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quinta, 14 junho 2018 08:00

Ordem regista 400 farmacêuticos no desemprego

Em 2017 estavam registadas quatro centenas, menos 30 pessoas do que no ano anterior. Número de diplomados em ciências farmacêuticas está a diminuir.

Pela primeira vez em quatro anos o número de desempregados registados na Ordem dos Farmacêuticos desceu. Em 2017 estavam registadas quatro centenas, menos 30 pessoas do que no ano anterior. Embora os profissionais no activo continuem a crescer – quase que duplicaram em 17 anos –, o número de diplomados em ciências farmacêuticas está a diminuir. Em 2014, havia 998 novos diplomados e no ano passado o número baixo para 825.

Os dados de 2017 fazem parte do relatório de actividades da Ordem dos Farmacêuticos (OF) entregue ao Parlamento. Não é o número mais baixo dos últimos quatros, mas mostra uma pequena recuperação em relação ao ano anterior (2016), quando estavam registados 430 desempregados. Segundo dados enviados ao PÚBLICO, em 2015 existiam 387 desempregados registados pela OF. Eram 2014 eram 303.

“Apesar de poder ser ainda prematuro concluir, talvez a redução no último ano possa coincidir com um ciclo de retoma que o sector começa a viver”, admite a Ordem dos Farmacêuticos em resposta ao PÚBLICO.

Sobre o crescimento registado até 2016, diz ser coincidente “com uma percepção generalizada na classe de mais despedimentos, menos ofertas de emprego e mais dificuldades económicas e financeiras dos operadores, em especial das farmácias e laboratórios de análises clínicas, mas também da indústria farmacêutica multinacional”.

Em Janeiro, a Associação Nacional de Farmácias referia, em comunicado, que mais de um quinto das farmácias tinha entrado em 2018 “em situação de crise económica". De acordo com aquela associação, no ano passado existiam 630 farmácias, num universo de 2943, em situação de insolvência. Em 2012 eram 241.

Segundo a OF, a generalização da isenção do pagamento da quota aos desempregados também poderá ter levado mais profissionais a comunicar a sua situação. Mas mesmo assim, a Ordem reconhece que o número de desempregados pode estar aquém do real por haver farmacêuticos que não tenham actualizado a situação laboral.

De acordo com o relatório de actividades, no ano passado nove farmacêuticos estavam suspensos por sanção disciplinar/notificação do tribunal (cinco na região norte, três na sul e um na centro).

Mais de 14 mil no activo

O mesmo documento mostra que no ano passado 14.423 farmacêuticos estavam no activo, quase o dobro dos do ano 2000. Mas o número de novas admissões na Ordem está a descer: foram 609 (em 2016 foram admitidos 753). “É uma tendência que vem das próprias instituições de ensino, de onde tem saído menor número de alunos diplomados em Ciências Farmacêuticas todos os anos. Acresce também que cada vez mais colegas têm optado por experiências internacionais. Ainda assim, a percentagem de novos diplomados que anualmente se inscrevem na OF tem-se mantido constante, a rondar os 80%.”

Mesmo em plena crise, refere a Ordem, parece “evidente que o sector tem optado por continuar a contratar farmacêuticos”. As farmácias comunitárias, hospitalares, indústria farmacêutica e análises clínicas são as áreas mais empregadoras. E à excepção da última, as restantes apresentam um número elevado de profissionais nas faixas etárias abaixo dos 35 anos e entre os 35 e os 44 anos.

“As farmácias hospitalar e comunitária são, historicamente, as áreas que acabam por captar mais farmacêuticos recém-diplomados”, por a profissão estar muito associada a estes dois ramos, refere a OF, que salienta outros dois aspectos: “a diminuição anual de farmacêuticos na área das análises clínicas e genética e um crescimento da área da indústria farmacêutica, cujas condições financeiras e de progressão na carreira podem ser mais apelativas para os jovens farmacêuticos”.

Em 2014, a OF criou a bolsa de emprego, uma plataforma digital em que os interessados colocam ofertas e currículos. No final de 2017, encontravam-se registados 4913 candidatos e 577 entidades. Nesse ano a bolsa recebeu 165 ofertas, que podem ser propostas de emprego, de estágios e de bolsas de investigação/prémios.

FONTE - Público

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