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segunda, 23 dezembro 2019 03:40

Hospitalização domiciliária — um caminho para o SNS

A hospitalização domiciliária é um caminho para um SNS sustentável e adaptado aos desafios do futuro. Estamos a percorrer orgulhosamente parte desse percurso, sendo a extensão do modelo a cuidados pediátricos — como se faz no Hospital Dona Estefânia —, e às mulheres no período pré e pós-parto, uma enorme oportunidade para garantir e reforçar a excelência dos cuidados.

São nove da manhã. A equipa está pronta. A carrinha da Unidade Móvel de Apoio Domiciliário que sai do Hospital Dona Estefânia segue caminho para os arredores de Lisboa com a médica, a enfermeira e a fisioterapeuta. À espera estão o Pedro e a mãe. Para além da sessão de terapia, hoje é dia de fazer a colheita de sangue para análises. Durante o dia, as três profissionais irão ainda visitar e cuidar do Martim, da Rita e de muitos outros meninos e meninas.

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Só este ano, 94 crianças receberam os cuidados prestados pelas duas médicas e três enfermeiras, pela assistente social, pela psicóloga e pela fisioterapeuta no conforto das suas famílias e das suas casas. O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) e a Fundação do Gil formaram esta parceria e trabalham em conjunto garantindo uma equipa que todas as semanas dá o seu melhor para melhor cuidar das crianças que estão em casa e precisam de apoio especializado.

Neste exemplo de hospitalização domiciliária de cuidados pediátricos, somam-se às vantagens comprovadas dos cuidados no domicílio, como a redução dos riscos associados a uma infeção hospitalar, o envolvimento e a proximidade da família, ainda mais cruciais quando falamos de crianças.

Atualmente, a hospitalização domiciliária já é uma realidade na grande maioria dos hospitais resultante do despacho n.º 9323-A/2018, publicado no dia 3 de outubro de 2018, que determinou a estratégia de implementação de Unidades de Hospitalização Domiciliária no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e do compromisso assumido por mais de 20 hospitais de todo o país para concretizar os objetivos estratégicos com a abertura destas unidades.

A criação de Unidades de Hospitalização Domiciliária afirma-se como uma aposta estratégica para a modernização da organização dos serviços, assegurando uma resposta em proximidade, com qualidade e humanizada às necessidades dos doentes. Cuidar em casa é dar amor, apoiar e capacitar. Capacitar não só os utentes, mas também as suas famílias. É, em simultâneo, aliviar o cuidador e permitir melhor qualidade de vida para todos.

O processo de recuperação é acelerado pela proximidade do ambiente familiar. O ambiente familiar reescreve as fronteiras, possibilitando aos profissionais a prestação de cuidados sem o stress hospitalar e fomentando a partilha de ensinamentos e responsabilidades.

Não podemos ignorar que esta mudança de paradigma de cuidados exige uma organização estruturalmente diferente dos serviços hospitalares tradicionais, uma vez que precisa de maior envolvimento dos doentes, das suas famílias e de todos os profissionais de saúde. No entanto, também não podemos negar que o desenvolvimento tecnológico na área da saúde, galopante nos últimos anos, tem tornado possível fazer em casa o que há pouco tempo só era possível fazer no contexto hospitalar, viabilizando o acompanhamento e controlo remoto das situações clínicas.

A hospitalização domiciliária é um caminho para um SNS sustentável e adaptado aos desafios do futuro. Estamos a percorrer orgulhosamente parte desse percurso, sendo a extensão do modelo a cuidados pediátricos – como o exemplo do Hospital Dona Estefânia do CHULC –, e a cuidados das mulheres no período pré e pós-parto, uma enorme oportunidade para garantir e reforçar a excelência dos cuidados.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

FONTE - Público

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