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quarta, 09 outubro 2019 10:50

Nobel da Química para a promessa de “um mundo recarregável” com lítio

Anúncio foi feito esta quarta-feira de manhã na Real Academia Sueca das Ciências, em Estocolmo.

O Prémio Nobel da Química de 2019 foi atribuído a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino “pelo desenvolvimento de baterias de lítio”, anunciou esta quarta-feira o Comité do Nobel na Real Academia Sueca das Ciências, em Estocolmo. O prémio tem um valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 871 mil euros). Os laureados deste ano contribuíram para a possibilidade de “um mundo recarregável”. John B. Goodenough, com 96 anos, é o cientista mais velho a receber o Nobel até agora.

O PÚBLICO conversou com John Bannister Goodenough em Abril de 2018. No currículo, sobretudo, é um gigante, repetidas vezes considerado pela academia sueca quando chega a época do Nobel para a área de Física. É considerado o pai das baterias de iões de lítio, a invenção do início dos anos 90 que revolucionou o mundo da tecnologia, e o dia-a-dia de hoje, com gadgets e equipamentos electrónicos a funcionar sem fios, em todo o lado, através de baterias recarregáveis. E, por isso, já recebeu vários prémios e comendas internacionais.

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Quanto ao trabalho de cada um dos laureados no desenvolvimento de baterias de iões de lítio, Akira Yoshino – da Universidade Meijo (Japão) – conseguiu eliminar o lítio puro de baterias, baseando-as totalmente em iões de lítio, o que é mais seguro do que o lítio puro. “Isto tornou as baterias viáveis na prática”, refere-se na conta de Twitter do Prémio Nobel. Já John Goodenough ​– da Universidade do Texas em Austin (Estados Unidos) – conseguiu duplicar o potencial das baterias de lítio, criando as condições certas para baterias muito mais úteis e potentes. Por sua vez, no início dos anos 70, Stanley Whittingham – da Universidade de Binghamton (Estados Unidos) – ​trabalhou no desenvolvimento de métodos que conduziram a tecnologias energéticas livres de combustíveis fósseis. O cientista começou por investigar supercondutores e descobriu um material extremamente rico em energia, que usou para criar um novo cátodo (o lado positivo da bateria) numa bateria de lítio, descreve-se num comunicado sobre o Prémio Nobel da Química.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio dos laureados, Akira Yoshino expressou a sua gratidão pela distinção e afirmou: “A curiosidade foi a minha principal força impulsionadora.”

Pelas 10h da manhã, surgiu na conta oficial do Twitter do Prémio Nobel a fotografia habitual do secretário-geral do Comité a fazer o tradicional telefonema, desta vez com a legenda: “O secretário-geral, Göran K. Hansson, no telefone do escritório está a fazer história novamente. Para quem está a ligar?” Havia três telefonemas a fazer. Na conferência de imprensa, Göran K. Hansson admitiu que ainda não tinham conseguido entrar em contacto com John B. Goodenough.

As baterias de iões de lítio que ainda hoje são usadas, e que John Goodenough ajudou a inventar já nos anos 80 do século passado, usam electrólitos líquidos para transportar os iões de lítio entre o ânodo (o lado negativo da bateria) e o cátodo (o lado positivo da bateria).

O comité do Nobel de Química de 2019 foi formado por Claes Gustafssonm, presidente e professor de Bioquímica, Peter Somfai, professor de Química Orgânica, Peter Brzezinski, professor de Bioquímica, Olof Ramström, professor de Química, Johan Åqvist, professor de Química Teórica, e Gunnar von Heijne, secretário-geral deste comité e professor de Química Teórica.

O Prémio Nobel da Química de 2018 foi atribuído à norte-americana Frances H. Arnold e, a outra metade, ao norte-americano George P. Smith e ao britânico Gregory P. Winter.

Este ano, o comité já atribuiu o prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia, na segunda-feira, e o Prémio Nobel da Física, na terça-feira. No total, foram distinguidos seis cientistas, todos homens.

Quando Marie Curie recebeu o Prémio Nobel de Química, em 1911, já tinha sido reconhecida com o Prémio Nobel da Física pelo seu trabalho em radioactividade e, assim, tornou-se a primeira pessoa a receber dois prémios Nobel. Frederick Sanger recebeu o Prémio de Química duas vezes, em 1958 e em 1980. Até agora, cinco mulheres receberam o Nobel de Química. Entre 1901 e 2018 foram atribuídos 110 prémios Nobel de Química, 63 dos quais apenas a um cientista.

Os Prémios Nobel são atribuídos anualmente pela Academia Real das Ciências da Suécia, pelo Comité do Nobel e o Instituto Karolinska a pessoas ou organizações que contribuíram de forma excepcional nos campos da Química, Física, Literatura, Paz e Fisiologia ou Medicina. Os prémios foram criados em 1895 por Alfred Nobel e, entre 1901 e 2018, o prémio Nobel foi concedido 540 vezes a mais de 800 laureados. Entre os vencedores nas várias categorias contam-se 52 mulheres. Com Teresa Sofia Serafim

FONTE - Público

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