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quinta, 18 setembro 2014 14:46

Estudo revela vínculo entre adoçantes artificiais e intolerância à glicose

O consumo de adoçantes artificiais pode aumentar o risco de desenvolver intolerância à glicose em alguns indivíduos, segundo um estudo divulgado pela revista científica britânica Nature. Um grupo de cientistas, liderado pelo israelita Eran Elinav, do Instituto de Ciência Weizmann, de Rehovot (Israel), chegou a esta conclusão após ter realizado um teste com ratos e humanos.

Durante o seu estudo, os cientistas observaram que os roedores alimentados à base de dietas com adoçante artificial mostravam um metabolismo energético alterado, segundo explicou em conferência Elinav e o seu colega, Eran Segal.

Esse metabolismo parece ser modulado pelos efeitos dos adoçantes na composição e na função dos micróbios intestinais, segundo o estudo.

Os cientistas detectaram associações similares às ocorridas nos ratos em algumas pessoas após consumir adoçantes, como desequilíbrios microbianos e o metabolismo da glicose (altos níveis de açúcar no sangue) danificado.

Elinav considerou que «ainda é necessário debater mais estes resultados com outros estudos mais amplos» e confiou que a sua pesquisa «dê lugar a debates e pesquisas adicionais».

«O nosso estudo não é definitivo na sua conclusão para os humanos, mas revela que se trata de um assunto não resolvido e que deveria ser analisado de novo, pois deixamos claro que os adoçantes podem ter um efeito diferente nas pessoas», acrescentou Elinav, que admitiu que após realizar o estudo optou por deixar de tomar café com adoçante.

O seu colega, Eran Segal, precisou que a sua pesquisa «não pretende entrar em conflito com estudos prévios, mas fomentar novas pesquisas pelos efeitos potencialmente nocivos dos adoçantes numa grande parte da população».

Estes adoçantes podem ser encontrados em produtos alimentares e bebidas, como os refrigerantes dietéticos e sobremesas sem açúcar e são recomendados em dietas de emagrecimento e em tratamentos ou prevenção de desordens metabólicas.

No entanto, os dados que apoiam o seu consumo neste último estudo são limitados.

Elinav e os seus colegas mostraram que os ratos que bebiam água na qual houve acréscimo de glicose e um adoçante desenvolviam uma marcada intolerância à glicose frente aos roedores que bebiam somente água, ou simplesmente água com açúcar.

Os autores viram que os adoçantes artificiais sem calorias exercem este efeito ao alterar o equilíbrio dos micróbios intestinais.

Além disso, segundo a pesquisa, estes adoçantes alteram a composição e a função do microbioma - biliões de bactérias e vírus que povoam as diferentes partes do corpo - em alguns humanos.

Os resultados divulgados pela Nature sugerem que os adoçantes artificiais não calóricos poderiam exacerbar, ao invés de prevenir, as desordens metabólicas como a intolerância à glicose e a diabetes.

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