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sexta, 11 agosto 2017 17:34

Será em Outubro a nova greve dos médicos se Governo não der respostas

A informação foi avançada nesta sexta-feira em conferência de imprensa após reunião no Ministério das Finanças. Para Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, o ministro da Saúde "tem sido uma profunda ilusão".

Os sindicatos que representam os médicos dizem que será convocada uma greve para a primeira semana de Outubro — a segunda greve do ano — se o Governo não responder às reivindicações da classe. A escolha desta data não foi feita ao acaso: tem a ver com o calendário eleitoral, dizem.

A informação foi avançada nesta sexta-feira à tarde, em conferência de imprensa conjunta do SIM — Sindicato Independente dos Médicos e da Fnam — Federação Nacional dos Médicos. Mário Jorge Neves, da Fnam, diz que não quer interferir no calendário das autárquicas. As eleições realizam-se no domingo dia 1 de Outubro. A greve, a acontecer, será depois.

De manhã os sindicatos estiveram reunidos com os ministros da Saúde e das Finanças. Um encontro que aconteceu, ao contrário do que é habitual, no Ministério das Finanças e não no da Saúde.

Segundo o SIM e a Fnam, o ministério de Adalberto Campos Fernandes comprometeu-se a, numa nova reunião agendada para o próximo dia 18, apresentar uma proposta com todas as matérias até agora discutidas. A sede das negociações voltará a ser o Ministério da Saúde, mas a responsabilidade destas pertencerá ao Governo e não só a Adalberto Fernandes, informaram os sindicatos.

Na reunião desta sexta-feira, "a delegação governamental reconheceu que se tratou de um erro a menção contida no documento [enviado pelo Ministério da Saúde] sobre o cumprimento obrigatório do serviço de urgência, após os 55 anos de idade", disseram também os representantes sindicais.

“Exigimos respeito”, já tinha alertado Mário Jorge Neves, da Fnam, à saída do encontro, referindo que os representantes dos médicos chamaram a atenção dos ministros para “aspectos que seriam dispensáveis” no texto negocial que lhes foi apresentado esta semana, nomeadamente referências como “os médicos terem sido objecto de um aumento de 20%, quando os médicos têm os seus salários congelados há 12 anos” ou “quererem obrigar — o que nem aconteceu no período negro da troika — que médicos com mais de 55 anos de idade voltem a fazer urgência”.

"Não estamos a pedir aumentos salariais, mas sim o fim das medidas lesivas que foram impostas pela troika", frisou o secretário-geral do SIM, Roque da Cunha, que considerou que o ministro da Saúde "devia preocupar-se mais com a resolução dos problemas do sector do que com a sua imagem". Sobre Adalberto Fernandes disse ainda que "tem sido uma profunda ilusão".

Mário Jorge, da Fnam, alertou que "o ambiente e as condições de trabalho no sector da saúde atingiram um ponto insustentável". O dirigente sindical recordou que nos últimos quatro anos "emigraram 3700 médicos que não estavam no desemprego", referindo que este é um "exemplo da incomodidade que tem alastrado a toda a classe médica".

As reivindicações dos médicos estão a ser negociadas há cerca de um ano e meio e passam, sobretudo, pela redução das actuais 18 horas para apenas 12 horas semanais do trabalho no serviço de urgência, pela diminuição do número anual de horas suplementares que os médicos são obrigados a fazer por ano (de 200 para 150) e pela redução do número de utentes por médico de família (de 1900 para 1550).

No documento negocial que fez chegar aos sindicatos, o Governo propôs que os profissionais com mais de 55 anos passem a fazer urgências. Diz que as remunerações dos médicos aumentaram entre 15% e 20% nos dois anos desta legislatura, um crescimento sem paralelo noutro grupo profissional da Administração Pública. E que, entre 2014 e 2017, o número de médicos especialistas aumentou 8,1% (1339) e o de enfermeiros, 9,4% (3477).

Os sindicatos vão agora realizar plenários regionais com a Ordem dos Médicos e nos locais de trabalho, convocar um novo Fórum Médico e solicitar encontros ao Presidente da República, às direcções partidárias, centrais sindicais e associação nacional de municípios.

FONTE - Público

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