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segunda, 11 fevereiro 2019 23:37

Presidente da República traiu dever de isenção na sua apreciação pública sobre greve cirúrgica dos enfermeiros portugueses

O Presidente da República traiu o seu dever da isenção, num programa de televisão, qualificando algumas questões profundas, com um discurso pobre, superficial, tendencioso, daninho e danoso.

Os enfermeiros portugueses colocaram a Saúde e o SNS no centro do furacão. Fica demonstrado que o trabalho e a existência dos enfermeiros portugueses no Sistema de Saúde é imprescindível e pode parar qualquer hospital.

O Governo continua emaranhado nas teias da dificuldade de ter afrontado os enfermeiros portugueses. E tenta a todo o custo virar portugueses contra portugueses, que alguns deles são enfermeiros. Não mediu bem as consequências da requisição civil, e as ondas de choque já se fazem sentir. Julgou que isto era decretar e está resolvido, mas enganou-se. O Prof. Doutor Garcia Pereira acusa o Governo de manipulação contra os enfermeiros.

Não bastava esta incapacidade do Governo, vertida em atitudes e medidas autoritárias, prepotência, rompimento de negociações e inoperância, para vir depois Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, com um “afecto extremoso” para com o Governo, demonstrar que não é o Presidente de todos os Portugueses. Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, tomou partido por uma das partes. Deixou de ser isento!

Sua Excelência o Presidente da República extravasou na equidistância que deveria ter ao pronunciar-se, da forma que o fez, traindo o dever da isenção, num programa de televisão, qualificando algumas questões profundas, com um discurso pobre, superficial, tendencioso, daninho e danoso, que ainda é mais negativo, vindo de um Professor Catedrático de Direito, que ocupa o lugar mais alto da Magistratura Nacional.

Lamento, não só como enfermeiro, mas como cidadão, porque entendo que o Presidente da República deve ser mais recatado, principalmente em casos sensíveis e de fundo como estas questões da Saúde, mas mais do que isso, do Sistema de Saúde, que é mais que o Sistema Nacional de Saúde. Lamento, por tudo o que disse, mas também porque entendo que o Presidente da República deve fazer pontes, fazer aproximações, gerir silêncios, ser diplomata nos bastidores, não se expor, muito menos de forma tendenciosa e pública como o fez.

A sociedade portuguesa não está distraída. Pode não gostar da “Greve Cirúrgica” dos enfermeiros portugueses, mas também não está a gostar das fantochadas do Sr. Presidente da República Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, porque as sondagens estão a dar um nível de popularidade em queda acentuada.

Se me permite Sr. Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, receba em audiência os enfermeiros, que lhe formularam este pedido há cerca de 2 anos e que ainda não respondeu. Ouça as suas reivindicações. Seja mais isento nas funções que desempenha, nomeadamente nesta protecção tendenciosa que está a dar ao Governo. E se me permite dizer-lhe, essa protecção vai custar-lhe caro.

Uma palavra de desalento com sabor a traição, que dirijo à nossa sociedade. Tantas e tantas vezes, nós enfermeiros, como que advogados de defesa dos direitos dos doentes, somos mediadores, defensores, influenciadores e cuidadores. Mas agora, num momento crucial da nossa luta que vai muito mais além do que a reivindicação e exigência da nossa carreira, da nossa remuneração, mas também em defesa de um bom SNS, exigindo mais enfermeiros, para termos mais tempo para ouvir, tratar e cuidar dos cidadãos doentes, são estes mesmos cidadãos que se colocam contra esta classe profissional – enfermagem e enfermeiros– em favor de um Governo que gasta dinheiro na banca falida, que retira dinheiro à Saúde, à Educação, à Segurança Social e à Justiça para pagar empréstimos de bancos sem segurança, falidos, que mantém clientelas, que “desfalca” esta País à custa de tantos sacrifícios.

Merecíamos melhor deste Povo que muito precisa de nós, mas que se torna mal-agradecido!

Caros Colegas não esqueçam nunca: juntos somos mais fortes. Assim o queiramos e saibamos sê-lo!

Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária

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FONTE - Observador

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