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sábado, 03 maio 2014 19:06

O Heroísmo dos enfermeiros dos Açores

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Foi com agrado que registei o sinal de união pública da Secção Regional da Ordem e Sindicato nos Açores em torno de uma causa justa sobre condições de trabalho e exercício profissional que poderão colocar em causa a qualidade dos cuidados (Link). Esta atitude é ainda mais relevante se servir de exemplo para as organizações com responsabilidade nacional onde, apesar das reuniões, ainda não se desenvolveu iniciativas públicas com o compromisso em presença.

O compromisso não pode ser um fim em si mesmo mas há mais do que uma razão para se construir uma agenda comum em vários dossiers que atravessam regulação profissional e condicoes de trabalho: MDP, Enfermeiro de Família, dotações/rácios seguros e autonomia profissional são apenas alguns dos exemplos. 

É por demais evidente que à Enfermagem falta uma verdadeira Política da Profissão, os resultados estão à vista. Somos quase semanalamente confrontados com medidas que colocam em causa o acesso aos cuidados  por parte dos cidadãos e coarctam a possibilidade dos enfermeiros contribuírem com a sua mais-valia técnica, científica  e ética um sistema mais eficiente centrado nas necessidades da pessoa/família/comunidade. Somos confrontados com políticas para a profissão emanadas por quem pouco reconhece o valor da Enfermagem.

Os Açores também podem ser exemplo da tentativa em sentido contrário pois tem sido o laboratório adequado para testar o Enfermeiro de Família com apoio das autoridades regionais, mas quando necessário tem-se alertado sem medos ou preconceitos de dar a cara, sem medos ou receios de vincular-se pessoalmente a um discurso que necessariamente tem que ser construído numa perspectiva de complementaridade entre a regulação do exercicio profissional e do equilíbrio das condições laborais e de emprego. 

Metaforicamante olho para trás e vejo comunicados institucionais de impacto limitado por serem órfãos de personalidade e de complementariedade, olho em frente para os Açores e vejo a materialização de um discurso em complementaridade e com a presença dos seus emissores. Resta aos enfermeiros olhar para cima e esperar que a complementaridade responsável avance pela geografia territorial de Portugal Continental e da profissão de Enfermagem (nomeadamente os territórios da gestão e do ensino). Resta aos enfermeiros olhar ainda mais acima e esperar que a Política da Profissão esteja alicerçada, sincronizada e complemente o discurso dos seus clientes e não das clientelas partidárias que têm sido eficazes a construir antagonismos (a erradicação do Outro) que são exacerbados para justificar os próprios desaires. Essas "histórias de embalar" acabam por funcionar como os moinhos de vento para Dom Quixote, não são o problema de fundo mas são a manifestação de uma ilusão romântica que nos desvia do princípio da realidade e da possibilidade de nos afirmarmos de uma forma prática e descomplexada.

 

Ler 2806 vezes Modificado em domingo, 06 julho 2014 13:37
Pedro José Silva

Enfermeiro

Licenciado em Enfermagem e em Ciências da Educação

Doutorado em Politicas do Ensino Superior

Fundador e Co-Administrador do Forumenfermagem

Sítio: www.forumenfermagem.org/pedrojosesilva