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quinta, 07 novembro 2019 16:26

Tecnologia para ajudar diabéticos a medir glicose pela saliva ganha concurso da Web Summit

A Nutrix diz ao PÚBLICO que veio à Web Summit para conseguir financiamento para avançar com o processo de regulação. As outras finalistas incluem um serviço de viagens por subscrição e um gato fictício que envia cartas a crianças em todo o mundo.

Uma aplicação para monitorizar a glicose a partir da saliva foi a grande vencedora do concurso de startups deste ano da Web Summit. O objectivo da Nutrix, uma empresa Suíça que nasceu durante um concurso do MIT, a reputada universidade de tecnologia dos EUA, é criar biossensores que recolham informação a partir da saliva. O primeiro projecto é um nanosensor para ajudar pessoas com diabetes a regular, facilmente, os seus níveis de glicose sem ter de tirar sangue ou implantar sensores por debaixo da pele.

“Funciona como um autocolante que se cola num dente. E há muita informação que se pode recolher com a saliva, mas a glicose é a nossa prioridade para já”, explicou Maria Mahn, fundadora da Nutrix, na última apresentação na Web Summit, em que teve três minutos para defender a sua empresa. “Começámos com a glicose porque uma em cada 11 pessoas hoje em dia tem diabetes.”

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Só em Portugal, todos os dias são diagnosticadas cerca de 200 pessoas com esta doença (que mata uma pessoa no mundo a cada oito segundos) de acordo com dados recentes da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.

A Nutrix pretende ajudar as pessoas com diabetes a gerir a doença. A informação recolhida pelo nanosensor é enviada a uma aplicação externa que alerta o utilizador em casos de hipoglicémia (falta inesperada e repentina de “açúcar” no sangue que pode levar à morte) ou casos de hiperglicemia (excesso de glicose no sangue).

“Uma forma básica de explicar como tudo funciona é que o nanosensor liberta uma pequena descarga eléctrica que provoca uma microrreacção com a saliva de modo a detectar os níveis de glicose. E são estes que são enviados para o sensor”, explicou ao PÚBLICO Maria Hahn, antes de ser anunciada a vitória. “Apesar da diabetes ser a prioridade, no futuro gostaríamos de criar biossensores para monitorizar níveis de cortisol e outras hormonas”.

Questionada pelo PÚBLICO, Hahn disse que é muito cedo para falar de preços ou de modelos finais do sensor. “Ainda estamos numa fase muito inicial”, disse, “mas há duas hipóteses possíveis: ou um sensor mais duradouro, ou um sensor que se coloque diariamente e que funcione durante cerca de 24 horas – dia e de noite.”

A equipa veio à Web Summit competir contra outras 134 startups pelo primeiro lugar para encontrar investidores para ajudar com financiamento no processo de regulação. Como se trata de um dispositivo médico, o sensor da Nutrix precisa de autorização de entidades como a FDA, que é a agência que regula os medicamentos nos EUA, ou da EMA, que é o seu equivalente europeu.

“Apesar dos EUA serem o mercado maior, queremos começar os processos de regulação na Europa e nos EUA em simultâneo”, partilhou Hahn com o PÚBLICO.

Contrariamente aos primeiros dois anos da cimeira em Lisboa (em que a vitória vinha acompanhada por prémios monetários, e até programas de mentoria) desde 2018 que o único prémio é a notoriedade. No primeiro ano da feira em Lisboa, a startup vencedora (que apresentou um robô dinamarquês que ensinava crianças a programar) arrecadou 100 mil euros da Portugal Ventures. No segundo ano, o prémio foram 50 mil euros e um programa de mentoria.

“A Web Summit só por si é uma excelente oportunidade para partilhar os nossos serviços com o mundo e chegar a uma grande rede de investidores”, disse ao PÚBLICO Alexander Tomlinson, director de produto da Be Right Back – um serviço de viagens por subscrição – que foi uma das duas outras startups que estava a concorrer com a Nutrix pelo primeiro lugar.

Entre as três finalistas estavam também a Banjo Robinson, um serviço de cartas para crianças por subscrição da autoria de um gato fictício que viaja por todo o mundo e partilha os seus conhecimentos com crianças.

Este ano, o prémio do público também foi para a Nutrix, com 40% dos votos. Seguiu-se a Banjo Robinson com 31% dos votos e a Be Right Back com 29% dos votos.

FONTE - Público

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