Imprimir esta página
sábado, 15 junho 2013 17:59

Reaproveitamento de material cirúrgico

Médicos e administradores hospitalares saúdam o reaproveitamento de dispositivos cirúrgicos de uso único, que dizem ter elevada segurança para doentes e profissionais de saúde e classificam como uma prática corrente em países desenvolvidos.

António Ferreira, administrador do Hospital de São João, no Porto, considera que o reprocessamento destes dispositivos garante até «menos acidentes e mais segurança» do que os próprios dispositivos originais.

«Só por ignorância ou má-fé se pode contestar este processo», afirmou António Ferreira à agência Lusa, num comentário à posição da Associação dos Enfermeiros de Sala de Operações em Portugal, que contestou este reaproveitamento dos dispositivos, considerando-o um «atentado à saúde pública».

Também Vítor Herdeiro, presidente da Unidade de Saúde Local de Matosinhos, disse à Lusa que o reprocessamento dos dispositivos médicos cirúrgicos é «altamente seguro e equivalente a usar um dispositivo novo».

Segundo os dois responsáveis, depois de uma utilização, estes dispositivos são enviados para reprocessamento numa fábrica, que tem de estar certificada. O método usado garante que são retirados todos os contaminantes dos dispositivos (como máquinas de sutura ou tesouras de corte), que são totalmente limpos, esterilizados, selados e passíveis de rastreabilidade.

De acordo com António Ferreira, esta prática é já seguida no Hospital de São João, que envia os dispositivos para reprocessamento para uma fábrica alemã, tendo o acordo e apoio de médicos e enfermeiros.

A 30 de maio, o Ministério da Saúde publicou em Diário da República um despacho sobre os dispositivos médicos de uso único reprocessados, com o objetivo de «estabelecer as condições de adequada segurança que permitam alcançar poupanças indispensáveis para continuar a disponibilizar terapias e tecnologias inovadoras».

O reprocessamento dos dispositivos surgiu no mundo quando a comunidade hospitalar começou a considerar abusivo que fosse a indústria fabricante a única a poder definir quais os dispositivos que seriam de uso único, considerando que essa classificação se tornou abusiva.

http://www.tvi24.iol.pt/503/sociedade/saude-dispositivos-cirurgicos-tvi24/1458149-4071.html

Ler 3230 vezes