuram uma "situação muito grave, de que resultam consequências nefastas quer para a totalidade dos profissionais envolvidos quer para os utentes".

"Ficou demonstrada a insuficiência de recursos humanos para a constituição de equipas de trabalho minimamente suficientes, em particular na Cirurgia Geral. A sobrelotação e a permanência prolongada dos doentes em Sala de Observação põem em causa a capacidade de prestação de cuidados, quer médicos, quer de enfermagem, e violam os mais elementares direitos", frisa.

A ordem concluiu que a Reforma Organizativa dos Serviços de Urgência "parece antes ser uma desorganização estudada e planeada com base em critérios economicistas".

A agência Lusa contactou as administrações dos Centros Hospitalares de Setúbal e do Barreiro/Montijo, mas até ao final da tarde não foi possível obter esclarecimentos.

Lusa/SOL

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=89322

Ler 4014 vezes