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segunda, 14 janeiro 2019 08:04

Crianças diabéticas obrigadas a voltar a picar ao dedo por falta de sensores

As crianças diabéticas estão a ser obrigadas a voltar às picadas dolorosas por não terem os sensores FreeStyle Libre. O Infarmed acusa a empresa responsável pela comercialização de falta de ética.

As crianças diabéticas estão a ser forçadas a continuar as picadas dolorosas pela falta dos sensores FreeStyle Libre, que estão quase sempre esgotados, avança o Jornal de Notícias esta segunda-feira (edição e-paper, link ainda não disponível). As crianças são o setor de risco que mais sofrem.

Em causa está a falta do dispositivo que começou a ser comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que evita as picadas no dedo e controla os níveis de açúcar no sangue. O dispositivo inclui um aparelho leitor, de aquisição única e cedido pelo SNS, e sensores descartáveis que se colocam nos braços e duram 14 dias. O sensor FreeStyle Libre à venda na internet custa 59,90 euros, ao passo que nas farmácias custa 7,95 euros (já com a comparticipação de 85% do SNS).

Os descartáveis estão quase sempre esgotados e em certas farmácias a espera é “superior a dois meses”, revela o Infarmed. Os pais das crianças estão a ficar preocupados por não haver alternativa no mercado e dizem-se “reféns da empresa”. A Associação Nacional de Farmácias (ANF) e a Associação de Farmácias de Portugal já fizeram várias queixas.

Por falta de fornecimento às farmácias, os diabéticos estão obrigados a interromper esta nova forma de controlo da doença, com prejuízo para a saúde e controlo. A situação é traumatizante para as famílias confrontadas com a necessidade de forçar as crianças a voltar a picar o dedo”, refere o secretário-geral da ANF, Nuno Flora.

A dificuldade na aquisição está a levantar sérias dúvidas em relação à Abbott, a farmacêutica responsável pela exclusividade do produto. A Presidente do Infarmed critica a postura comercial da empresa, dado que apesar da vasta procura, a pouca produção não pode ser desculpa, já que a empresa vendeu durante todo o ano o produto online, privilegiando as pessoas que podem pagar os 59,90 euros e prejudicando aquelas cuja única alternativa é recorrerem à comparticipação do SNS.

O dispositivo está a ser rateado desde que entrou no mercado”, afirma a Presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado.

Neste momento, pela escassez do produto as vendas na internet estão a ser recusadas e a farmacêutica garantiu ao mesmo jornal que a produção estava a ser aumentada pelo menos desde julho.

O nosso objetivo e a nossa promessa é assegurar que toda a gente que precisa do  FreeStyle Libre o terá”, assegura a Abbott, a farmacêutica responsável pela exclusividade do produto.

As negociações entre o Infarmed e a Abbott relativas aos moldes de comparticipação do dispositivo estão em curso e vão continuar ainda este ano. O último acordo prevê uma comparticipação que abrangia cerca de 15 mil diabéticos do tipo 1 (crianças com mais de quatro anos e adultos) e alguns do tipo 2 (aqueles que injetam insulina várias vezes ao dia). Ao que tudo indica, terá havido uma prescrição excessiva para os diabéticos do tipo 2 e os limites foram ultrapassados. Quando isso acontece e no caso de negociações de tratamento, as empresas são obrigadas a devolver as verbas destinadas a esse fim.

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FONTE - Observador

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