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quarta, 11 julho 2018 18:05

Ordem avisa para colapso se médicos com mais de 50 anos deixarem as urgências

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, afirmou que "uma parte muito significativa das urgências entraria em colapso se os médicos com 55 anos deixassem de dar o seu contributo".

A Ordem dos Médicos avisou esta quarta-feira o Governo que uma parte significativa das urgências dos hospitais públicos entraria em colapso se os médicos acima dos 50 anos deixassem de fazer urgência, como prevê a lei.

“Os profissionais têm dado gritos de alerta e não estão a ser atendidos. Qualquer dia chegam a um estado de desmotivação e de exaustão tal que, porventura, aqueles que não têm obrigação de fazer urgência e têm direito a deixar de o fazer, podem deixar de o fazer. E isso tinha um impacto muito grande nos serviços de urgência de uma forma geral”, afirmou Miguel Guimarães à agência Lusa.

A propósito de mais um pedido de demissão de chefes de urgência, desta vez na Maternidade Alfredo da Costa, o bastonário chamou a atenção para “o número muito significativo de médicos com 50 e mais anos” que continua a assegurar urgências noturnas e diurnas. “Uma parte muito significativa das urgências entraria em colapso se os médicos com 55 anos deixassem de dar o seu contributo e de realizar urgência”, afirmou Miguel Guimarães à agência Lusa, lembrando que a lei estabelece que a partir dos 50 anos os médicos estão dispensados de urgência noturna e a partir dos 55 anos estão dispensados de fazer urgência quer de noite quer de dia.

O bastonário lembra que são muitos os médicos com mais de 55 anos que continuam a assegurar urgências e entende que algumas administrações dos hospitais e o próprio ministro da Saúde têm mostrado incompreensão por esse esforço e até desvalorização. Questionado se esta análise da situação pode ser entendida como um aviso ao Governo, Miguel Guimarães respondeu que sim, acrescentando estar “muito preocupado” com a desvalorização que responsáveis políticos têm demonstrado “sobre o que está a acontecer no terreno” no Serviço Nacional de Saúde.

Sobre a situação na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, o bastonário frisa que a carta de demissão dos chefes de equipa demonstra “a falta de capital humano” e o esforço e exaustão dos profissionais.

Aludindo a dados avançados na carta dos médicos da MAC, Miguel Guimarães destaca que apenas sete médicos que cumprem serviço de urgência têm menos de 50 anos.

Além do trabalho em urgência, o bastonário recorda a quantidade de horas extraordinárias feitas pelo pessoal médico, indicando que a remuneração mensal média de todos os médicos do SNS inclui cerca de 21% de horas extraordinárias. “As horas extra deviam ser isso mesmo, extraordinárias. Mas estão a ser usadas horas extra todos os dias e todas as semanas por falta de médicos”, afirmou.

Os profissionais da MAC que assinaram e entregaram a carta de demissão, a que a agência Lusa teve acesso, indicam que há falta de recursos humanos e que os profissionais estão exaustos.

Os chefes de equipa de urgência da MAC indicam que decidiram “por unanimidade” apresentar a sua demissão numa reunião com a administração na segunda-feira. Na carta, os profissionais referem que a MAC tem apenas 27 especialistas médicos que realizam serviço de urgência de dia e de noite e que uma dessas profissionais se encontra de baixa por gravidez de risco. Dos 27 especialistas, 13 têm mais de 50 anos e sete têm mais de 55 anos.

O número de horas extraordinárias feitas pelos profissionais já excede “há vários meses” o que está previsto por lei e também as equipas de enfermagem se encontram reduzidas e igualmente em exaustão. Fonte oficial do Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra a Maternidade Alfredo da Costa, indicou que a carta foi entregue, mas que os profissionais se mantêm em funções e que a situação se encontra “controlada e ultrapassada”.

FONTE - Observador

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