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sexta, 25 outubro 2019 14:21

Cancro: Aprender com o menos bom

Passados oito anos, volto ao hospital de seis em seis meses para fazer exames e continuar a certificar-me que a vencedora desta luta fui eu.

Foi num exame de rotina que percebi que a minha vida ia mudar. Decidi fazer um check up e na mamografia foi-me detectado algo que, segundo a médica radiologista, não se percebia bem o que era. Não deixem de fazer os exames de rotina e façam-nos com a regularidade recomendada pelo médico. No meu caso, já não fazia exames há três anos, desde o nascimento do meu filho mais novo.

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Então, foi-me prescrita uma ecografia mamária que veio confirmar que algo estava ali e que devia ser vigiado ao fim de seis meses. A 20 de Dezembro de 2010 (data do aniversário da minha irmã) repeti os exames e, naquele dia, percebi que o que achava não ser nada deveria ser alguma coisa com importância pois a radiologista, desta vez, não me deu relatórios, mas sim prescreveu-me uma biópsia para fazer com alguma urgência.

Com o resultado, carcinoma ductal invasivo na mama direita, chegou também o medo e a ansiedade. “Dentro do mau, pode dizer-se que é bom”, disse-me a médica para me acalmar.

O chão fugiu-me. “E agora? O que vou fazer”, perguntava-me. Fiz cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Agarrei-me ao que mais de precioso tinha: os meus filhos, na altura, com 3 e 12 anos, o meu marido, a minha irmã e os meus pais. Todos os mimos que recebia da família e dos amigos foram uma força inexplicável e a vida continuou. Com uma rotina diferente, mas continuou.

Passados oito anos, volto ao hospital de seis em seis meses para fazer exames e continuar a certificar-me que a vencedora desta luta fui eu.

Comecei a ver a vida com outros olhos. Tanta coisa que deixou de ser importante em contraste com outras que passaram a ser prioritárias.

A vida deve ser vivida dia-a-dia e cada momento aproveitado sempre da melhor forma. Podemos sempre aprender com o que de menos bom nos surge.

Conversei com muitas pessoas que passaram pelo mesmo, agarrei-me aos casos positivos e sorri sempre. Afinal sempre fui forte e não era nesta altura que ia deixar de o ser.

FONTE - Público

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