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quinta, 19 setembro 2019 06:01

SNS já avaliou a actividade física de cerca de 120 mil pessoas

Médicos de família também entregaram mais 20 mil guias de aconselhamento, com o objectivo de motivar a realização de mais exercício. Programa Nacional para a Promoção da Actividade Física apresenta relatório esta quinta-feira.

Entre o final de 2017 e Junho deste ano, os médicos de família avaliaram o nível de actividade física e sedentarismo de cerca de 120 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e emitiram mais de 20 mil guias de aconselhamento breve para aumentar a motivação e ajudar as pessoas a serem mais activas. Esta é uma das iniciativas que o Programa Nacional para a Promoção da Actividade Física (PNPAF), da Direcção-Geral da Saúde, desenvolveu no último ano para responder às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS): os adultos devem realizar 150 minutos por semana de actividade física.

“O número de utentes avaliados tem sempre vindo a crescer exponencialmente. Quase sextuplicou entre 2018 e 2019”, diz ao PÚBLICO Marlene Silva, directora do PNPAF, que esta quinta-feira apresenta, em Lisboa, o relatório anual do programa. Até Maio do ano passado tinham sido avaliados 19 886 utentes, número que cresceu para 119.386 utentes até ao final de Junho deste ano.

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“O nível de actividade física é um indicador muito importante. Este sistema de avaliação tem uma dupla vantagem: por um lado, permite o envolvimento do utente — abre a porta ao aconselhamento e maior consciencialização da importância da actividade física — e, por outro permite o registo e a vigilância. Quer a nível epidemiológico — vamos poder seguir os utentes por décadas — quer a nível do médico perceber se o aconselhamento que deu, teve ou não resultados”, aponta.

O relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, recorda os dados do primeiro Barómetro Nacional da Actividade Física, realizado em 2017, que mostravam que só 2% dos inquiridos conheciam a recomendação da OMS. Com a avaliação, cria-se a possibilidade de o médico falar sobre os benefícios do exercício e dar guias de aconselhamento breve. “Servem para trabalhar a motivação do utente. É ele que define qual é o seu objectivo, com quem vai fazer a actividade, em que dias, se conseguir alcançar objectivo o que é que gostava que acontecesse. Existem cinco guias para as diferentes necessidades por parte do utente”, que pode receber um ou mais destes documentos, explica Marlene Silva.

Entre Maio de 2018 e Junho de 2019 o número de guias emitidos quase triplicou: passou de 7344 para 20.494. O número de utentes que os receberam também cresceu, mas não na mesma proporção (3643 utentes até Maio de 2018 e 7957 utentes até Junho deste ano).

“A actividade física é um importante determinante ao nível da prevenção de doenças crónicas e de promoção da saúde”, salienta a directora do programa. O relatório socorre-se de um estudo internacional de 2016, publicado na revista Lancet, para dizer que “em Portugal, a prática regular de actividade física permitiria reduzir significativamente a prevalência das principais doenças crónicas — por exemplo, cerca de 14,2% dos casos de cancro da mama, 15,1% dos casos de cancro colorrectal, 10,5% dos casos de diabetes tipo 2 e 8,4% dos casos de doença coronária”.

Já este ano, arrancou um projecto-piloto, com 13 unidades do SNS (12 centros de saúde e um hospital), de prescrição de exercício a doentes crónicos (diabetes tipo 2 e depressão e no caso do hospital doentes com cancro da mama). A iniciativa será alvo de uma avaliação para perceber se é custo-efectiva. Se for, o objectivo é ser alargada a todo o SNS.

“Siga o assobio”

A actividade física não se resume aos exercícios que se fazem num ginásio ou à utilização de determinado tipo de equipamento. São também acções do dia-a-dia como subir escadas ou fazer a pé o caminho para o trabalho. Mas que só metade dos inquiridos do Barómetro Nacional da Actividade Física identificou como formas de actividade física. Já o Eurobarómetro da Actividade Física (2017) mostrou que apenas um terço dos portugueses adultos era suficientemente activo para ter ganhos importantes na saúde e que as principais barreiras identificadas foram a falta de tempo e de interesse.

Para alterar esta ideia, o PNPAF realizou em Junho deste ano a campanha Siga o Assobio, dirigida a pessoas entre os 35 e os 65 anos, e que será posteriormente avaliada através de um relatório e de um inquérito nacional. Para já, através de uma amostra — dois inquéritos, um feito antes da campanha e outro depois, com 927 adultos e 1730 adultos respectivamente — foi possível ter resultados preliminares do impacto da mesma.

“Estes dados preliminares dão-nos alguma confiança de que a campanha conseguiu atingir alguns dos seus alvos principais. Alterou a percepção de competência — que sou capaz mesmo quando não tenho tempo e se tiver pouco dinheiro —, a percepção de oportunidades diárias e mudou dados ligados à motivação — ver a actividade física como algo divertido”, refere Marlene Silva, que salienta ainda uma outra transformação. O número de pessoas que reportou ter um nível de actividade física baixo diminuiu (17,3% pós-campanha contra 24,3% pré-campanha) e aqueles que disseram ter um nível de actividade moderado a elevado aumentou (82,6%% pós-campanha contra 75,6% pré-campanha).

FONTE - Público

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