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terça, 29 outubro 2019 11:28

Bebé, filha de luso-canadianos, precisa de medicamento de dois milhões de euros

Com apenas sete semanas, a bebé foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal - Tipo 1, a mesma doença de Matilde.

Uma família luso-canadiana lançou uma campanha com o objectivo de angariar dois milhões de euros necessários para adquirirem um novo medicamento para a sua bebé de dois meses, que sofre de uma doença rara.

Eva, filha de Ricardo (30 anos) e Jéssica Baptista (28), nasceu no dia 11 de Agosto de 2019, em Toronto, mas a 2 de Outubro, com apenas sete semanas, foi-lhe diagnosticado uma Atrofia Muscular Espinhal - Tipo 1, a mesma doença de Matilde, a bebé portuguesa que motivou também uma campanha de recolha de dinheiro.

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“Quando ela nasceu foi tudo normal”, começou por contar o pai, natural de Esposende, no Canadá desde os três anos. Contudo, os progenitores encontraram em Eva alguns sinais que não eram normais como os braços a “cair para baixo constantemente” e a “cansar-se rapidamente” até mesmo “quando estava a comer”.

A página no GoFundMe “ForEvaStrong” já regista cerca de 500 mil dólares canadianos angariados (345 mil euros).

Os pais só pediram um diagnóstico depois de um aviso de uma parteira. “Após alguns testes (de análise genética) chegaram à conclusão de que ela tinha atrofia muscular espinhal (tipo 1 - a forma mais grave da doença). Doeu muito quando descobrimos, porque não sabíamos o que era. Só uns dias depois, quando estávamos mais calmos é que conseguimos perceber o que era esta doença com alguma pesquisa na internet e ajuda de outras pessoas”, lamentou Ricardo Baptista.

A doença degenerativa neuromuscular rara, de origem genética, está a ser tratada actualmente com Spinraza, um medicamento subsidiado na totalidade até aos 18 anos pelo sistema de saúde no Ontário, que ajuda a controlar os sintomas, “uma injecção na coluna que tem que ser administrada nos primeiros dois meses, quatro vezes, e depois de quatro em quatro meses, para o resto da vida”.

No entanto, o medicamento inovador Zolgensma — aplicado na bebé Matilde e suportado pelo Serviço Nacional de Saúde português — é visto como “uma luz ao fundo do túnel” pelos pais. O medicamento em causa não é comercializado no Canadá e custa cerca de dois milhões de euros. O Zolgensma é uma injecção de dose única, apresentada como uma terapia genética dirigida “à raiz” da doença. Nesse sentido, os pais lançaram uma campanha de recolha de apoios que tem obtido uma grande adesão por parte da comunidade portuguesa.

“Não é fácil arranjar esse dinheiro todo, mas é algo de muito importante. Já temos bastante apoio da comunidade, mas não vamos parar, mesmo que tenhamos de vender a nossa casa, porque não a posso deixar piorar”, prometeu a mãe Jéssica, nascida no Canadá, mas filha de emigrantes de São Miguel (Açores). Eva perdeu algum peso durante este processo e tem de utilizar actualmente uma sonda nasogástrica para as refeições.

Além de vários eventos programados, está agendado para o dia 7 de Dezembro, às 18h30 (23h30 de Lisboa), um jantar de angariação de fundos, que terá lugar no salão da Liuna Local 183, no número 1263 da Wilson Avenue, no norte de Toronto.

Em comunicado enviado à Lusa, o Sick Kids Hospital explicou que o actual padrão de tratamento aprovado pelo Ministério de Saúde do Canadá (em 2016) para Atrofia Muscular Espinal “é o Nusinersen (Spinraza), prescrito e administrado” naquele hospital. Quanto ao medicamento Onasemnogene Abeparovec-Xioii (Zolgensma) “actualmente não está aprovado no Canadá”, salientando que “é necessário mais investigação para determinar os resultados a longo prazo de novos tratamentos”.

Em Maio de 2019 o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (US Food and Drog Administration) aprovou o medicamento Zolgensma, avaliado em 2,125 milhões de dólares americanos por dose (único tratamento necessário), que tem de ser administrado até aos dois anos de idade. Trata-se do medicamento mais caro do mundo em 2019.

A Atrofia Muscular Espinhal afecta cerca de 10 mil pessoas anualmente. Se não for tratada até aos dois anos, pode ser mortal.

FONTE - Público

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