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quarta, 25 dezembro 2019 20:45

Saúde, a nova “paixão” de António Costa

António Costa elegeu o sector para a sua mensagem de Natal porque sabe desta fortíssima ligação dos portugueses ao seu SNS, mas também porque quis mostrar a determinação do Governo em superar os constrangimentos que o afectam.

As mensagens de Natal dos primeiros-ministros são sempre excelentes barómetros para avaliarmos o estado da política em geral e as preocupações dos governos em particular. Ao longo dos anos já tivemos juramentos comprometidos ou promessas exaltadas com a pobreza, a educação, o combate à desigualdade ou o expurgo da austeridade, e neste Natal tivemos a Saúde. Não há que estranhar esta adoração de António Costa pelo Serviço Nacional de Saúde – a degradação dos serviços, os fechos de urgências, as demissões de directores de serviços tornaram-se uma rotina nos últimos meses e foram o principal foco do debate político nas últimas eleições. Mas há nesta preocupação do Governo uma clara sintonia com as expectativas dos cidadãos: a defesa da qualidade dos cuidados públicos da Saúde constitui hoje um dos principais elos de consenso na sociedade portuguesa.

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Quando, num inquérito internacional, mais de metade dos portugueses admite pagar mais impostos se essa for a condição para que o nível de prestação de serviços melhore, fica quase tudo dito. Os cidadãos sabem que a rede pública de protecção do SNS funciona, sabem que o Estado providencial existe para os acudir em momentos mais dramáticos e, independentemente da ideologia ou da política conjuntural, acreditam que os hospitais e os centros de saúde são lugares onde podem resolver os seus problemas e cuidar das suas fragilidades circunstanciais. Depois, sabem também, por experiência própria ou por relatos que chegam de fora, que o nível de eficiência e de qualidade do SNS é de classe internacional – ainda recentemente a OCDE dava conta dessa realidade, mesmo que conquistada através de um investimento nominal muito inferior ao da média da organização.

António Costa elegeu o sector para a sua mensagem de Natal porque sabe desta fortíssima ligação dos portugueses ao seu SNS, mas também porque quis mostrar a determinação do Governo em superar os constrangimentos que o afectam. O seu discurso tem uma faceta de auto-estima e de propaganda que se percebe, com milhões de euros, milhares de médicos ou centenas de novas camas no rol. Felizmente, evitou a demagogia, ao reconhecer que a injecção de mais dinheiro para acabar com a suborçamentação crónica não basta para resolver todos os problemas e que é preciso fazer “mais e melhor”. De resto, falar da sustentabilidade do serviço, ou do absurdo de afastar a gestão privada que o Tribunal de Contas insiste em reconhecer como positiva, não faria muito sentido na quadra. Faz sentido sim o apelo para que o SNS continue a ser, “cada vez mais, um motivo de orgulho nacional”.

FONTE - Público

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