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quinta, 14 novembro 2019 16:00

Bastien Gonzalez trocou a medicina pela podologia e tornou-se uma estrela

Podólogo francês abre o seu 22.º espaço no mundo, o primeiro em Lisboa. Fica no spa do hotel Corinthia.

Há muito que Bastien Gonzalez sabe como estar diante das câmaras, falar com jornalistas ou, simplesmente, com futuros clientes. Com à-vontade começa a desfiar a sua história, que é de sucesso, antes mesmo de o PÚBLICO fazer a primeira pergunta. Aos 45 anos, o podólogo francês é conhecido por tratar os pés de estrelas do mundo do cinema, da moda e da realeza, da Europa à América, mas também do mundo árabe e da Ásia. Esteve em Lisboa para a apresentação do espaço com a sua marca, Pedi:Mani:Cure Studio, no spa do hotel Corinthia. O 22.º que abre no mundo. Até 2023, o empresário quer chegar aos 50 estúdios.

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No pequeno gabinete do spa lisboeta há uma imponente cadeira branca que parece de dentista, mas não é, foi desenvolvida por uma empresa alemã sob as indicações de Bastien Gonzalez, explica o próprio. O objectivo, para quem nela se senta, é estender as pernas, pousar os braços e deixar o podólogo tratar dos pés ou das mãos. O especialista é um observador atento e essa característica ajudou-o a tomar muitas decisões na vida. Tudo começou quando, aos 19 anos, teve um acidente de esqui, modalidade em que competia, e foi com a ajuda de um podólogo que conseguiu recuperar e, seis meses depois, voltar à competição, ainda mais forte, diz.

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A convivência e a observação do trabalho daquele especialista fez Bastien Gonzalez trocar o curso de medicina pela podologia — “um curso de saúde, de quatro anos”, informa. Uma decisão que deixou a família destroçada. “A minha mãe chorou muito”, conta, sempre sem deixar de sorrir. “Ainda não tinha 25 anos e abri o meu próprio negócio em Paris”, continua. Trabalhava de manhã à noite no seu consultório e teve a sua primeira “happy depression”, assim lhe chama porque estava deprimido, embora, tudo estivesse a correr-lhe bem. Então, perguntava-se: “Se já conquistei todo este sucesso aos 25 anos, como será daqui para a frente?”

Foi a observação que voltou a fazê-lo mudar de vida. “Um dia vi a minha bisavó, de 92 anos, a polir as unhas com uma lima de pele e percebi por que tinha as unhas tão bonitas, tão brilhantes.” Tinha a ver com a forma como limava as unhas, que as oxigenava, fazendo circular o sangue, dando-lhes um aspecto mais saudável, reflectiu. “Decidi desenvolver essa ideia”, revela, mostrando uma lima feita de camurça com um cabo que parece de madrepérola, antiga, mas que pode ser comprada por 180 euros, online, ou 185, no spa. “É um investimento para a vida, que a vossa filha pode herdar”, diz Bastien Gonzalez, numa apresentação aos convidados do Corinthia.

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Em Lisboa estará a podóloga Laurine Boulard que já está a fazer formação a terapeutas do Spa DR

A “alta costura da pedicure”

Foi a possibilidade de usar um objecto semelhante ao da sua avó que fez o podólogo trocar o consultório, com porta aberta para a rua, por um espaço mais selecto num hotel de luxo, onde aplicava o seu conhecimento na área da podologia à beleza e ao bem-estar. A sua proposta é mais do que oferecer pedicure ou manicure, esta última surgiu dez anos depois de ter começado a trabalhar em spas, a pedido das clientes. “É a alta-costura da pedicure”, define, porque se tratam os pés, a sua pele, as unhas e termina-se com uma massagem onde se aplicam algumas técnicas da reflexologia — um tipo de massagem em que se faz pressão, com os dedos das mãos, em determinadas áreas dos pés —, embora não seja com a intenção de tratar (a reflexologia é uma terapia não convencional), mas de fazer a pessoa sentir-se bem, salvaguarda o empresário.

“Trabalhei durante dois anos, em Paris, Nova Iorque, Londres, comecei com as top models. [Por exemplo, a] Naomi Campbell tinha uns pés muito exigentes. Ainda não tinha 30 anos e já tinha trabalhado em Los Angeles e no Médio Oriente. Tive a minha segunda ‘happy depression’. ‘O que vou fazer de seguida?’, perguntava-me. Como se não tivesse mais nada por que aspirar”, recorda.

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Os tratamentos às unhas são feitos a seco. Não é preciso molhar para conseguir tirar as peles mortas DR

Começou a desenvolver produtos, dos cremes aos utensílios para embelezar as unhas, mas também vernizes — embora alerte para o mal que os químicos dos vernizes fazem às unhas, os seus são “mais saudáveis” —, e outros como um modelo de silicone que permite pôr os dedos dos pés, de maneira a descontraí-los, ao final do dia, o Happy Feet. Viu algo semelhante num site, ainda tentou negociar, mas acabou por desenvolver o seu próprio produto. Em simultâneo dedicou-se à formação, gostaria de ter uma escola, mas ainda não foi possível. “Ando pelo mundo a falar da minha filosofia”, resume.

E que filosofia é essa? Primeiro, os pés não se tratam com água, como é costume quando se faz pedicure tradicionalmente. Em vez disso, todo o pé é tratado a seco para ser cuidado com precisão. As cutículas não devem ser cortadas para que os germes não entrem nas unhas, alerta. Contudo, as peles mortas devem ser retiradas. O creme que se usa nos pés deve ser mais hidratante, uma vez que a pele nesta zona do corpo é mais forte do que a do rosto, explica. E o podólogo usa pó de talco que funciona como “uma meia invisível”, defende.

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Para esfoliar os pés é usado um produto à base de diamantes negros, anuncia a marca DR

Os pés devem ser massajados todas as noites, nem que seja meio minuto para activar a circulação. “Quando casar, ponha isso no seu contrato: massagens nos pés, todas as noites”, brinca, lembrando que andamos o dia todo, por isso, é preciso tratar dos pés. “Os nossos avós não lavavam os dentes todas as noites e, hoje, isso parece-nos inconcebível. Um dia, o mesmo acontecerá com as massagens dos pés diárias”, acredita.

Bastien Gonzalez faz ainda referência aos calos e às unhas feias. Tudo desaparece, garante, sem recorrer a produtos abrasivos. Muitos problemas são resolvidos numa única sessão, garante. Entre o público que procura os seus estúdios, 30% é masculino. O cliente “vai voltar não porque precise, mas porque gostou do tratamento. É essa a nossa filosofia”, conclui.

FONTE - Público

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