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sexta, 21 abril 2017 17:43

Sarampo: Inspecção-Geral da Saúde vai averiguar contágio em Cascais

Revelação foi feita pelo ministro da Saúde. Inspectora explica que vai ser necessário analisar o historial do que aconteceu no Hospital de Cascais.

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) vai iniciar uma averiguação sobre os casos de contágio de sarampo no Hospital de Cascais, mas ainda não está decidido se avança para a instauração de um inquérito ou se optará por outro tipo de acção inspectiva, esclareceu ao PÚBLICO a inspectora-geral da Saúde, Leonor Furtado. "Estamos a realizar diligências para percebermos como vamos intervir", explicou a inspectora-geral, que sublinhou ser necessário analisar "o historial" do que aconteceu naquele unidade de saúde para tomar uma decisão.

Foi o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que anunciou na tarde desta sexta-feira que a IGAS vai averiguar o que se passou no Hospital de Cascais, onde foram registados vários casos de sarampo. Um bébe doente ali internado e que não estava vacinado terá contaminado vários profissionais de saúde e uma adolescente que, devido ao agravamento do seu estado de saúde, acabou por ser transferida para o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde morreu na quarta-feira, não resistindo a uma pneumonia bilateral provocada pelo sarampo.

“Sempre que acontece alguma dúvida sobre procedimentos ou comportamentos, nós actuamos de imediato. Já hoje [sexta-feira] falei com a senhora inspectora-geral das Actividades em Saúde, que está naturalmente interessada e que tomou o processo em mãos para também lá mais à frente esclarecer as pessoas, os cidadãos, sobre se houve ou não algum procedimento menos adequado”, explicou o ministro, citado pela Lusa, à margem de uma cerimónia no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

"Pode ser necessário fazer um inquérito"

“A partir do momento em que a senhora inspectora-geral se interessa pelo caso, não tem outra forma de trabalhar que não seja a abertura de um inquérito. Significa que hoje mesmo determinou a abertura de um inquérito”, acrescentou.

"Eventualmente, pode ser necessário fazer um inquérito", admitiu Leonor Furtado, que sublinhou, porém, que a inspecção ainda não está na posse de elementos suficientes para decidir. A responsável explicou ainda que um inquérito tem como objecto uma eventual responsabilidade por actos médicos, enquanto outro tipo de acções inspectivas visam apenas verificar se os procedimentos foram cumpridos e as regras respeitadas.

Até sexta-feira, havia 21 casos confirmados, dos quais nove são profissionais de saúde. Destes, dois não têm registo de vacinação, segundo a Direcção-Geral da Saúde. O ministro sublinhou que não houve entretanto notícia de novos casos de sarampo confirmados e aproveitou para apelar aos profissionais de saúde para se vacinarem contra a doença caso não estejam ainda imunizados.

“Queremos reforçar aos portugueses a tranquilidade que procurámos transmitir logo no primeiro dia. Passados oito dias, acabámos por ser informados pelo Instituto Ricardo Jorge [Insa] de que não há mais nenhum caso positivo e esta é uma boa notícia. Não quer dizer que não possam ocorrer mais alguns, mas é uma boa notícia”, afirmou Adalberto Campos Fernandes.

Vacinação dos profissionais de saúde

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de vários profissionais de saúde terem contraído sarampo e alguns não estarem vacinados, o governante enfatizou que a “recomendação forte” do ministério é: façam a vacina. “As administrações regionais de saúde estão a mobilizar-se para que as crianças que não tenham a vacina e profissionais que estejam sub-imunizados ou não tenham feito a vacina poderem fazê-la”, assegurou, adiantando que a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) adquiriu um ‘stock’ adicional de 200 mil doses.

O PÚBLICO tentou obter uma reacção à averiguação da IGAS junto da directora clínica do hospital, que remeteu qualquer comentário para a assessoria de comunicação do Hospital de Cascais. A unidade é gerida em Parceria Público-Privada (PPP).

"O Hospital de Cascais estará, como sempre, disponível para colaborar no esclarecimento de qualquer questão", sublinhou a assessoria de imprensa. A unidade "segue as melhores práticas clínicas associadas à humanização dos cuidados de saúde" da população de Cascais e Sintra, acrescentou, lembrando que o hospital é periodicamente auditado pelo Estado e é "considerado o melhor hospital do SNS [Serviço Nacional de Saúde] na sua categoria". 

O sarampo é uma doença muito contagiosa, que habitualmente é benigna, mas pode ter consequências mais graves e levar à morte. A vacinação é a única forma de prevenção, mas está também imunizado quem já teve a doença. As vacinas são gratuitas e dadas nos centros de saúde aos 12 meses (primeira dose) e aos cinco anos (segunda dose), no âmbito do Programa Nacional de Vacinação.

FONTE - Público

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